domingo, 10 de outubro de 2021

Todos os sinais de pontuação e exemplos de cada um

 O que os sinais de pontuação expressam? [função]

Os Sinais de Pontuação são sinais gráficos, pequenos “riscos e pontos escritos” que vão dar coerência e coesão aos nossos textos. Eles fazem parte das regras gramaticais, mas podem ser usados como marcas de estilo de um autor. 


Portanto, a função dos sinais de pontuação é interpretar e organizar corretamente o que está escrito. Cada um deles tem uma utilidade que pode representar pausas na fala, entonações, emoções, anseios, contextos, intenções e situações.


É por meio desses sinais que conseguimos criar uma comunicação eficiente e precisa entre quem escreveu e quem lê, mesmo que eles não estejam falando um de frente para o outro. 


Quais são todos os sinais de pontuação?


 

Os principais sinais de pontuação da Língua Portuguesa são 10:


Ponto final →   .

Vírgula →   ,

Ponto e vírgula →   ;

Ponto de exclamação →   !

Ponto de interrogação →   ?

Dois pontos →   :

Travessão →   —

Reticências →   …

Aspas →   “ “

Parênteses →   ( )

Cada um deles possui sua própria função e momentos em que podem ser usados. Alguns deles são até obrigatórios em certos casos. Vamos entender cada um com exemplos:


Ponto final [ . ]

O ponto final é o símbolo que usamos no final de cada oração, frase ou período. Ele indica uma pausa total, quando encerramos o que queríamos dizer naquela linha. Além disso, ele pode ser usado no final de algumas abreviações.


Vamos ver exemplos de cada uso:


Indicar o fim de uma frase declarativa

Os convidados estavam sentados e se levantaram para dançar.


Representar as abreviaturas

a.C. → sigla usada para marcar data, significa “antes de Cristo”.


obs. → sigla usada no final de algum texto para acrescentar algo, significa “observação”.


Rev.mo → abreviação de “Reverendíssimo”, um pronome de tratamento.


Existem algumas abreviações que não recebem ponto final. Normalmente, estão ligadas às unidades do sistema métrico decimal e aos elementos químicos. 



 

Exemplos: Kg (quilo), m (metro), Hg (mercúrio), Au (ouro).


Vírgula [ , ]

A vírgula é usada para separar elementos dentro de um mesmo período. Elas são pequenas pausas que não encerram o assunto, apenas dão fôlego e entonação à frase. Elas também podem ser usadas na citação de itens. 


Contudo, há um conjunto de regras gramaticais para saber quando e onde colocar a vírgula. 


Ponto e vírgula [ ; ]

O ponto e vírgula representa uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto final. Por isso, ele não encerra o período (o ponto final encerra) e causa uma separação de ideias (diferente da vírgula).


Normalmente, ele é usado nos seguintes casos:


Separar as orações de período muito grande, principalmente se uma delas já tiver vírgula

Dos 20 funcionários daquela empresa, apenas 3 não concordaram com as mudanças; do restante, todos gostaram das novas ideias.


Separar itens depois de uma enumeração

Lista de compras:


Arroz;


Xuxu;


Feijão;


1kg de carne;


Tomate;


Alface.


Ou


Banana, morango, uva e pera; essas são as frutas que mais gosto.


Separar orações coordenadas assindéticas que compartilham algum sentido

As queimadas destruíram a vegetação; todos os animais silvestres foram mortos.


Substituir a vírgula em orações coordenadas sindéticas adversativas

Não sentia mais paixão por aquela profissão; porém, dedicava-se todos os dias pelo sustento de sua família.


Entenda o que são orações coordenadas adversativas!

Dois pontos [ : ]

A função dos dois pontos é mostrar que algo será introduzido no discurso. Ele indica que logo depois virá uma palavra, expressão, exemplo ou fala. Isso é feito para esclarecer, desenvolver ou explicar algo que já foi dito antes.


Ele pode ser usado nos seguintes casos:


Indicar uma citação de quem emite a mensagem

Como dizia minha avó: quando a cigarra canta, vai chover.


Indicar uma enumeração

Todos conseguiram chegar a tempo: filhos, genros, noras, netos e bisnetos.


Indicar as falas dos personagens ou uma oração apositiva

O lobo bateu na porta da casa de palha e perguntou:


– Tem alguém em casa?


Vou te dizer o problema: eles falam muito.


Demarcar uma explicação, resumo ou sequência.

Havia muitas exigências para conseguir o papel: ter experiência de palco, falar espanhol, dançar tango e poder ensaiar 4 vezes na semana.


Indicar um exemplo, observação ou nota

Ironia é uma figura de linguagem que consiste em dizer o contrário do que se pensa ou acredita. Exemplo: Ele é um santinho.


Ponto de interrogação [ ? ]

O ponto de interrogação é aquele que usamos ao final de uma frase, quando estamos fazendo uma pergunta direta. Ao ler uma frase que termine com este ponto, ponha a entonação de dúvida. 



 

Além disso, pode ajudar a expressar surpresa, indignação ou uma expectativa.


Ele pode ser usado nos seguintes casos:


Fazer uma pergunta

Por que você não tenta fazer a prova?


Expressar indignação

O quê? Não trouxe o cartão que eu falei?


Expressar surpresa

Você aqui?!


Note que o ponto de interrogação pode vir até mesmo junto ao de exclamação, para dar ênfase.


Ponto de exclamação [ ! ]

O ponto de exclamação é o que usamos para expressar os sentimentos e emoções. Podem ser positivos ou negativos, como: surpresa, raiva, desespero, admiração, desejo, alegria, entre outros. 


Quando lemos uma frase com ele, precisamos dar a entonação da emoção sentida. Inclusive, há quem use até três exclamações seguidas para dar ênfase [!!!].


Ele pode ser usado nos seguintes casos:


Depois de frases de ordem, espanto, admiração, surpresa e outras emoções

Nossa! Não acredito que ela teve coragem de vir.


Tenha fé! Se a sua parte for bem feita, o melhor possível irá acontecer.


Depois de interjeições e vocativos

Ah! Não me venha com esse papinho.


Já sei! O tesouro está enterrado!


Para mostrar desejo, vontade e objetivo

Que Deus o abençoe!


Valei-me Nossa Senhora!


Travessão [ — ]

O Travessão é o sinal que marca o início do discurso direto, ele introduz a própria fala de uma pessoa ou personagem. É muito comum em crônicas e gêneros teatrais, mas pode aparecer em outros locais. Inclusive, é usado na transcrição de um diálogo.


Ele pode ser usado nos seguintes casos:


Indicar a fala de uma personagem ou mudança de interlocutor

— Depois que cumprir sua missão, pretende voltar quando?


Seu amado respondeu:


— Não sei nem se continuarei vivo. Volto o mais rápido possível.


Enfatizar uma palavra, frase ou expressão

Então Clarice conseguiu se vingar de Marcos – o seu grande rival.


Servir de aposto, em substituição da vírgula

A grande Belo Horizonte – considerada a maior metrópole de Minas Gerais – enfrenta os problemas mais graves de seu estado.


Aspas [ “ “ ]

As aspas são usadas para vários fins diferentes. O mais comum é serem usadas para indicar a fala de alguém que saiu de seu local original e foi inserida naquele texto. Também pode ser usada para expressões informais ou estrangeiras.


Veja exemplos de seu uso:


Para indicar fala

“faça a sua escolha” é uma das frases mais impactantes que usam nos filmes.


Introduzir expressões estrangeiras, neologismos, arcaísmos e gírias

“Sextou” hoje, vamos ao cinema!

A palavra paixão vem do grego “pathos”, que significa sofrimento.


Sinalizar informalidade

Estava andando na rua quando um “lekinho” de 8 anos me abordou, ele pediu alimento.


Destacar livros, obras de arte, filmes, músicas, títulos de jornais, revistas e outros impressos

“Superinteressante” é uma revista fundada em 1987.


Parêntesis [ ( ) ]

Os parênteses são um sinal que colocamos em torno de uma palavra ou expressão. Ele pode ser usado para explicar algo, fazer um comentário ou uma interferência no meio do assunto.


Veja exemplos de como usá-lo:


Para fazer explicações

Os elétrons (pacotinhos de energia) ficam orbitando ao redor do núcleo do átomo.


Para fazer uma interferência opinativa ou interlocução

Acredite se puder, ele me disse que o céu era verde (que loucura, não?) e ainda falou com convicção!


Reticências […]

As reticências são um sinal que é composto por três pontos seguidos. Ela é usada no final de períodos, frases ou orações; indicando uma ideia de continuidade, dúvida, receio, prolongamento ou que há algo depois.


Para expressar continuidade

Eu falei para ela começar a contar e ela não parou mais, foi 1,2,3,4,5… até chegar em 100!


Para expressar receio

Não sei não… acho que ele tem cara de pilantra.


Para expressar dúvida

Você vai ou não vai viajar? É… Eu não sei... Acho que… 


Para indicar que algumas partes do texto foram retiradas

“Ela era bem pequena, ..., e ouvira os parentes dizer que o avô tinha deixado uma herança para ela.”

(Conceição Evaristo)


Para destacar uma palavra ou expressão

Não há motivo para tanto… mistério.


Para apontar uma enumeração incompleta

Estudamos Português, História, Geografia, Biologia… 

Descubra como e quais são os processos de formação das palavras

 O que é Derivação?

Derivação é o tipo de processo no qual irá surgir uma nova palavra (a derivada) por meio de uma já existente (a primitiva). Segue abaixo os exemplos:


Palavra primitiva: mar.

Palavra Derivada: Marinheiro, marujo, marítimo.

Podemos observar que o substantivo “mar” dá origem a novas palavras por meio de acréscimo de um sufixo ou prefixo.


O que é Derivação Prefixal?

Nesse tipo de derivação, acrescenta-se um prefixo à palavra já existente. Exemplo:


Infeliz – prefixo in

Desfazer – prefixo des

Refazer – prefixo re

Enraizar – prefixo en

Refazer – prefixo re 

Para facilitar o entendimento, é importante sabermos que os prefixos da língua portuguesa originam-se do grego e do latim. 


Nessas línguas eles funcionavam de forma independente, como advérbio ou preposição. Sabendo disso, fica mais fácil entender como funciona a derivação prefixal.



 

Incrível, não? Mas isso só é possível se conhecermos todos os detalhes do processo de formação das palavras e sabermos como e onde usá-los.


O que é Derivação Sufixal?

A Derivação Sufixal resulta do acréscimo de um sufixo à palavra primitiva. Esse acréscimo pode resultar em alteração do significado ou mudança de classe gramatical. Exemplo:


Alfabetização – sufixo –ção.

Através deste exemplo, é possível verificar que esse acréscimo transforma um verbo, alfabetizar, em substantivo. Sendo este, já resultado de uma derivação do substantivo alfabeto acrescido do sufixo -izar.


É importante salientar, que ao contrário dos prefixos, os sufixos aglutinam-se ao fim da palavra e não ao início.


O que é Derivação Parassintética?

Essa derivação ocorre quando a palavra tem um acréscimo tanto do prefixo, quanto do sufixo. Exemplo:


Desalmado

Através desta palavra, será possível compreendermos como ocorre a Derivação Parassintética. A palavra primitiva que deu origem ao exemplo citado é “alma”, acrescentou-se a ela o prefixo -des e o sufixo -ado, sendo que seu radical é -alm.


Para não se confundir entre esses tipos de derivação, basta tirar o prefixo e sufixo da palavra. Se a palavra que sobrou existe, problema resolvido, há derivação prefixal e sufixal. Caso contrário, há derivação parassintética. Veja abaixo mais exemplos:


Entristecer: prefixo -en; radical triste; sufixo -ecer. É derivação parassintética, porque não existem entriste nem tristecer.

Entardecer: prefixo -en; radical tarde; sufixo -ecer. É derivação parassintética, porque não existem entarde nem tardecer. 

Infelizmente: prefixo -in; radical feliz; sufixo -mente. É derivação prefixal e sufixal, porque existem infeliz e felizmente.

O que é Derivação Regressiva?


 

Ocorre quando há redução da palavra derivada por meio de parte da palavra primitiva. Para simplificar, é só lembrar que essa regressão geralmente resulta em substantivos abstratos derivados de verbos em sua forma infinitiva.


Vamos ver exemplos de como isso ocorre:


Beijar – beijo

Debater – debate

Perder – perda

O que é Derivação Imprópria? 

Ocorre quando uma palavra tem sua classe gramatical alterada, sem que resulte na alteração da palavra primitiva. Exemplos:


O infeliz não quis me contar aquele segredo.

Observe que a palavra infeliz, geralmente usada como adjetivo, tornou-se um substantivo. Sua grafia, contudo, permaneceu a mesma.


O que é Composição?

Para que ocorra uma composição, deve haver a junção de dois ou mais radicais. Exemplo:


Guarda-roupa

Segunda Feira

Há dois tipos de composição. Veremos ambas a seguir:


O que é Composição por Aglutinação?

Ocorre quando há a junção de palavras. Nessa aglutinação uma das palavras perderá sua unidade sonora, ou seja, o fonema.


Água + ardente = aguardente ( nesse processo o fonema “a” deixou de ser uma unidade sonora)

Plano + alto = planalto ( nesse processo o fonema “o” deixou de ser uma unidade sonora)

O que é Composição por Justaposição?

Ocorre quando há uma junção de palavras sem perda fonética. Exemplos:


Girassol: gira + sol.

Passatempo: passa + tempo.

Madrepérola: madre + pérola

Pontapé: ponta + pé.

Observe que as palavras acima são compostas por duas palavras que permanecem inalteradas foneticamente.


O que é Abreviação?

A abreviação ocorre quando apenas parte da palavra é utilizada. Para que isso aconteça essa “parte” funciona de forma autônoma, sem mudança de significado ou classe gramatical. 


Podemos dizer que é a forma reduzida de uma palavra até o limite que não prejudique a compreensão do significado. Exemplos:


Foto (fotografia)

Quilo (quilograma)

ONU (Organização das Nações Unidas)

PIB (Produto Interno Bruto)

FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)

Moto (motocicleta)

Cinema (cinematográfico)

O que é Reduplicação?

Na reduplicação, há uma repetição de vogais ou consoantes na formação de uma palavra similar. As palavras onomatopaicas também estão incluídas nesse processo.  Por repetir sílabas, pode ser chamada de duplicação silábica.


pingue – pongue

bombom

O que é Hibridismo?

No processo de hibridismo ocorre a junção de palavras simples ou radicais oriundos de línguas diferentes. Exemplos:


Sociologia ( latim socio + grego logia)

Televisão ( grego tele + latim visão)

O que é Combinação?

A combinação é bem característica do processo linguístico, dos quais as pessoas e a sociedade acabam por originar novas palavras através da junção de palavras já existentes.


aborrecente ( aborrecer + adolescente)

portunhol (português + espanhol)

showmício (show + comício) 

infomercial (informação + comercial)

O que é Intensificação?


 

A intensificação ocorre quando uma nova palavra é criada através do alargamento de uma palavra existente. Na maioria das vezes acontece com a utilização do sufixo verbal – izar.


Culpabilizar ( ao invés de culpar)

Protocolizar ( ao invés de protocolar)

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Critérios para escolha dos cantos na Missa

 1. INTRODUÇÃO


“O Apóstolo aconselha os fiéis que se reúnem em assembleia para aguardar a vinda do Senhor, a cantarem juntos salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Cl 3, 16), pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (cf. At 2, 46). Portanto, dê-se grande valor ao uso do canto na celebração da missa, tendo em vista a índole dos povos e as possibilidades de cada assembleia litúrgica” (IGMR 39-40).


O canto e a música na celebração litúrgica é costume muito antigo. Conforme vimos acima, já São Paulo convidava à comunidade a cantar. Também testemunhos como o de Justino (sec. II) mostram que os cristãos, quando se reuniam, rezavam e cantavam. No século V já foi afirmado por Santo Agostinho: “Quem canta reza duas vezes”. Assim, vemos que o cantar litúrgico sempre esteve presente na vida da comunidade cristã e sempre foi parte integrante de seu culto a Deus.


“A música litúrgica é parte integrante e significativa da ação ritual. É urgente atentar para a qualidade de nosso cantar litúrgico, para a importância dos váriosministérioslitúrgico-musicais e, para a formação e capacitação de todos, especialmente das pessoas e equipes que os exercem.” (XVI Plano A.E. Arquidiocese de Curitiba).


Segundo o Catecismo da Igreja Católica: “O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por ‘estarem intimamente ligados à ação litúrgica’, segundo três critérios principais:


a beleza expressiva da oração,


a participação unânime da assembléia nos momentos previstos


o caráter solene da celebração.


“Quanto mais uma obra musical se insere e se integra na ação litúrgica e em seus diversos ritos, aqui e agora e na celebração comunitária, tanto mais é adequada ao uso litúrgico.


Ao contrário, quanto mais uma obra musical se emancipa do texto, do contexto, das leis e ritos litúrgicos, muito embora se torne demonstração de arte e de cultura ou de saber humano, tanto mais é imprópria ao uso litúrgico”.


Assim, podemos perceber que o canto é extremamente importante na Celebração dos Santos Mistérios, de forma especial da Santa Missa e da Liturgia das Horas. A Igreja nunca deixou de afirmar, mas sempre salientou e o continua fazendo de que há uma maior nobreza e solenidade ao usar o canto da Liturgia, sendo a música sempre sua expressão profunda.


–A primeira regra: é que os cantos da Santa Missa devem ser escolhidos segundo o Tempo Litúrgico, a tônica da Celebração e seu próprio lugar dentro dela.


–A outra norma geral é que, há sempre necessidade de fidelidade às normas litúrgicas ao se escolher os cantos, especialmente ao não se substituir hinos litúrgicos por outros cânticos.


– Uma terceira regra geral é que é um direito de todo cristão católico ter música de boa qualidade e idônea na celebração da Santa Missa.


2. O QUE SE CANTA?


2.1. Critérios básicos


Um elemento importantíssimo no cantar litúrgico é a escolha do repertório. Não estamos num show, numa apresentação artística, numa orquestra, numa roda de amigos ou num cursinho. Estamos celebrando o MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO e nosso canto deve manifestar o que celebramos.


Alguns critérios são básicos na escolha das músicas:


a) Letra: os textos sejam tirados da Sagrada Escritura ou inspirado nela e nas fontes litúrgicas. Sejam poéticos e refiram-se ao tempo e ao momento litúrgico que se celebra. 


b) Música: seja acessível à grande maioria da assembleia, mas que seja bela e inspiradora. Evitem-se melodias de filmes, novelas, músicas populares e seculares.


c) Levem-se em conta: tempo litúrgico, cultura do povo, dimensão comunitária da assembleia.


2.2. Canto religioso e canto litúrgico


O que se precisa ter claro é que nem todo canto religioso (e que pode, por isso mesmo, ser usado na oração pessoal ou comunitária, em retiros, reuniões, encontros, shows, grupos de oração etc). é adequado para a liturgia. Há cantos belíssimos que NUNCA poderão ser usados, corretamente, numa celebração litúrgica.


É necessário que se entenda que para ser considerada música litúrgica, não basta que a música tenha uma letra bonita (até emocionante) e uma melodia agradável.


“A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida à ação litúrgica, quer como expressão mais suave da oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados.” (SC 112).


3. QUEM CANTA?


É preciso ter em conta que antes de qualquer pessoa exercer um ministério litúrgico, é participante da assembleia celebrante. Por isso, músicos e cantores devem lembrar-se que devem participar da missa e não meramente exercer uma função.


Por isso, é essencial que, com toda assembleia, responsam a missa, ouçam em silêncio as leituras, tenham postura condizente com o mistério do qual participam e no qual exercem um serviço.


4. O CANTO NA CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA


A celebração do Mistério Pascal de Cristo, na Sagrada Liturgia da Missa é o centro de toda a vida da Igreja. Como dito, também o cantar na celebraçãolitúrgica deve auxiliar na promoção de uma assembleia que participe ativa, consciente e frutuosamente da liturgia.


É preciso que se diferenciem as músicas que se cantam na liturgia:


a) Algumas músicas constituem o próprio rito, isto é, são o rito. O cantar é a única ação do presidente e da assembleia e, por isso mesmo, constitui um rito próprio. É o caso do Sinal da Cruz e saudação, Kyrie Eleison, do Glória, Salmo Responsorial, Creio, orações (como oração do dia, oração sobre as oferendas, oração depois da comunhão, oração da paz, Oração Eucarística), Prefácio, Santo, Aclamação Memorial, Doxologia (Amém), Pai Nosso, respostas da Oração Eucarística e Cordeiro de Deus. 

Estas podem ser adaptadas, mas nunca substituídas por outro canto com letra diferente.


b) Outras músicas acompanham o rito, isto é, durante algum rito litúrgico a comunidade entoa um canto enquanto o presidente realiza outra ação. É o caso do Canto de Entrada, Apresentação das Oferendas, Canto de Comunhão e Canto Final.


Em quase toda a liturgia há a possibilidade de se introduzir o canto. Por isso, a melhor maneira para que se entenda o canto na celebração da missa é a análise cada momento da celebração em que a música sacra tem lugar.


4.1 Ritos Iniciais


– Canto de Abertura


É o canto que, comumente, chama-se Canto de Entrada, já que ele acompanha a Procissão de Entrada do presidente e da Equipe de celebração. A principal finalidade deste canto é congregar, isto é, unir a assembleia, introduzindo-a no mistério celebrado. Para cumprir bem esta missão, deve estar em sintonia com o tempo do ano litúrgico, com o tipo de celebração, com a composição da assembleia. A procissão de Entrada acompanhada do canto é, propriamente, o primeiro ato litúrgico da Santa Missa

No Tempo Pascal deve falar da ressurreição, no Advento deve falar da expectativa da vinda do Salvador, no Tempo do Natal deve falar da encarnação e do nascimento de Cristo, na Quaresma deve falar sobre penitência, reflexão e mudança de vida.


– Saudação Inicial


O presidente pode cantar o sinal da cruz e a saudação inicial, desde que sempre prevaleça o aspecto dialógico da celebração e a forma trinitária revelada.


– Ato Penitencial e Kyrie Eleison


Momento de exaltar a misericórdia divina. O canto deve inspirar-se no Kyrie Eleison ou no Confesso a Deus.


– Há também a possibilidade da substituição do Ato Penitencial pela Aspersão. Neste caso, o canto de um salmo ou canto batismal será o mais adequado.


– Hino de Louvor


O Glória não é um hino trinitário, mas cristológico. Por isso, deve-se atentar para a escolha do texto a ser usado. Use-se a letra oficial do Missal Romano ou uma letra que esteja baseada nesta, aprovada pela Conferência Episcopal.


– Oração do Dia


O presidente pode cantar a oração do dia. No final, todos aclamam cantando o Amém.


4.2. Liturgia da Palavra


– Leituras


As leituras podem ser cantadas, se houver um leitor com habilidade para isso, prezando-se pela compreensão das mesmas por toda assembleia. Normalmente são lidas. É possível que nas solenidades maiores a aclamação final “Palavra do Senhor” seja feita em canto.


– Salmo Responsorial


O Salmo Responsorial deve ser, por sua natureza, cantado. Se for impossível cantar todo o salmo cante-se ao menos o refrão. Atente-se em conservar a letra do Lecionário. Pode-se, no entanto, utilizar uma versão do Salmo Responsorial dos Hinários Litúrgicos, com tradução diferenciada. Pode-se cantar de forma direta ou indireta. Ele é 'responsorial' por que sua própria letra responde à primeira leitura que foi ouvida.


O Salmo é parte integrante da Liturgia da Palavra. Por isso, não pode ser omitido e nem substituído por outro canto “de meditação”. Aliás, vale destacar que Salmo é Palavra de Deus, é uma “leitura cantada”. Deve-se, portanto, evitar os convites: “Meditemos a primeira leitura com o Salmo”.


– Aclamação ao Evangelho


O Evangelho é o momento central de toda a Liturgia da Palavra. Por isso, é precedido de um canto de aclamação. Durante este canto, aclama-se a Palavra de Deus. Durante este canto, o presidente da celebração (ou um diácono ou um concelebrante) dirige-se ao ambão.


O canto ritual deste momento é o ALELUIA, seguido de uma antífona referente ao Evangelho que será proclamado. (Durante a Quaresma o canto o Aleluia é substituído por outra aclamação cristológica)


– Profissão de Fé


A profissão de fé pode ser cantada, mantendo-se a letra do Credo Apostólico ou do Credo Niceno-constantinopolitamo. Em nosso país dificilmente vemos esta prática, muito comum nas celebrações do Sumo Pontífice e nas Liturgias das Igrejas Orientais.


– Oração dos fiéis.


A resposta da oração dos fiéis pode ser cantada. Mantenha-se uma resposta fácil para que toda assembleia participe.


4.3. Liturgia Eucarística


– Apresentação das Oferendas


Este momento é composto pela procissão e pela apresentação das oferendas. Normalmente ele se estende durante toda a procissão, preparação do altar e apresentação das oferendas. Neste caso, o sacerdote realizará a ação ritual em voz baixa.

Eventualmente, pode ser entoado somente durante a procissão das oferendas e a preparação do altar. Neste caso, o sacerdote reza ou canta as orações de apresentação em voz alta e a assembleia aclama com o “Bendito seja Deus para sempre”.


Nos casos em que a apresentação dos dons é feita em voz alta, sempre pode-se continuar cantando após a apresentação do vinho, até o final do Lavabo. O canto da apresentação das oferendas deve favorecer o espírito de alegria, partilha e união, gerando nos fiéis espírito de generosidade e atenção ao mistério que se inicia. Não precisa falar de pão e vinho, pode falar do tema da liturgia ou do oferecimento da própria Cristo.

Esse momento se chama apresentação das oferendas e não ofertório, como se dizia antigamente.

Estamos apenas preparando a oferta, ela só será feita após a Consagração.


– Cantos presidenciais


O sacerdote pode cantar os textos que compõe a liturgia eucarística quase em sua totalidade. Neste caso, as respostas do povo seriam, da mesma forma, cantadas. É bom que aquilo que o sacerdote canta, seja respondido em canto.


– Santo


É um dos pontos altos da Liturgia Eucarística. É conveniente que seja cantado, ainda que haja a possibilidade de ser rezado. A letra deve obedecer à do Missal Romano. Permitem-se adaptações, desde que não alterem demasiadamente o texto.


– Aclamações da Oração Eucarística


As aclamações da Oração Eucarística podem ser cantadas pela assembleia. Neste caso, obviamente, conservem-se os textos oficiais das anáforas.


– O Amém da Doxologia Final


Mesmo que digamos o “Amém” em outros momentos da missa, este momento é de um significado particular. Significa a adesão plena ao sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai no Espírito Santo. É conveniente que seja cantado com frequência.


– O Pai nosso


A oração do Senhor, que é presente em todas as celebrações, pode ser cantada. Mas atente-se que a letra mantenha-se inalterada e que toda a assembleia cante.


– Abraço da Paz


Após a oração “Senhor Jesus Cristo…” o sacerdote pode convidar o povo para cumprimentar-se com o sinal da paz. É comum cantar-se, neste momento, um canto relacionado com paz, com cumprimento, mas não existe oficialmente.


No entanto, tal costume deve ser evitado, já que a Instrução Redemptionis Sacramentum(2004) orienta:


“Convém que cada um dê a paz, sobriamente, só aos mais próximos a si. O sacerdote pode dar a paz aos ministros, permanecendo sempre dentro do presbitério, para que não perturbe a celebração. Faça-se do mesmo modo se, por uma causa razoável, deseja dar a paz a alguns fiéis. Nem se execute qualquer canto para dar a paz, mas sem demora se recite o Cordeiro de Deus.” (n.72)


– Cordeiro de Deus


É um canto ritual na celebração. Deve ser constantemente cantado. A letra deve ser mantida e o canto realizado durante a fração do pão.


– Canto de Comunhão


É o canto que acompanha a comunhão dos fiéis. “Exprime, pela unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes, demonstra a alegria dos corações e realça a índole ‘comunitária’ da procissão para receber a Eucaristia”. (IGMR 86). Não é exigido que este canto seja entoado por todo o povo. Não precisa falar obrigatoriamente sobre a comunhão, sobre o Corpo e o Sangue de Cristo, sobre o pão da vida, pão do céu ou qualquer outro tema que faça referência ao mistério da Eucaristia.


– Ação de Graças


“Terminada a distribuição da comunhão, se for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio. Se desejar, toda assembleia pode entoar, ainda, um salmo ou outro canto de louvor ou hino.” (IGMR 88)


4.4. Ritos Finais


– Oração e Bênção Final


Como a grande parte das falas do presidente, estas partes podem ser cantadas.


– Canto final


É o canto que acompanha o regresso da equipe de celebração à sacristia e a saída do povo. Não é um canto obrigatório. Se cantado, deve expressar a alegria da missão que inicia ou relembrar ao povo o mistério que acabou de ser celebrado. Deve levar a assembleia a evangelizar.


5. O USO DE PROJETORES MULTIMÍDIA


A CNBB pronunciou-se em 2010 sobre os abusos referentes ao uso dos projetores multimídia. Em suma, vale o seguinte: o projetor pode ser usado na Celebração Eucarística para projetar os cantos. Não figuras, não desenhos, não orações da Santa Missa. Apenas as letras dos cantso. Algumas sugestões:


a) Fundo preto com letra branca.

b) Não utilizar nenhum desenho, figura, gravura, etc.


c) Projetar apenas os cantos e orações específicas (antes da missa, dízimo, etc)


d) Nunca projetar as leituras bíblicas ou a Oração Eucarística.


e)  Nos momentos em que não se estiver utilizando, deixa-se o fundo preto.


6. CONCLUSÃO


O mais essencial de tudo é a compreensão da música como parte integrante da Missa. Assim, procurar cantar a missa ao invés de cantar na missa parece ser uma maneira interessante de melhorar a qualidade de nosso cantar litúrgico.


Ademais, vale recordar que o cantor não está fazendo um show, mas está sendo ministro, isto é, servidor. Se a músicanão condiz com o momento celebrado, não condiz com a comunidade, não condiz ao que a Igreja determina: ela não serve para a liturgia. Pode ser belíssima, mas para a liturgia não serve.


Que nosso cantar seja verdadeiramente litúrgico e uníssono, que seja, de fato, oração elevada musicalmente ao coração de Deus.


QUAIS CANTOS SÃO PERMITIDOS E QUAIS SÃO OMITIDOS EM CADA TEMPO LITÚRGICO


Tempo do Advento: 04 Domingos - cantam-se todos os ordinários e cantos próprios para o Natal e para os temas de cada domingo

Omite-se o Glória


Canto para as Velas do Advento


Natal: 24/25 de dezembro: cantam-se todos os ordinários e cantos apropriados para o Natal

Tempo de Natal: cantam-se todos os ordinários e cantos próprios para o Natal e para os temas de cada Domingo.

1º Domingo: Sagrada Família


2º Domingo: Santa Mãe de Deus


3º Domingo: Epifania (Reis Magos)


4º Domingo: Batismo do Senhor


Tempo Comum 1ª Parte – 5 a 9 semanas

Canta-se tudo, seguindo a liturgia


Quaresma: 05 semanas iniciando na Quarta feira de Cinzas - cantam-se todos os ordinários e cantos próprios para os temas de cada domingo


Quarta feira de Cinzas: convite

1º domingo: tentação

2º domingo: transfiguração

3º domingo: Mulher Samaritana (ano A) / expulsão dos vendilhões (ano B) / figueira estéril (ano C)

4º domingo: cura do cego (ano A) / encontro com Nicodemos (ano B) / filho pródigo (ano C)

5º domingo: ressurreição de Lázaro (ano A) / grão de trigo que cai na terra deve morrer (ano B) / mulher adúltera (ano C)

Omite-se o Glória


Canto de aclamação ao Evangelho apropriado, não se canta o Aleluia


Cantos da Campanha da Fraternidade


Semana Santa:

Domingo de Ramos: Missa da Paixão do Senhor


Cantos apropriados

Omite-se o Glória


Quinta Feira Santa: Última Ceia – Instituição da Eucaristia


Canta-se o Glória

Cantos próprios para o dia

Não tem canto final, assembleia sai em silêncio.


Sexta Feira Santa: Celebração da Paixão


Cantos próprios

Não tem canto final, assembleia sai em silêncio, assim como na quinta.


Sábado Santo: Vigília Pascal 


Cantam-se todos os ordinários

Cantos próprios para o dia e de Páscoa


Tempo Pascal: inicia com o Domingo de Páscoa

Domingos de Páscoa – cantam-se todos os ordinários e cantos de Páscoa


Ascensão do Senhor – cantam-se todos os ordinários e cantos de Páscoa


Pentecostes – cantam-se todos os ordinários e cantos do Espírito Santo


Tempo Comum: cantam-se todos os ordinários e se possível cantos combinando com a liturgia da semana

1º Domingo após Pentecostes: Santíssima Trindade


Último Domingo: Cristo Rei


Algumas observações e sugestões da Ir. Miria Kolling:


É preciso dar a Deus o melhor e mais digno.

Ninguém ama o que não conhece. Estudem, aprofundem seus conhecimentos litúrgicos musicais, para servir melhor.

Preparem bem as celebrações, evitando a improvisação. Não se improvisa uma festa, muito menos a festa do Senhor.

Saibam-se ministros, servidores, não donos da liturgia.

5. Tenham entusiasmo, isto é, estejam em Deus!


Não desanimem diante das dificuldades, dos obstáculos, venham de onde vierem.

7. Enfim é importante que as equipes de liturgia e celebração ajudem de fato, para que a celebração litúrgica seja o verdadeiro encontro de irmãos entre si e com o Deus libertador.


 


COLABORAÇÂO:


Pe. Emmanuel P. Cardozo


BIBLIOGRAFIA

CNBB. Guia litúrgico pastoral. 2.ed. Brasília: Edições CNBB.

CNBB. Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário: Texto oficial. Brasília: Edições CNBB, 2008.

FONSECA, Joaquim. Cantando a missa e o ofício divino. São Paulo: Paulus, 2005.

PAULUS (org.). Documentos sobre a músicalitúrgica. São Paulo: Paulus, 2005.

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Instrução Redemptionis Sacramentum. São Paulo: Paulus, 2004.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Pronomes 1 e 2 - emprego, formas de tratamento e colocação

 O que é PRONOME?

Os "Pronomes" constituem uma categoria de palavras tão importante quanto a dos substantivos. Eles podem servir como uma espécie de curinga, sendo usados para substituir um substantivo. Pode ainda se referir a um substantivo, ou acompanhá-lo qualificando-o de alguma maneira. Variáveis em gênero e número, os pronomes concordam com o substantivo ao qual substituem, se referem ou qualificam. 


3  FUNÇÃO: O pronome tem duas funções fundamentais:

Substituir o nome Nesse caso, classifica-se como pronome substantivo e constitui o núcleo de um grupo nominal. Ex.: Quando cheguei, ela se calou. (ela é o núcleo do sujeito da segunda oração e se trata de um pronome substantivo porque está substituindo um nome)


4  Pronomes Pessoais

São aqueles que substituem os nomes e representam as pessoas do discurso:

1ª pessoa - a pessoa que fala - EU/NÓS

2ª pessoa - a pessoa com que se fala - TU/VÓS

3ª pessoa - a pessoa de quem se fala - ELE/ELA/ELES/ELAS Pronomes pessoais retos : são os que têm por função principal representar o sujeito ou predicativo. 


5  Pronomes oblíquos - funcionam como complemento ou adjunto

Associação de pronomes a verbos: Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando associados a verbos terminados em -r, -s, -z, assumem as formas lo, la, los, las, caindo as consoantes.

Ex.: Carlos quer convencer seu amigo a fazer uma viagem.        Carlos quer convencê-lo a fazer uma viagem.

Quando associados a verbos terminados em ditongo nasal (-am, -em, -ão, -õe), assumem as formas no, na, nos, nas. Ex.: Fizeram um relatório.        Fizeram-no.


6  Os pronomes oblíquos podem ser reflexivos e quando isso ocorre se referem ao sujeito da oração. Ex.: Maria olhou-se no espelho Eu não consegui controlar-me diante do público.

Antes do infinitivo precedido de preposição, o pronome usado deverá ser o reto, pois será sujeito do verbo no infinitivo Ex.:O professor trouxe o livro para mim.(pronome oblíquo, pois é um complemento) O professor trouxer o livro para eu ler.(pronome reto, pois é sujeito)


7  Pronomes de tratamento

São aqueles que substituem a terceira pessoa gramatical. Alguns são usados em tratamento cerimonioso e oficial e outros em situações de intimidade. Conheça alguns:

você (v.) : tratamento familiar 

senhor (Sr.), senhora (Srª.) : tratamento de respeito 

senhorita (Srta.) : moças solteiras 

Vossa Senhoria (V.Sª.) : para funcionários graduados e na linguagem comercial

Vossa Magnificência (V.Mag.ª): para reitores de universidades

Vossa Excelência (V.Exª.) : para altas autoridades e oficiais-generais

Vossa Reverendíssima (V. Revmª.) : para sacerdotes 

Vossa Eminência (V.Emª.) : para cardeais 

Vossa Santidade (V.S.) : para o Papa e o Dalai Lama

Vossa Majestade (V.M.) : para reis e rainhas 

Vossa Majestade Imperial (V.M.I.) : para imperadores 

Vossa Alteza (V.A.) : para príncipes e duques


8  1- Os pronomes e os verbos ligados aos pronomes de tratamento devem estar na 3ª pessoa.

Ex.: Vossa Excelência já terminou a audiência? (nesse fragmento se está dirigindo a pergunta à autoridade)

2- Quando apenas nos referimos a essas pessoas, sem que estejamos nos dirigindo a elas, o pronome "vossa" se transforma no possessivo "sua". Ex.: Sua Excelência já terminou a audiência? (nesse fragmento não se está dirigindo a pergunta à autoridade, mas a uma terceira pessoa do discurso)


9  Pronomes Possessivos

Fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Concordam em gênero e número com a coisa possuída.

São pronomes possessivos da língua portuguesa as formas:

1ª pessoa: meu(s), minha(s) nosso(a/s);

2ª pessoa: teu(s), tua(s) vosso(a/s);

3ª pessoa: seu(s), sua(s) seu(s), sua(s).

Dele(s), dela(s) não são pronomes possessivos.


10  Quanto ao emprego, normalmente, vem antes do nome a que se refere; podendo, também, vir depois do substantivo que determina. Neste último caso, pode até alterar o sentido da frase.

O uso do possessivo seu (a/s) pode causar ambiguidade, para desfazê-la, deve-se preferir o uso do dele (a/s), de você, do senhor ou da senhora (Ele disse que Maria estava trancada em sua casa - casa de quem?); pode também indicar aproximação numérica (ele tem lá seus 40 anos).

Além disso, podem indicar afeto, respeito ou ofensa.

Já nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem valor de posse por ser uma alteração fonética de Senhor.


11  Pronomes Demonstrativos

Demonstrativos são pronomes que demonstram, ou seja, evidenciam o lugar onde um ser se encontra no espaço, no tempo ou no próprio texto, em relação às pessoas do discurso. Podem ser variáveis (flexionadas em gênero e número) ou invariáveis. Vejamos o quadro:


12   Primeira pessoa: Este, estes, esta, estas, isto.

Segunda pessoa: Esse, esses, essa, essas, isso. 

Terceira pessoas: Aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo.


13  Pronomes Indefinidos

Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou genérico, representando pessoas, coisas e lugares. Alguns também podem dar idéia de conjunto ou quantidade indeterminada. Em função da quantidade de pronomes indefinidos, merece atenção sua identificação.


14  São pronomes indefinidos de:

pessoas: quem, alguém, ninguém, outrem, fulano, sicrano, beltrano;

lugares: onde, algures, alhures, nenhures;

pessoas, lugares, coisas: que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a), nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s), pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), qualquer (s), bastante (s), cada.


15  Sobre o emprego dos indefinidos devemos atentar para:

algum, após o substantivo a que se refere, assume valor negativo (= nenhum) (Computador algum resolverá o problema), e na linguagem popular e até por escritores de renome, pode significar dinheiro (Você tem algum para emprestar?);

cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral, na ausência deles, usa-se cada um ou cada qual (Elas receberam 3 balas cada uma);

alguns pronomes indefinidos, se vierem depois do nome a que estiverem se referindo, passam a ser adjetivos. (Certas pessoas não podem ser eleitas / Precisamos eleger as pessoas certas)

bastante pode vir como adjetivo também (= suficiente), se estiver determinando algum substantivo, unindo-se a ele por verbo de ligação (Isso é bastante para mim);

qualquer é sempre pronome de sentido afirmativo, nas frases negativas deve se usar nenhum(a); depois do substantivo, tem valor pejorativo.


16  Pronomes relativos

São aqueles que representam nomes que já foram citados e com os quais estão relacionados. O nome citado denomina-se  ANTECEDENTE do pronome relativo.

Ex.: "A rua onde moro é muito escura à noite." onde: pronome relativo que representa "a rua" a rua : antecedente do pronome "onde"


17  O pronome relativo QUEM sempre possui como antecedente uma pessoa ou coisas personificadas, vem sempre antecedido de preposição e possui o significado de "O QUAL"

Ex.: "Aquela menina de quem lhe falei viajou para Paris." Antecedente: menina Pronome relativo antecedido de preposição: de quem


18  Pronomes interrogativos

Os pronomes interrogativos são indefinidos e usados para formular perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. São eles: que, quem, qual, quais, quanto(s), quantas(s).  • Perguntas diretas são aquelas iniciadas por palavra interrogativa e emprego de ponto de interrogação.  • Perguntas indiretas são aquelas que são iniciadas por verbos próprios para interrogar e terminam com ponto final.  Vejamos: Qual tema você defenderá na sua monografia? (interrogativa direta)  Fale para nós qual o tema da sua monografia. (interrogativa indireta)


19  Os pronomes interrogativos podem ser ainda: substantivos ou adjetivos quando acompanhados de um substantivo:

 Observe: 

1. Quem lavou minhas roupas? = pronome substantivo. 

2. Quantos meses faz que você não lava sua roupa? = pronome adjetivo.  Na primeira oração o pronome interrogativo substitui um possível substantivo na resposta à pergunta: “Quem lavou?” “Alguém lavou: mãe, pai, serviço de lavanderia, etc”.  Na segunda oração temos o pronome adjetivo “quantos”, pois acompanha o substantivo “meses”.

 Colocação Pronominal
Na utilização prática da língua, a colocação dos pronomes oblíquos é determinada pela eufonia, isto é pela boa sonoridade da frase.
Por isso, em certos casos, podem ocorrer diferenças entre o que a norma gramatical propõe e o que realmente se usa.
Vamos ver, a seguir, as principais orientações para o emprego dos pronomes na língua culta.

4  Colocação pronominal
Os pronomes oblíquos átonos são: me, te, se, nos, vos, o, a, os, as, lhe, lhes.
Na frase, esses pronomes podem, dependendo de certos fatores, aparecer em três diferentes posições em relação ao verbo: antes, no meio ou depois.
Vamos ver, a seguir, as principais orientações para o emprego dos pronomes oblíquos na língua culta.

5  Próclise  Quando o pronome está antes do verbo.
1. Usa-se a próclise quando há palavras que, por eufonia “atraem” o pronome para antes do verbo. São elas:
a) Palavras de sentido negativo (não, nada, nem, nunca, ninguém, jamais...)
Ex.: Nunca me convidam para festas.
b) Advérbios, não seguido de vírgula (hoje, aqui, sempre, talvez, muito, realmente, já, lá etc.)
Ex.: Assim se resolvem os problemas.
c) Conjunções subordinativas (que, quando, embora, se, como, conforme, porque, etc).
Ex.: Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.

6  d) Os seguintes pronomes:
* Relativos (que, quem, cujo, onde, qual, quanto, como, quando, etc.)
Ex.: Não encontrei o caminho que me indicaram.
* Indefinidos: (alguém, tudo, ninguém, outros, muitos, todos, poucos, etc.)
Ex.: Tudo se acaba na vida.
* Demonstrativos: (este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, etc.)
Ex.: Isso lhe fez muito bem.

7  2. A próclise é também usada em frases interrogativas iniciadas por pronome ou advérbio interrogativo, exclamativas iniciadas por palavra exclamativa e optativas (frases que exprimem desejo).
Ex.: Quem te disse que ele não viria? (frase interrogativa)
Quanto me custa dizer a verdade! (frase exclamativa)
Deus te proteja! (frase optativa)
3. Também se usa próclise em frases com a preposição em + verbo no gerúndio e quando o verbo é proparoxítono.
Ex.: Em se tratando de cinema, prefiro comédias.
Nós a encontráramos antes de ele chegar.
4. Em frases com preposição + infinitivo flexionado (isto é, conjugado).
Ex.: A situação levou-os a se posicionarem contra a greve.

8  Casos facultativos de próclise
Pode-se utilizar tanto a próclise quanto a ênclise:
1. Com pronomes pessoais do caso reto, possessivos e de tratamento, substantivos, numerais e conjunções coordenativas, desde que não precedidos de palavra atrativa.
Ex.: Eu lhe obedeço. (próclise)
Eu obedeço-lhe. (ênclise)
b) Com infinitivo não flexionado precedido de preposição ou palavra negativa.
Ex.: Vim para te apoiar. (próclise)
Vim para apoiar-te. (ênclise)
Espero não o encontrar. (próclise)
Espero não encontrá-lo. (ênclise)

9  Mesóclise Quando o pronome está no meio do verbo.
Essa colocação pronominal é obrigatória quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
Ex.: Convidar-me-ão para a solenidade de posse da nova diretoria.
Convidar-te-ia para viajar comigo, se pudesse.
Observações:
1ª) Se o verbo no futuro vier precedido de alguma palavra que exija a próclise, desfaz-se a mesóclise. Ex.: Não me convidarão para a solenidade de posse da nova diretoria. Sempre te convidaria para viajar comigo, se pudesse.
2ª) Se o verbo no futuro não iniciar a oração, a mesóclise é opcional.
Ex.: Meus amigos me chamarão para o evento.
ou
Meus amigos chamar-me-ão para o evento.
3) Com esses tempos verbais jamais ocorre a ênclise.
4) A mesóclise é uma colocação exclusiva da língua culta e da modalidade literária, não ocorrendo na fala espontânea de nenhum falante, a menos que seja intencional. Geralmente é substituída por uma locução verbal formada pelo verbo auxiliar ir.
5) Deve ser evitada em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.

10  Ênclise  Quando o pronome está depois do verbo.
 É a colocação normal do pronome na língua culta.
A ênclise é usada principalmente nos seguintes casos:
1. Quando o verbo inicia a oração.
Ex.: Entregou-me os documentos hoje.
2. Com o verbo no imperativo afirmativo
Ex.: Por favor, diga-nos o que aconteceu.

11  Observações
1ª) Se o verbo que inicia a oração estiver no futuro, usa-se a mesóclise.
Ex.: Entregar-te-ei os livros amanhã.
2ª) De acordo com os padrões da norma culta, não se deve iniciar uma oração por pronome oblíquo, exceto sob licença poética ou quando se pretende reproduzir a fala coloquial.
3ª) Somente os pronomes pessoais retos podem iniciar uma oração. Quando o se não é pronome, mas conjunção, também pode iniciar. 
4ª) Veja no entanto, no texto a seguir, o que o escritor modernista Oswald de Andrade pensava a respeito dessa regra gramatical.

12  Pronominais Oswald de Andrade
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

14  Em relação aos tempos compostos e às locuções verbais
O pronome oblíquo pode vir:
Enclítico em relação ao verbo principal, se este vier no infinitivo ou no gerúndio.
Ex.: Eu quero contar- lhe a verdade.
Proclítico ou enclítico em relação ao verbo auxiliar.
Ex.: Eu lhe quero contar a verdade.
Eu quero-lhe contar a verdade.
Mesoclítico, se o auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
Ex.: Ter-lhe-ia contado a verdade, se a soubesse.

sábado, 28 de agosto de 2021

Chamada Sábado Cine - SBT 14:15 Sábado

 Chamada da sessão de cinema Sábado Cine, que vai ao ar todos os sábados às 14:15 após a série Eu, A Patroa e as Crianças

Chamada Aventura Selvagem - SBT 22:30 Sábado

 Chamada do programa Aventura Selvagem, que vai ao ar todos os sábados às 22:30 após o Boletim de Ocorrências

Chamada 1 Contra 100 - SBT 23:15 Quarta

 Chamada do programa 1 Contra 100, que vai ao ar todas as quartas às 23:15 após a novela Ana Raio e Zé Trovão

Indecente ou indescente?

 Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...