CONCORDÂNCIA
A concordância é o processo sintático segundo o qual certas palavras se combinam. Essa combinação formal se chama flexão, e se dá quanto a gênero e número — nos nomes — e pessoa e número — nos verbos. Daí a divisão: concordância nominal e concordância verbal.
■ 4.6.1. Concordância nominal
É chamada de concordância nominal a relação de combinação que se estabelece entre: substantivos e adjetivos, artigos, pronomes, numerais e particípios. Os nomes se flexionam em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural).
Os termos determinantes da oração (artigo, pronome, numeral, adjetivo e particípio) sempre acompanham um nome (substantivo ou pronome substantivo). Assim, os determinantes terão as mesmas características de gênero e número que os substantivos e pronomes substantivos.
A concordância entre os determinantes e os nomes é obrigatória em nossa língua.
Veja:
As minhas duas belas primas chegaram.
Note que a base da concordância nominal é o substantivo “primas”.
O artigo (as), o pronome (minhas), o numeral (duas) e o adjetivo (belas) variam em gênero e número para concordar com o substantivo (primas).
■ 4.6.1.1. Particularidades da concordância do adjetivo
■ 4.6.1.1.1. Dois ou mais substantivos determinados por um adjetivo
a) Adjetivo posposto
Quando o adjetivo posposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o último ou vai facultativamente para o plural, no masculino, se pelo menos um deles for masculino; ou para o plural no feminino, se todos eles forem femininos.
Homem e mulher bela / homem e mulher belos
Mulher e homem belo / mulher e homem belos
Ternura e amor humano / ternura e amor humanos
Amor e ternura humana / amor e ternura humanos
Sala e cozinha ampla / sala e cozinha amplas
b) Adjetivo anteposto
Quando o adjetivo anteposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o mais próximo.
Belo homem e mulher
Bela mulher e homem
Humana ternura e amor
Humano amor e ternura
Ampla sala e cozinha
Curiosidades:
a) Com nomes próprios, a concordância sempre será no plural:
Famosos Childerico e Pascoalina
Pascoalina e Childerico famosos
b) Com palavras que expressam oposição, a concordância sempre será no plural:
Eternos amor e ódio
Amor e ódio eternos
c) Com palavras que expressam parentesco, pode-se também fazer a concordância do adjetivo anteposto com o conjunto no plural:
pai e mãe simpática
pai e mãe simpáticos
simpático pai e mãe
simpáticos pai e mãe
■ 4.6.1.1.2. Um substantivo determinado por dois ou mais adjetivos
Quando dois ou mais adjetivos se referem a um substantivo, temos duas opções:
a) Substantivo no singular — coloca-se artigo nos adjetivos, a partir do segundo:
Estudo a língua inglesa, a portuguesa e a alemã.
Ele detém o poder material e o espiritual.
b) Substantivo no plural — basta acrescentar os adjetivos:
Estudo as línguas inglesa, portuguesa e alemã.
Ele detém os poderes material e espiritual.
A terceira construção, com o substantivo no singular e sem a repetição do artigo, que muitos defendem como correta, não é recomendada, devido ao sentido duvidoso que pode causar.
■ 4.6.1.1.3. Substantivo usado como adjetivo (derivação imprópria)
Se a palavra que funciona como adjetivo for originalmente um substantivo, ficará invariável:
Ele comprou ternos cinza e camisas rosa.
Ele ouviu falar dos homens-bomba.
Na infância, assistia na tevê a série sobre a família-monstro.
■ 4.6.1.1.4. Adjetivos compostos
Quando houver adjetivo composto, apenas o último termo do composto concordará com o substantivo a que se refere; os demais termos ficarão no masculino/singular:
Encontrei várias mulheres luso-franco-brasileiras.
Não li as crônicas sócio-político-econômico-financeiras.
Curiosidade: Se o último termo do composto for um substantivo usado como adjetivo, o composto ficará invariável:
Comprei uma camisa verde-musgo.
Ele adora móveis branco-marfim.
Azul-marinho, azul-celeste, rosa-choque, ultravioleta e os compostos formados por cor de + substantivo são adjetivos invariáveis. Todavia, infravermelho é variável:
Tenho várias camisas azul-marinho.
Tenho várias camisas azul-celeste.
Surdo-mudo é exceção à regra, pois ambos variam em gênero e número:
Encontrei o menino surdo-mudo.
Encontrei a menina surda-muda.
Encontrei os meninos surdos-mudos.
Encontrei as meninas surdas-mudas.
■ 4.6.1.2. Casos especiais de concordância nominal
■ 4.6.1.2.1. Muito, pouco, bastante, meio, todo, mesmo
a) quando modificarem um substantivo, concordarão com ele, por serem pronomes adjetivos ou numerais. Meio pode ser usado como substantivo, no sentido de modo, maneira, veículos, procedimentos, métodos. Bastante pode ser usado como substantivo, no sentido de 'o suficiente'.
b) quando modificarem um verbo, um adjetivo ou um advérbio, ficarão invariáveis, por serem advérbios.
Bastantes funcionários ficaram bastante satisfeitos com a empresa.
Há provas bastantes de sua culpa.
Elas saíram bastante apressadas.
As meninas estão bastante nervosas.
Elas comeram muitas jacas.
Elas comeram muito.
Elas são muito gulosas.
Elas passaram muito mal.
Elas beberam meias garrafas de vinho.
As garotas estão meio tristes.
Elas chegaram a casa meio tarde.
Todas as meninas voltaram molhadas.
As meninas voltaram todo molhadas.
As meninas mesmas farão o bolo.
As meninas farão mesmo o bolo?
■ 4.6.1.2.2. Anexo, apenso, separado, só, junto, incluso, excluso, próprio, quite, obrigado
São adjetivos e concordam com o substantivo a que se referem. Só, usado no sentido de apenas, é invariável, por ser advérbio. Mesmo, usado no sentido de embora ou realmente, é invariável, por ser conjunção concessiva ou advérbio de afirmação.
Anexas, seguem as fotos solicitadas.
Em anexo, seguem as fotos solicitadas.
Estou enviando anexos ao pacote os documentos do divórcio.
Estou enviando em anexo ao pacote os documentos do divórcio.
Âni está só com José na sala.
Âni está a sós com José na sala.
Âni e José estão sós na sala.
Âni e José estão a sós na sala.
Âni e Ina continuam juntas.
Âni e Ina continuam junto aos carros.
Âni e Ina continuam junto com a mãe.
Âni e Ina continuam junto dos pais.
As cópias estão inclusas na taxa de registro do imóvel.
Os atletas foram exclusos do campeonato.
Os rapazes arrumaram as próprias camas.
Eu estou quite com o banco.
Nós estamos quites com o banco.
A menina disse “Obrigada”.
Os meninos disseram “Muito obrigados”.
Curiosidade: Em anexo, a sós, junto a, junto com (expressão consagrada pelo uso, embora seja um pleonasmo vicioso, sendo suficiente o uso da preposição com), junto de são locuções invariáveis:
As cópias seguem em anexo aos documentos.
Mandei as fotos em anexo à carta.
Radegondes ficou a sós em casa.
As meninas continuam junto aos carros.
As meninas continuam junto com a mãe.
As meninas continuam junto dos pais.
Segundo o gramático Cegalla, em anexo é expressão condenada, pois a locução adjetiva se forma por uma preposição (geralmente de ou sem + substantivo). O conjunto em + adjetivo forma locução adverbial, não locução adjetiva. A expressão 'em aberto' e outras como 'em suspenso', 'em atraso' e 'em apenso', não têm tradição no idioma. A única imprescindível é 'em branco'.
■ 4.6.1.2.3. O mais/menos (adjetivo) possível
Existem as seguintes possibilidades de concordância:
a) o artigo (o/a) que inicia a expressão, assim como a palavra “possível”, deve concordar em gênero e número com a palavra a que se refere:
Quero dez pães os mais claros possíveis.
Comprei doze rosas as mais abertas possíveis.
Quero duas respostas as menos ambíguas possíveis.
b) a expressão “o mais/menos ... possível” deve se manter no masculino singular, independentemente da palavra a que se liga:
Quero dez pães claros o mais possível.
Comprei doze rosas o mais abertas possível.
Quero duas respostas o menos ambíguas possível.
■ 4.6.1.2.4. Menos, alerta, pseudo, a olhos vistos, salvo, tirante, exceto, mediante, não obstante, de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que
São palavras invariáveis. Menos é advérbio ou pronome indefinido, alerta é advérbio ou interjeição, pseudo é prefixo, a olhos vistos é locução adverbial, exceto, tirante, salvo, mediante e não obstante são preposições, de forma que, de modo que, de sorte que e de maneira que são locuções conjuntivas.
Os escoteiros devem estar sempre alerta.
Houve menos reclamações dessa vez.
As pseudopedagogas foram desmascaradas.
■ 4.6.1.2.5. Silepse de gênero
Concordância irregular, também chamada de concordância ideológica ou figurada; é a que se faz não com o termo escrito, mas com a ideia que ele expressa:
São Paulo é linda.
A gente está cansado.
■ 4.6.1.2.6. Tal qual/tais quais
Com verbos de ligação, tal, por ser um pronome demonstrativo, concorda com o substantivo anterior; qual, por ser um pronome relativo, concorda com o substantivo posterior:
O filho é tal quais os pais.
Os filhos são tais qual o pai.
Curiosidade: Se o termo referencial for um verbo de ação, tal/qual ficam invariáveis, por serem uma conjunção comparativa:
Eles estudam tal qual foram as recomendações do professor.
■ 4.6.1.2.7. Um e outro / nem um nem outro + substantivo
Quando as expressões “um e outro” ou “nem um nem outro” são seguidas de um substantivo, este ficará no singular:
Um e outro aspecto.
Nem um nem outro argumento.
De um e outro lado.
■ 4.6.1.2.8. Um e outro / nem um nem outro + substantivo + adjetivo
Quando as expressões “um e outro” ou “nem um nem outro” são seguidas de um substantivo e um adjetivo, o substantivo ficará no singular e o adjetivo irá para o plural:
Um e outro aspecto importantes.
Nem num nem outro argumento mentirosos.
■ 4.6.1.2.9. Particípio + substantivo
O particípio, nas orações reduzidas e na voz passiva, por funcionar como um adjetivo, concorda com o substantivo a que se refere. Nos tempos compostos da voz ativa, ficará invariável:
Feitas as contas.
Vistas as condições.
Foram restabelecidos os pagamentos.
Haviam sido salvas as crianças.
O juiz tinha iniciado o jogo de vôlei.
A juíza tinha iniciado o jogo de vôlei.
■ 4.6.1.2.10. Verbo ser + predicativo do sujeito
Quando o sujeito for tomado em sua generalidade, sem qualquer determinante, o verbo ser e o adjetivo que o acompanha ficarão no masculino/singular, independentemente de o sujeito ser feminino ou plural. Se o sujeito vier determinado por artigo, numeral ou pronome, a concordância do verbo ser e do adjetivo será regular, ou seja, concordarão com o sujeito em número, gênero e pessoa:
Caminhada é bom para a saúde.
Esta caminhada é boa para a saúde.
É proibido entrada.
É proibida a entrada.
Tardes felizes é necessário.
Algumas tardes felizes são necessárias.
Pimenta é bom.
Sua pimenta é boa.
■ 4.6.1.2.11. Plural de modéstia: nós + verbo + adjetivo
Quando um adjetivo modifica o pronome “nós” utilizado no lugar de “eu” (plural de modéstia), ele fica no singular:
Nós fomos acolhido muito bem. (Eu fui acolhido muito bem.)
Nós seremos breve em nossa apresentação. (Eu serei breve em minha apresentação.)
■ 4.6.2. Concordância verbal
É chamada de concordância verbal a relação de combinação que se estabelece entre o sujeito e o verbo. O verbo se flexiona em pessoa (1a, 2a e 3a) e número (singular e plural) para fazer a concordância com o sujeito:
Tu saíste pela manhã, eu saí à tarde.
Vós sois meus amigos.
A menina e o menino saíram.
■ 4.6.2.1. Concordância do sujeito simples
Sujeito simples é aquele que possui apenas um núcleo, então o verbo concordará em pessoa e número com esse núcleo:
O chefe da seção pediu maior assiduidade.
A violência deve ser combatida por todos.
Os servidores públicos do Ministério da Fazenda discordaram da proposta.
■ 4.6.2.1.1. Particularidades da concordância do sujeito simples
a) Sujeito simples constituído de substantivo coletivo + determinante: verbo concorda com o coletivo ou com o determinante:
O bando voou.
O bando de aves voou.
O bando de aves voaram.
A multidão invadiu o palco depois da apresentação.
A multidão de fãs invadiu o palco depois da apresentação.
A multidão de fãs invadiram o palco depois da apresentação.
b) Sujeito simples constituído de expressão quantitativa + determinante: verbo concorda com a expressão quantitativa ou com o determinante:
A maioria das pessoas viajou para o sul do país.
A maioria das pessoas viajaram para o sul do país.
A maior parte dos alunos faltou.
A maior parte dos alunos faltaram.
1% dos aposentados não compareceu ao INSS.
1% dos aposentados não compareceram ao INSS.
10% da população apresentaram a declaração de Imposto de Renda.
10% da população apresentou a declaração de Imposto de Renda.
Um terço dos bens desapareceu.
Um terço dos bens desapareceram.
c) Sujeito simples constituído de nome próprio no plural: sem artigo ou com artigo no singular — verbo no singular; com artigo — verbo concorda com o artigo:
Alpes fica na Europa.
Os Alpes ficam na Europa.
Estados Unidos domina o mundo.
Os Estados Unidos dominam o mundo.
Amazonas é um grande rio.
O Amazonas é um grande rio.
Curiosidade: Se o artigo é parte do nome próprio de uma obra literária, podemos usar o verbo no singular ou no plural. O gramático Bechara diz que o verbo fica no plural, exceto com o verbo ser, situação em que a concordância se torna facultativa:
“Os Lusíadas” conta a história do povo português.
“Os Lusíadas” contam a história do povo português.
“Os Miseráveis” mostra o sofrimento do povo.
“Os Miseráveis” mostram o sofrimento do povo.
d) Sujeito simples constituído de pronome indefinido, interrogativo ou demonstrativo plural + pronomes pessoais nós ou vós: o verbo pode concordar com o pronome indefinido ou com o pronome pessoal:
Alguns de nós farão o trabalho.
Alguns de nós faremos o trabalho.
Quais de vós serão os premiados?
Quais de vós sereis os premiados?
Muitos de nós participarão das competições.
Muitos de nós participaremos das competições.
Quantos de vós irão aos Estados Unidos?
Quantos de vós ireis aos Estados Unidos?
Curiosidade: Se o indefinido estiver no singular, a concordância será feita obrigatoriamente no singular:
Algum de nós fará o trabalho.
Qual de vós será o premiado?
e) Sujeito simples constituído de pronome relativo QUE: o verbo concorda com o referente do pronome relativo:
Fui eu que escrevi a carta.
Fostes vós que escrevestes a carta.
Não serão os meninos que farão esse trabalho.
f) Sujeito simples constituído de pronome relativo QUEM: o verbo concorda com o referente do pronome relativo, quando se pretende fazer uma concordância enfática, ou com o próprio pronome relativo (3a pessoa do singular):
Fui eu quem escrevi a carta.
Fui eu quem escreveu a carta.
Fostes vós quem escrevestes a carta.
Fostes vós quem escreveu a carta.
Não serão os meninos quem farão esse trabalho.
Não serão os meninos quem fará esse trabalho.
g) Sujeito simples constituído da expressão um dos que / uma das que: verbo no singular ou no plural, facultativamente:
João foi um dos alunos que faltou à prova.
João foi um dos alunos que faltaram à prova.
Radegondes é uma das que ficou de castigo.
Radegondes é uma das que ficaram de castigo.
A urgência de obter resultados concretos foi um dos fatores que influenciou a decisão do presidente.
A urgência de obter resultados concretos foi um dos fatores que influenciaram a decisão do presidente.
■ 4.6.2.1.2. Silepse de pessoa
É possível, em língua portuguesa, usar o sujeito na 3a pessoa do plural e o verbo na 1a pessoa do plural. Isso é a concordância ideológica, irregular ou figurada (silepse):
Os culpados seremos punidos.
Os alunos estudiosos fomos aprovados no concurso.
Todos somos a pátria.
■ 4.6.2.1.3. Silepse de número
Com as expressões quantitativas distantes do verbo, podemos concordar esse verbo com a ideia de plural transmitida pela expressão quantitativa:
Esperavam por ajuda — sem comida, sem água, sem abrigo — a multidão desabrigada pela chuva.
A maioria chegou cedo, com as cestas cheias de guloseimas, espalharam tudo sobre lindas toalhas e foram brincar, aproveitando a deliciosa manhã primaveril.
■ 4.6.2.2. Concordância do sujeito composto
Sujeito composto é aquele que possui dois ou mais núcleos, então o verbo concordará em pessoa e número com esses núcleos:
A menina e o menino saíram.
As joias e os dólares desapareceram.
Iremos ao mercado vocês e eu.
■ 4.6.2.2.1. Particularidades da concordância do sujeito composto
a) Sujeito composto constituído de pessoas gramaticais diferentes: o verbo vai para o plural e para a pessoa que tiver a primazia, nesta ordem: 1a pessoa tem prioridade sobre 2a e 3a; 2a e 3a são equivalentes.
Pascoalina e eu fomos ao mercado.
Tu e eu viajaremos para o sul do país.
Ele e eu não fizemos a prova.
Ele, tu e eu seremos amigos para sempre.
Tu e ele sereis amigos para sempre.
Tu e ele serão amigos para sempre.
b) Sujeito composto posposto ao verbo: o verbo fica no plural, concordando com o conjunto, ou concorda com o núcleo que estiver mais próximo:
Chegaram o presidente e seus ministros.
Chegou o presidente e seus ministros.
Na semana passada, estivemos aqui tu e eu.
Na semana passada, estiveste aqui tu e eu.
Todas as manhãs, aparecem aqui no meu quintal um sabiá e alguns pombos.
Todas as manhãs, aparece aqui no meu quintal um sabiá e alguns pombos.
Curiosidade: Se o núcleo mais próximo estiver no plural, o verbo ficará obrigatoriamente no plural.
Todas as manhãs, aparecem aqui no meu quintal alguns pombos e um sabiá.
c) Sujeito composto constituído de termos sinônimos ou quase sinônimos: quando os sinônimos formam um todo indivisível, ou simplesmente se reforçam, a concordância é facultativa no singular ou no plural:
A sociedade, o povo se une para construir uma nação mais justa.
A sociedade, o povo se unem para construir uma nação mais justa.
Amor e paixão move o mundo.
Amor e paixão movem o mundo.
d) Sujeito composto constituído de termos dispostos em gradação: o verbo vai para o plural ou concorda com o núcleo mais próximo:
Um mês, um ano, uma década de ditadura não calou a voz do povo.
Um mês, um ano, uma década de ditadura não calaram a voz do povo.
Despertador, banho e café ajuda a acordar!
Despertador, banho e café ajudam a acordar!
e) Sujeito composto resumido por pronome indefinido: o verbo concorda com o aposto resumitivo:
Desvios, fraudes, roubos, tudo acontecia naquela cidade.
Jocasta, Pascoalina, Radegondes, Asdrúbal, ninguém foi à festa.
Jocasta, Pascoalina, Radegondes, Asdrúbal, todos foram à festa.
f) Sujeito composto constituído de termos ligados por COM: a concordância se faz com o primeiro núcleo ou no plural.
O pai com a mãe saiu.
O pai com a mãe saíram. (conjunção aditiva)
O diretor com todos os atores resolveu cortar algumas cenas do filme.
O diretor com todos os atores resolveram cortar algumas cenas do filme.
Curiosidade: Se o termo iniciado por COM vier entre vírgulas, funcionará apenas como adjunto adverbial de companhia, não mais sendo parte do sujeito. Não se trata de sujeito composto, e sim de sujeito simples em ordem inversa:
O pai, com a mãe, saiu.
O diretor, com todos os atores, resolveu cortar algumas cenas do filme.
g) Sujeito composto constituído por termos ligados por OU:
■ a ação verbal se refere a todos os núcleos do sujeito (indicação de adição) — verbo no plural:
Laranja ou mamão fazem bem para a saúde.
Maria ou Ana serão eleitas vereadoras.
■ a ação verbal se aplica a apenas um dos termos do sujeito composto (indicação de exclusão) — verbo no singular.
Laranja ou mamão será a fruta do lanche da tarde.
Maria ou Ana casará com José.
■ OU introduz uma retificação — o verbo concorda com o termo retificador:
O ladrão ou os ladrões não deixaram vestígios.
Os pais ou o pai não concordou com a atitude do filho.
■ os termos ligados por OU são sinônimos — verbo no singular. Quando os termos são antônimos, o verbo vai para o plural:
A Linguística ou Glotologia é uma ciência recente.
h) sujeito composto constituído por expressões correlacionadas — não só ... mas também, não só ... como, tanto ... quanto etc.: o verbo concorda no plural ou com o primeiro núcleo:
Não só a mãe mas também o pai compareceram à reunião escolar.
Não só a mãe mas também o pai compareceu à reunião escolar.
Não só o trabalho como o lazer engrandecem a pessoa.
Não só o trabalho como o lazer engrandece a pessoa.
Tanto o carro quanto a moto ficam na garagem do prédio.
Tanto o carro quanto a moto fica na garagem do prédio.
i) Sujeito composto constituído das expressões “um ou outro”, “nem um nem outro”: o verbo deve ficar no singular:
Um ou outro aluno fará a prova.
Nem um nem outro aluno fará a prova.
Um ou outro receberá uma medalha de “honra ao mérito”.
Nem um nem outro sofrerá discriminação.
j) Sujeito composto constituído da expressão “um e outro”: o verbo pode facultativamente concordar no singular ou no plural:
Um e outro decreto trata da mesma questão jurídica.
Um e outro decreto tratam da mesma questão jurídica.
Uma e outra aluna compareceu ao evento.
Uma e outra aluna compareceram ao evento.
■ 4.6.2.3. Concordância do sujeito indeterminado
Sujeito indeterminado é aquele que não se conhece, sabe-se que existe um praticante da ação verbal, mas não se consegue definir quem ou o quê. Há duas maneiras de se construir uma frase com sujeito indeterminado:
a) com verbo na 3a pessoa do plural, sem sujeito expresso:
Roubaram o meu carneiro.
Atiraram uma pedra na minha janela.
Curiosidade: Se o contexto permite conhecer o sujeito, deixa de ser indeterminado e passa a sujeito simples oculto.
Uns homens maus estiveram aqui e roubaram o meu carneiro — o termo “uns homens maus”, que é sujeito do primeiro verbo, é também a referência de sujeito oculto para o verbo “roubaram”.
Os meninos da rua de baixo vieram aqui e atiraram uma pedra na minha janela — o termo “os meninos da rua de baixo”, que é sujeito do primeiro verbo, é também a referência de sujeito oculto para o verbo “atiraram”.
b) verbo na 3a pessoa do singular + SE — índice de indeterminação do sujeito:
Precisa-se de moças.
Acredita-se em marcianos.
Curiosidade: Não podemos confundir SE — índice de indeterminação do sujeito com SE — pronome apassivador.
Se — pronome apassivador: forma frase em voz passiva. O verbo deve concordar com o sujeito que, nesse caso, está sempre expresso, e representa o sofredor da ação verbal, ou seja, equivale ao objeto direto da frase em voz ativa. Sempre estará ao lado de um verbo transitivo direto ou de um verbo transitivo direto e indireto:
Conserta-se geladeira.
Consertam-se geladeiras.
Elaborou-se um plano emergencial para socorrer a cidade alagada.
Elaboraram-se vários planos emergenciais para socorrer a cidade alagada.
Come-se carne brasileira aqui.
Comem-se carnes brasileiras aqui.
Vende-se casa.
Vendem-se casas.
Aluga-se sala.
Alugam-se salas.
Faz-se carreto.
Fazem-se carretos.
Se — índice de indeterminação do sujeito: aparece sempre ao lado de um verbo intransitivo, de um verbo transitivo indireto, de um verbo de ligação ou de um verbo transitivo direto seguido de objeto direto preposicionado.
Acredita-se em todas as suas falas.
Come-se bem naquele restaurante.
Vive-se com conforto.
Era-se mais feliz naquela casa.
Está-se satisfeito com os resultados.
Estima-se aos mais velhos.
Ouviu-se às músicas.
Ama-se aos pais.
Trata-se de assuntos estranhos nesses programas de auditório.
Assiste-se a bons filmes neste canal.
Necessita-se de muitos donativos para socorrer a cidade alagada.
■ 4.6.2.4. Concordância da oração sem sujeito
Oração sem sujeito é aquela que trata de fenômenos que independem da participação/ação de qualquer ser. Como não há sujeito, o verbo da frase deve ficar sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do restante da frase estar no singular ou no plural. Os verbos dessas orações são chamados de verbos impessoais.
A oração sem sujeito ocorre nos seguintes casos:
a) com verbos que expressam fenômenos naturais:
Nevou em várias cidades do sul do país.
Relampejou muitas vezes seguidas.
Choveu durante quarenta dias.
b) com os verbos ESTAR e FAZER indicando tempo meteorológico ou cronológico:
Está muito calor hoje.
Está tarde!
Faz dias frios aqui!
Fará noites quentes no próximo verão.
Ontem fez vinte dias que não o vejo.
Faz muitos anos que estive aqui.
Amanhã fará dez anos que nos conhecemos.
c) com o verbo HAVER expressando existência ou acontecimento:
Havia muitos conhecidos na festa de ontem.
Haverá aqui amanhã vários carros para revisão mecânica.
Há duzentos alunos no pátio esperando a visita do presidente do clube.
Houve comemorações pelos 456 anos da cidade.
Nunca mais haverá festas tão grandiosas quanto esta!
Há brigas no “Gigantão Dance” todo sábado...
Curiosidade: Os verbos impessoais podem constituir locução verbal. Nesse caso, colocados como principais em locução verbal, transferem sua impessoalidade para o verbo auxiliar:
Deve nevar em várias cidades do sul do país.
Poderá relampaguear muitas vezes seguidas.
Vai chover durante quarenta dias.
Deve estar muito calor hoje.
Deve estar tarde!
Vai fazer dias frios aqui!
Poderá fazer noites quentes no próximo verão.
Ontem deve ter feito vinte dias que não o vejo.
Deve fazer muitos anos que estive aqui.
Amanhã vai fazer dez anos que nos conhecemos.
Podia haver muitos conhecidos na festa de ontem.
Deverá haver aqui amanhã vários carros para revisão mecânica.
Há de haver duzentos alunos no pátio esperando a visita do presidente do clube.
Vai haver comemorações pelos 456 anos da cidade.
Nunca mais deverá haver festas tão grandiosas quanto esta!
Pode haver brigas no “Gigantão Dance” todo sábado...
■ 4.6.2.5. Casos especiais de concordância verbal
a) Verbo parecer + infinitivo:
O verbo parecer é o único verbo auxiliar da língua portuguesa que pode transferir para o principal a flexão de número. Assim:
As meninas parecem sorrir para mim.
As meninas parece sorrirem para mim.
As estrelas parecerão brilhar mais, se você vier me visitar esta noite.
As estrelas parecerá brilharem mais, se você vier me visitar esta noite.
No outono, as árvores parecem ficar tristes.
No outono, as árvores parece ficarem tristes.
No outono, as árvores parece que ficam tristes.
Curiosidade: Apenas a flexão de número se transfere para o principal, pois as flexões de pessoa, modo, tempo e voz continuam no auxiliar.
As estrelas parecerão brilhar...
As estrelas parecerá brilharem...
As estrelas pareciam brilhar...
As estrelas parecia brilharem...
Se as estrelas parecessem brilhar...
Se as estrelas parecesse brilharem...
b) Com os verbos dar, bater e soar:
Podem concordar com o praticante da ação ou, na ausência deste, com as expressões de tempo da frase, que passam a ser o sujeito dos verbos:
A torre da igreja deu três horas.
Na torre da igreja, deram três horas.
O relógio bateu cinco horas.
No relógio, bateram cinco horas.
O sino soou seis horas.
No sino, soaram seis horas.
c) Com a expressão haja vista:
A palavra vista é invariável, como conectivo, não existindo as formas haja visto, haja vistos e haja vistas. Haja visto é tempo composto do verbo ver. O verbo haver pode sofrer variação de acordo com:
■ expressão não seguida de preposição, o verbo haver pode variar ou não:
Haja vista o caso.
Hajam vista os casos.
■ expressão seguida de preposição, o verbo haver não varia:
Haja vista ao caso.
Haja vista aos casos.
Curiosidade: A forma haja visto (ou hajam visto) é tempo composto do verbo ver. Assim, as expressões haja visto e hajam visto significam tenha visto e tenham visto:
Espero que o pai haja visto o que o filho fez = Espero que o pai tenha visto o que o filho fez.
Tomara que os senadores hajam visto os casos de quebra de decoro parlamentar =
Tomara que os senadores tenham visto os casos de quebra de decoro parlamentar.
d) Com sujeito oracional (oração subordinada substantiva subjetiva):
O verbo que tem como sujeito uma oração fica na 3a pessoa do singular:
Espera-se que as meninas tragam as tortas.
Aos alunos cabe resolver as questões.
Curiosidade: Se houver um adjetivo se referindo ao sujeito oracional, ele deve ficar no singular masculino, exceto se os núcleos do sujeito estiverem determinados ou forem antônimos:
É necessário que as meninas tragam as tortas.
Seria bom que os alunos resolvessem as questões em casa.
■ 4.6.2.6. Concordância do verbo ser
A concordância do verbo ser segue a regra geral nas maioria dos casos, mas existem casos em que ele concorda com o predicativo ou com outras expressões da frase.
O verbo ser concorda com o predicativo do sujeito:
a) quando o sujeito é um nome singular e o predicativo um nome plural:
Minha preocupação são as crianças.
O problema da apresentação foram as conversas paralelas.
b) quando o sujeito é um pronome demonstrativo (tudo, isso, isto, aquilo) e o predicativo um nome plural:
Tudo são flores.
Isso foram gastos inúteis.
Isto são as possibilidades concretas de solucionar o problema.
Aquilo são animais invertebrados.
Curiosidade: Também é possível a concordância com o sujeito:
Tudo é flores.
Isso foi gastos inúteis.
Isto é as possibilidades concretas de solucionar o problema.
Aquilo é animais invertebrados.
c) quando o predicativo é um pronome pessoal:
Naquele ano, o assessor da direção fui eu.
O atleta és tu.
O ganhador do prêmio seremos nós.
d) quando o predicativo é um nome que se refere a pessoas:
As alegrias da casa é a criança.
As esperanças do clube é o atleta recém-contratado.
■ 4.6.2.6.1. Verbo ser impessoal
O verbo ser pode ser impessoal; nesse caso, haverá concordância especial.
a) na expressão de distância, concorda com o adjunto adverbial de distância:
Daqui à praia são 100 quilômetros.
Daqui à praia é um quilômetro.
Do Planalto ao Congresso são duzentos metros.
b) na expressão de data ou hora, concorda com o núcleo do adjunto adverbial de tempo:
É dia 13 de julho.
São 13 de julho.
É uma hora.
É bem mais de uma hora.
São duas horas.
Curiosidade: Com os adjuntos adverbiais do tipo anteontem, ontem, hoje, amanhã etc., o verbo ser pode ficar no singular, ou concordar com o numeral da expressão de tempo:
Hoje é 13 de julho.
Hoje são 13 de julho.
c) as expressões de peso, medida, preço, tempo ou valor são invariáveis:
Quinze quilos de arroz é pouco.
Cinco metros de tecido é muito.
Trezentas pessoas é suficiente para a produção na fábrica.
Curiosidade: Não expressando quantidade, tais expressões passam a ser variáveis, e o que era advérbio vira adjetivo:
Os quilos de arroz estocados são poucos.
Os metros de tecido comprados são muitos.
As pessoas presentes são suficientes para a produção na fábrica.
d) a partícula expletiva, ou de realce, É QUE é invariável:
Eu é que fiz o bolo.
Nós é que fizemos o bolo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário