CRASE
É a fusão de vogais idênticas, marcada pelo acento grave (`).
Em Língua Portuguesa fundimos a vogal A, que pode ser preposição, artigo, ou o A inicial do pronome demonstrativo aquele — e suas variações.
Veja:
Eu fui à farmácia.
Nessa frase temos a preposição A exigida pelo verbo ir e, também, o artigo A do nome farmácia.
Refiro-me à que está de azul.
Nessa frase temos a preposição A exigida pelo verbo referir-se e, também, o pronome demonstrativo A, que está no lugar de um substantivo feminino.
Assisti àquele filme.
Nessa frase temos a preposição a exigida pelo verbo assistir e, também, o a inicial do pronome demonstrativo aquele.
Curiosidade: Não confunda a (artigo), a (preposição) e a (pronome demonstrativo).
Artigo a(s): Usado antes de substantivo feminino e diante de alguns pronomes, concordando em número (singular e plural).
a menina
a rua
a felicidade
a saudade
as casas
as ações
as tristezas
as belezas
a senhora
a outra
as mesmas (garotas)
as senhoritas
Preposição a: Diante de outras palavras que não admitam artigo ou com as quais não concorde, indicando subordinação entre os termos.
a partir
a começar
a garantir
a falar
a João
a Pedro
a ela
a todas
a cavalo
a pé
a você
a mulheres
a pessoas
a outras
Pronome demonstrativo a(s): Quando substitui um substantivo feminino.
Conheço a que está de azul. — Conheço a garota que está de azul.
Vi a de cabelos loiros na feira ontem. — Vi a mulher de cabelos loiros na feira ontem.
■ 4.5.1. Crase com pronome demonstrativo
A crase com o pronome demonstrativo a(s) depende apenas da regência.
Veja:
Comi a que estava madura. — Comi a (fruta) que estava madura.
Sem crase, pois o verbo comer não exige preposição.
Assim sendo, o a da primeira frase é apenas o pronome demonstrativo.
Refiro-me à de cabelos loiros. — Refiro-me à (garota) de cabelos loiros.
Com crase, pois o verbo referir-se exige a preposição a.
Assim sendo, o a da primeira frase é, ao mesmo tempo, preposição e pronome demonstrativo.
Sua casa é igual à do Pedro. — Sua casa é igual à (casa) do Pedro.
Com crase, pois o nome igual exige a preposição a.
Sendo assim, o a da primeira frase é, ao mesmo tempo, preposição e pronome demonstrativo.
Conheço a dos olhos azuis.
Comprei a que você recomendou.
Entreguei à do guichê 1 todos os papéis solicitados.
Confiei à que sorriu para mim o meu amor eterno.
A crase com o pronome demonstrativo aquele e aquilo (e suas flexões) depende apenas da regência.
Veja:
Comi aquela fruta que você trouxe.
Sem crase, pois o verbo comer não exige preposição.
Assim sendo, o a inicial do pronome é apenas o a inicial do pronome demonstrativo.
Refiro-me àquele rapaz de cabelos loiros.
Com crase, pois o verbo referir-se exige a preposição a.
Assim sendo, o a inicial do pronome é, ao mesmo tempo, preposição a e a inicial do pronome demonstrativo.
Seus cães são iguais àqueles que vi ontem no veterinário.
Com crase, pois o nome igual exige a preposição a.
Sendo assim, o a inicial do pronome é, ao mesmo tempo, preposição a e a inicial do pronome demonstrativo.
Conheço aquela mulher dos olhos azuis.
Comprei aquele carro que você recomendou.
Entreguei àquele funcionário do guichê 1 todos os papéis solicitados.
Confiei àquela linda menina o meu amor eterno.
■ 4.5.2. Crase com artigo
Da mesma forma que nos casos anteriores, a regência é fator fundamental para o reconhecimento da crase.
Basicamente, basta observar se há um termo solicitando preposição e outro que admita artigo, ligados entre si.
Veja.
Eu obedeço a meu pai. — A = preposição (exigida pelo verbo obedecer), antes de nome masculino.
Eu amo a mamãe. — A = artigo, diante de palavra feminina, e o verbo amar não pede preposição.
Nas duas frases não há acento grave, pois não há fusão. Em cada uma delas o A desempenha apenas uma função.
Se juntarmos a parte da primeira frase que pede preposição com a parte da segunda que admite artigo, teremos:
Eu obedeço à mamãe. — A = preposição (exigida pelo verbo obedecer) + a = artigo, diante de substantivo feminino.
Esse preceito deve nortear todo o estudo da crase.
Curiosidade: Nunca se esqueça de observar — antes de qualquer outra coisa — se há verbo ou nome exigindo preposição.
Regras que facilitam a observação:
a) Com nomes próprios de localidades:
Colocar o nome da localidade depois das expressões:
VIM DA _____.
VIM DE _____.
Se você utilizou VIM DE, é porque o nome da localidade não admite artigo, logo não admite crase.
Se você utilizou VIM DA, é porque o nome da localidade admite artigo, logo admite crase.
Para ficar mais fácil:
VIM DA, CRASE HÁ!
VIM DE, CRASE PRA QUÊ?
SE ESTIVER ESPECIFICADO, CRASE VAI TER!
Viagem à Lua.
Chegaremos à Áustria em poucos minutos.
Viajaremos a Roma.
Voltarei a Campinas.
Curiosidades:
a) As localidades África, Ásia, Europa, Espanha, Holanda, França, Inglaterra e Escócia recebem ou não artigo; assim sendo, recebem ou não crase:
Vou a África. ou Vou à África.
Cheguei a Europa. ou Cheguei à Europa.
b) Se o nome da localidade estiver determinado com um adjetivo ou locução adjetiva, haverá crase obrigatória.
Viajaremos à Roma antiga.
Voltarei à Campinas de Carlos Gomes.
Vou à África das muitas civilizações.
b) Com as palavras CASA, TERRA e DISTÂNCIA (adjuntos adverbiais):
sem determinante, sem crase:
Cheguei a casa.
Voltei a terra.
Olhei tudo a distância. (locução adverbial)
com determinante, com crase:
Cheguei à casa querida.
Voltei à terra natal.
Olhei tudo à distância de 10 metros. (locução prepositiva)
Muitos gramáticos e dicionaristas dizem que a crase na expressão 'a distância', quando indeterminada, pode ser usada: Fiz uma graduação à distância. Em outros casos, ela é recomendada para evitar ambiguidades: Fotografava à distância.
c) Com nomes próprios femininos, a crase é facultativa:
Refiro-me a Maria.
Refiro-me à Maria.
Mas: se houver determinante, a crase será obrigatória:
Refiro-me à Maria da farmácia.
Em referência a pessoas célebres, não há crase:
Fiz homenagem a Fátima Bernardes.
d) Diante de pronomes:
com pronome que admite artigo feminino (própria, outra, mesma, senhora, senhorita, dona, madame), há crase:
Refiro-me à senhora.
Falei à mesma garota de ontem.
com pronome que não admite artigo feminino (pessoais, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, relativos, de tratamento), não há crase:
Refiro-me a Vossa Senhoria.
Falei a todas as garotas.
Entreguei a ela o pacote.
com pronome possessivo, o uso do artigo é facultativo:
Refiro-me a sua irmã. (a = preposição)
Refiro-me à sua irmã. (à = preposição + artigo)
Falei a sua secretária. (a = preposição)
Falei à sua secretária. (à = preposição + artigo)
Mas: havendo omissão do substantivo, a crase será obrigatória:
Falei à sua secretária, mas não à minha.
e) Haverá crase nas locuções femininas:
adverbiais:
tempo - às vezes, à tarde, à noite
lugar - à direita, à esquerda
modo - à vontade, às pressas, à francesa
intensidade - à beça
Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, tradicionalmente não há crase, a menos que cause ambiguidade. Modernamente, alguns gramáticos renomados admitem tal acento em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade.
prepositivas:
à espera de, à procura de, à beira de, à custa de, à força de, à sombra de
conjuntivas:
à medida que, à proporção que
f) Após a preposição ATÉ, a crase é facultativa, desde que haja a preposição a na frase. Se houver necessidade de evitar ambiguidade, é obrigatória:
Fomos até à farmácia.
Fomos até a farmácia.
Mas:
Conheço até a mãe do Asdrúbal.
Caso especial: A enchente inundou a cidade até à igreja.
g) Não há crase:
antes de nomes masculinos:
Refiro-me a José.
Andei a cavalo.
Curiosidade: Se for nome próprio e ocultar as expressões “à moda de” ou “ao estilo de”, haverá crase obrigatória:
Escrevo à Eça de Queirós.
Comi bacalhau à Gomes de Sá.
A crase e a culinária - os sabores do cardápio gramatical:
Com crase - arroz à grega, bife à Camões, bife à milanesa, bife à parmegiana, bife à portuguesa, churrasco à gaúcha, churrasco à Oswaldo de Aranha, espaguete à bolonhesa, filé à francesa, tutu à mineira, virado à paulista
Sem crase - bife a cavalo, frango a passarinho
com nomes de personagens históricas ou mitológicas, com a expressão Nossa Senhora e nomes de santas, com exceção de Virgem Maria:
Refiro-me a Joana D´Arc.
Eles prestavam homenagem a Afrodite.
antes de verbos no infinitivo:
Eles começaram a aprender inglês.
entre palavras repetidas, com exceção de 'é preciso declarar guerra à guerra' e 'é preciso dar mais vida à vida':
Cara a cara.
Gota a gota.
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