quarta-feira, 17 de junho de 2020

Pontuação - Resumo de Gramática

A pontuação auxilia a leitura e a compreensão de discursos escritos.
Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintática, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (entoação) na leitura;
b) separar palavras, expressões e orações que, segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando ambiguidades.
Os sinais de pontuação marcam três tipos diferentes de pausas:
a) pausas que indicam que a frase ainda não acabou:
vírgula [,]
travessão [—]
parênteses [()]
ponto e vírgula [;]
dois-pontos [:]
b) pausas que indicam final de período:
ponto-final [.]
c) pausas que indicam intenção ou emoção:
ponto de interrogação [?]
ponto de exclamação [!]
reticências [...]
■ 5.1. VÍRGULA
A vírgula serve para marcar as separações de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as intercalações, quer na oração, quer no período, ou seja: separa termos dentro da oração ou orações dentro do período.
O uso da vírgula é mais uma questão de estilo, pois vai ao encontro da intenção do autor da frase.
A seguir, indicam-se alguns casos principais de emprego da vírgula:
a) para separar o aposto explicativo ou comparativo:
João, meu vizinho, bateu com o carro.
Todos gostamos de arroz e feijão, alimentos indispensáveis na mesa do brasileiro.
Os olhos do gato, faróis na escuridão, percorriam a mata à procura de alimento.
Atenção: O aposto especificativo não é separado por vírgula. Exemplo: A cidade de Lisboa é extremamente desenvolvida.
b) para separar o vocativo, inclusive o vocativo de ofícios e cartas comerciais:
Mãe, eu estou com fome.
“Dizei-me Vós, Senhor Deus, se eu deliro ou se é verdade tanto horror perante os céus.” (O Navio Negreiro - Castro Alves)
c) para separar os termos de mesma função:
Comprei arroz, feijão, carne, alface e chuchu.
Machado de Assis, Castro Alves e Ruy Barbosa são escritores brasileiros.
d) para assinalar a inversão dos adjuntos adverbiais (facultativa):
Na semana passada, o diretor conversou comigo.
Aos treze dias do mês de julho de mil novecentos e sessenta e seis, nascia Childerico.
e) para marcar a supressão de um verbo:
Uma flor, essa menina!
Que terrível, a espera por José...
f) a vírgula também é empregada para indicar a ocultação de verbo já escrito anteriormente (zeugma) ou outro termo (elipse):
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. — a vírgula indica o zeugma do verbo regulamenta.
Às vezes procura assistência; outras, toma a iniciativa. — a vírgula indica a elipse da palavra vezes.
g) para separar o nome do lugar, nas datas:
São Paulo, 21 de novembro de 2004.
Alvorada do Sul, 13 de julho de 1965.
h) nos complementos verbais deslocados para o começo da frase, repetidos por pronome enfático (objeto direto ou indireto pleonástico):
A rosa, entreguei-a para a menina.
A mim, nada mais me resta!
i) para isolar expressões explicativas, retificadoras, continuativas, conclusivas ou enfáticas, tais como: além disso, aliás, a saber, assim, na verdade, com efeito, de fato, então, isto é, ou seja, digo, por assim dizer, minto, por exemplo, ou melhor, quer dizer, na minha opinião, em outras palavras, resumindo, etc.
A menina, aliás, estava linda!
Não se deve, por exemplo, colocar vírgula entre sujeito e verbo.
Todos querem o melhor, isto é, as coisas boas da vida.
j) para isolar orações ou termos intercalados (aqui se pode substituir as vírgulas por travessões ou parênteses):
A casa, disse Asdrúbal, precisa de reforma.
A casa — disse Asdrúbal — precisa de reforma.
A casa (disse Asdrúbal) precisa de reforma.
Atanagildetina, ontem, estava linda.
Atanagildetina — ontem — estava linda.
Atanagildetina (ontem) estava linda.
k) para separar orações paralelas justapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Relações Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
Abriu a geladeira, pegou a garrafa d’água, encheu um copo até a borda e deixou-o cheio sobre a mesa.
l) para separar as orações coordenadas assindéticas:
Maria foi à feira, José foi ao mercado, Pedro preparou o almoço.
Radegondes estudava Português, Childerico jogava cartas, Asdrúbal lia história em quadrinho.
m) para separar as orações coordenadas ligadas por conjunções:
Maria foi ao mercado, mas não comprou leite.
Os meninos estavam no pátio, pois não havia aula naquele momento.
Pascoalina estuda bastante, logo terá um bom desempenho na prova.
Curiosidade: As orações coordenadas sindéticas aditivas, ainda que sejam iniciadas pela conjunção e, podem ser separadas por vírgula quando proferidas com pausa:
Radegondes não trouxe o livro que prometera, e eu fiquei triste por isso.
Todos olhavam para o menino que gritava, e não entendiam a razão daquele escarcéu!
n) para separar as conjunções coordenativas adversativas e conclusivas intercaladas ou pospostas ao verbo da oração a que pertencem:
Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obtinha, contudo, resultados.
O ano foi difícil; não me queixo, porém.
Era mister, pois, levar o projeto às últimas consequências.
Todos queriam macarrão; Âni desejava, porém, arroz.
o) para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
O homem, que pensa, é um ser racional.
Roberto Carlos, que foi eleito “rei” em nosso país, foi homenageado no carnaval carioca.
Curiosidade: As orações subordinadas adjetivas restritivas podem ter uma vírgula no fim, sobretudo quando forem longas. Essa pontuação é correta, mesmo que separe o sujeito expandido do seu verbo.
O homem que carrega nos braços o seu filho adormecido, é o Asdrúbal.
O autor do livro que virou um conhecido filme estrelado por um famoso ator brasileiro, morreu ontem.
p) para separar as orações subordinadas adverbiais, principalmente quando antepostas à principal:
Ela fazia a lição, enquanto a mãe costurava.
A menina ficará muito feliz, se você lhe der aquela boneca.
Enquanto a mãe costurava, Pascoalina fazia a lição.
Quando todos se recolheram aos seus aposentos, a dona da pensão pôde relaxar um pouco.
q) para separar as orações reduzidas:
Somente casando com Asdrúbal, você será feliz.
Ao sair, apague a luz.
Terminada a missa, todos foram para as suas casas.
■ 5.2. PONTO E VÍRGULA
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer dizer. Exemplos:
Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o governo despótico é o medo.
A borboleta voava; os pássaros cantavam; a vida seguia tranquila.
Em 1908, vovô nasceu; em 1950, nasceu papai.
As leis, em qualquer caso, não podem ser infringidas; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser respeitadas.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I — cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II — incapacidade civil absoluta;
III — condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV — recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V — improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
■ 5.3. DOIS-PONTOS
Emprega-se este sinal de pontuação:
a) antes de uma citação:
Rui Barbosa afirmou: “Esta minha a que chamam prolixidade, bem fora estaria de merecer os desprezilhos que nesse vocábulo me torcem o nariz.”
Quem foi que disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”?
b) para indicar enumeração:
Fui à feira e comprei: uva, maçã, melancia, jaca.
Gosto de todo tipo de arte: música, cinema, teatro.
c) antes de aposto enumerativo ou de oração subordinada substantiva apositiva:
A sala possuía belos móveis: sofá de couro, mesa de mogno, abajures de pergaminho, cadeiras de veludo.
Ela gostava de cores fortes: vermelho, laranja, marrom.
Só queria uma coisa: que chegasse mais cedo.
d) antes de explicação ou esclarecimento, resumo, causa, consequência, exemplo, nota ou observação:
Todos os seres são belos: um inseto é belo, um elefante é belo.
Só quero uma coisa na vida: ser feliz!
Implicar, no sentido de acarretar, é transitivo direto. Exemplo: Sua atitude implicará sérias consequências.
Nota: Diante de pronomes possessivos substantivos, mesmo que sejam femininos, a crase é de rigor. 
Observação: Com o pronome relativo quem, pode-se fazer a concordância com o antecedente, por razões de ênfase.
e) depois de verbo dicendi (dizer, perguntar, responder, falar etc.) para anunciar a fala de um personagem:
Maria disse: — A língua portuguesa é muito fácil!
O rapaz, asperamente, retrucou: — Não fui eu!
■ 5.4. PONTO-FINAL
Usa-se:
a) no final do período, indicando que o sentido está completo:
A menina comeu a maçã.
A terra é azul.
Ela sempre espera que eu traga as maçãs caramelizadas de que tanto gosta.
b) nas abreviaturas: Dr.; Sr.; pág. Neste caso, é chamado de ponto abreviativo.
c) para separar as casas decimais: 1.317.475
Não se usa em datas e em símbolos de unidades de medida.
■ 5.5. PONTO DE INTERROGAÇÃO
O ponto de interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interrogativa direta:
Até quando aguardaremos uma solução para o caso?
Qual será o sucessor do Secretário?
Curiosidade: Não cabe ponto de interrogação em estruturas interrogativas indiretas, nem em títulos interrogativos. Nesses casos, usa-se o ponto final:
Quero saber onde a senhorita esteve até esta hora.
O que é linguagem oficial
Por que a inflação não baixa
Como vencer a crise
■ 5.6. PONTO DE EXCLAMAÇÃO
O ponto de exclamação é utilizado:
a) depois de qualquer palavra ou frase exclamativa, na qual se indique espanto, alegria, dor, surpresa, entusiasmo, desejo, alívio, susto, cólera, piedade, súplica, raiva, ironia:
Tenha pena de mim!
Coitado sou eu!
Ai!
Nossa!
b) nas interjeições:
Ah!
Vixe!
Puxa!
c) nos vocativos enfáticos, como as apóstrofes:
Senhor Deus dos desgraçados! Protegei-me.
Colombo! Veja isso...
d) em frases imperativas ou optativas:
Fique quieto!
Pare com esse barulho!
Deus te guie!
Bons ventos o levem!
■ 5.7. RETICÊNCIAS
Usam-se:
a) para indicar supressão de um trecho nas citações:
“... a generosidade de quem no-la doou.” (Rui Barbosa)
“Saí, afastando-me dos grupos...” (Machado de Assis)
b) para indicar interrupção da frase:
Ela estava... Não, não posso dizer isso.
A vida... Sei lá... Não sei o que dizer sobre a vida.
c) para indicar hesitação:
Acho que eram... 12h... não sei ao certo, disse Jocasta.
Quero uns dez... ou doze pães.
d) para deixar algo subentendido no final da frase:
Deixa o seu coração dizer a verdade...
Ela sabe que eu quero...
■ 5.8. PARÊNTESES
Os parênteses são empregados nas orações ou expressões intercaladas.
O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) define-se pela submissão de todas as relações ao Direito.
Curiosidade: Quando a frase inteira se encontra dentro dos parênteses, o ponto final vem antes do último parêntese:
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os particulares. (Nesta frase, a vírgula indica o zeugma do verbo regulamenta.)
■ 5.9. TRAVESSÃO
O travessão é empregado nos seguintes casos:
a) substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos:
O controle inflacionário — meta prioritária do Governo — será ainda mais rigoroso.
As restrições ao livre mercado — especialmente o de produtos tecnologicamente avançados — podem ser muito prejudiciais para a sociedade.
b) indica a introdução de enunciados no diálogo:
Indagado pela comissão de inquérito sobre a procedência de suas declarações, o funcionário respondeu: — Nada tenho a declarar a esse respeito.
c) indica a substituição de um termo, para evitar repetições:
O verbo fazer — vide sintaxe do verbo —, no sentido de tempo transcorrido, é utilizado sempre na 3a pessoa do singular: faz dois anos que isso aconteceu.
d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento que segue:
Não há outro meio de resolver o problema — promova-se o funcionário.
Ele reiterou suas ideias e convicções — energicamente.
■ 5.10. ASPAS
As aspas têm os seguintes empregos:
a) usam-se antes e depois de uma citação textual:
A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, no parágrafo único de seu art. 1º, afirma: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.
b) dão destaque a nomes de livros, obras de arte, filmes, músicas, jornais, revistas etc., podendo ser substituída pelo itálico, negrito ou sublinhado:
O artigo sobre o processo de desregulamentação foi publicado no “Jornal do Brasil”.
A Secretaria da Cultura está organizando uma apresentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.
c) destacam estrangeirismos, gírias, arcaísmos, neologismos e expressões populares:
O processo da “détente” teve início com a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962. 
“Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao anteriormente apresentado.
d) nas citações de textos legais, as alíneas devem estar entre aspas:
O tema é tratado na alínea “a” do art. 146 da Constituição.

Existem outros sinais:

a barra - usada para indicar exclusão ou inclusão, itens que possuem relações entre si, separar versos de poesias, quando escritos seguidamente na mesma linha, na escrita abreviada, separar o numerador do denominador nos números fracionários, separar números, como o dia, o mês e o ano, a parte final de números de telefone diferentes, o número do prédio e do apartamento nos endereços, os dois anos consecutivos em que ocorrem um evento e para indicar fonemas
os parênteses quebrados - usados para indicar as letras, a evolução fonética de uma palavra, como sinais de maior e menor na matemática e, em bibliografias, consulta de textos e informações em sites da internet. Em XML e HTML, são usados para a concepção de tags para aplicar formatação de conteúdo específico que o circunda. Nos quadrinhos, denotam uma língua estrangeira traduzida para a língua do leitor. Também é usado no desenho interno dos brasões.
as chaves - usadas para indicar a reunião de diversos itens relacionados que formam um grupo, bem como a reunião das diversas divisões de um assunto. Na linguística, representam os morfemas. Na informática, delimitam os blocos de código. Na matemática, agrupam diversos elementos de uma operação, definindo sua ordem de resolução.
o asterisco - para indicar que uma frase é agramatical, que uma palavra não se encontra documentada, sendo hipotética, omissão ou lacuna num texto, quando repetido três vezes, marcar uma palavra indicando que há uma nota de rodapé, citação ou remissão
alínea - indica a divisão de um tema ou assunto, enumerando vários subtópicos do mesmo
meia-risca - une elementos enumerados em série, como letras ou números, separando as extremidades de um intervalo e indicando ausência
colchetes - fazem referência à etimologia da palavra em dicionários, são usados em construções previamente separadas por parênteses, quando há acréscimo de informação em uma citação, com a palavra latina sic, para identificar erros em um texto original em uma transcrição, quando uma citação está incompleta e em transcrições fonéticas. Na química, indicam concentração. Em diversas linguagens de programação, são usados para definir listas.

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