Período composto por subordinação
É o período em que as orações mantêm uma relação de dependência entre elas.
Essa dependência é sintática e semântica. Sintática porque uma desempenha uma função em relação à outra; semântica porque o sentido de uma se completa com o sentido da outra:
As meninas queriam que o rapaz as levasse ao cinema.
O filme que elas queriam ver não agradava ao rapaz.
Embora o rapaz tivesse outros planos, levou as garotas ao cinema.
Nos exemplos dados, em cada período, uma oração depende da outra para ter sentido ou para estar sintaticamente completa.
■ 4.3.2.1. Oração principal
É aquela que não exerce função sintática no período e vem sempre acompanhada de uma outra oração que lhe completa o sentido, ou que atribui uma característica a um de seus substantivos, ou ainda indica-lhe uma circunstância.
A oração principal não apresenta conjunção subordinativa, locução conjuntiva ou pronome relativo:
É necessário que se case.
O homem que fuma vive pouco.
Sopram os ventos, quando amanhece.
■ 4.3.2.2. Oração subordinada
É aquela que se liga à outra por meio de conjunção integrante, conjunção subordinativa, locução conjuntiva ou pronome relativo. A oração subordinada sempre dependerá da principal para ser entendida.
A oração subordinada:
a) completa o sentido da oração principal: Eu peço que desistas.
b) caracteriza o ser da oração principal: Deus, que é Pai, ajuda-nos.
c) indica uma circunstância para a oração principal: Saímos, quando escureceu.
As orações subordinadas são classificadas de acordo com a função que desempenham em relação à oração principal:
a) Quando exerce as funções próprias do substantivo, recebe o nome de oração subordinada substantiva.
As funções do substantivo são: sujeito, objeto direto e indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito e aposto.
b) Quando exerce a função própria do adjetivo, recebe o nome de oração subordinada adjetiva.
A função do adjetivo é: adjunto adnominal.
c) Quando exerce a função própria do advérbio, recebe o nome de oração subordinada adverbial.
A função do advérbio é: adjunto adverbial.
Apesar de a NGB não fazer referência, existem orações subordinadas substantivas com função de agente da passiva, iniciadas por de ou por + pronome indefinido.
■ 4.3.2.2.1. Oração subordinada substantiva
A oração subordinada recebe o nome de oração subordinada substantiva quando sua função é completar o sentido da oração principal. Damos a ela o nome SUBSTANTIVA, porque pode ser substituída, trocada por um substantivo. É sempre iniciada por uma conjunção integrante.
As principais conjunções integrantes são QUE e SE, elas não desempenham nenhuma função sintática nem têm valor semântico específico, apenas ligam as orações:
É necessário que se case.
Nesse exemplo, a oração que se case está completando o sentido da principal, e pode ser trocada pelo substantivo casamento: É necessário seu casamento.
Veja outros exemplos:
Eu quero que você saia. (Eu quero sua saída.)
Ninguém sabe se ela virá. (Ninguém sabe da sua vinda.)
Todos desejamos uma só coisa: que você seja feliz. (Todos desejamos uma só coisa: sua felicidade.)
Quando a oração subordinada completa o sentido da oração principal, ela desempenha determinada função em relação a esta. Assim:
É necessário que se case. = Seu casamento é necessário.
Então: a oração subordinada funciona como sujeito da oração principal.
Eu quero que você saia. = Eu quero sua saída.
Então: a oração subordinada funciona como objeto direto da oração principal.
Todos desejamos uma só coisa: que você seja feliz. = Todos desejamos uma só coisa: sua felicidade.
Então: a oração subordinada funciona como aposto da oração principal.
De acordo com a função que exerce em relação à principal, podemos classificar a oração subordinada substantiva. Para isso, basta sabermos o que falta na oração principal. Veja:
■ 4.3.2.2.1.1. Oração subordinada substantiva subjetiva
É assim classificada quando exerce a função de sujeito em relação à oração principal:
Espera-se que as meninas tragam as tortas.
É necessário que ela estude matemática.
Casos de oração principal: verbo de ligação + predicativo / verbo na voz passiva sintética ou analítica / verbo unipessoal
■ 4.3.2.2.1.2. Oração subordinada substantiva objetiva direta
Recebe esse nome a oração que exerce a função de objeto direto em relação à oração principal:
Maria esperou que o marido voltasse.
Ignoramos se eles se salvaram.
Também pode ser introduzida por um pronome ou advérbio interrogativo (que, quem, qual, quanto, quando, como, onde, por que), nas frases interrogativas indiretas.
■ 4.3.2.2.1.3. Oração subordinada substantiva objetiva indireta
Damos à oração essa denominação, pois exerce a função de objeto indireto em relação à oração principal. Vem sempre introduzida por preposição, e essa preposição estará ligada ao verbo da oração principal, e pode vir implícita:
Nós necessitamos (de) que nos ajudem.
Gosto (de) que me beije.
■ 4.3.2.2.1.4. Oração subordinada substantiva completiva nominal
Assim é chamada quando exerce a função de complemento nominal em relação à oração principal. Vem sempre introduzida por preposição, e essa preposição estará ligada a um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) da oração principal, e pode vir elíptica ou explícita:
Eu sou favorável (a) que o prendam.
Nós temos necessidade (de) que nos ajudem.
■ 4.3.2.2.1.5. Oração subordinada substantiva predicativa
Quando exerce a função de predicativo do sujeito em relação à oração principal. Vem sempre ao lado de um verbo de ligação da oração principal, mais comumente o verbo ser:
Seu receio era que chovesse.
O necessário agora é que você se cure.
■ 4.3.2.2.1.6. Oração subordinada substantiva apositiva
Quando exerce a função de aposto em relação à oração principal. Geralmente aparece após dois-pontos e, eventualmente, vírgula ou travessão. Pode aparecer justaposta, isto é, sem a conjunção integrante:
Só desejo uma coisa: (que) seja feliz.
Confesso uma verdade: (que) eu sou puro.
■ 4.3.2.2.2. Oração subordinada adjetiva
A função da oração subordinada adjetiva é caracterizar um ser da oração principal, que já possui sentido completo. É a função própria do adjetivo, ou seja, adjunto adnominal.
A oração subordinada adjetiva pode caracterizar o ser da oração principal de duas maneiras diferentes: explicando ou restringindo o seu sentido.
A oração subordinada adjetiva é iniciada por um pronome relativo: QUE, O QUAL (e flexões), QUEM, ONDE, CUJO (e flexões), QUANTO (e flexões), COMO e QUANDO. Esses pronomes desempenham diferentes funções sintáticas na oração por eles introduzida.
O homem que fuma vive pouco — nesse exemplo temos uma restrição, pois não é todo homem que vive pouco, apenas aquele que fuma.
O gelo, que é frio, conserva o alimento — nesse outro exemplo temos uma explicação, pois ser frio é característica própria do gelo.
Assim podemos reclassificar a oração subordinada adjetiva:
■ 4.3.2.2.2.1. Oração subordinada adjetiva explicativa
Quando explica, ou seja, generaliza, universaliza o sentido de um ser da oração principal. A oração subordinada adjetiva deve ser sempre isolada por vírgulas, travessões ou parênteses.
O homem, que é racional, às vezes age sem pensar.
Deus — que é nosso pai — nos salvará.
A lâmpada (que ilumina) é uma grande invenção.
■ 4.3.2.2.2.2. Oração subordinada adjetiva restritiva
Quando restringe, ou seja, delimita, particulariza o sentido do ser da oração principal. A oração subordinada adjetiva deve-se ligar diretamente ao antecedente:
Vi homens que colhiam algodão.
Comi as frutas que estavam maduras.
■ 4.3.2.2.3. Oração subordinada adverbial
A oração subordinada adverbial é aquela que indica uma circunstância para a oração principal. Ela desempenha as funções próprias de um advérbio, ou seja, de um adjunto adverbial. Sempre iniciada por qualquer tipo de conjunção subordinativa (exceto as integrantes), é essa conjunção que indicará a circunstância que a oração toda expressa; e, de acordo com essa circunstância, reclassificaremos a oração subordinada adverbial. Tal conjunção tem valor semântico, mas não desempenha função sintática.
■ 4.3.2.2.3.1. Oração subordinada adverbial causal
Expressa causa, motivo, razão.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, uma vez que (com o verbo no indicativo), porquanto, como, na medida em que etc.:
Você veio porque quis.
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir.
Repare que 'como' causal só se usa no início da oração.
■ 4.3.2.2.3.2. Oração subordinada adverbial comparativa
Expressa uma comparação. Normalmente o verbo da oração principal é o mesmo da oração subordinada, e fica subentendido.
Principais conjunções comparativas: como, bem como, assim como, mais... (do) que, menos... (do) que, tal... qual, tão... quanto/como, tanto... quanto/como, etc.:
Voltou a casa como quem vai à prisão.
A luz é mais veloz do que o som.
■ 4.3.2.2.3.3. Oração subordinada adverbial concessiva
Expressa um fato que se admite em exceção à ideia expressa pela oração principal.
Principais conjunções concessivas: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, apesar de que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, nem que etc.:
Nada seria resolvido, ainda que eu falasse.
Irei à festa, embora não esteja disposto.
■ 4.3.2.2.3.4. Oração subordinada adverbial condicional
Expressa uma hipótese, uma condição.
Principais conjunções condicionais: se, caso, desde que, contanto que, exceto se, salvo se, a menos que, a não ser que, sem que, uma vez que (com o verbo no subjuntivo) etc.:
Se chover, não sairei de casa.
Não deixe de estudar, a menos que você já saiba tudo.
■ 4.3.2.2.3.5. Oração subordinada adverbial conformativa
Expressa conformidade, acordo entre um fato e outro.
Principais conjunções conformativas: conforme, segundo, como, consoante, de acordo com etc.:
O homem age conforme pensa.
A história se repete, consoante opinam alguns.
■ 4.3.2.2.3.6. Oração subordinada adverbial consecutiva
Expressa uma consequência, um resultado, um efeito.
Principais conjunções consecutivas: que (precedida de tal, tão, tanto ou tamanho), de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que etc.:
Gritou tanto, que acordou os vizinhos.
Deus, ó Deus, onde estás, que não respondes? (Castro Alves)
■ 4.3.2.2.3.7. Oração subordinada adverbial final
Expressa finalidade, objetivo.
Principais conjunções finais: a fim de que, para que, porque (= para que), que etc.:
Saí, a fim de que evitássemos brigar.
Veio à escola para que estudasse.
■ 4.3.2.2.3.8. Oração subordinada adverbial proporcional
Expressa proporcionalidade.
Principais conjunções proporcionais: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto menos... menos etc.:
Aumentava a pressão ao passo que a esquadra se aproximava.
O dia clareia à medida que o sol surge.
■ 4.3.2.2.3.9. Oração subordinada adverbial temporal
Expressa ideia de tempo.
Principais conjunções temporais: quando, enquanto, apenas, mal, logo que, até que, antes que, depois que, desde que, desde quando, assim que, sempre que, toda vez que etc.:
Mal chegamos, ela foi saindo.
O que fará, agora que está em férias?
Apesar de a NGB não fazer referência, existem mais dois tipos de oração subordinada adverbial:
oração subordinada adverbial modal - expressa o modo como se dá o fato expresso na oração principal
Exemplos: Caminhou sem fazer nenhum ruído. / O funcionário saiu sem que ninguém o visse.
Alguns classificam essas orações como conformativas.
oração subordinada adverbial locativa - equivale a um adjunto adverbial de lugar
Exemplos: Não pode haver reflexão onde tudo é distração. / Permanecemos onde achamos mais adequado.
Alguns entendem que essas orações são adjetivas, por subentender um antecedente de onde.
■ 4.3.2.3. Orações reduzidas
São as orações subordinadas que se apresentam sem conjunção subordinativa ou pronome relativo, podem ser ligadas por preposição ou locução prepositiva e com o verbo numa das formas nominais:
■ infinitivo (pessoal ou impessoal) — AMAR.
■ gerúndio — AMANDO.
■ particípio — AMADO.
Quando a oração se apresenta da forma que estávamos vendo até agora, dizemos que ela é uma ORAÇÃO DESENVOLVIDA ou EXPLÍCITA. Se tirarmos a conjunção inicial e colocarmos o verbo em forma nominal, transformaremos a oração desenvolvida em ORAÇÃO REDUZIDA ou IMPLÍCITA.
Há orações reduzidas adverbiais que permitem mais de um desenvolvimento:
Terminada a festa, retiraram-se todos os convidados. (temporal ou causal?)
Entrando na faculdade, procurarei emprego. (temporal ou condicional?)
Há orações reduzidas que não se desdobram. Chamam-se reduzidas fixas:
Tenho muita vontade de falar com ela.
Enriqueceu vendendo joias.
Há orações adverbiais finais que aparecem sem preposição:
Fomos ao cartório assinar um documento.
■ 4.3.2.3.1. Oração reduzida de infinitivo
Oração reduzida de infinitivo surge quando tiramos a conjunção e colocamos o verbo no infinitivo. Aqui podemos ter as orações subordinadas substantivas, as orações subordinadas adjetivas e as orações subordinadas adverbiais:
É necessário casar-se.
Todos temos necessidade de nos amarem.
Ao fazer a lição, aprenderá um pouco mais.
Ela comprou o carro para chegar mais cedo ao trabalho.
Esta é a ferramenta de cortar a grama.
■ 4.3.2.3.2. Oração reduzida de gerúndio
Oração reduzida de gerúndio aparece quando tiramos a conjunção ou pronome relativo e colocamos o verbo no gerúndio. Aqui podemos ter as orações coordenadas aditivas, as orações subordinadas adjetivas e as orações subordinadas adverbiais:
Percebi a aluna colando na prova.
Pedindo com jeito, ela fará o serviço para nós.
Pagou a conta, ficando livre dos juros. (subentende-se uma ideia de consequência)
O poeta residiu em Ilhéus na década de 30, dedicando-se tão somente à literatura nesse período. (subentende-se uma ideia de finalidade)
■ 4.3.2.3.3. Oração reduzida de particípio
Oração reduzida de particípio aparece quando tiramos a conjunção ou pronome relativo e colocamos o verbo no particípio. Aqui podemos ter as orações subordinadas adjetivas e as orações subordinadas adverbiais:
Há saudade nunca esquecida.
Partido o bolo, vários convidados se retiraram.
Curiosidade:
As orações subordinadas substantivas são sempre reduzidas de infinitivo.
As orações subordinadas adjetivas podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio.
As orações subordinadas adverbiais podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio.
As orações coordenadas aditivas só podem ser reduzidas de gerúndio.
Quanto às adverbiais, as causais, concessivas, condicionais e temporais podem ser reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio, as consecutivas e finais só podem ser reduzidas de infinitivo, enquanto as comparativas, conformativas e proporcionais só existem na forma desenvolvida.
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