domingo, 29 de março de 2020

Jornal Correio da Paraíba - Milenium - 29 de março de 2020

Milenium - Paraíba: Domingo, 29 de março de 2020 / F1

Turquia é o primeiro país do mundo a ter drones com metralhadoras
O exército turco será o primeiro do mundo a operar um drone armado. A aeronave, produzida pela empresa local Asisguard, é capaz de fazer incursões seguras à distância e a disparar projéteis de 45mm NATO, padrão das forças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A operação pode ser controlada a 10 quilômetros de distância.

O drone Songar pesa 25 quilos e tem oito asas rotativas para o voo. Ele possui sensores para operações noturnas e pode voar a uma altitude de até 2,8 mil metros, além de ser equipado com câmeras para o envio de imagens para o operador em tempo real. A mira por meio de vídeo é afetada pela dificuldade em se determinar a distância e o ângulo para o disparo. Para resolver o problema, a Asisguard usa sensores e um sistema a laser para realizar os cálculos, incluindo os desvios pelo vento e ajustar a mira.

Segundo a fabricante, o drone é capaz de realizar disparos únicos ou em rajadas de 15 tiros. A precisão dos acertos é de 15 cm², a 200 metros de distância, o suficiente para que todas as balas acertem um alvo do tamanho de um ser humano. Para minimizar os recuos depois dos disparos, a solução da fabricante foi instalar braços robóticos, que compensam o movimento da metralhadora e mantêm a instabilidade da aeronave.


Imagem: Reprodução/ Exército da Turquia
“O Songar aumenta a sobrevivência contra fogo inimigo em zonas de patrulhamento, em eventos de emboscadas ou ameaças durante a transição de veículos terrestres e comboios. Devido a sua grande capacidade de disparos aéreos, também pode ser usado para fins ofensivos quando necessários”, diz a fabricante.

F2

Novo Mac mini dobra espaço interno, mas preço aumenta em até R$ 1,5 mil
Com o anúncio de novos produtos promovido pela Apple mais cedo, onde a empresa de Cupertino revelou novos modelos do iPad Pro e uma renovação dos MacBooks Air com o novo teclado, uma óbvia pergunta que fica na cabeça do leitor é: “Tá, mas e o Brasil?” — bom, como de costume, um dos principais produtos da Apple comercializado por aqui também teve renovação. A boa notícia é que, no que tange à configuração, ele foi aprimorado. A má notícia: o que era caro, ficou ainda mais caro.

O Mac mini, o computador elegantemente diminuto em tamanho da Apple, era vendido no Brasil com modelo de entrada de 128 GB de armazenamento interno e preço sugerido de R$ 7 mil. Agora, a versão mais básica do Mac mini conta com o dobro de armazenamento, ou seja, 256 GB, com preço acrescido para R$ 7,9 mil.


Mac mini passou por reformulação de preços e armazenamento interno para a loja da Apple no Brasil
Isso dito, a versão topo de linha, anteriormente, saía por R$ 9,4 mil (com 256 GB de armazenamento). Com a renovação da linha, os novos “arrasa-quarteirão” do modelo de mesa compacto contam com armazenamento interno de 512 GB e preço de R$ 10,9 mil.

No que tange a outras configurações de hardware, ambas as versões seguem sem alteração: os dois modelos contam com processador Intel (oitava geração), GPU Intel UHD Graphics 630 e 8 GB de memória RAM (expansível até 64 GB). A diferença, além do espaço em disco, fica para o processador: o modelo de entrada tem um com quatro núcleos, enquanto o modelo topo de linha fica com seis.

Como os aparelhos não são “novos”, mas sim atualizações que já estavam no mercado, não houve necessidade de ressubmetê-los à homologação por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ambos já estão disponíveis para compra na Apple Store brasileira.

F3

Xiaomi pode anunciar sua versão do Kindle na próxima semana
Leitores de livros digitais como Kindle e Kobo são muito populares, e a Xiaomi deve entrar nesse nicho a partir da próxima quarta-feira (20). Uma prévia foi postada na quinta-feira (14) pela conta oficial da companhia na rede social chinesa Weibo.

Um esboço do e-reader mostra bordas grossas, sem botões nos painéis laterais — a exemplo do Kobo. Há somente um botão na parte de cima, provavelmente para ligar e desligar. Isso significa que toda a navegação deve ser feita diretamente na tela sensível ao toque.


(Imagem: Xiaomi/Reprodução)
Fora isso, por enquanto não há outros detalhes importantes, como a origem do catálogo. Não se sabe se a chinesa vai montar sua própria biblioteca ou fazer algum tipo de parceria com as já existente. Outros dados importantes ainda ausentes são se o dispositivo terá resistência à água, poeira e quedas, e se ele terá suporte a audiolivros — nesse caso, seria necessário alguma saída para áudio ou emparelhamento a alto-falantes ou fones de ouvido via Bluetooth.

Assim como outros produtos menores da Xiaomi, o e-reader deve ser lançado por meio de campanha de financiamento coletivo. Por isso, a expectativa é de que ele tenha um preço bastante acessível.

F4

Dados antigos da Voyager 2 revelam bolha de plasma gigante em Urano
Usando dados coletados há 34 anos pela sonda Voyager 2, cientistas descobriram que a ela passou por uma bolha magnética gigante enquanto passava pelo misterioso planeta Urano. Isso permaneceu “em segredo” por todo esse tempo, até que uma equipe analisou os dados e encontrou pistas sobre o ambiente magnético do planeta e sobre como ele leva a atmosfera de Urano para o espaço.

Atmosferas de planetas em todo o Sistema Solar vazam para o espaço - até mesmo a da Terra -, e esse processo é bastante lento. A atmosfera terrestre, por exemplo, ainda vai durar por pelo menos um bilhão de anos. Marte já foi um planeta com atmosfera espessa, talvez até mesmo habitável, mas se tornou o mundo árido que vemos hoje após alguns bilhões de anos de vazamento.

Mas como isso acontece? Os cientistas teorizam que os campos magnéticos, que podem proteger o planeta dos ventos solares, também podem fazer com que a atmosfera acabe escapando para o espaço. Por isso, para estudar o fenômeno, os pesquisadores dão total atenção ao magnetismo. E a passagem da Voyager 2 por Urano revelou o quão estranho é o magnetismo por lá.

Diferente de qualquer outro planeta do Sistema Solar, Urano gira quase totalmente de lado, completando uma volta em si mesmo a cada 17 horas. O eixo de seu campo magnético está apontado 60 graus para longe do eixo de rotação. Assim, enquanto o planeta gira, sua magnetosfera oscila. É algo tão estranho que os cientistas ainda não sabem como modelar.


Animação mostrando o campo magnético de Urano. A seta amarela aponta para o Sol, a seta azul clara marca o eixo magnético de Urano e a seta azul escura marca o eixo de rotação de Urano (Imagem: NASA/Scientific Visualization Studio/Tom Bridgman)
Ao analisar os dados de 1986, os autores do estudo, DiBraccio e Dan Gershman, conseguiram mais detalhes do que as pesquisas anteriores. Linhas suaves de outras medições deram lugar a picos e quedas irregulares. Um pequeno zigue-zague deu a dica de que se tratava de um plasmoide - uma bolha gigante de plasma que, mais recentemente, foi identificada como um dos fenômenos que faz planetas perderem massa.

Essas bolhas de plasma, ou gás eletrificado, se desprendem do final da "cauda magnética" de um planeta, ou seja, a parte do campo magnético que é soprada pelo Sol e fica com o formato de uma pequena cauda. Com o passar do tempo, isso pode drenar os íons da atmosfera de um planeta, alterando sua composição.

Comparando esses resultados com os plasmoides observados em Júpiter, Saturno e Mercúrio, os cientistas estimaram que a bolha de Urano teria uma forma cilíndrica de pelo menos 204.000 km de comprimento e até 400.000 km de diâmetro. Diferente de alguns plasmoides que têm um campo magnético interno torcido, a Voyager 2 observou laços magnéticos suaves e fechados. Isso acontece quando um planeta lança pedaços de sua atmosfera para o espaço enquanto gira.

De acordo com as estimativas de Gershman, plasmoides como esse poderiam representar entre 15 e 55% da perda de massa atmosférica em Urano, uma proporção maior do que ocorre em Júpiter ou Saturno.


Agora, como foi que essa perda de atmosfera mudou o planeta ao longo do tempo, é algo que só saberemos quando enviarmos espaçonaves dedicadas a estudar Urano de perto - a Voyager 2 fez apenas um sobrevoo enquanto navegava pelo Sistema Solar. Mas as novas descobertas ajudam a levantar novas questões importantes sobre o planeta gasoso. “É por isso que amo a ciência planetária”, disse DiBraccio. “Você sempre vai a algum lugar que não conhece”, completa.

F5

O que IoT tem a ver com chuva? Conheça as estações meteorológicas!
Nos últimos 30 dias, o termo de busca 'chuva em BH neste momento', no Google, cresceu mais de 4.850%, isso durante o mês em que o estado de Minas Gerais mais sofreu as consequências das chuvas de verão. Ainda como resultado desses estragos, a procura por 'alagamento SP' aumentou em mais de 18.700% entre os dias 9 e 10 de fevereiro, período em que muitos pontos da cidade estiveram em baixo d'água e o comércio da cidade de São Paulo enfrentou um prejuízo estimado em R$ 110 milhões, segundo a FecomercioSP.

As porcentagens de crescimento chegam a assustar e se repetem em padrões semelhantes em todas as áreas que enfrentaram fortes chuvas durante o verão, incluindo o Espírito Santo e a Bahia. Por causa dos riscos de alagamentos e desmoronamentos, é nessa estação do ano que a Defesa Civil (199) e o Corpo de Bombeiros (193) mais trabalham, principalmente, socorrendo vítimas de desastres ambientais.


Estações meteorológicas, de baixo custo, podem ajudar no aperfeiçoamento das previsões do tempo (Foto: Divulgação/ Pluvi.On)
Tem solução?  
“Aqui no Sudeste, por exemplo, a época de verão chega com pancadas de chuva mais fortes, o que gera alagamentos e deslocamentos de terra. Este é um problema recorrente e todos os anos acompanhamos o mesmo padrão”, explica Diogo Tolezano, engenheiro formado pela Escola de Engenharia Mauá e co-fundador da startup Pluvi.On.

Fundada em 2016, a Pluvi.On busca soluções para esse “padrão não resolvido” e que, segundo seu fundador, “muito pouco é feito para solucionar a questão das chuvas.” Por isso mesmo, Tolezano e sua equipe desenvolvem estações pluviométricas, de baixo custo, com tecnologia nacional, que ajudam as cidades a se tornarem mais inteligentes e melhoram as previsões localizadas do tempo, turbinando os algoritmos com os dados coletados. A equie também desenvolveu um chatbot de alerta para áreas de risco, em São Paulo.

Com sensores pensados para Internet das Coisas (IoT) e o incentivo da cultura maker em projetos Open Source, a startup integra o United Smart Cities LAB, que ajuda a criar indicadores para cidades inteligentes da Onu. Além disso, possui mais de 200 estações meteorológicas instaladas em nove estados brasileiros. Sendo que “para 2020, a ideia é romper a barreira de 1.000 estações”, explica Tolezano sobre os próximos passos da startup. Inclusive, a primeira estação feita, para prova de conceito, tem seu projeto aberto.

Coleta de dados
Para dar conta de um país como o Brasil ou ainda de uma cidade complexa como São Paulo, são necessárias muitas estações meteorológicas espalhadas pela região, afinal são elas as responsáveis por criar os dados que serão trabalhados nas previsões. Atualmente, os equipamentos da Pluvi.On estão em sete estados brasileiros, totalizando mais de 160 estações em funcionamento.

Sobre a importância dessas estações de coleta, Tolezano explica que "os equipamentos são instalados em diferentes pontos da localidade de onde se quer colher os dados. A partir deles, é possível então medir a intensidade da chuva, a velocidade dos ventos, a umidade do ar e até mesmo calcular a probabilidade de uma enchente no entorno, por exemplo." Nesses equipamentos, também é possível conectar até mais seis sensores, como o nível de radiação solar e umidade do solo.


Um dos fundadores da startup Pluvi.On, Diogo Tolezano comenta as dificuldades para o levantamento de dados meteorológicos no país (Foto: Divulgação/ Pluvi.On)
Entre as áreas já monitoradas pela startup está a Rodovia Tamoios, que liga o litoral norte paulista ao Vale do Paraíba, e é conhecida pelo seu tráfego intenso, de cerca de 2,3 milhões de veículos trimestralmente. Ali, a equipe tem capacidade de emitir sinais de alerta, em caso de chuva forte na estrada. Para cobrir uma área, a recomendação é que se tenha uma estação meteorológica a cada 5 km quadrados.

Durante os quatro anos de operação, “o que nós já conseguimos demonstrar é que a chuva tem um comportamento muito local, principalmente, as chuvas de verão, que são as convectivas. Por causa desse comportamento muito localizado, é difícil trabalhar com uma previsão do tempo que me diga: ‘olha, vai chover na cidade’. Às vezes, está chovendo em algum ponto específico [esse movimento é conhecido como hiperlocalidade]”, comenta Tolezano.

"Apesar de o clima ser o sistema mais caótico que existe no mundo, existem alguns padrões dentro dele. Como entendemos e interpretamos melhor esses padrões? Por meio de dados", explica o fundador da startup sobre os desafios em construir e captar informações novas.



Quanto a traçar o comportamento das chuvas, ainda são necessários mais dados históricos que auxiliem no estudo de uma região específica. "Durante a pesquisa sentimos muito a falta de dados meteorológicos no país. Apesar de existirem várias redes federais e municipais, é uma quantidade muito pequena e o acesso é muito difícil a esses dados", afirma Tolezano. Ainda há um agravante: a descentralização dessas informações.

Inspiração direta do Japão
Para o desenvolvimento das estações meteorológicas e das medições hiperlocalizadas, a Pluvi.On se inspirou em uma invenção japonesa, uma película que era colocada nos vidros de carros para se mapear radiação no país. Isso aconteceu após o vazamento da usina de Fukushima, no Japão. Também open source — com livre distribuição e replicação —, a tecnologia desmentiu o governo, que minimizava os riscos de radiação no território.

Na Singularity Universe, nos Estados Unidos, a equipe da startup conheceu os responsáveis pela criação do Projeto Safecast. Como Tolezano explica, "eles criaram um medidor de radiação de baixo custo e os implementaram nas janelas dos carros. Com a grande circulação de carros, em três meses de experimento, eles tinham o mapeamento real do risco no país inteiro — que inclusive levou o Governo a vir a público para assumir as responsabilidades."

A partir do experimento de sucesso, Tolezano se questionava sobre a possibilidade de usar as mesmas tecnologias, como IoT, no Brasil, para lidar com outro problema pouco conhecido, mas muito presente para os brasileiros: as crises hídricas e a questão das chuvas. A partir de entãto, desde que foi fundada, em 2016, a Pluvi.On optou por usar a tecnologia para entender o padrão das chuvas e antecipar, principalmente, os alertas de risco, com melhor precisão.


Estações meteorológicas de baixo custo ajudam em previsões do tempo cada vez mais precisas (Foto: Divulgação/ Pluvi.On)
A previsão do tempo que dá essa antecedência é um modelo baseado em equações dinâmicas da física, ou seja, ele precisa de muitos dados para também melhorar sua resposta. A respeito disso, Tolezano comenta: "posso disparar o alerta com alguns dias de antecedência, no dia ou no momento, há toda uma escala de tempo para trabalhar. Mas também existem chuvas imprevisíveis. Existe, porque o sistema é caótico, mas com mais dados e melhor monitoramento, nos conseguimos reduzir bastante essa imprevisibilidade."


Financiamento coletivo: São Pedro bot
Via Benfeitoria, um site para campanhas de financiamento coletivo, a Pluvi.On arrecadou cerca de R$ 95.000,00, em 2019, para a elaboração de um chatbot (para bate-papo online com respostas autônomas) para o monitoramento de cinco comunidades na cidade de São Paulo, bastante afetadas por enchentes, e envio de alertas de chuva forte antecipados para os moradores dessas regiões.

Desde dezembro do ano passado em funcionamento, Tolezano explica que "funciona como um amigo do Facebook Messenger. A ideia é que as pessoas adicionem e possam perguntar se vai chover, se as chuvas serão fortes, qual a previsão." Para isso, trabalham em parcerias com organizações sociais do entorno e com a defesa civil.

A partir dos aprendizados coletados nesse experimento controlado, já que apenas os moradores das regiões são orientados a usar, esperam ainda abrir a ferramenta para outras áreas, em que já possuem o monitoramento climático.

Desafios para desenvolver no país
Entre as dificuldades de ser uma startup da área de tecnologia, Tolezano destaca: "Há um componente que dificulta mais as coisas, o hardware, já que as dificuldades de se trabalhar com produtos, no Brasil, são os ciclos de desenvolvimento. Ás vezes, precisamos testar um único componente e ele demora de 15 a 20 dias para chegar. Aí, após os testes, você percebe que não era bem esse aparelho, ou seja, agora terá de esperar mais 15, 20 dias para chegar um outro."

Todo esse tempo gasto gera um ciclo de desenvolvimento mais longo, além de um custo mais elevado para a inovação, fora a questão quase obrigatória das importações de peças. Por exemplo, "componentes de centavos de dólares chegam aqui, por conta de todos os impostos, na casa de dezenas de reais", comenta Tolezano sobre desafios que podem até impedir o nascimento e o crescimento de empresas da área de tecnologia. Agora, com um problema de software, o fundador da startup garante ser bem mais simples o processo, afinal "é possível varar a noite e resolver a questão", como todo bom desenvolvedor já fez.

F6

Quanto tempo pode durar a pandemia da COVID-19?
A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) está no começo, no meio ou no fim? A resposta a essa pergunta é algo que todas as autoridades do mundo buscam saber e investem em simulações e apoio de especialistas para prever. Afinal, a COVID-19 já fechou fronteiras, tanto terrestres quando áreas, também paralisou comércios e empresas, colocando praticamente todos os países em estado de quarentena. Até mesmo a população da Índia, que ultrapassa a casa do bilhão, foi posta em isolamento.

Ninguém sabe por quanto tempo essa situação vai se alastrar ou como serão os próximos meses, mas há algumas apostas. Nesse cenário, cientistas e pesquisadores trabalham no contingenciamento da COVID-19, quebrando as linhas de transmissão, ou seja, impedindo novas infecções com o isolamento social. Outras boas soluções são investimentos em massa na saúde pública e no rastreamento das pessoas com o novo coronavírus ativo.


Segundo especialistas, ainda é cedo para se entender de qual tamanho será os estragos da COVID-19 no país (Foto: Reprodução/ iNews)
Sangue de pessoas curadas de COVID-19 será usado para tratar doença nos EUA
Segundo o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o pico de casos deve acontecer até o mês de junho. "Nós estamos imaginando que vamos trabalhar com números ascendentes, espirais em abril, maio, junho. Vamos passar, aí, 60 a 90 dias de muito estresse para que, quando chegarmos ao fim de junho, julho, a gente imagina que entra no platô. Agosto, setembro, a gente deve estar voltando, desde que construa a chamada imunidade de mais de 50% das pessoas", afirmou o ministro, em coletiva de imprensa, terça-feira passada (17).

Na outra ponta da América, o presidente norte-americano Donald Trump escreveu uma carta ontem (26), para que a população evitasse sair por conta dos riscos da COVID-19. Entre as recomendações, estavam ficar em casa, não trabalhar doente e evitar reuniões e eventos com mais de 10 pessoas, além de destinar enormes recursos financeiros para ajudar os americanos.

Em outras palavras, a situação deve piorar, de forma considerável, até chegar a uma linha neutra e, daí por diante, melhorar. Além do mais, quando os números de novos casos começarem a cair e, se a população relaxar muito cedo, o coronavírus pode voltar com ainda mais força — essa situação ainda é um risco para a China, por exemplo.

Previsões estatísticas
Entre os países, até agora, a China é o único que conseguiu controlar a situação do novo coronavírus e, inclusive, zerar novos casos locais da infecção. No entanto, o país asiático teve um único foco da doença, a cidade de Wuhan, e todos os desdobramentos vieram desse ponto específico. Isso significa que o governo chinês deveria concentrar o envio de investimentos, de força tarefa e de profissionais de saúde para uma única região, onde mesmo assim foram registrados mais de três mil mortos.

"Se você pegar os Estados Unidos, hoje, eles têm três centros com o surto estabelecido. Eles têm Nova Iorque, o estado de Washington, na costa Oeste, e o estado da Califórnia, que decretou fechamento. Ninguém pode entrar e ninguém pode sair", alerta Átila Iamarino, microbiólogo com pós-doutorado pela USP e pela Yale University.

O que pode significar que, mesmo que essas três regiões americanas parem tudo, como fez a China após quase um mês da epidemia, impondo quarentena obrigatória, três Wuhans poderiam se repetir no território americano. Quanto ao Brasil, "já temos pelos menos São Paulo e o Distrito Federal, com Brasília", explica Iamarino no seu canal. "É provável que tenhamos mais casos acontecendo como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas só veremos (em números) quando eles começarem a ser hospitalizados", argumenta o cientista.

De acordo com o microbiólogo e especialista em virologia, "o Brasil promete crescer em uma taxa mais rápida que a Itália. Podemos esperar nos próximos dias, nos próximos meses, um cenário como da Itália ou pior para vários centros… [Sobre o tempo de recuperação do gigante asiático] três meses é uma linha do tempo irreal, porque nós não estamos adotando as medidas que a China adotou agora."

O que conta a favor do país são as medidas já tomadas para o contingenciamento da crise. “Se o Brasil não fizesse nada, se as empresas continuassem funcionando em todos os lugares, se a gente não tivesse decretado estado de emergência, se todo mundo tivesse seguido a vida normal, como alguns estão pregando, seguindo essa projeção, só pela COVID-19, o Brasil teria 1,4 milhão de mortos até o fim de agosto", defende Atila.


"Uma grande parte das pessoas que pega o coronavírus não morre, mas precisa de internação, precisa de hospitalização. Já estamos cientes do que vem pela frente, São Paulo já vai usar estádios para receber pessoas, assim como a Itália está sendo obrigada a usar hotéis para poder fazer unidades hospitalares", conclui o cientista sobre o que deve ser esperado da COVID-19 no Brasil.

Do pronto-socorro
"Pelo conhecimento prévio da epidemia e pelo que estamos vendo na prática [no estado de São Paulo], não é possível encerrar isso agora. Os casos estão aumentando, vivemos uma curva de ascensão. Os dados que chegam da Secretária é de que se trata de uma ascensão importante, mas menor do que a que se esperaria", afirma Renato Grinbaum, gerente de práticas médicas no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e doutor em doenças infecciosas e parasitárias pela Unifesp.

Segundo Grinbaum, só será possível definir parâmetros sobre a pandemia da COVID-19 a partir da próxima semana, quando se completam os 15 dias de quarentena impostas para o estado de São Paulo. O infectologista comenta: "Teremos um aumento mais agudo de casos, mas na próxima semana será um dos momentos mais importantes para entendermos a COVID-19. E o comportamento da semana que vem é que nos dirá quanto tempo isso irá durar".

Mesmo que ninguém queira o prejuízo econômico dessa imprecisão, a Itália já demonstrou que a pandemia, por si só, sem a quarenta, é responsável por quebrar a economia. Afinal, no país ao sul da Europa, muitas autoridades evitaram ao máximo impor restrições aos deslocamentos no país, até que alcançaram uma situação de caos na saúde pública e de quarentena compulsória.

"Nesse momento, é muito visível o aumento de casos, os hospitais estão cheios de pessoas com COVID-19 e existem casos graves... O que está de calmo nas ruas, dentro dos hospitais está ao contrário", explica o gerente de práticas médicas. O bom sinal, se é que se pode afirmar isso, é que a maioria das pessoas sairá bem dessa pandemia, mas não será uma tarefa fácil para médicos, enfermeiros e farmacêuticos envolvidos.


Próxima semana será decisiva para entender o tamanho da crise brasileira (Foto: David McNew/Getty Images)
"Todos os hospitais estão ampliando a sua capacidade, ou seja, suspenderam consultórios, internações eletivas e conseguiram aumentar as áreas de UTI. Estão ampliando tudo o que podem e reorganizando as esquipes médicas para a COVID-19", explica o infectologista sobre o momento, pelo menos da cidade de São Paulo. Inclusive, ele esclarece que "até o presente momento, todos estão sendo atendidos com a mesma qualidade dos períodos normais".


Mesmo que, por ora, a infraestrutura da saúde não esteja saturada, Grinbaum alerta: "O problema é o que vai acontecer depois. Estamos falando de uma cidade como São Paulo, que tem um bom número de hospitais e condições financeiras. Nós não sabemos como [a doença] se comportará nas periferias, nas cidades do interior. O Brasil é um país muito heterogêneo e as respostas da epidemia serão muito diferentes nas regiões do Brasil".

Nesse cenário, nem os mais jovens podem acreditar que estarão imunes a essa pandemia. Isso porque "a probabilidade de terem uma doença mais grave é menor, mas temos visto que eles também apresentam sintomas graves. A diferença para aquelas pessoas que têm comorbidades ou são idosos é que os mais jovens conseguirão passar melhor esse período crítico e sobreviver bem", esclarece o especialista.

A questão dessa recuperação dos mais jovens é que eles também "disputarão" leitos em hospitais e que eles não tenham sérias sequelas, como a fibrose pulmonar grave. Segundo Grinbaum, "esperamos que não seja tão frequente aqui, mas é um processo de cicatrização. Fibrose é cicatrização. Se o pulmão ficou muito 'ferido', devido a uma pneumonia grave, o processo de cicatrização não permite que aquele pulmão funcione normalmente depois".

Agora, a principal discussão para o infectologista é entender quanto tempo devem durar essas precauções mais severas de quarentena e quando devemos reduzir essas precauções. No entanto, só os próximos dias do comportamento da COVID-19 poderão mostrar esse caminho.

Diminuição no crescimento de casos em São Paulo
No meio da crise brasileira, que ainda deve ganhar tração, é possível que um bom sinal esteja sendo emitido do estado de São Paulo. A possibilidade vem após um levantamento indicar uma diminuição da taxa de crescimento de casos do novo coronavírus na região, fruto de ações como distanciamento social.

Quem apresenta o estudo é o físico José Fernando Diniz Chubaci, doutor pela USP e professor do Instituto de Física da mesma instituição. A partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o professor comparou três situações da COVID-19: o crescimento de casos no estado de São Paulo, individualmente; do Brasil, na sua totalidade; e do país, desconsiderando São Paulo.

Segundo Chubaci, a partir do 18º dia do primeiro caso da infecção no país, no dia 15 de março, a taxa de crescimento da curva referente ao estado de São Paulo começou a diminuir. Já entre os dias 18 e 19 do mesmo mês, que coincide com as primeiras ações para conter a disseminação do coronavírus, o número de casos confirmados no restante do país se tornou maior do que os do estado paulista.

No entanto, Chubaci alerta que esses dados não refletem uma tendência e são apenas um retrato da situação brasileira desde a confirmação do caso um por aqui. "Isso indica para a gente quais são as políticas a serem seguidas", afirma o pesquisador para a Folha de S. Paulo.

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