terça-feira, 28 de abril de 2020

Adjetivo - Resumo de Gramática

Adjetivo
Toda palavra que caracteriza o substantivo ou um pronome substantivo, indicando-lhe um estado, aspecto ou modo de ser, uma condição, qualidade, aparência, característica, local de origem ou defeito, recebe o nome de adjetivo.
■ 3.3.2.1. Classificação dos adjetivos
Quanto à flexão, o adjetivo pode ser:
■ 3.3.2.1.1. Uniforme
Possui uma única forma para os dois gêneros: feliz, alegre.
■ 3.3.2.1.2. Biforme
Possui formas distintas para cada gênero: bom / boa; mau / má; bonito / bonita.
Quanto à formação, o adjetivo pode ser:
■ 3.3.2.1.3. Simples
Constituído de um único radical: vermelho, social, claro, escuro, financeiro.
■ 3.3.2.1.4. Composto
Constituído de dois ou mais radicais: vermelho-claro; sociofinanceiro; verde-escuro.
Quanto à significação, o adjetivo pode ser:
■ 3.3.2.1.5. Explicativo
Expressa uma qualidade essencial, inerente ao ser: oceano vasto, fogo quente.
■ 3.3.2.1.6. Restritivo
Expressa uma qualidade acidental do ser: homem rápido.
■ 3.3.2.2. Adjetivo pátrio
É aquele, derivado de substantivo, que se refere a continentes, países, regiões, províncias, estados, cidades, províncias, vilas e povoados: europeu, inglês, londrino, calabrês. Não confunda com adjetivo gentílico, que se refere somente a raças e povos. Assim, israelense é adjetivo pátrio e israelita é adjetivo gentílico. 
Curiosidade: Exemplos para estados e cidades brasileiros:
Acre: acreano, acriano
Alagoas: alagoano
Amapá: amapaense
Aracaju: aracajuano, aracajuense
Amazonas: amazonense
Bahia: baiano
Belém: belenense
Belo Horizonte: belo-horizontino
Boa Vista: boa-vistense
Brasília: brasiliense
Cabo Frio: cabo-friense
Campinas: campineiro
Campinas do Sul (RS); Campina Grande (PB); Campinas do Piauí (PI): campinense
Ceará: cearense
Cuiabá: cuiabano
Curitiba: curitibano
Espírito Santo: espírito-santense ou capixaba
Fernando de Noronha: noronhense
Florianópolis: florianopolitano
Fortaleza: fortalezense
Goiânia: goianiense
João Pessoa: pessoense
Macapá: macapaense
Maceió: maceioense
Manaus: manauense, manauara
Maranhão: maranhense
Marajó: marajoara
Mato Grosso: mato-grossense
Mato Grosso do Sul: mato-grossense-do-sul
Minas Gerais: mineiro
Natal: natalense ou papa-jerimum
Palmas: palmense
Pará: paraense
Paraíba: paraibano
Paraná: paranaense
Pernambuco: pernambucano
Piauí: piauiense
Porto Alegre: porto-alegrense
Porto Velho: porto-velhense
Recife: recifense
Ribeirão Preto: ribeirão-pretense, ribeirão-pretano, ribeiro-pretano, ribeiropretano
Rio de Janeiro (estado): fluminense
Rio de Janeiro (cidade): carioca
Rio Branco: rio-branquense
Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense, potiguar
Rio Grande do Sul: rio-grandense-do-sul, sul-rio-grandense, gaúcho
Rondônia: rondoniano, rondoniense
Roraima: roraimense
Santa Catarina: catarinense, barriga-verde
Salvador: salvadorense ou soteropolitano
São Luís: ludovicense ou são-luisense
São Paulo (estado): paulista
São Paulo (cidade): paulistano
Sergipe: sergipano
Teresina: teresinense
Tocantins: tocantinense
Vitória: vitoriense

Não existe um adjetivo pátrio específico para cada cidade.
■ 3.3.2.3. Locução adjetiva
É a expressão formada de preposição mais substantivo ou advérbio, com valor de adjetivo.
dia de chuva — dia chuvoso
atitudes de anjo — atitudes angelicais
luz do sol — luz solar
estrela da tarde — estrela vespertina
ar do campo — ar campestre
Curiosidade: Algumas locuções adjetivas:
de abdômen — abdominal
de abelha — apícula
de açúcar — sacarino
de águia — aquilino
da alma — anímico
de aluno — discente
de arcebispo — arquiepiscopal
de baço — esplênico
de bispo — episcopal
de boca — bucal, oral
de bronze — brônzeo, êneo
de cabeça — cefálico
de cabelo — capilar
de cabra — caprino
de campo — rural, campesino
de cavalo — equino, hípico
de chumbo — plúmbeo
de chuva — pluvial
de cidade — citadino, urbano
de cinza — cinéreo
de cobra — viperino, ofídico
de cobre — cúprico
de coração — cardíaco, cordial
de criança — pueril, infantil
de dedo — digital
de dinheiro — pecuniário
de esposos — esponsal
de estômago — estomacal, gástrico
de estrela — estelar
de fábrica — fabril
de farinha — farináceo
de fígado — hepático
de fogo — ígneo
de garganta — gutural
de gato — felino
de gelo — glacial
de guerra — bélico
de idade — etário
de ilha — insular
de inverno — hibernal
de irmão — fraternal
de lago — lacustre
de leão — leonino
de lebre — leporino
de leite — lácteo
de lobo — lupino
de mãe — maternal, materno
de marfim — ebúrneo, ebóreo
de memória — mnemônico
de mestre — magistral
de moeda — monetário, numismático
de monge — monacal, monástico
de morte — mortífero, letal
de nádegas — glúteo
de nariz — nasal
de neve — níveo
de norte — setentrional, boreal
de núcleo — nucleico
de olho — ocular, ótico, oftálmico
de orelha — auricular
de ouro — áureo
de outono — outonal
de ouvido — ótico
de ovelha — ovino
de paixão — passional
de pântano — palustre
de pedra — pétreo
de peixe — písceo
de pele — epidérmico, cutâneo
de pescoço — cervical
de porco — suíno
de prata — argênteo
de predador — predatório
de professor — docente
de prosa — prosaico
de proteína — proteico
de pus — purulento
dos quadris — ciático
de rato — murino
de rim — renal
de rio — fluvial
de rocha — rupestre
de selo — filatélico
de selva — silvestre
de sonho — onírico
de sul — meridional, austral
da terra — telúrico
de terremoto — sísmico
de touro — taurino
de umbigo — umbilical
de velho — senil
de vento — eólio, eólico
de verão — estival
de vidro — vítreo
de vontade — volitivo
■ 3.3.2.4. Flexão de gênero
■ 3.3.2.4.1. Adjetivos simples
Sua flexão de gênero é igual à dos substantivos simples.
homem bom / mulher boa
rapaz trabalhador / moça trabalhadeira (trabalhadora é feminino de trabalhador, como substantivo)
■ 3.3.2.4.2. Adjetivos compostos
Varia apenas o último elemento.
hospital médico-cirúrgico / clínica médico-cirúrgica
sapato amarelo-claro / blusa amarelo-clara
estudo afro-brasileiro / pesquisa afro-brasileira
Curiosidade: Surdo-mudo é o único adjetivo composto da Língua Portuguesa em que ambos os elementos variam, tanto em gênero quanto em número: surdo-mudo, surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas.
■ 3.3.2.5. Flexão de número
■ 3.3.2.5.1. Adjetivos simples
Sua flexão de número é igual à dos substantivos simples.
homem bom / homens bons
rapaz trabalhador / rapazes trabalhadores
Curiosidade: Qualquer substantivo usado como adjetivo por derivação imprópria fica invariável:
homem monstro / homens monstro
mulher monstro / mulheres monstro
vestidos laranja
ternos cinza
camisas abacate
carros residência (mas carros residenciais: adjetivo)
roupas esporte / camisas esporte (mas roupas / camisas esportivas: adjetivo)
■ 3.3.2.5.2. Adjetivos compostos
Varia apenas o último elemento.
atividade técnico-científica / atividades técnico-científicas
blusa amarelo-clara / blusas amarelo-claras
política econômico-financeira / políticas econômico-financeiras
Curiosidade: Se o último elemento do composto for um substantivo, fica invariável.
blusa verde-garrafa / blusas verde-garrafa
tecido amarelo-ouro / tecidos amarelo-ouro
sapato marrom-café / sapatos marrom-café
São invariáveis: azul-marinho / azul-celeste / cor de ... / rosa-choque / ultravioleta (infravermelho é variável) / furta-cor / zero-quilômetro
■ 3.3.2.6. Flexão de grau
São dois os graus de adjetivo:
■ Comparativo, compara dois seres diferentes.
■ Superlativo, compara qualidades de um único ser.
■ 3.3.2.6.1. Grau comparativo
■ 3.3.2.6.1.1. De igualdade
A qualidade aparece na mesma intensidade para ambos os seres que se comparam:
João é tão alto quanto José.
■ 3.3.2.6.1.2. De superioridade
A qualidade aparece mais intensificada no primeiro elemento de comparação:
João é mais alto que (ou do que) José.
■ 3.3.2.6.1.3. De inferioridade
A qualidade aparece menos intensificada no primeiro elemento de comparação:
João é menos alto que (ou do que) José.
Curiosidade: Veja o grau comparativo de superioridade com os adjetivos:
bom
mau / ruim
grande
pequeno
Temos duas formas para usá-los:
a) analítica: mais bom, mais mau, mais grande, mais pequeno
b) sintética: melhor, pior, maior, menor
Comparativo de superioridade analítico: usado quando se comparam duas qualidades de um único ser.
Minha casa é mais grande que confortável. 
João é mais bom que ruim. 
Comparativo de superioridade sintético: usado quando se compara uma qualidade entre dois seres diferentes:
Minha casa é maior que a sua.
João é melhor que José.
Atenção: A forma “mais pequeno” é sempre correta, embora seja mais comum em Portugal. No Brasil, é mais comum o uso da forma sintética. Você pode usá-la sempre:
Meu carro é mais pequeno que grande.
Meu carro é mais pequeno que o seu.
A casa do Pedro é mais pequena que grande.
A casa do Pedro é mais pequena que a casa do José.
■ 3.3.2.6.2. Grau superlativo
■ 3.3.2.6.2.1. Relativo
Qualidade de um ser em relação a um conjunto de seres.
■ De superioridade: João é o mais alto da turma.
■ De inferioridade: João é o menos alto dentre a turma.
■ 3.3.2.6.2.2. Absoluto
Qualidade de um único ser, absolutamente.
a) Analítico: quando a alteração do grau é feita por meio de um advérbio que modifique o adjetivo:
João é muito alto.
Minha casa é bastante confortável.
b) Sintético: quando acrescentamos sufixos para marcar o grau:
João é altíssimo.
Minha casa é confortabilíssima.
O superlativo absoluto sintético é formado pelo acréscimo dos sufixos: -íssimo; -ílimo; -érrimo.
Na língua coloquial, usamos sempre -íssimo: belíssimo, amiguíssimo, agudíssimo. Também se usam frequentemente os sufixos -érrimo e -ésimo, este último usado para formar numerais ordinais.
Na língua culta, devemos acrescentar os sufixos -íssimo, -rimo ou -imo às formas eruditas dos adjetivos:
amicus + íssimo = amicíssimo
pauper + rimo = paupérrimo
humili + imo = humílimo
Alguns superlativos absolutos eruditos:
amargo: amaríssimo
célebre: celebérrimo
cruel: crudelíssimo
doce: dulcíssimo
frágil: fragílimo
frio: frigidíssimo
geral: generalíssimo
humilde: humílimo
incrível: incredibilíssimo
livre: libérrimo
magro: macérrimo ou magérrimo
negro: nigérrimo
nobre: nobilíssimo
pio: pientíssimo
preguiçoso: pigérrimo
sábio: sapientíssimo
soberbo: superbíssimo
tétrico: tetérrimo
velho: vetérrimo
veloz: velocíssimo
visível: visibilíssimo
voraz: voracíssimo

Na linguagem coloquial, usa-se grandessíssimo, em vez de grandíssimo, para reforçar expressões ofensivas: grandessíssimo vigarista.

Outras formas de superlativo absoluto: prefixos, repetição do adjetivo, expressões coloquiais, comparações, diminutivo, aumentativo e uso do artigo definido com ênfase. Na linguagem da internet, isso é feito através da repetição de um fonema ou de caixa alta: o programa foi especiaaaaaal ou o programa foi ESPECIAL.

São irregulares os comparativos superior, inferior, anterior, posterior, ulterior, exterior e interior e os superlativos supremo (ou sumo), ínfimo, póstumo, último, extremo e íntimo.

'Interior' usa-se como substantivo em oposição a 'capital', a 'litoral' ou a 'exterior'.

São considerados adjetivos de relação ou relacionais aqueles que estabelecem relações de tempo, espaço, matéria, procedência, propriedade ou finalidade. Também se incluem nessa lista os adjetivos de tipo classificatório e os que pertencem às terminologias científicas. Suas características são:

são derivados de substantivo por sufixos ou prefixos
vêm sempre depois do substantivo
não aceitam variação de grau, ou seja, não podem ser intensificados

Para que um adjetivo tenha comparativo ou superlativo, é evidente que seu sentido admita variação de intensidade.

Classes Gramaticais / Substantivo - Resumo de Gramática

CLASSES DE PALAVRAS
Todas as palavras da língua portuguesa podem ser colocadas em dez classes diferentes, de acordo com sua classificação gramatical. A isso damos o nome de classes de palavras.
São dez as classes de palavras em Língua Portuguesa:
■ substantivo verbo
■ adjetivo advérbio
■ artigo preposição
■ numeral conjunção
■ pronome interjeição
Essas classes podem ser divididas em nominais ou verbais e variáveis ou invariáveis:
■ Classes nominais — substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
■ Classe verbal — verbo.
■ Variáveis — substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome e verbo.
■ Invariáveis — advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

Outra divisão:

classes essenciais - substantivo e verbo
classes principais ou adjuntas - pronome e numeral
classes sempre adjuntas - artigo, adjetivo e advérbio
classes conectivas - preposição e conjunção
classe especial - interjeição

classes básicas - substantivo e verbo
classes dependentes:
do nome - artigo, numeral, pronome e adjetivo
do verbo - advérbio
classes de ligação - preposição e conjunção
classe de sentimento - interjeição

Além disso, há as palavras denotativas, que se assemelham a advérbios, mas não possuem uma classificação gramatical específica, segundo a NGB.

As classes abertas são aquelas em que são possíveis as alterações do falante ao longo da história da língua (neologismos) e as variações morfológicas (flexão de gênero e número). Por oposição, as classes fechadas são aquelas cuja forma se consagrou na língua e onde as mudanças são quase inexistentes.

São abertas as seguintes classes: substantivos, adjetivos, verbos, interjeições, numerais e advérbios terminados em -mente
São fechadas as seguintes classes: artigos, pronomes, preposições, conjunções e advérbios não terminados em -mente
Curiosidade: A mesma palavra pode ser colocada em mais de uma classe, de acordo com o modo como é usada.
Eu quero jantar em sua casa hoje. (jantar — verbo)
O jantar que você fez estava delicioso. (jantar — subst.)
Eu quero um vestido amarelo. (amarelo — adj.)
Eu gosto muito do amarelo. (amarelo — subst.)
■ 3.3. CLASSES NOMINAIS VARIÁVEIS

■ 3.3.1. Substantivo
É a palavra que nomeia os seres, coisas, pessoas, lugares, sentimentos, eventos, empresas, animais, vegetais etc.
■ 3.3.1.1. Classificação dos substantivos
Os substantivos podem ser classificados como:
■ 3.3.1.1.1. Próprio ou comum
■ próprio — particulariza um ser da espécie: Europa.
■ comum — dá um nome comum a todos os seres da espécie: menino.
■ 3.3.1.1.2. Simples ou composto
■ simples — é formado por um só radical: roupa.
■ composto — é formado por dois ou mais radicais: guarda-roupa.
■ 3.3.1.1.3. Concreto ou abstrato
■ concreto — nomeia seres reais ou imaginários, de existência independente de outros seres: escola.
■ abstrato — nomeia seres cuja existência depende de outros seres: tristeza.
Curiosidade: O substantivo concreto nomeia os seres. O substantivo abstrato nomeia as ações dos seres, as qualidades dos seres e os sentimentos dos seres: homem — ser (concreto); trabalho — ação praticada pelo ser (abstrato); beleza — qualidade do ser (abstrato); amor — sentimento do ser (abstrato).  
■ 3.3.1.1.4. Primitivo ou derivado 
■ primitivo — dá origem a outra palavra: abacate.
■ derivado — tem origem em outra palavra: abacateiro.
■ 3.3.1.1.5. Coletivo
Embora no singular, indica uma multiplicidade de seres da espécie.

acervo conjunto de obras de arte ou de bens de propriedade
álbum conjunto de fotografias, de figurinhas, de selos ou de autógrafos
alfabeto conjunto de letras
alcateia conjunto de lobos
antologia conjunto de textos ou de músicas
armada conjunto de navios de guerra
armento conjunto de bois ou de búfalos
arquipélago conjunto de ilhas
arsenal conjunto de armas ou de munições
arvoredo conjunto de árvores
assembleia conjunto de parlamentares ou de membros de associações
atilho conjunto de espigas de milho
atlas conjunto de mapas
baixela conjunto de objetos de servir à mesa
banca conjunto de examinadores
bancada conjunto de examinadores ou de parlamentares
banda conjunto de músicos
bando conjunto de aves, de malfeitores ou de ciganos
baralho conjunto de cartas
batalhão conjunto de soldados ou de pessoas em geral
bateria conjunto de instrumentos de percussão, de perguntas, de ações ou de experimentos
biblioteca conjunto de livros
boiada conjunto de bois
cabido conjunto de cônegos
cacho conjunto de bananas ou de uvas
cáfila conjunto de camelos ou de dromedários
cambada conjunto de malandros ou de caranguejos
cancioneiro conjunto de canções e de poemas líricos
caravana conjunto de viajantes, de mercadores ou de peregrinos
cardume conjunto de peixes
caterva conjunto de malfeitores ou de desordeiros
cavalaria conjunto de cavalos
cavalgada conjunto de cavaleiros
choldra conjunto de malfeitores ou de malandros
chusma conjunto de pessoas ou de marinheiros
cinemateca conjunto de filmes
clero conjunto de sacerdotes
clientela conjunto de clientes
colégio conjunto de cardeais ou de eleitores
coletânea conjunto de textos ou de músicas
colmeia conjunto de abelhas
colônia conjunto de pescadores, de imigrantes, de insetos ou de bactérias
comitiva conjunto de acompanhantes
companhia conjunto de marinheiros
comunidade conjunto de cidadãos
concílio conjunto de bispos
conclave conjunto de cardeais
confederação conjunto de estados
congregação conjunto de religiosos
congresso conjunto de parlamentares, de especialistas ou de cientistas
constelação conjunto de estrelas
cordilheira conjunto de montanhas
corja conjunto de desordeiros, de velhacos, de tratantes, de ladrões ou de vadios
coro conjunto de cantores ou de anjos
dicionário conjunto de palavras com seu significado
discoteca conjunto de discos
elenco conjunto de atores
enxame conjunto de abelhas, de vespas ou de marimbondos
enxoval conjunto de acessórios para a casa
esquadra conjunto de navios de guerra
esquadrilha conjunto de aviões
estrofe conjunto de versos
exército conjunto de soldados
falange conjunto de soldados ou de anjos
farândola conjunto de desordeiros, de vadios ou de maltrapilhos
fardo conjunto de palha ou de papéis
fato conjunto de cabras
fauna conjunto de animais de uma região
feixe conjunto de capim, de canas ou de lenha
flora conjunto de plantas de uma região
floresta conjunto de árvores
fornada conjunto de pães ou de tijolos
frota conjunto de navios ou de ônibus
gado conjunto de animais quadrúpedes domesticados
galera conjunto de amigos
galeria conjunto de quadros ou de obras de arte
girândola conjunto de fogos de artifício
grei conjunto de fiéis reunidos, de paroquianos ou de diocesanos
grupo conjunto de pessoas ou de coisas
hemeroteca conjunto de jornais e de revistas
horda conjunto de desordeiros, de invasores, de selvagens, de aventureiros ou de bandidos
junta conjunto de bois, de médicos ou de examinadores
júri conjunto de jurados
legião conjunto de soldados, de demônios ou de anjos
leva conjunto de presos ou de pessoas em deslocação
magote conjunto de pessoas
maloca conjunto de bandidos, malfeitores e criminosos
malta conjunto de desordeiros ou de vadios
manada conjunto de bois, de búfalos, de cavalos ou de elefantes
matilha conjunto de cães
ministério conjunto de ministros
molho conjunto de chaves, de verduras ou de coisas agrupadas
multidão conjunto de pessoas
ninhada conjunto de crias de animais
nuvem conjunto de mosquitos ou de gafanhotos
orquestra conjunto de músicos
panapaná conjunto de borboletas
penca conjunto de frutas ou de chaves
pilha conjunto de objetos empilhados
pinacoteca conjunto de quadros
pinhal conjunto de pinheiros
plateia conjunto de espectadores
plêiade conjunto de artistas ou de poetas
pomar conjunto de árvores de fruto
praga conjunto de insetos nocivos
quadrilha conjunto de bandidos ou de dançarinos em grupo
ramalhete conjunto de flores
rancho conjunto de pessoas reunidas para um fim comum
rebanho conjunto de ovelhas ou de cabras
récua conjunto de animais de carga
renque conjunto de árvores
repertório conjunto de peças de teatro
resma conjunto de papéis
réstia conjunto de alhos ou de cebolas
revoada conjunto de aves
roda conjunto de pessoas
romanceiro conjunto de poemas narrativos
saraivada conjunto de tiros, de perguntas ou de vaias
sínodo conjunto de religiosos ou párocos reunidos
sistema conjunto de órgãos em uma mesma função
súcia conjunto de desonestos ou de velhacos
talha conjunto de lenha
time conjunto de jogadores
tripulação conjunto de marinheiros ou de aviadores
tropa conjunto de soldados, de pessoas ou de cavalos
trouxa conjunto de roupas
turma conjunto de estudantes, de amigos ou de trabalhadores
universidade conjunto de faculdades
vara conjunto de porcos
videoteca conjunto de vídeos
viveiro conjunto de plantas ou de aves
vocabulário conjunto de palavras

Alguns são chamados de numéricos, porque indicam quantidades exatas.

referentes a quantidades:
par - 2 unidades
trinca - 3 unidades
quina - 5 unidades
dezena - 10 unidades
dúzia - 12 unidades
vintena - 20 unidades
centena ou cento - 100 unidades
grosa - 12 dúzias
milhar ou milheiro 1000 unidades
dupla - 2 coisas ou pessoas
trio, tríade, trilogia, trindade - 3 coisas ou pessoas
decálogo - 10: leis ou mandamentos
resma - 500: folhas de papel

referentes a dias:
tríduo - 3 dias
semana - 7 dias
novena - 9 dias
trezena - 13 dias
quinzena - 15 dias
quarentena - 40 dias
mês - 28, 29, 30 ou 31 dias

referentes a meses:
bimestre - 2 meses
trimestre - 3 meses
semestre - 6 meses
ano - 12 meses

referentes a anos:
biênio - 2 anos
triênio - 3 anos
lustro - 5 anos
década - 10 anos
século ou centenário - 100 anos
sesquicentenário - 150 anos
milênio - 1000 anos

referentes a versos:
monóstico - 1 verso
dístico - 2 versos
terceto - 3 versos
quarteto - 4 versos
quintilha - 5 versos
sextilha - 6 versos
septilha - 7 versos
oitava - 8 versos
nona - 9 versos
décima - 10 versos
■ 3.3.1.2. Flexão de gênero
Quanto ao gênero, os substantivos podem ser classificados em:
■ 3.3.1.2.1. Biformes
Quando mudamos as desinências para formarmos o feminino: conde — condessa, moço — moça, poeta — poetisa.
Curiosidade: Quando usamos palavra com radical totalmente diferente para formar o feminino, chamamos de heterônimo (ou desconexo): bode — cabra, cavaleiro — amazona.
■ 3.3.1.2.2. Uniformes
Quando usamos uma mesma palavra para designar tanto o masculino quanto o feminino. Subdividem-se em:
■ 3.3.1.2.2.1. Epicenos (ou promíscuos)
Designam animais e algumas plantas, sempre sexuados: o sabiá (macho e fêmea), a cobra (macho e fêmea), o jacaré (macho e fêmea), o mamão (macho e fêmea). Macha e fêmeo, embora admitidos por muitos gramáticos, são absurdos.
■ 3.3.1.2.2.2. Sobrecomuns
Designam pessoas, sempre com o mesmo gênero: a criança (do sexo masculino ou o sexo feminino), o carrasco (do sexo masculino ou do sexo feminino).
■ 3.3.1.2.2.3. Comuns de dois gêneros
Designam pessoas, com mudança de gênero através do artigo ou outro determinante: o dentista — a dentista, o viajante — a viajante, o artista — a artista, o jornalista — a jornalista.
■ 3.3.1.2.3. Formação do feminino
a) trocando-se -o/-e do masculino por -a: aluna, menina, giganta, hóspeda.
b) acrescentando-se -a ao final dos masculinos terminados em -l, -r, -s, -z: fiscala, oradora, deusa, juíza.
c) com as terminações -esa, -essa, -isa, -eira, -triz: consulesa, condessa, papisa, arrumadeira, embaixatriz.
d) masculinos terminados em -ão fazem o feminino em -ã, -ao e -ona: anã, patroa, foliona (foliã é forma incorreta, embora muito usada)
e) outras formas: rapaz — rapariga, herói — heroína, grou — grua, avô — avó, réu — ré.
■ 3.3.1.2.4. Particularidades do gênero
Há várias particularidades, quanto ao gênero dos substantivos, que devem ser
observadas.
a) algumas palavras para as quais a gramática não fixa um gênero: o diabete / a diabete, o personagem / a personagem, o usucapião / a usucapião, o agravante / a agravante.
b) algumas palavras mudam de sentido quando mudam de gênero: o cisma (separação religiosa) / a cisma (desconfiança, suspeita), o cabeça (líder) / a cabeça (parte do corpo), o capital (dinheiro) / a capital (cidade), o moral (ânimo) / a moral (ética, bons costumes), o rádio (aparelho) / a rádio (emissora), o crisma (óleo) / a crisma (sacramento), o cura (padre) / a cura (ato de curar), o polícia (policial) / a polícia (corporação).
c) substantivos de origem grega terminados em ema ou oma são sempre masculinos: o axioma, o fonema, o poema, o sistema, o sintoma, o teorema etc.
d) atenção para estas:
■ são masculinos: o ágape, o anátema, o aneurisma, o champanha, o dó, o eclipse, o gengibre, o guaraná, o plasma, o herpes, o apêndice, o pernoite, o telefonema, o toalete, o pijama.
■ são femininos: a alface, a apendicite, a cataplasma, a comichão, a omoplata, a ordenança, a rês, a sentinela, a atenuante, a ênfase, a derme, a libido, a cal, a dinamite, a patinete, a mascote, a matinê, a enzima, a elipse.
■ 3.3.1.3. Flexão de número
Quanto ao número, os substantivos podem ser:
■ singular — um ser ou um grupo de seres: ave, bando.
■ plural — mais de um ser ou grupo de seres: aves, bandos.
Para colocarmos os substantivos no plural, devemos separá-los em simples e compostos.
■ 3.3.1.3.1. Formação do plural dos substantivos simples
a) terminados em -ão:
anciãos, mãos, órfãos, cidadãos
anões, espiões, botões, limões
pães, capitães, alemães, cães
Curiosidade: Alguns admitem duas ou três formas, por razões históricas: corrimãos, corrimões; sacristãos, sacristães; anciãos, anciães, anciões; vilãos, vilães, vilões.
b) terminados em -s:
■ monossílabos e oxítonos recebem -es: gás — gases; mês — meses; freguês — fregueses; país — países.
■ paroxítonos e proparoxítonos ficam invariáveis: o lápis — os lápis; o ônibus — os ônibus.
c) terminados em -r ou -z recebem -es: mulheres, oradores, trabalhadores, cruzes, juízes, arrozes.
d) terminados em -m trocam por -ns: garagens, armazéns, homens, álbuns.
e) terminados em -al, -el, -ol, -ul trocam o -l por -is: jornais, papéis, faróis, pauis.
f) terminados em -il:
■ oxítonas trocam o -l por -s: funis, barris.
■ paroxítonas trocam o -il por -eis: fósseis, répteis, projéteis (reptil e projetil admitem as formas projetis e reptis).
Curiosidade:
mal = males
cônsul = cônsules
mel = meles ou méis
real = réis (moeda antiga) ou reais (moeda em vigor no Brasil)
Pela regra, o plural de gol seria gois ou goles, mas o uso consagrou a forma gols. 

g) terminados em -x ficam invariáveis: os tórax, os sílex, as fênix, as xérox
h) terminados em -n:
■ acrescenta-se -es: hífenes, abdômenes, gérmenes, líquenes.
■ acrescenta-se -s: hifens, abdomens, germens, liquens, elétrons, prótons, nêutrons.
■ 3.3.1.3.2. Plural dos diminutivos
Terminados em -zinho ou -zito fazem da seguinte forma:
fogãozinho = fogõe(s) + zinho + s > fogõezinhos
raizinha = raíze(s) + zinha + s > raizezinhas
cãozito = cãe(s) + zito + s > cãezitos
barrilzinho = barri(s) + zinho + s > barrizinhos
■ 3.3.1.3.3. Particularidades do número dos substantivos simples
a) alguns substantivos são usados apenas no plural, por convenção: anais, alvíssaras, arredores, cãs, condolências, férias, núpcias.
b) alguns substantivos tomam significados diferentes quando no singular ou plural: bem (virtude) / bens (propriedades), costa (litoral) / costas (dorso), liberdade (livre de escolha) / liberdades (regalias, intimidades), vencimento (fim de prazo) / vencimentos (salário).
■ 3.3.1.3.4. Formação do plural dos substantivos compostos
Compostos sem hífen variam como os substantivos simples: aguardente — aguardentes; girassol — girassóis; vaivém — vaivéns.
Quanto aos compostos com hífen, observa-se a classe gramatical de cada um dos termos formadores do composto; se ela for variável, vai para o plural; caso contrário, continuará da mesma forma.
Vão para o plural: substantivos, adjetivos, pronomes e numerais.
Ficam invariáveis: verbos, advérbios, interjeições, preposições e prefixos.

Segundo Sacconi e Cegalla, substantivos formados por prefixos, como semirreta e autoatendimento, não deveriam se encaixar na regra dos compostos, pois prefixo forma palavra derivada, não composta.
Veja como flexioná-los:
abelha-mestra > abelhas-mestras = abelha (subst.) / mestra (subst.)
amor-perfeito > amores-perfeitos = amor (subst.) / perfeito (adj.)
padre-nosso > padres-nossos = padre (subst.) / nosso (pron.)
quinta-feira > quintas-feiras = quinta (num.) / feira (subst.)
guarda-roupa > guarda-roupas = guarda (verbo) / roupa (subst.)
sempre-viva > sempre-vivas = sempre (adv.) / viva (adj.)
ave-maria > ave-marias = ave (interj.) / Maria (subst.)
contra-ataque > contra-ataques = contra (prep.) / ataque (subst.)
vice-presidente > vice-presidentes = vice (pref.) / presidente (subst.)
■ 3.3.1.3.5. Particularidades do número dos substantivos compostos
Varia apenas o primeiro elemento quando:
a) ligados por preposição: pés de moleque, mulas sem cabeça.
b) compostos formados por substantivo + adjetivo em que o segundo determina o primeiro: navios-escola, mangas-rosa.
Varia apenas o segundo elemento quando formados por palavras repetidas: quero-queros, corre-corres, tico-ticos, ruge-ruges.
Curiosidade: Se as palavras repetidas forem verbos, ambas podem variar: corres-corres, ruges-ruges.
Substantivos compostos formados com adjetivos reduzidos:
a) adjetivos reduzidos como prefixos são invariáveis: bel-prazeres, grão-duques.
b) adjetivos reduzidos como sufixos são variáveis: altares-mores, capitães-mores.
Caso especiais: os arco-íris / os terras-nova.
■ 3.3.1.4. Flexão de grau
O grau dos substantivos exprime uma “variação” no tamanho do ser, podendo também dar-lhe um sentido desprezível ou afetivo: bocarra, velhota, gatão, velhinha.
Temos os graus:
■ 3.3.1.4.1. Normal
Boca, velha, gato, pedra, corpo.
■ 3.3.1.4.2. Aumentativo
Boca grande ou bocarra, gato enorme ou gatão.
■ 3.3.1.4.3. Diminutivo
Boca pequena ou boquinha, pedra minúscula ou pedrinha.
Há dois processos para se obter os graus aumentativo e diminutivo:
■ Analítico: juntando à forma normal um adjetivo que indique aumento ou diminuição: obra gigantesca, obra mínima, menino grande, menino pequeno.
■ Sintético: anexando à forma normal sufixos denotadores de aumento ou redução: bocarra (aumentativo sintético); pedregulho (aumentativo sintético); estatueta (diminutivo sintético); pedrisco (diminutivo sintético).
A flexão de grau é mais nítida quando se faz uso da forma analítica. Muitas vezes, usam-se substantivos no aumentativo ou diminutivo sintético não para expressar aumento ou redução de tamanho do ser, mas carinho, admiração, ironia ou desprezo. Muitos substantivos perderam a significação de aumentativo e diminutivo e adquiriram outros significados, como caldeirão, cartão, fogão, portão, cartilha, folhinha (calendário), vidrilho, pastilha, coxinha, quentinha, caixinha (gorjeta), cursinho, camisinha, patricinha, santinho etc. A rigor, não se trata mais de aumentativo ou de diminutivo, e são palavras na sua acepção normal.
Registram-se aumentativos e diminutivos formados por prefixação, segundo Roberto Melo Mesquita: supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário...
São muitos os sufixos indicadores de grau:
aumentativo:
-aça: barca — barcaça
-ão: cachorro — cachorrão
-arra: boca — bocarra
-az: prato — pratarraz
-ázio: copo — copázio
-ona: mulher — mulherona
-uça: dente — dentuça
diminutivo:
-acho: rio — riacho
-ebre: casa — casebre
-ejo: lugar — lugarejo
-eta: sala — saleta
-inho: livro — livrinho
-isco: chuva — chuvisco
-ulo: globo — glóbulo (típico da terminologia científica)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Morfologia: Estrutura e Formação das Palavras - Resumo de Gramática

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Enquanto a fonologia estuda os fonemas, a acentuação, a ortografia, a ortoépia e a prosódia, a morfologia estuda a estrutura, a formação, a classificação, as flexões e o emprego das palavras.
■ 3.1.1. Estrutura das palavras
A palavra, ao contrário do que muitos pensam, não é a menor unidade portadora de significado dentro da língua. Ela própria é formada de vários elementos também dotados de valor significativo. A essas formas portadoras de significado damos o nome de morfemas ou elementos mórficos.
Tomemos como exemplo a palavra alunas. Ela é constituída de três morfemas:
alun = morfema que é base do significado
a = morfema que indica o gênero feminino
s = morfema que indica o número plural
Assim, de acordo com a função na palavra, os morfemas são classificados em:
■ 3.1.1.1. Radical (semantema, lexema ou morfema lexical)
É o elemento que contém a significação básica da palavra: livro, livraria, livreira.
■ 3.1.1.2. Desinência (ou morfema flexional)
São elementos terminais do vocábulo. Servem para marcar:
a) gênero e número nos nomes: substantivos, adjetivos, numerais e pronomes (desinências nominais);
b) pessoa/número e tempo/modo nos verbos (desinências verbais):
■ meninas = menin (radical) + a (desinência nominal de gênero feminino) + s (desinência nominal de número plural)
■ amávamos = amá (radical) + va (desinência verbal modo-temporal) + mos (desinência verbal número-pessoal)
■ 3.1.1.3. Vogal temática
É o elemento que, nos verbos, serve para indicar a conjugação. São três:
a — para verbos de 1ª conjugação: fal+A=r
e — para verbos de 2ª conjugação: varr+E+r
i — para verbos de 3ª conjugação: part+I+r
Curiosidade: O verbo pôr e seus derivados (compor, repor, impor etc.) incluem-se na 2ª conjugação, pois a sua forma original em português é poer.
A vogal temática também pode aparecer nos nomes. Neste caso, sua função é a de preparar o radical para receber as desinências.
mares = mar (radical) + e (vogal temática) + s (desinência nominal de número plural)
■ 3.1.1.4. Tema
É o radical acrescido da vogal temática.
bebemos = beb (radical) + e (vogal temática) + mos (desinência verbal númeropessoal)
bebe = tema
■ 3.1.1.5. Afixos
Elementos de significação secundária que aparecem agregados ao radical.
Podem ser:
■ Prefixo — morfemas que se antepõem ao radical: reluz, expor.
■ Sufixo — morfemas que se pospõem ao radical: moralista, lealdade.
■ 3.1.1.6. Vogal e consoante de ligação (ou infixos)
São elementos que, desprovidos de significação, são usados entre um morfema e outro para facilitar a pronúncia.
gasômetro = gás + metro — o é vogal de ligação
chaleira = chá + eira — l é consoante de ligação
■ 3.1.2. Formação das palavras
Para criar palavras novas em português, existem, principalmente, cinco processos
diferentes.
■ 3.1.2.1. Derivação
Forma palavras pelo acréscimo de afixos. A derivação se divide em:
■ 3.1.2.1.1. Prefixal (ou prefixação)
Pela colocação de prefixos: reler, infeliz, ultravioleta, super-homem.
■ 3.1.2.1.2. Sufixal (ou sufixação)
Pela colocação de sufixos: boiada, canalizar, felizmente, artista.
■ 3.1.2.1.3. Prefixal-sufixal (ou prefixação e sufixação)
Pela colocação sucessiva de prefixo e sufixo numa só palavra: infelizmente, desigualdade, injustiça.
■ 3.1.2.1.4. Parassintética (ou parassíntese)
Pela colocação simultânea de prefixo e sufixo numa mesma palavra: anoitecer, enlouquecer. Também é chamada de circunfixação por Celso Cunha.
Curiosidade: A diferença entre a derivação prefixal-sufixal e a derivação parassintética está no fato de que na primeira podemos tirar o prefixo ou o sufixo e a palavra continua existindo; na segunda, se tirarmos o prefixo ou o sufixo, o que sobra não existe em língua portuguesa:
desigualdade = desigual, igualdade; infelizmente = infeliz, felizmente; injustiça = injusto, justiça — derivação prefixal-sufixal
enlouquecer = *enlouco, *louquecer; anoitecer = *anoite, *noitecer — essas palavras não existem — derivação parassintética.
■ 3.1.2.1.5. Regressiva
Pela redução de uma palavra primitiva: sarampo (de sarampão), barraco (de barracão), boteco (de botequim), portuga (de português). Na linguagem popular e na gíria é comum a formação de substantivos a partir de substantivos.
Curiosidade: Quando a palavra original a ser reduzida é um verbo, recebe o nome de derivação regressiva deverbal: pesca (de pescar). Geralmente são substantivos abstratos a partir de verbos na forma infinitiva. Também é chamada de regressão por Cegalla.

Identificação de um substantivo deverbal:

Substantivo que denota ação - palavra derivada: comprar > compra (regressiva)
Substantivo que denota objeto ou substância - palavra primitiva: telefone > telefonar (sufixal)
■ 3.1.2.1.6. Imprópria
Pela mudança de classe gramatical e de sentido da palavra, sem alterar sua forma: o jantar (substantivo formado pelo uso do verbo jantar), o belo (substantivo formado pelo uso do adjetivo belo). Segundo Bechara, é chamada de conversão. 
■ 3.1.2.2. Composição
Forma palavras pela ligação de dois ou mais radicais. A composição se divide em:
■ 3.1.2.2.1. Justaposição
Quando os radicais se unem sem alterações: passatempo, girassol, guarda-comida, pé de moleque.
■ 3.1.2.2.2. Aglutinação
Quando na união dos radicais há alteração de, pelo menos, um deles: fidalgo (filho + de + alguém), embora (em + boa + hora), planalto (plano + alto).
■ 3.1.2.3. Hibridismo
Forma palavras pela união de elementos de línguas diferentes: automóvel (auto — grego + móvel — latim), abreugrafia (abreu — português + grafia — grego), monocultura (mono — grego + cultura — latim), burocracia (bureau — francês + cracia — grego).
■ 3.1.2.4. Onomatopeia
Forma palavras pela reprodução aproximada de sons ou ruídos e vozes de animais: tique-taque; pingue-pongue; miar; zunir; mugir.
■ 3.1.2.5. Abreviação
Forma palavras pela redução de um vocábulo até o limite que não cause dano à sua compreensão: moto (por motocicleta), pneu (por pneumático), foto (por fotografia), cinema (por cinematográfico).
Curiosidade: Não confunda abreviação com abreviatura.
Abreviatura é a redução na grafia (somente na grafia, nunca na pronúncia) de determinadas palavras, limitando-as à letra ou letras iniciais e/ou finais: prof. (de professor)
■ 3.1.2.6. Sigla
É a redução das locuções substantivas às letras ou sílabas iniciais: IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, FGTS — Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Sudene — Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste.
■ 3.1.2.7. Palavra-valise (ou amálgama)
É um morfema resultante da fusão de duas palavras, uma perdendo a parte final e outra perdendo a parte inicial: brasiguaio (brasileiro + paraguaio), aborrecente (aborrecer + adolescente), showmício (show + comício)
■ 3.1.2.8. Neologismo
É a criação de uma palavra ou expressão nova ou atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente: deletar (eliminar), internetês (linguagem da internet); rede (internet), gato (ligação elétrica clandestina), zebra (resultado inesperado)

Quando a palavra já existe mas ganha um novo sentido, chama-se de neologismo semântico.
Quando uma nova palavra é criada com um novo conceito, chama-se de neologismo lexical.
■ 3.1.2.9. Estrangeirismo (ou empréstimo linguístico)
É a introdução de palavras de outros idiomas na língua portuguesa, muitas vezes incorporadas ao nosso léxico: shopping, marketing, download, show, impeachment; conhaque (de cognac), buquê (de bouquet), uísque (de whisky), gangue (de gang), chique (de chic).
■ 3.1.2.10. Decalque
Termo francês que significa cópia ou imitação, é a tradução de uma palavra ou expressão estrangeira: fim de semana (weekend), jardim de infância (kindergarten), arranha-céu (skyscraper).
■ 3.1.2.11. Intensificação
É o alargamento do sufixo de uma palavra já existente: obstaculizar (por obstacular), protocolizar (por protocolar), inicializar (por iniciar), digitalizar (por digitar), culpabilizar (por culpar).
■ 3.1.3. Radicais e prefixos gregos e latinos
■ 3.1.3.1. Radicais gregos
AEROS (ar): aeronáutica
ACROS (alto): acrofobia
AGOGOS (conduzir): demagogo
ALGIA (dor): nevralgia
ANTROPOS (homem): antropologia
ARQUIA (governo): monarquia
AUTOS (si mesmo): autobiografia
BIBLION (livro): biblioteca
BIOS (vida): biosfera
CACO (mau): cacofonia
CALI (belo): caligrafia
CEFALO (cabeça): acéfalo
COSMO (mundo): cosmopolita
CLOROS (verde): clorofila
CRONOS (tempo): cronologia
CROMOS (cor): cromoterapia
DACTILOS (dedo): datilografia
DEMOS (povo): democracia
DERMA (pele): epiderme
DOXA (opinião): ortodoxo
DROMO (lugar para corridas): hipódromo
EDRA (lado): poliedro
FAGO (comer): antropófago
FILOS (amigo): filósofo
FOBIA (medo): claustrofobia
FONOS (som, voz): telefone
GAMIA (casamento): polígamo
GEO (terra): geografia
GLOTA (língua): poliglota
GRAFO (escrever, descrever): geografia
HÉLIOS (sol): heliocêntrico
HIDRO (água): hidrografia
HIPO (cavalo) hipopótamo
ICONOS (imagem): iconoclasta
LOGO (discurso): monólogo
MEGALOS (grande): megalópole
MICRO (pequeno): micróbio
MIS (ódio): misantropo
MORFE (forma): morfologia
NEOS (novo): neologismo
ODOS (caminho): método
PIROS (fogo): pirosfera
POLIS (cidade) metrópole
PSEUDO (falso): pseudônimo
PSIQUE (alma): psicologia
POTAMO (rio): hipopótamo
SACARO (açúcar): sacarose
SOFOS (sábio): filósofo
TELE (longe): televisão
TEOS (deus): teologia
TOPOS (lugar): topônimo
XENO (estrangeiro): xenofobia
ZOO (animal): zoologia
■ 3.1.3.2. Radicais latinos
AGRI (campo): agrícola
ARBORI (árvore): arborizar
AVI (ave): avícola
BIS (duas vezes): bisavô
CAPITI (cabeça): decapitar
CIDA (que mata): homicida
COLA (que cultiva ou habita): vinícola
CRUCI (cruz): crucificar
CULTURA (cultivar): apicultura
CURVI (curvo): curvilíneo
EQUI (igual): equidade
FERO (que contém ou produz): mamífero
FICO (que produz): benéfico
FIDE (fé): fidelidade
FRATER (irmão): fraternidade
FUGO (que foge): centrífugo
IGNI (fogo): ignição
LOCO (lugar): localizar
LUDO (jogo): ludoterapia
MATER (mãe): maternidade
MULTI (muito): multinacional
ONI (todo): onisciente
PARO (que produz): ovíparo
PATER (pai): paternidade
PEDE (pé): pedestre
PISCI (peixe): piscicultura
PLURI (vários): pluricelular
PLUVI (chuva): pluvial
PUER (criança): puericultura
QUADRI (quatro): quadrilátero
RÁDIO (raio): radiografia
RETI (reto): retilíneo
SAPO (sabão): saponáceo
SEMI (metade): semicírculo
SESQUI (um e meio): sesquicentenário
SILVA (floresta): silvícola
SONO (que soa): uníssono
TRI (três): tricolor
UMBRA (sombra): penumbra
UNI (um): uníssono
VERMI (verme): verminose
VOMO (que expele): ignívomo
VORO (que come): carnívoro
■ 3.1.3.3. Prefixos gregos
A/AN (negação): anônimo
ANA (inversão): anagrama
ANFI (duplo): anfíbio
ANTI (contrário): antiaéreo
ARCE, ARQUI (posição superior): arcebispo, arquiduque
DIS (dificuldade): disenteria
DI (dois): dissílabo
ENDO (para dentro): endoscopia
EPI (em cima de): epicentro
EU (bem, bom): eufonia
HEMI (metade): hemisfério
HIPER (excesso): hipertensão
HIPO (inferior, deficiente): hipoderme
META (para além): metamorfose
PARA (proximidade): parágrafo
PERI (em torno de): período
■ 3.1.3.4. Prefixos latinos
ABS/AB (afastamento): abjurar
AD (aproximação): adjunto
AMBI (duplicidade): ambidestro
ANTE (anterior): antedatar
CIRCUM (movimento em torno): circunferência
CIS (posição anterior): cisandino
EX (movimento para fora, anterioridade): exportar, ex-ministro
IN/IM (negação): invertebrado
INTRA (movimento para dentro): intravenoso
INTER/ENTRE (entre, reciprocidade): intervir, entrelinhas
JUSTA (ao lado de): justaposição
PENE (quase): penúltimo
PER (através de): percorrer
POS (posterior): pospor
SOBRE/SUPRA (posição superior): supracitado, sobreloja
TRANS (através, além): transatlântico
VICE/VIS (no lugar de): vice-reitor

Ortografia / Emprego do Hífen / Acentuação Gráfica / Uso dos Porquês - Resumo de Gramática

A grafia de uma palavra pode ter caráter fonético, que leva em conta a pronúncia; ou etimológico, que leva em conta a sua origem.
Hoje, no Brasil, utilizam-se os dois processos juntamente: o fonético ou de pronúncia e o etimológico ou histórico. Trata-se de um sistema misto.
Curiosidade: O sistema fonético (ou sônico) consiste na exata e fiel figuração dos sons, escrevendo as palavras tal qual se pronunciam, excluindo da representação gráfica qualquer letra que não tenha valor prosódico e acrescentando outras para que se represente a exata pronúncia: escrito, Cristo, pronto, omem, oje, ressonar, pressentir, filarmônico, inalar.
O sistema etimológico representa as palavras de acordo com a grafia de origem, reproduzindo todas as letras do étimo, embora não sejam pronunciadas: phthisica, sancto, mactar, auctor, poncto, catechismo, exgotto, practicar.
Nossa ortografia é orientada pelo Formulário Ortográfico, aprovado pela Academia Brasileira de Letras, na sessão de 12 de agosto de 1943, simplificado pela Lei n. 5.765, de 18 de dezembro de 1971, e atualizado pelo Decreto n. 6.583, de 29 de setembro de 2008.
Ortografia vem do grego “orthós” = direito + “gráphein” = escrever. Os sons da fala são representados por sinais gráficos, chamados letras, e além delas usamos outros sinais, chamados auxiliares.
São eles:
a) Hífen (-) — usado para ligar elementos de palavras compostas, para ligar pronomes enclíticos ou mesoclíticos aos verbos e para indicar a translineação textual (divisão silábica em final de linha): super-homem, ajudou-me, questiona-mento.
b) Til (~) — usado para marcar a nasalização de um som vocálico: irmã.
c) Cedilha (ç) — coloca-se sob o c, antes das vogais a, o e u: açaí, castiço, açúcar.
d) Apóstrofo (’) — marca a supressão de um som: copo d’água, minh’alma.
e) Acentos gráficos:
■ agudo (´) — representa um som aberto: sofá.
■ circunflexo (^) — representa um som fechado: você.
■ grave (`) — representa a fusão de vogais idênticas (crase): àquele.
Curiosidade: Esses sinais são também chamados de notações léxicas ou diacríticos, simplificando, sinais gráficos. Algumas regras existem para escrever esta ou aquela palavra, porém os problemas gráficos só se resolvem com leitura. Se você é um leitor eficiente, escreverá bem, pois terá a lembrança daquilo que leu.
Vejamos a seguir algumas dificuldades ortográficas.
■ 2.1. DIFICULDADES ORTOGRÁFICAS
■ 2.1.1. Uso do “S”
a) depois de ditongos: coisa, faisão, mausoléu, maisena, lousa.
b) em nomes próprios com som de /z/: Neusa, Brasil, Sousa, Teresa.
c) no sufixo -oso (cheio de): cheiroso, manhoso, dengoso, gasosa.
d) nos derivados do verbo querer: quis, quisesse.
e) nos derivados do verbo pôr: pus, pusesse.
f) no sufixo -ense, formador de adjetivo pátrio: canadense, paranaense, palmeirense.
g) no sufixo -isa, indicando profissão ou ocupação feminina: papisa, profetisa, poetisa. Juíza se escreve com z, por ser feminino de juiz
h) nos sufixos -ês/-esa, indicando origem, nacionalidade ou posição social: calabrês, milanês, português, norueguês, japonês, marquês, camponês, calabresa, milanesa, portuguesa, norueguesa, japonesa, marquesa, camponesa.
i) nas palavras derivadas de outras que possuam S no radical: casa = casinha, casebre, casarão, casario; atrás = atrasado, atraso; paralisia = paralisante, paralisar, paralisação; análise = analisar, analisado.
j) nos derivados de verbos que tragam o encontro consonantal -nd, -pel, -rt, -rg ou -corr: pretender = pretensão (pretensioso); suspender = suspensão (suspensório); expandir = expansão; fundir = fusão; ascender = ascensão (ascensorista, ascendente); compreender = compreensão (compreensível, compreensivo); estender = extensão (extensor, extensivo); ofender = ofensa (ofensor, ofensivo); defender = defesa; repreender = repreensão (repreensível); distender = distensão (distensor); tender = tensão; apreender = apreensão (apreensivo); impelir = impulsão (impulsivo, impulso); repelir = repulsão; expelir = expulsão (expulso); compelir = compulsório; aspergir = aspersão; imergir = imersão (imerso); emergir = emersão (emerso); submergir = submersão (submerso); correr = curso; concorrer = concurso; discorrer = discurso; recorrer = recurso; percorrer = percurso; transcorrer = transcurso; inverter = inversão (inverso); verter = versão; converter = conversão (conversor, conversível); perverter = perversão (perverso); subverter = subversão (subversivo); divertir = diversão.
k) nos derivados de verbos terminados em -nder que se relacionam a substantivos concretos ou abstratos: despender = despesa; prender = represa; empreender = empresa; surpreender = surpresa

Nota: A maioria dos substantivos termina em -sia, como maresia, fantasia, poesia, teimosia, fantasia, hipocrisia. Há alguns que terminam em -zia, como azia, dúzia e primazia. Há algumas formas verbais que terminam em -zia, como fazia, dizia, trazia, benzia, aprazia e jazia.
■ 2.1.2. Uso do “Z”
a) nas palavras derivadas de primitiva com Z: cruz = cruzamento, juiz = ajuizar, deslize = deslizar.
b) nos sufixos -ez/-eza, formadores de substantivos abstratos a partir de adjetivos: altivo = altivez; mesquinho = mesquinhez; macio = maciez; belo = beleza; magro = magreza.
c) no sufixo -izar, formador de verbos: hospital = hospitalizar; canal = canalizar; social = socializar; útil = utilizar; catequese = catequizar.
Curiosidade: Quando usamos apenas -r ou -ar para formar um verbo, aproveitamos o que já existe na palavra primitiva: pesquisa = pesquisar, análise = analisar, deslize = deslizar.
Exceções: catequese = catequizar; síntese = sintetizar; hipnose = hipnotizar; batismo = batizar; ênfase = enfatizar
d) nos verbos terminados em -uzir (seduzir, traduzir, conduzir, reduzirt, produzir, deduzir, induzir, reproduzir, introduzir) e seus derivados: conduzir, conduziu, conduzo; deduzir, deduzo, deduzi; produzir, produzo, produziste.
e) no sufixo -zinho, formador de diminutivo: cãozinho, pezinho, paizinho, mãezinha, pobrezinha.
Curiosidade: Se acrescentarmos apenas -inho, aproveitamos a letra da palavra primitiva: casinha, vasinho, piresinho, lapisinho, juizinho, raizinha.
f) nos numerais de 11 a 19, 200 e 300: onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, duzentos, trezentos.
■ 2.1.3. Uso do “H”
a) o H inicial deve ser usado quando a etimologia o justifique: hábil, harpa, hiato, hóspede, húmus, herbívoro, hélice.
b) o H deve ser eliminado do interior das palavras, se elas formarem um composto ou derivado sem hífen: desonesto, desonra, desumano, desarmonia, inábil, reaver, reabilitar, reidratar, exaurir.
c) no final e início de interjeições: ah! oh! ih! eh! hem? hum?
Curiosidades: 
1) Escreve-se com H o topônimo BAHIA, quando se aplica ao Estado, por tradição secular, mas não nos seus derivados, como baiano, baianidade, baianada, baianês, baianismo, coco-da-baía e laranja-da-baía.
2) Até 1943, o H indicava o hiato: sahida (saída). Quando o hiato passou a ser indicado pelo acento agudo, o nome do Estado brasileiro manteve a grafia tradicional, para evitar confusão com o nome do acidente geográfico.
3) Nos compostos ou derivados com hífen, o H permanece: anti-higiênico, pré-história, mini-hotel, super-homem.
■ 2.1.4. Uso do “X”
a) normalmente após ditongo: caixa, peixe, faixa, trouxa, ameixa, baixo, eixo, feixe, frouxo, baixela, rebaixar, paixão.
Exceções: guache, recauchutar.
b) normalmente após a sílaba inicial en-: enxaqueca, enxada, enxoval, enxame, enxugar, enxergar, enxaguar, enxurrada, enxofre, enxuto, enxerido.
Exceções: encher, encharcar, enchumaçar e derivados.
c) depois da sílaba inicial me-: mexer, mexilhão, mexerica, México.
Exceção: mecha.
■ 2.1.5. Uso do “CH”
Não há regras para o emprego do dígrafo CH.
■ 2.1.6. Uso do “SS”
Emprega-se nas seguintes relações:
a) ced — cess: ceder — cessão, conceder — concessão (concessivo, concessionária), suceder - sucessão (sucessor), interceder - intercessão (intercessor), proceder - processo, exceder - excesso (excessivo, excessivamente), aceder - acesso (acessível, acessibilidade), retroceder - retrocesso.
b) gred — gress: agredir — agressão (agressor, agressivo), regredir — regressão (regressivo), transgredir - transgressão (transgressor), progredir - progressão (progressivo, progresso).
c) prim — press: imprimir — impressão (impressionar, impressionante, impressora, impressionista, impressionismo), oprimir — opressão (opressor), reprimir - repressão (repressivo), deprimir - depressão (depressivo), suprimir - supressão (supressor), exprimir - expressão (expressivo, expressividade).
d) tir — ssão: discutir — discussão, repercutir - repercussão, percutir - percussão, permitir — permissão (permissivo), admitir - admissão (admissível, admissional), transmitir - transmissão (transmissor), emitir - emissão (emissora), omitir - omissão, demitir - demissão (demissional).
■ 2.1.7. Uso do “Ç”
a) nas palavras de origem árabe, tupi ou africana: açafrão, açúcar, muçulmano, araçá, Paiçandu, miçanga, caçula.
b) após ditongo: louça, feição, traição.
c) na relação ter — tenção e torcer - torção: abster — abstenção, reter — retenção; conter - contenção; manter - manutenção; deter - detenção; obter - obtenção; ater - atenção; contorcer - contorção; distorcer - distorção.
Atenção! remeter - remessa (remissivo); prometer - promessa (promissória); intrometer - intromissão; comprometer - compromisso (são verbos terminados em meter, os substantivos derivados se escrevem com ss)
d) em palavras derivadas de vocábulos terminados em to, tor e tivo: erudito - erudição; isento - isenção; intento - intenção; exceto - exceção; junto - junção; conjunto - conjunção; redator - redação; eleitor - eleição; condutor - condução; infrator - infração; trator - tração; instrutor - instrução; setor - seção; relativo - relação; intuitivo - intuição; ativo - ação; introspectivo - introspecção; atrativo - atração.
e) em substantivos derivados de verbos que perderam o r: educar - educação; preparar - preparação; combinar - combinação; obrigar - obrigação; abreviar - abreviação; predicar - predicação; significar - significação
f) em verbos derivados de substantivos terminados em ce ou ço: alcance - alcançar; almoço - almoçar; avanço - avançar; esforço - esforçar; endereço - endereçar; esforço - esforçar; lance - lançar; esboço - esboçar;
g) em verbos de ação terminados em ar: anular - anulação; nadar - natação; investigar - investigação; marcar - marcação; exclamar - exclamação; fundar - fundação; atuar - atuação; tentar - tentação; aceitar - aceitação; experimentar - experimentação; revelar - revelação
h) em substantivos derivados de verbos que não se encaixam na regra anterior: resolver - resolução; descrever - descrição; contradizer - contradição; devolver - devolução; exaltar - exaltação; predizer - predição; autorizar - autorização; comover - comoção; compor - composição
i) no verbo fletir (ou flectir) e seus derivados: fletir - flexão; genufletir - genuflexão; refletir - reflexão
■ 2.1.8. Uso do “G”
a) nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: estágio, privilégio, prestígio, relógio, refúgio.
b) nas palavras femininas terminadas em -gem: garagem, viagem, origem, vertigem, ferrugem.
Curiosidade: Pajem, lajem e lambujem são exceções à regra.
c) em palavras derivadas de outras que se escrevem com G: engessar (de gesso), massagista (de massagem), vertiginoso (de vertigem), faringite (de faringe), selvageria (de selvagem), estrangeirismo (de estrangeiro), gengivite (de gengiva), regionalismo (de regional), estagiário (de estágio).
■ 2.1.9. Uso do “J”
a) na terminação -aje: ultraje, traje, laje.
b) nas formas verbais terminadas em -jar e seus derivados: arranjar, arranjem; viajar, viajem; despejar, despejem.
c) em palavras de origem tupi: jiboia, pajé, jenipapo.
d) nas palavras derivadas de outras que se escrevem com J: ajeitar (de jeito), laranjeira (de laranja), ultrajante (de ultraje), lojista (de loja).
■ 2.1.10. Uso do “I”
a) no prefixo anti-, que indica oposição: antibiótico, antiaéreo.
b) nos verbos terminados em -air, -oer e -uir e seus derivados: cair — cai, doer — dói, retribuir — retribui.
Excetuam-se os verbos construir, destruir e reconstruir (constrói, destrói e reconstrói).
■ 2.1.11. Uso do “E”
a) nas formas verbais terminadas em -oar e -uar e seus derivados: perdoar — perdoes, perdoe; coar — coes, coe; continuar — continues, continue; efetuar — efetues, efetue.
b) no prefixo -ante, que expressa anterioridade: anteontem, antepasto, antevéspera.
■ 2.1.12. Uso do “SC”
Não há regras para o uso de SC (nascer, crescer, renascer, decrescer), nem para o XC (exceção, excepcional, exceder, excelente, excêntrico, exceto, excesso, excipiente, excitar) e o XS (exsudar, exsolver, exsicar); sua presença é inteiramente etimológica. Essa mesma regra se aplica ao CC e ao CÇ (cocção, cóccix, convicção, confecção, facção, ficção, infecção, fricção, micção, occipital, dissecção, introspecção, defecção, sucção)
■ 2.2. FORMAS GRÁFICAS VARIANTES
Algumas palavras admitem, sem alteração de significado, mais que uma grafia correta. Embora haja uma forma preferida e mais usada, todas as formas são corretas e podem ser usadas sem hesitação.

abaixar ou baixar
abdome ou abdômen
afeminado ou efeminado
ajuntar ou juntar
aluguel ou aluguer
aritmética ou arimética
arrebitar ou rebitar
arremedar ou remedar
assoalho ou soalho
assobiar ou assoviar
assoprar ou soprar
aterrissar ou aterrizar ou aterrar
avoar ou voar
azálea ou azaleia
bêbado ou bêbedo
bebadouro ou bebedouro
bilhão ou bilião
bílis ou bile
biscoito ou biscouto
bravo ou brabo
bujão ou botijão
cãibra ou câimbra
câmera ou câmara*
carroçaria ou carroceria
catorze ou quatorze
catucar ou cutucar
chipanzé ou chimpanzé
clina ou crina
cociente ou quociente
coisa ou cousa
cota ou quota
cotidiano ou quotidiano
contacto ou contato
cotizar ou quotizar
covarde ou cobarde
coercitivo ou coercivo
cuspe ou cuspo
degelar ou desgelar
dependurar ou pendurar
demonstrar ou demostrar
descarrilhar, descarrilar, desencarrilar ou desencarrilhar
diabete ou diabetes
desenxavido ou desenxabido
dourado ou doirado
dezenove ou dezanove
dezessete ou dezassete
dezesseis ou dezasseis
destrinçar ou destrinchar
diferençar ou diferenciar
devaneio ou desvaneio
elucubração ou lucubração
empanturrar ou empaturrar
engambelar ou engabelar
enlambuzar ou lambuzar
embaralhar ou baralhar
espargos ou aspargos
entoação ou entonação
entretenimento ou entretimento
enumerar ou numerar
espuma ou escuma
espumadeira ou escumadeira
estalar ou estralar
exorcizar ou exorcismar
flauta ou frauta
flecha ou frecha
fleuma ou flegma
flocos ou frocos
gengibirra ou jinjibirra
geringonça ou gerigonça
germe ou gérmen
gorila ou gorilha.
hem e hein
hemorróidas ou hemorróides
homilia ou homília
hidrelétrico ou hidroelétrico
hidravião ou hidroavião
impingem ou impigem
imundícia, imundície ou imundice
infarto, enfarte, enfarto ou infarte
intrincado ou intricado
laje ou lajem
lantejoula ou lentejoula
leste ou este
limpar ou alimpar
lisonjear ou lisonjar
louça ou loiça
louro ou loiro
maltrapilho ou maltrapido
maquiagem ou maquilagem
maquiar ou maquilar
marimbondo ou maribondo
melancólico ou merencório
menosprezo ou menospreço
mobiliar, mobilhar ou mobilar
mozarela, muzarela, moçarela ou muçarela (mussarela é forma errônea, embora consagrada nos encartes de supermercados, nos cardápios de restaurantes e pizzarias e embalagens de produtos)
neblina ou nebrina
nenê ou neném
nongentésimo ou noningentésimo
parêntese ou parêntesis
percentagem ou porcentagem
peroba ou perova
pitoresco, pinturesco ou pintoresco
plancha ou prancha
pólen ou polem
presépio ou presepe
protocolar ou protocolizar
quadriênio ou quatriênio
radioatividade ou radiatividade
rastro ou rasto
registro ou registo
relampejar, relampear ou relampaguear
remoinho, redemoinho ou rodamoinho
ridiculizar ou ridicularizar
salobra ou salobre
seção ou secção
seríssimo ou seriíssimo
septuagésimo ou setuagésimo
septingentésimo ou setingentésimo
sexcentésimo ou seiscentésimo
selvageria ou selvajaria
sobressalente ou sobresselente
surripiar ou surrupiar
supervisionar ou supervisar
taberna ou taverna
taramela ou tramela
televisar ou televisionar
terraplenagem ou terraplanagem
terremoto ou terramoto
tataraneto ou tetraneto
tataravô ou tetravô
trecentésimo ou tricentésimo
tesoura ou tesoira
tesouro ou tesoiro
terraplenagem ou terraplanagem
toicinho ou toucinho
transladar ou trasladar
transpassar ou traspassar ou trespassar
transvestir ou travestir
treinar ou trenar
tireoide ou tiroide
tríade ou tríada
trilhão ou trilião
vargem ou varge
várzea ou várgea
vassoura ou bassoura
verruga ou berruga
vespa ou bespa
volibol ou voleibol
Há uma preferência no uso de câmera nos sentidos relacionados a vídeo e fotografia e câmara nos outros sentidos.
■ 2.3. PALAVRAS QUE NÃO ADMITEM FORMA VARIANTE
Tome cuidado com a grafia de certas palavras e expressões que costumam causar dúvida, porém só se escrevem de uma forma:
beneficência
beneficente (não provém de benefício, e sim do substantivo beneficência, o superlativo é beneficentíssimo)
Ocorre uma falsa associação entre palavras como eficiência / eficiente, deficiência / deficiente, proficiência / proficiente, consciência / consciente, ciência / ciente etc.
cabeleireiro (não deriva de cabelo, e sim de cabeleira)
chuchu
de repente (derrepente surgiu por associação com depressa e devagar)
disenteria (o prefixo des indica negação, enquanto dis indica dificuldade)
empecilho (não vem de impedir, e sim do verbo antigo empecer, que significa criar obstáculo)
exceção (não se confunde com excesso, exceção significa o ato de excluir e excesso é o resultado do ato de exceder)
êxito (sucesso final, sem relação com hesitação, que significa incerteza, dúvida e excitação, que significa estímulo)
hesitar (excitar significa estimular, despertar, hesitar significa estar indeciso e exitar, sem respaldo gramatical, significa ter êxito)
jiló
manteigueira
mendigo
meritíssimo (superlativo absoluto sintético dos adjetivos merecedor e meritório, é derivado de mérito, que significa merecimento)
misto (mixto, embora haja uma relação semântica com a rádio Mix, não existe)
mortadela (existe um tipo de salame italiano chamado mortandela)
prazerosamente (vem de prazer, não de prazeir)
privilégio (estabelece-se uma ligação com palavras terminadas com o prefixo pre e funcionam como prefixos, na verdade a palavra vem de privado)
salsicha (salchicha, embora registrada no VOLP, é forma popular)
sobrancelha (vem de sobre e não de sombra)
Curiosidade: Veja em Semântica a lista de alguns homônimos e parônimos notáveis, para não se confundir com a grafia de certas palavras e expressões.
■ 2.4. EMPREGO DO HÍFEN
O uso do hífen é meramente convencional. Algumas regras esclarecem poucos problemas, mas muitos serão resolvidos apenas com a consulta ao dicionário. Ainda assim alguns gramáticos divergem em determinados casos.
Observe o que diz o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa: “Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção de composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido”.
Exemplos: couve-flor, grão-duque etc.
Veja, em linhas gerais, o uso desse sinal:
a) para ligar as partes de adjetivo composto: verde-claro, azul-marinho, luso-brasileiro.
b) para ligar os pronomes mesoclíticos ou enclíticos: amá-lo-ei, far-me-á, dê-me, compraram-na.
c) para separar as sílabas de uma palavra, inclusive na translineação (mudança de linha): a-ba-ca-xi, se-pa-ra-do.
Não há hífen na próclise, pois a união é maior na ênclise.
■ 2.4.1. Hífen com prefixos e pseudoprefixos
ante-, anti-, circum-, co-, contra-, des-, entre-, extra-, hiper-, in-, infra-, inter-, intra-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, pre-, pro-, proto-, pseudo-, re-, retro-, semi-, tele-, ultra- etc.
Emprega-se o hífen nos seguintes casos:
a) Antes de h: anti-higiênico, circum-hospitalar, contra-harmônico, extra-humano, sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico; arqui-hipérbole, eletro-higrômetro, geo-história, neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar.
Curiosidades:
1: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desonesto, desonra, desarmonia, desumidificar, inábil, inumano.
2: Nas formações com os prefixos circum- e pan-, também se emprega o hífen quando o segundo elemento começa por vogal, h, m, n: circum-escolar, circum-hospitalar, circum-murado, circum-navegação; pan-africano, pan-harmônico, pan-mágico, pan-negritude.
Atenção:
Nos casos em que o prefixo “circum-” anteceder uma sílaba que obriga ao uso do “n” (pois só se usa “m” antes de “b” e “p”), deve-se modificar a grafia do prefixo: circunlunar.
Do mesmo modo, quando o prefixo “pan-” anteceder uma sílaba começada em “b” ou “p”, a regra de que antes de “b” e “p” usa-se “m” obriga a modificar a grafia do prefixo: pambrasileiro, pamprocessual.
b) Nas formações em que o prefixo/pseudoprefixo termina na mesma letra com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno; ad-digital; hiper-requintado; sub-barrocal; sub-base;
Curiosidade: Nas formações com o prefixo co-, pre-, pro-, re-, estes se aglutinam em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por e ou o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, coordenador, coordenação, coordenador, preeminente, preeleito, preenchido, proativo, reedição, reeleição, reenviar.
c) Nas formações com os prefixos além-, aquém-, bem-, ex-, pós-, pré-, pró-, recém-, sem-, sota-/soto-, vice-/vizo-: além-Atlântico, aquém-Pirineus, bem-criado, bem-vindo, ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro-ministro, ex-rei, pós graduação, pós-tônico, pré escolar, pré-natal, pró-africano, pró-europeu, recém-eleito, sem-cerimônia, sem-vergonha, sota-piloto, soto-mestre, vice-presidente, vice-reitor.
Exportar / excursão = prefixo ex- (movimento para fora, não significa estado anterior ou cessamento)
Extraordinário = não é prefixo ex, é prefixo extra- (posição exterior)
Curiosidade: Em muitos compostos, o advérbio bem- aparece aglutinado ao segundo elemento: benfazejo, benfeito, benquerença, benfazer, benquerer.
d) Nas formações com o prefixo mal-, emprega-se hífen quando o segundo elemento começa por vogal, h ou l: mal-afortunado, mal-entendido, mal-humorado, mal-informado, mal-limpo.
e) Nas formações com prefixos ab-, ob-, sob-, sub-, ad-, cujo elemento seguinte se inicia por r: ab-rupto, ob-rogar, sob-roda, sub-reitor, ad-renal, ad-referendar.
■ 2.4.2. Hífen com sufixos
Nas formações por sufixação, apenas se emprega o hífen nos vocábulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como -açu, -guaçu e -mirim, quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-Mirim. Em palavras como 'eleitor mirim' ou 'banda mirim' o elemento mirim é adjetivo, e não sufixo, logo, não se emprega o hífen.
■ 2.4.3. Hífen em locuções
Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuntivas, não se emprega, em geral, o hífen.
Sirvam, pois, de exemplo as seguintes locuções:
a) Substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar.
b) Adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho.
c) Pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja.
d) Adverbiais: à parte, à vontade, depois de amanhã, em cima, por isso.
e) Prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, debaixo de, enquanto, por baixo de, por cima de, quanto a.
f) Conjuntivas: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.
Curiosidade: Algumas exceções já consagradas pelo uso, com significado próprio: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
■ 2.5. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Os acentos gráficos marcam a sílaba tônica:
■ grave — para indicar crase.
■ agudo — para som aberto: café, cipó.
■ circunflexo — para som fechado: você, complô.
O sinal gráfico modifica o som de qualquer sílaba:
■ til (~) — nasalizador de vogais: romã, maçã, ímã, órfão.
Curiosidade: O til substitui o acento gráfico quando os dois recaem sobre a mesma sílaba: irmã, romãs.
■ 2.5.1. Regras gerais
■ 2.5.1.1. Monossílabas tônicas
Recebem acento as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s):
pá, já, má, lá, trás, más, chás
pé, fé, Sé, mês, três, rés
pó, só, dó, cós, sós, nós
Então:
mar, sol, paz, si, li, vi, nu, cru
me, lhe, mas (conjunção), ti
■ 2.5.1.2. Oxítonas
Recebem acento as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s), -em, -ens:
sofá, maracujá, Paraná, ananás, marajás, atrás
Pelé, café, você, freguês, holandês, viés
complô, cipó, trenó, retrós, compôs, avós
também, ninguém, convém, obtém
parabéns, reféns, vinténs
Então:
pomar, anzol, jornal, maciez
saci, caqui, anu, urubu
■ 2.5.1.3. Paroxítonas
Recebem acento as terminadas em -l, -i(s), -n, -u(s), -r, -x, -t, -ã(s), -ão(s), -um, -uns, -ps e ditongo: fácil, útil, júri, táxi, lápis, tênis, hífen, pólen, elétron, nêutron, jiu-jítsu, vírus, Vênus, revólver, mártir, tórax, látex, superávit, ímã, ímãs, órfã, órfãs, sótão, órgão, órfãos, álbum, médium, fóruns, pódiuns, fórceps, bíceps, água, história, série, pônei, pôneis, tênues.
Curiosidades:
a) Palavras terminadas em -n, no plural:
-ons: com acento — elétrons, nêutrons, prótons.
-ens: sem acento — hifens, polens, liquens.
b) Prefixos paroxítonos terminados em -i ou -r não são acentuados, exceto quando substantivados (o híper: o hipermercado, o míni: o minidicionário): anti, multi, semi, mini, peri, super, hiper, inter, ciber, nuper.
c) É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tônica é aberto naquele caso em Portugal: amámos, louvámos.
■ 2.5.1.4. Proparoxítonas
Todas são acentuadas, sem exceção: lânguido, física, trópico, álibi, hábitat, déficit, lápide.
■ 2.5.2. Regras especiais
■ 2.5.2.1. Ditongos abertos
São acentuados os ditongos abertos éi, éu, ói em palavras monossílabas e oxítonas: méis, coronéis, céu, chapéu, mói, herói.
Então: ideia, tramoia. (paroxítonas, não se acentua)
Dêitico, embora tenha o ditongo fechado, é proparoxítona.
Destróier e Méier (bairro carioca), embora tenham o ditongo, são paroxítonas terminadas em R.
■ 2.5.2.2. I e U tônicos
I e U tônicos recebem acento se cumprirem as seguintes determinações:
a) devem ser precedidos de vogais que não sejam eles próprios nem ditongos;
b) devem estar sozinhos na sílaba (ou com o -s);
c) não devem ser seguidos de -nh.
saída, juízes, saúde, viúva, caíste, saístes, balaústre.
Então: Raul, ruim, ainda, sair, juiz, rainha, xiita, paracuuba, cauila, baiuca.
Luís = com acento; Luiz = sem acento
Curiosidade: Se i ou u tônicos estiverem precedidos de ditongo, mas estiverem em palavra oxítona, o acento permanece: tuiuiú, Piauí.
Também não se acentuam mais o hiato OO no final: voo, enjoo, perdoo, abençoo, entoo, magoo, coroo, povoo. Herôon (espécie de santuário) é acentuada porque é paroxítona terminada em R.

■ 2.5.2.3. Acento diferencial nos verbos ter e vir (e seus derivados)
Recebe acento diferencial a 3ª pessoa do plural do presente do indicativo: eles têm, eles vêm, eles retêm, eles intervêm.
Curiosidade: A 3ª pessoa do singular desses verbos segue a regra geral de acentuação:
ele tem, ele vem (monossílabas tônicas terminadas em “m” – não há regra para se acentuar).
ele retém, ele intervém (oxítonas terminadas em “em” recebem acento gráfico).
Não se acentua o hiato EE nas formas plurais dos verbos CREDELEVÊ (crer, dar, ler e ver): creem, deem, leem e veem, e seus derivados: descreem, releem, reveem.

■ 2.5.2.4. Outros acentos diferenciais
pôr (verbo) — para distinguir de por (preposição).
pôde (verbo poder no passado) — para distinguir de pode (verbo poder no presente).
quê (interjeição, substantivo e no fim de frase) — para distinguir de que (pronome, preposição, conjunção, advérbio ou partícula expletiva).
porquê (substantivo) — para distinguir de porque (conjunção explicativa, causal ou final).
fôrma ou forma (utensílio) — acento facultativo.
Curiosidade: Em Portugal, existem dois outros acentos diferenciais, que não se usa no Brasil: dêmos (presente do subjuntivo) — acento facultativo — para distinguir de demos (pretérito perfeito do indicativo); amámos (pretérito perfeito do indicativo) para diferenciar de amamos (presente do indicativo)
■ 2.5.3. Formas variantes de som aberto ou fechado
Os falantes da língua portuguesa no Brasil pronunciam algumas palavras com timbre fechado, enquanto em Portugal se pronunciam as mesmas palavras com timbre aberto. Vejamos alguns exemplos: acadêmico — académico; Antônio — António; Amazônia — Amazónia; fenômeno — fenómeno etc.
■ 2.6. USO DO PORQUÊ
■ 2.6.1. Por que / por quê
■ 2.6.1.1. Preposição + pronome interrogativo
Em frases interrogativas (diretas ou indiretas):
Por que não veio?
Gostaria de saber por que lutamos.
Ela não veio por quê?
Curiosidade: A palavra que em final de frase, como substantivo ou como interjeição recebe acento circunflexo, por ser um monossílabo tônico terminado em e. Na função de pronome, preposição, conjunção, advérbio ou partícula expletiva, não é acentuada, por ser monossílabo átono:
Você precisa de quê?
Ela sabe o quê!
■ 2.6.1.2. Preposição + pronome relativo
Equivale a pelo qual (e suas variações).
Ela é a mulher por que me apaixonei.
Não conheço as pessoas por que espero.
■ 2.6.2. Porque
conjunção explicativa, causal ou final
Equivale a pois e, eventualmente, a para que.
Eu não fui à escola porque estava doente.
Venha depressa, porque sua presença é indispensável.
Estudou porque passasse no concurso. (raro seu uso, porém correto)
■ 2.6.3. Porquê
substantivo (= causa, motivo, razão)
Vem sempre acompanhado de um artigo ou outro determinante:
Qual o porquê da sua revolta?
Este porquê me convenceu.
Deve haver dois porquês para ele não se atrasar.

Fonologia - Resumo de Gramática

Fonologia é a parte da gramática que trata dos sons produzidos pelo ser humano para a comunicação, em relação a determinada língua.
Curiosidade: O estudo dos sons da fala, de forma geral — sem levar em conta a região geográfica ou a cultura a que se aplica —, recebe o nome de FONÉTICA. 
■ 1.1. FONEMA
Os fonemas são os elementos sonoros mais simples da língua, capazes de estabelecer distinção entre duas palavras. Como em: sua e tua. Note que a distinção entre uma e outra palavra são os fonemas /se/ e /te/.
Curiosidade: Graficamente expressamos os fonemas entre barras: /me/; /ce/; /ve/.
Não podemos confundir letras (ou grafemas) com fonemas, pois letra é a representação gráfica de um som.
M — letra eme > som /me/.
J — letra jota > som /je/.
H — letra agá > não existe som para essa letra, é letra etimológica, meramente histórica.
Nem sempre ao número de letras corresponde o mesmo número de fonemas. Veja:
CALHA
5 letras: c, a, l, h, a.
4 fonemas: /ke/, /a/, /lhe/, /a/.
TÁXI
4 letras: t, a, x, i.
5 fonemas: /te/, /a/, /ke/, /se/, /i/.
Os fonemas se dividem em dois grupos:
■ Fonemas vocálicos: representam as vogais.
■ Fonemas consonantais: representam as consoantes.
■ 1.2. FONEMAS VOCÁLICOS
Chamamos fonemas vocálicos os sons resultantes da emissão de ar que passa livremente pela cavidade bucal. São eles: A, E, I, O, U. Dividem-se em dois grupos:
■ 1.2.1. Vogais
São a base da sílaba em Língua Portuguesa. Há apenas uma vogal em cada sílaba: sa-pa-to; ca-fé; u-si-na.
■ 1.2.2. Semivogais
São fracas em relação à vogal. As letras I e U, quando acompanham outra vogal numa mesma sílaba, são as semivogais. As letras E e O também serão semivogais quando forem átonas, acompanhando outra vogal. Veja:
cá-rie
/i/ é semivogal
/e/ é vogal
tou-ro
/o/ é vogal
/u/ é semivogal
mãe
/a/ é vogal
/e/ é semivogal
pão
/a/ é vogal
/o/ é semivogal
■ 1.3. FONEMAS CONSONANTAIS
Chamamos de fonemas consonantais os ruídos ocasionados pela obstrução da passagem de ar pelo aparelho fonador (língua, dentes, lábios etc.). São: B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z.
■ 1.4. ENCONTROS VOCÁLICOS
É a união de dois ou mais fonemas vocálicos em uma única sílaba. São eles: o ditongo, o tritongo e o hiato.
■ 1.4.1. Ditongo
Ocorre quando juntamos dois sons vocálicos numa única sílaba (vogal + semivogal ou vice-versa): ca-iu; viu; tou-ro; den-tais.
Os ditongos são classificados de acordo com a sua formação e a sua pronúncia.
De acordo com a formação, o ditongo pode ser:
■ 1.4.1.1. Crescente
Começa com semivogal e termina com vogal: cárie, história, tênue.
■ 1.4.1.2. Decrescente
Começa com vogal e termina com semivogal: touro, dentais, peixe.
De acordo com a pronúncia, o ditongo pode ser:
■ 1.4.1.3. Oral
Quando o som sai completamente pela boca: tênue, dentais.
■ 1.4.1.4. Nasal
Quando o som sai pelo nariz: pão, mãe, também, cantaram.
Curiosidade: AM e EM, em final de palavras, representam ditongos decrescentes nasais. Perceba que os sons que ouvimos são: /tã-bei/ e /cã-ta-rau/.
■ 1.4.2. Tritongo
Ocorre quando juntamos três sons vocálicos numa única sílaba (vogal entre duas semivogais): iguais; quão.
O tritongo se classifica, quanto à pronúncia, como:
■ 1.4.2.1. Oral
Quando o som sai apenas pela boca: iguais.
■ 1.4.2.2. Nasal
Quando o som sai pela nariz: quão.
■ 1.4.3. Hiato
Ocorre quando colocamos, simultaneamente, em uma palavra duas vogais, que pertencem a sílabas diferentes: sa-í-da; co-o-pe-rar; ga-ú-cho.
■ 1.5. ENCONTROS CONSONANTAIS
É o encontro de sons consonantais simultâneos dentro da palavra. Podem ser classificados de acordo com o modo como se apresentam.
■ 1.5.1. Encontros consonantais perfeitos ou próprios
Sons consonantais que pertencem à mesma sílaba: pro-ble-ma; psi-co-lo-gi-a; pe-dra.
■ 1.5.2. Encontros consonantais imperfeitos ou impróprios
Sons consonantais que pertencem a sílabas diferentes: dig-no; per-fei-to; ar-tis-ta.
Curiosidade: Repare que nos encontros consonantais, apesar de as consoantes aparecerem lado a lado, cada uma conserva o seu som próprio, característico. pro-ble-ma = /pe/ + /re/ + /o/ + /be/ + /le/ + /e/ + /me/ + /a/ af-ta = /a/ + /fe/ + /te/ + /a/
Quando os agrupamentos consonantais misturam os dois modos descritos, o encontro consonantal chama-se misto: filtração, destruição, displicência, destreza etc.
■ 1.6. DÍGRAFO
Ocorre quando duas letras representam um único som:
CH — chá
LH — telha
NH — ninho
GU — foguete
QU — quilo
RR — carro
SS — assado
SC — descer
SÇ — desço
XC — exceto
XS — exsudar
AM — tampa
EM — tempo
IM — tímpano
OM — tombo
UM — tumba
AN — anta
EN — entortar
IN — interno
ON — onda
UN — untar
Curiosidade: Os grupos GU e QU, quando trazem o U pronunciado, não representam dígrafos, mas sim ditongos, pois nesse caso G e Q têm um som e U tem outro: aguentar; sagui; tranquilo; aquoso.
Quando o S e o C são pronunciados, SC e XC são encontros consonantais: exclamação, escolha.
■ 1.7. SÍLABA
É a junção de fonemas numa única emissão de ar. Cada vez que se expele o ar do pulmão passando pelo aparelho fonador (boca ou boca e nariz), temos uma sílaba.
A base da sílaba em Língua Portuguesa é sempre uma vogal; portanto, existe sílaba sem consoante, mas não existe sílaba sem vogal.
De acordo com o número de sílabas, a palavra será classificada como:
■ Monossílaba — uma única sílaba: chá, pé, me, lhe.
■ Dissílaba — duas sílabas: café, sofá, onça, digno.
■ Trissílaba — três sílabas: copinho, socorro, agora, adrede.
■ Polissílaba — quatro ou mais sílabas: limonada, chocolatezinho, Atanagildetina, desoxirribonucleico.
Alguns gramáticos de renome preferem a denominação tetrassílabo para vocábulos de quatro sílabas e polissílabo para vocábulos de cinco ou mais sílabas.
■ 1.8. TONICIDADE
As sílabas de uma palavra podem ser fortes ou fracas.
As sílabas fortes são chamadas de TÔNICA, e as sílabas fracas são chamadas de ÁTONAS.
paralelepípedo: pí é a sílaba tônica, as outras são átonas.
sapato: pa é a sílaba tônica, as outras são átonas.
Curiosidade: Em cada palavra, há apenas uma sílaba forte; todas as outras serão fracas.
Em algumas palavras, principalmente derivadas, existe uma sílaba de intensidade intermediária, chamada subtônica, que se situa entre a tônica e a átona: bebezinho (zi é a tônica e be a subtônica, pois era a tônica da primitiva).
As palavras monossílabas, por possuírem apenas uma sílaba, devem ser chamadas de tônicas ou átonas:
■ Monossílaba tônica — possui sentido próprio quando está só: chá, pá, mês.
■ Monossílaba átona — só possui sentido quando se apoia em outra palavra: com, em, lhe.
A maioria dos vocábulos átonos são monossílabos. Porém, alguns são dissílabos: o artigo definido uma, as contrações pelo e pera, a preposição para e as conjunções como e porque.
Palavras com duas ou mais sílabas são classificadas de acordo com a posição que a sílaba tônica ocupa dentro da palavra:
■ Oxítona — é a palavra cuja última sílaba é forte: café, maracujá, ananás.
■ Paroxítona — é a palavra cuja penúltima sílaba é forte: sapato, educado, revólver.
■ Proparoxítona — é a palavra cuja antepenúltima sílaba é forte: lâmpada, metafísica, pássaro.
No espanhol, existe acentuação tônica antes da antepenúltima sílaba, o que só ocorre no português com algumas formas verbais seguidas de pronome oblíquo.
■ 1.9. FORMAS GRÁFICAS VARIANTES
Algumas palavras podem ter pronúncia variável, sem alteração de sentido. Veja:
acróbata ou acrobata
alópata ou alopata
ambrósia ou ambrosia
autópsia ou autopsia
Bálcãs ou Balcãs
biópsia ou biopsia
biótipo ou biotipo
boêmia ou boemia
crisântemo ou crisantemo
Dário ou Dario
dúplex ou duplex
elétrodo ou eletrodo
Gândavo ou Gandavo
geodésia ou geodesia
hieróglifo ou hieroglifo
homília ou homilia
Madagáscar ou Madagascar
necrópsia ou necropsia
nefelíbata ou nefelibata
Oceânia ou Oceania
ortoépia ou ortoepia
oxímoro ou oximoro (existe a variante oximóron)
projétil ou projetil
réptil ou reptil
sóror ou soror
tríplex ou triplex
transístor ou transistor
xérox ou xerox
zângão ou zangão
Há palavras em que a letra U do grupo QU pode ou não ser pronunciada: antiguidade; antiquíssimo; equidade; equivalente; equivaler; equidistante; liquidação; liquidar; liquidez; liquidificador; líquido; retorquir; sanguíneo; sanguinário; sanguinolento.
Curiosidade: Ortoépia é a parte da gramática que trata da correta pronúncia das palavras. Quando cometemos um engano de pronúncia, surge a prosódia. Erradamente se pronuncia uma palavra oxítona como paroxítona, uma paroxítona como proparoxítona e uma proparoxítona como paroxítona.
rubrica — sílaba tônica = bri.
O erro prosódico comum é pronunciar a sílaba ru como forte, acentuando graficamente a palavra.
ínterim — sílaba tônica = ín.
O erro prosódico comum é pronunciar a sílaba rim como forte.
São oxítonas: cateter; Cister; harém; Gibraltar; masseter; mister (necessário); Nobel; novel; recém; refém; obus; sutil; ureter (não confundir com uretra, que é paroxítona).
São paroxítonas: acórdão; alcácer; algaravia; âmbar; acerdiago; avaro; aziago; azimute; barbaria; batavo; boêmia; cânon; caracteres; cartomancia; cenobita; ciclope; clímax; decano; edito (lei); efebo; epifania; erudito; exegese; filantropo; flébil; ibero; impio (cruel); ímpio (sem fé); índex; látex; libido; maquinaria; misantropo; necropsia; nenúfar; omicro; opimo; pudico; Quéops; quiromancia; recorde; têxtil; tétum; tulipa.
São proparoxítonas: acônito; aeródromo; aerólito; ágape; álacre; álcool; alcíone; alcoólatra; álibi; alvíssaras; âmago; amálgama; anátema; andrógino; anódino; antífona; ápode; aríete; arquétipo; autóctone; ávido; azáfama; barbárie; bávaro; bímano; écloga; édito (ordem judicial); êmbolo; ímprobo; ínterim; leucócito; monólito; protótipo; revérbero; úmbrico; zênite.

As pronúncias corretas são: maquinário ou maquinaria, evite-se a errônea, embora consagrada, pronúncia maquinária. Diz-se imobiliária, por ser adjetivo feminino substantivado: (empresa) imobiliária.
Existe interim, sem acento, mas é como os mineiros pronunciam inteirinho.

Palavras com /é/ — som aberto: badejo; blefe; cedro; cervo; besta (arma); incesto; medievo; obsoleto.
Palavras com /ê/ — som fechado: adrede; besta (animal de carga); cerda; destro; escaravelho; extra; fechar (e suas flexões: fecho, fechas, fecha, feche, feches etc.); magneto; quibebe; reses.
Palavras com /ó/ — som aberto: amorfo; canoro; coldre; dolo; inodoro; molho (feixe); sinagoga; tropo.
Palavras com /ô/ — som fechado: alcova; alforje; algoz; boda; bodas; choldra; desporto; foro (jurisdição); transbordo; controle (substantivo); interesse (substantivo).

■ 1.10. DIVISÃO SILÁBICA
Para separar a palavra em sílabas, não se levam em conta os elementos formadores (prefixos, radicais, sufixos). Basta pronunciar com calma a palavra para sabermos quantas sílabas ela contém.
Há algumas regras que facilitam a separação de sílabas:
■ 1.10.1. Separam-se
a) hiato: sa-í-da, ba-la-ús-tre;
b) encontro consonantal imperfeito: dig-no, ca-rac-te-rís-ti-ca;
c) dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC, XS: car-ro, as-sa-do, des-cer, des-ço, ex-ce-ção, ex-su-dar.
■ 1.10.2. Não se separam
a) ditongo: cá-rie, á-gua;
b) tritongo: i-guais, quão;
c) encontro consonantal perfeito: pro-va, clas-se;
d) dígrafos CH, LH, NH, GU, QU, AM, EM, IM, OM, UM, AN, EN, IN, ON, UN: cha-lei-ra, te-lha, vi-nho, guer-ra, que-ro, âm-bar, Em-bu, im-pa-la, om-bro, um-bigo, can-to, ven-to, tin-ta, ton-to, tun dra.
■ 1.10.3. Outras dicas
a) Qualquer consoante solta dentro da palavra, que não forme sílaba com vogal
posterior, pertencerá sempre à sílaba anterior: tungs-tê-nio; e-clip-se; e-gíp-cio; felds-pa-to.
b) prefixo + vogal — formam sílaba normalmente: tran-sa-tlân-ti-co; su-ben-tender.
c) prefixo + consoante — isola-se o prefixo e depois separam-se as sílabas restantes: sub-li-nhar; ab-rup-to; trans-por-te.

As regras B e C se aplicam ao s dos prefixos trans, bis, cis, des e dis e ao x do prefixo ex.

Indecente ou indescente?

 Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...