domingo, 29 de março de 2020

Jornal Correio da Paraíba - Turismo - 29 de março de 2020

Turismo - Paraíba: Domingo, 29 de março de 2020 / E9

Cidades e países se unem para divulgar o turismo após a pandemia do coronavírus
Cidades e países aderem a campanhas que incentivam as pessoas a ficarem e casa neste momento

No setor do turismo, órgãos de promoção e departamentos de marketing trabalham para atrair o maior número possível de viajantes para destinos e atrações mundo afora. É assim que funciona em tempos de normalidade.

Leia também: Brasileiro conta sobre quarentena na Espanha: "ficamos em alerta total"

Porém, neste momento de pandemia do novo coronavírus , muitas campanhas de promoção turística adotaram um tom excepcional: elas lembram que as portas dos destinos estão abertas aos viajantes, mas só depois que a crise da Covid-19 passar. Até lá, incentivam que todos fiquem em suas casas, usando hashtags como #visitdepois #visitlater #stayhome e #yomequedoencasa.

Cidades brasileiras fazem campanha

Salvador faz apelo para turistas visitarem a cidade após a pandemia do novo coronavírus
Um dos principais destinos turísticos do Brasil, Salvador lançou a hashtag #visitedepois para incentivar os viajantes a manterem aceso o desejo de subir e descer as ladeiras do Pelourinho, comer acarajés no Rio Vermelho e ver o pôr do sol no Farol da Barra quando a rotina voltar ao normal.

A campanha foi ao ar com um vídeo no Youtube em versões em inglês e espanhol. O texto lembra que "a cidade que sempre esteve de portas abertas, precisa se recolher" e que "a gente quer que você venha, mas não agora". Assista abaixo:




Em São Paulo, a campanha #AteDaquiaPouco conscientiza os visitantes de IlhaBela a não cancelar sua viagem à ilha, mas remarquem para depois da crise. Imagens foram postadas em todas as redes sociais do turismo da cidade. O acesso à balsa que leva até IlhaBela também está com restrição de usuários.

#YoMeQuedoEnCasa na Argentina

Bariloche, na Argentina, pode ter graves problemas com a ausência de turistas na temporada de inverno
Além do Brasil, diversas cidades e estados na Argentina adotaram a hashtag #YoMeQuedoEnCasa (#EuFicoEmCasa). Um dos lugares que participam da campanha é Bariloche. A cidade patagônica, que tem nos brasileiros seu principal público estrangeiro, lançou também uma versão em português da ação, nas redes sociais.

"Hoje a prioridade é a saúde, ficar em casa não significa férias, significa prevenção e cuidado. Estou certo de que, se tomarmos as medidas com responsabilidade, nos veremos novamente em breve", afirmou Gastón Burlon, secretário de Turismo de Bariloche.

Por conta da pandemia , Bariloche fez alterações em sua programação. O Festival Nacional do Chocolate, um dos maiores eventos do calendário da cidade, marcado para acontecer entre 18 e 21 de abril, foi cancelado. As autoridades locais também fecharam as trilhas no Parque Nacional Nahuel Huapi e suspenderam atrações turísticas, como passeios de barcos no lago. Há o temor que a pandemia impacte também na temporada de esqui, a principal atividade do turismo não só da cidade, mas de toda a província de Río Negro, na Patagônia argentina.

O governo da província de Cordoba, onde fica a cidade de mesmo nome (a segunda maior do país), também endossou a campanha. Num vídeo em suas redes sociais, a agência de promoção turística lembra ao viajante que "Cordoba é um amor, e sempre haverá tempo para desfrutá-la, mas hoje fique em casa". Desde o dia 19 de março, todos os hotéis e atrações turísticas da província estão fechados.


Na província de Salta, no norte do país, a sugestão é para que o turista reprograme sua viagem, com o lema "Cuidate hoy, viajá mañana" ("Se cuide hoje, viaje amanhã").

"Para poder aproveitar o Fim do Mundo, comecemos cuidando uns dos outros. Em Ushuaia ficamos em casa" foi o recado aos viajantes do órgão de promoção da Terra do Fogo, a primeira província argentina a decretar quarentena de sua população, em suas redes sociais. Já a da cidade de Mar del Plata foi: "Em Mar del Plata temos de tudo, e está tudo guardado para quando você possa voltar".

Atual foco da pandemia, a Europa também se mobiliza pelo turismo

As ilhas Faroé é um dos destinos de menor apelo que pedem ajuda na Europa
Na Europa, atualmente o principal foco da Covid-19 , a campanha atinge desde destinos extremamente populares, como a Catalunha, a outros que raramente aparecem no radar do grande público, como as Ilhas Faroe.

Foi justamente este arquipélago escandinavo um dos primeiros a aliar as hashtags #stayhome e #visitlater. Numa publicação de 12 de março, intitulada "Apelo para que os turistas se abstenham de visitar as Ilhas Faroe", o Visit Faroe Islands pede, em suas contas nas redes sociais, para que ninguém vá ao destino neste mês e no próximo, e que os visitantes adiem seus planos de viagem "mais para frente este ano".

Naquele mesmo dia a Estônia, um dos países bálticos, no norte da Europa, usou suas redes sociais para um recado bem simples e direto: "Visite a Estônia... mais tarde". Na publicação original, o órgão de promoção turística do país avisava sobre as implicações do novo coronavírus e usou as hashtags #stayhome e #stayfuckinghome, mas depois só a primeira foi mantida no ar.


O departamento de turismo da Catalunha também usou as redes para pedir que os visitantes voltem à região no futuro. "Compartilhar a Catalunha com o mundo é nossa paixão, mas cuidar de nossos visitantes e cidadãos é nosso dever. Você terá chance de conhecer todos os destinos maravilhosos assim que essa situação atípica passar. Por enquanto #StayHome ("Fique Em Casa") e visite a Catalunha mais tarde", dizia a mensagem.

E10

Intercambista conta sobre quarentena na Espanha: "Ficamos em alerta total"
Gabriel Fasanelo teve que voltar às pressas do país após a quarentena obrigatória de 15 dias

Com a progressão do novo coronavírus no mundo, muitos turistas foram pegos de surpresa pela doença. Cancelamento de voos, aeroportos e fronteiras fechadas e expulsão de hotéis foram algumas das situações desagradáveis que viajantes passaram pelo mundo.

Gabriel (à direita) e o amigo mexicano Aldayr durante a viagem na Espanha



É o caso do turista e intercambista Gabriel Fasanelo, 20 anos, que foi para a Espanha em fevereiro morar com os tios e permaneceria até agosto. Ele chegou quando os primeiros casos estavam aparecendo, mas segundo ele, a sensação era de normalidade. "Nunca achei que chegaria realmente lá. Na Espanha há saúde de qualidade e mesmo vendo o que estava ocorrendo na Itália, não tinha o menor medo de sair ou de acontecer algo mais sério”, explica ao iG Turismo .

Ele conta que até o decreto de estado de alarme, em que ninguém poderia sair de casa por 15 dias, não tinha medo de sair na rua. "Já haviam mais de 1000 casos e tudo estava funcionando normalmente e um dia antes do decreto eu estava em uma balada”.

Ele só tomou noção da seriedade quando instauraram o estado de alerta após 1000 casos confirmados
Instagram/ Gabriel Fasanelo
Para ele, a vida continuava normal apesar de 1000 casos confirmados no país. Ele só tomou noção da seriedade quando instauraram o estado de alerta
E não era só ele que estava relaxado. Os colegas intercambistas acharam um pânico desnecessário quando uma amiga mexicana voltou antes do aumento de casos de coronavírus. “Ela viajou de volta e ficamos em quarentena, em um estado de alerta total, não podíamos sair para nada além de ir para o mercado ou para a farmácia”.

A polícia parava todos que passavam e fazia assinar um documento “para confirmar que você iria para um lugar necessário, se não, a multa era de 600 euros”, conta o intercambista.

Após o período de 15 dias, Fasanelo resolveu voltar para o Brasil por medo de demorar muito para passar a crise e o provável colapso do sistema de saúde espanhol. Os aeroportos de Barcelona estavam funcionando com apenas 5% da capacidade.

Segundo Fasanelo, o cenário era assustador. “Nenhuma loja aberta, se tivesse tinha uma multa altíssima, quando cheguei o cenário era totalmente diferente”. Para voltar ao Brasil, ele teve que comprar uma passagem com conexão em Frankfurt, na Alemanha.

Segundo ele, nenhum europeu poderia entrar no país, a não ser que tivesse voo de conexão, da mesma forma que no Brasil. Agora em casa, Gabriel espera que a crise passe logo, porque pretende voltar logo para a Espanha .


Até esta quarta-feira (25), 3.434 pessoas morreram pelo novo coronavírus na Espanha. O número já é maior do que os óbitos registrados na China, país onde começou a epidemia.

E11

Sem conseguir voltar ao país, brasileiros temem ficar sem hospedagem e dinheiro
Medidas de restrições, como cancelamento de voos, anunciadas mundialmente para combater o avanço do novo coronavírus impõem desafios para os brasileiros

As medidas de restrições, como cancelamento de voos, anunciadas mundialmente para combater o avanço do novo coronavírus impõem desafios para os brasileiros que desejam retornar para casa. Alguns grupos localizados pelo jornal O Globo relatam problemas como o escasso recurso econômico, o fim das reservas nos hotéis e o isolamento social absoluto, que impede, por exemplo, a circulação de transportes nas ruas.

Pexels
Medidas para conter o avanço do coronavírus, como o cancelamento de voos, impede que brasileiros retornem ao país
Na Arábia Saudita, o economista Rafael Dallacqua tenta desde a última semana retornar ao Brasil, mas esbarra nas decisões do governo saudita que suspendeu os voos internacionais, fechou aeroportos e restringiu inclusive a circulação interna de táxis, pessoas nas ruas e de transporte público.

Oficialmente, a suspensão de voos para o exterior dura até o próximo domingo, mas as companhias aéreas, como a Emirates, já cancelaram viagens durante abril e é esperado que o governo prorrogue o período de restrição.

Num país que não costuma ser destino turístico, Dallacqua conseguiu encontrar outros 14 brasileiros pela internet. Tirando ele, todos foram para lá a negócios ou são expatriados.

"Minha intenção inicial era ir daqui para os Emirados Árabes, por terra. Mas por causa do Coronavírus, meus planos mudaram totalmente", explica o economista, que atualmente está de quarentena na casa de um egípcio, num esquema de "couchsurfing", já que não tem dinheiro para hotéis.

"A rotina é ficar o dia todo em casa. Antes, ninguém saía durante o dia por causa do calor, agora tem um toque de recolher oficial aqui das 19h às 6h, com multas pesadas, de até R$12.000 se descumprirmos pela primeira vez e com risco de prisão se for pego três vezes".

Há exceções, como ir ao mercado, que estão funcionando normalmente e estão abastecidos, e farmácias. Dallacqua diz que está estudando sobre o vírus no período de ócio e aguarda um posicionamento oficial do governo brasileiro.

"Preenchemos formulários de emergência do Itamaraty e Anac, mas não tem posicionamento oficial. O Itamaraty diz que tem que falar com a Embaixada. Já a Embaixada diz que depende do Itamaraty. Fica esse jogo de empurra, nós fazemos cobranças diariamente".

Sem hospedagem
Um grupo de cerca de 50 turistas brasileiros que estão no Taiti tenta, sem sucesso, retornar ao Brasil. É o caso da dona de casa Ludmilla Mantovany, de São Paulo, que está com o marido Bruno Couto, engenheiro de computação há duas semanas na ilha da Polinésia Francesa, hospedados em um veleiro de amigos. Ela conta que, assim que souberam do crescimento da pandemia de coronavírus e da iminência do fechamento de fronteiras, o casal pegou o último voo entre as ilhas Huahine para o Taiti, na esperança de conseguir voltar para casa.

"Os voos entre ilhas daqui estão suspensos pelo governo e inclusive nossos amigos estão impedidos de navegar para outro lugar, presos em Huahine, pois barcos estão proibidos de circular. Fizemos diversos contatos com a Latam no Brasil, no Chile e aqui no Tahiti e até o momento nenhuma solução foi dada", disse.

Segundo Ludimilla, no momento existem cerca de 100 pessoas de diversos países da América do Sul presas no arquipélago, entre argentinos, uruguaios, paraguaios e chilenos. Não há autorização para conexão no Chile. Existe uma possibilidade de uma rota pelos Estados Unidos, mas nem todos possuem visto.

"As pessoas já estão relatando fim de suas reservas nos hotéis, o que fará que todas elas fiquem sem hospedagem. Nós mesmos estamos na casa de um brasileiro que vive aqui no Taiti, que nos recebeu a pedido de amigos. Entramos em contato com o Itamaraty e até o momento não recebemos nenhuma resposta conclusiva. Precisamos que o governo do Brasil nos ajude de alguma forma, seja conseguindo que o governo do Chile autorize a Latam realizar nossa conexão no Chile, ou enviando algum avião para nos repatriar", afirmou.

O Itamaraty estima que existam cerca de 6 mil cidadãos brasileiros espalhados pelo mundo tentando retornar ao Brasil. O órgão espera que, a qualquer momento, seja editada uma medida provisória destinando R$ 50 milhões para o resgate dessas pessoas.

Nesta quarta-feira, dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) trarão de volta ao país um grupo de brasileiros que estão isolados em Cusco, no Peru. No entanto, há pessoas espalhadas por outras cidades peruanas, como Arequipa


Isolados no Ushuaia
No dia 2 de março passado, os cariocas Ricardo Montello Amaral e Maria do Céu Marques Monteiro iniciaram um percurso de carro de sete mil quilômetros até chegar à cidade argentina de Ushuaia, conhecida como o fim do mundo. Estão lá desde o dia 14 e em consequência da quarentena total implementada pelo governo do presidente argentino, Alberto Fernández, e o fechamento de fronteiras em toda a região, não conseguem retornar para o Brasil. As reservas econômicas são cada vez menores e o casal já cogita até mesmo largar o carro no Sul da Argentina se for a única alternativa para voltar pra casa.

Em entrevista ao GLOBO, Ricardo, servidor público estadual de 53 anos, queixou-se pela falta de atendimento por parte do consulado brasileiro em Buenos Aires e disse estar tentando obter ajuda das autoridades diplomáticas do país no Chile.

"Neste momento, uma de nossas esperanças é conseguir um salvo conduto para passar pro Chile, do Chile pra Argentina e da Argentina pro Brasil. Alguns na mesma situação que nós estão se arriscando mesmo sem autorização", contou Ricardo.

O casal tentou recentemente reservar uma passagem para Buenos Aires, mas finalmente foi cancelada pela Aerolineas Argentinas sem previsão de novos voos. E o grande problema, em caso de conseguir chegar até o aeroporto metropolitano de Buenos Aires, era ter garantias de que haveriam táxis para se locomoverem até o aeroporto internacional de Ezeiza.

"Muitos nos questionam por termos viajado, mas quando saímos do Brasil diziam que não havia necessidade de cancelar viagens. Nunca imaginamos isso", assegurou Ricardo, que já participa de vários grupos de WhatsApp com outros brasileiros que estão na Argentina e no Chile tentando obter ajuda do governo brasileiro para retornar ao país.

A renovação do contrato de aluguel temporário lhes custou US$ 600 que por sorte tinham guardados. Agora, o casal tenta limitar ao máximo as despesas e teme ficar sem dinheiro para o momento em que finalmente conseguirem sair do fim do mundo.

"Estamos dispostos a qualquer solução. Tentamos manter a calma, meus pais têm entre 75 e 80 anos, estão muito nervosos por tudo isso. A questão do dinheiro é complicada, muitos comércios aqui estão rechaçando cartão e nosso dinheiro está acabando", desabafou Ricardo, que saiu do Brasil com um seguro de saúde internacional, mas já recebeu informações de que o plano não cobre casos de coronavírus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Indecente ou indescente?

 Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...