domingo, 29 de março de 2020

Jornal Correio da Paraíba - Esportes - 29 de março de 2020

Esportes - Paraíba: Domingo, 29 de março de 2020 / D1

Jon Jones é preso dirigindo embriagado e portando arma
Campeão do UFC tem vasto histórico de confusões na carreira, como um atropelamento e ainda uma longa suspensão por uso de doping

Um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos, Jon Jones voltou a criar problemas e aparecer nas páginas policiais. O campeão dos meio-pesados (até 93 kg) do UFC foi detido nessa quinta-feira (26), em Albuquerque, nos Estados Unidos, por dirigir embriagado e fazer uso negligente de uma arma de fogo.

Segundo boletim da polícia, divulgado pelo site MMA Fighting, Jones foi abordado e estourou o limite nos testes do bafômetro. Ao deterem o lutador, as autoridades encontraram uma arma de fogo e uma garrafa de bebida dentro do veículo dele.

De acordo com a polícia, alguns disparos de arma de fogo foram ouvidos instantes antes de Jones ser encontrado no banco do condutor do veículo. O lutador negou que tenha sido autor dos tiros e alegou desconhecer a procedência da acusação.

Um dos responsáveis pelo caso, Gilber Gallegos, afirmou, então, que será realizada uma perícia para verificar se as cápsulas encontradas coincidem com os projéteis da arma encontrada no carro de Jon Jones.

Histórico de confusões

Com uma carreira vitoriosa no MMA, Jones acumula confusões fora do octógono. Em 2012, o lutador foi detido, também em Albuquerque, sob a influência de álcool. Em 2015, ele também teve problemas com a polícia após atropelar uma pessoa e fugir do local sem prestar assistência à vítima.

Em 2018, depois de cumprir suspensão por doping, o atleta retomou a carreira e continuou a trajetória de sucesso dentro do UFC. Desde então, ele lutou quatro vezes, vencendo todas elas.

D2

Em quarentena, jogadores têm apoio da família para passar tempo
Neymar grudado com Davi Lucca; Messi com Tiago, Mateu e Ciro; Dani Alves faz exercício com esposa Joana; veja como atletas passam tempo em casa

D3

Amandinha é eleita a melhor do mundo pela sexta vez
Jogadora da seleção brasileira de futsal recebeu 789 votos

A cearense Amanda Lyssa de Oliveira Crisóstomo, conhecida como “Amandinha”, recebeu nessa quinta-feira (26) o prêmio de melhor jogadora de futsal do mundo. A atleta de 24 anos, jogadora da seleção brasileira e da equipe do Leoas da Serra, de Lages (SC), teve 789 votos contra os 623 da espanhola Ana Sevilla Luján na premiação Umbro Futsal Awards – principal da modalidade – promovida pelo site Futsal Planet.

Demais brasileiros vencedores

Leonardo de Melo Vieira Leite “ Higuita “, brasileiro naturalizado cazaque, foi escolhido o melhor goleiro com 693 pontos. Em segundo ficou o espanhol Juan José Angosto Hernández “ Juanjo” com 673.

Carlos Wagner Ferrão, pivô brasileiro do Barcelona, levou o prêmio de melhor jogador do mundo com folga. Conseguiu 958 pontos, 322 a mais do que o segundo, o espanhol Adolfo Fernández Díaz.

Leonardo Caetano Silva, o “ Leozinho “, ala do Magnus, foi eleito o melhor jogador jovem. Teve 580 pontos contra os 559 do espanhol Antônio Pérez Ortega. Mesmo decepcionando em algumas competições recentes, a seleção brasileira foi escolhida como a melhor do mundo. Portugal e Espanha ficaram logo abaixo.

D4

Adiamento gera impasses para realização de Jogos em 2021
Especialistas falam das dificuldades esportivas e burocráticas

O adiamento inédito dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio para 2021, por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), deu alívio à maioria dos atletas, mas ocasionou também vários impasses para a viabilização do evento no ano que vem. Para entender melhor tais dificuldades, a reportagem consultou a opinião de diversos especialistas.

Aspectos esportivos
Antes do adiamento dos Jogos, o Brasil tinha 178 atletas garantidos nas Olimpíadas em 25 modalidades. Após a mudança da data de realização do evento, as incertezas tomaram conta desse processo. Bárbara Schausteck de Almeida, doutora em educação física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica como a situação afeta os esportistas. “É um desafio para todos. Alguns atletas têm sua carreira toda programada para ter seu pico de desempenho em uma edição olímpica. Nem sempre é possível prolongar esse desempenho por mais tempo, mesmo que um ano pareça pouco”, disse. Ela considera importante que os responsáveis definam o quanto antes o novo período de realização dos Jogos. “Não apenas pelo clima em si, mas, principalmente, pelo tempo de preparação. É diferente planejar um treinamento para que o auge físico aconteça em seis, nove ou 12 meses. Sem dúvida, o COI [Comitê Olímpico Internacional] vai sofrer pressão de todos os lados para que essa decisão aconteça o mais rápido possível.”

O Comitê Olímpico mudou muito desde 1984. A partir daquela edição, a questão do “amadorismo” começou a ser deixada de lado. Até ser abandonada em quase todas as modalidades. A professora também falou sobre isso. “Esse adiamento é inédito. Muito significativo na preparação esportiva. Imagino que todas as federações estejam avaliando os impactos em suas modalidades e proponham as mudanças que entendam ser necessárias. O nível atual de profissionalismo é tão grande que não permite uma preparação de apenas um ano. Os atletas, equipes e federações se planejam com quatro, oito anos de antecedência”.

Outra polêmica é o apelo que já vem crescendo de atletas do futebol para que a idade limite do torneio olímpico seja alterada de 23 para 24 anos. “É preciso bom senso para não prejudicar os atletas. Retirar os jogadores por questão de idade nesse momento traria um prejuízo grande às seleções. Isso, é claro, no contexto desse adiamento dos Jogos em um ano.”

No entanto, tais definições não são aguardadas apenas pelo mundo olímpico nacional. Elas também são esperadas pelos quase 230 atletas já classificados em 14 modalidades para as Paralimpíadas de Tóquio e vários outros que ainda brigam por vagas no principal evento esportivo mundial. O grupo espera, principalmente, pela definição da nova data do evento. O diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Alberto Martins, também se posicionou a respeito. “Não acredito que as Paralimpíadas sejam realizadas antes de maio. No inverno, que é bastante rígido, dificilmente isso deve ocorrer. Mas é claro que a expectativa de todos se manterá grande”.

Martins lembra também que o esporte paralímpico tem um diferencial importantíssimo: a classificação funcional (índices que dividem os atletas conforme as suas deficiências em cada uma das modalidades). “O Comitê Paralímpico Internacional [IPC] já definiu que lá em Tóquio não teremos bancas classificatórias. Isso quer dizer que todos os atletas devem chegar lá com essa questão já definida. Nós temos alguns atletas ’em situação de revisão de classe’, como a velocista Verônica Hipólito. E tem também a questão dos ‘atletas new‘ (atletas que chegaram há pouco tempo ao paradesporto e ainda não passaram por nenhuma classificação). Um dos principais casos aqui no Brasil é do nadador paulista Gabriel Bandeira. As classificações e reclassificações acontecem em competições chanceladas pelo IPC ao redor do mundo e muitas delas foram canceladas pela pandemia da Covid-19. Essa é uma preocupação que a gente tem, sem dúvida”, afirma Martins.

Segundo o diretor técnico, o CPB aguarda a definição do novo cronograma do IPC para retomar os eventos no CT Paralímpico da capital paulista, local que está fechado desde o ínicio da crise. “Tivemos que adiar vários torneios, como o Open de Natação e Grand Prix de Atletismo. Mas, passando esses problemas, vamos retomá-los. E as bancas devem estar presentes aqui no Brasil para fazer essas reclassificações”, esclarece.

Na parte esportiva, o dirigente ressalta também que o comitê estará ao lado dos atletas classificados e daqueles que ainda buscam índices. “Já estabelecemos marcas muito fortes para definir os classificados, principalmente no atletismo e na natação. Por isso, não teremos mudanças. Praticamente todos obtiveram as vagas em mundiais muito fortes. Mas temos vários atletas nessas e em outras modalidades que ainda estão em busca de vagas. Eles têm um certo alento de saber que não estarão se expondo, podem ficar um pouco mais tranquilos em relação à preparação. Mas a definição do novo cronograma do IPC é fundamental. E estamos esperando essa informação.”

Alberto Martins adiantou que na próxima semana o CPB vai lançar um material específico para orientar os atletas neste período de isolamento. “Vai ser um planejamento de acompanhamento dos atletas em casa. Queremos colocar a nossa equipe multidisciplinar perto deles para minimizar as perdas dessa parada nos aspectos fisiológicos, técnicos e, principalmente, psicológicos.”

Prejuízos
Estima-se que o prejuízo do Japão com o adiamento de Tóquio 2020 possa chegar a R$ 13 bilhões. Em entrevista ao jornal japonês Nikkei, o diretor executivo do Comitê Local, Toshiro Muto afirmou: “Não temos como precisar o valor. E quem vai pagar isso? Não preciso dizer que não serão discussões fáceis e não sabemos quanto tempo vão durar”. Em teleconferência com jornalistas do mundo todo nesta quarta-feira (25), o presidente do COI, Thomas Bach, afirmou que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se comprometeu a ajudar: “Todos vão ser impactados, não só os atletas. Temos que fazer desses Jogos um símbolo de união”, defendeu o dirigente do COI.

Anderson Gurgel, professor de marketing esportivo da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, fez uma análise do impacto financeiro da decisão tomada pelo COI e pelo governo japonês. “Esse anúncio traz alívio ao mundo esportivo, em função da pandemia da Covid-19, mas também traz apreensão e preocupações. Essa preocupação se sustenta no argumento anterior do COI de segurar a possibilidade de os Jogos ocorrerem este ano, pedindo aproximadamente um mês para confirmar o adiamento, por conta da complexidade de negociações e organização do evento. Mas, após cederem e aceitarem adiar as competições, eles não definiram em que mês de 2021 ocorrerá as Olimpíadas.”

A dificuldade se deve ao tamanho do evento, que conta com mais de 30 federações representando as modalidades participantes, sendo necessário para o Comitê Organizador conversar com todas, em busca de acertos completos. Sem falar da logística do país-sede. Uma das preocupações é a Vila Olímpica. Muitos apartamentos que iriam receber os atletas já estavam sendo negociados para serem entregues depois dos Jogos. Cerca de 25% das 5.632 acomodações já teriam sido vendidas. Os impactos financeiros também afetam acordos comerciais com patrocinadores e da transmissão do evento. “Para a NBC (canal de televisão americano), tem-se um vácuo no verão de programação de 2020, visto que os esportes dos Estados Unidos estarão ‘de férias’, e agora o grande evento do ano não mais acontecerá”, argumenta Gurgel. Porém, o professor pondera que, apesar de a notícia ser desagradável e incômoda, a decisão de adiar era a mais correta possível. “Os Jogos em 2021, em um contexto de um mundo mais pacífico, com a pandemia resolvida, devem ser realmente uma grande festa, um momento de confraternização, com atletas e espectadores no auge da emoção, que é o que evento sempre propõe e executa.”

Questões simbólicas
Pela primeira vez na história das Olimpíadas, o evento foi adiado, e o ineditismo da decisão também pode trazer consequências, considera a professora Katia Rúbio, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “É a quebra de um ritual sob o qual nasceram os Jogos Olímpicos, que é o respeito ao calendário quadrienal conforme acontecia na antiguidade. O único elemento que associa os Jogos da Era Moderna aos acontecidos na antiguidade, lá na Grécia, é essa construção simbólica sobre uma celebração que envolvia práticas atléticas, que tinha como finalidade honrar deuses. Nos tempos atuais, essa questão divina deixa de existir. Mas ela permanece com ritos simbólicos que fazem com que essa competição se diferencie de todas as demais competições que estão postas para a nossa sociedade. Diferentemente de uma Copa do Mundo, que também atrai um grande número de telespectadores, ou uma final de um Superbowl, o que nós temos nos Jogos Olímpicos é uma tradição mítica que, ao mudar a data original dos Jogos, acaba se perdendo. Esse esvaziamento simbólico, com essa transferência, coloca em risco a queda de importância dos Jogos Olímpicos do ponto de vista do imaginário popular. Podendo transformá-los em apenas mais uma competição esportiva.”

A pesquisadora destaca também a importância que eventuais mudanças na Carta Olímpica, que prevê os Jogos de quatro em quatro anos obrigatoriamente, podem acarretar ao movimento olímpico mundial: “Ao longo do século 20, a Carta Olímpica sofreu pequenas alterações. Na verdade, foram muito mais inclusões do que modificações. É um dos documentos mais longevos do século 20. Para que os Jogos aconteçam em 2021, a Carta Olímpica terá que ser alterada. E essa é uma questão que vai determinar muito dos rumos do que vai ser do olimpismo mundial. Se ela for modificada, definitivamente, será o fim do movimento. Agora, se houver alguma outra modificação, e eu acho que os dirigentes olímpicos vão ter de ser muito criativos para lidar com isso, ela vai determinar o curso do movimento olímpico no futuro.”

Sobre a ideia cogitada pelo COI de realizar os Jogos Olímpicos no ano que vem, mantendo a marca de Tóquio 2020, a professora é radicalmente contrária. “Fica claro que não serão Jogos Olímpicos. Será um Campeonato Mundial de todas as modalidades. Eles podem até usar os anéis olímpicos. Mas não serão Jogos Olímpicos”, disse.

Já Alberto Murray, advogado e ex-presidente da Comissão de Ética do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) avalia a questão de outra forma. “A ideia de manter a marca Tóquio 2020, mesmo com os Jogos sendo realizados no próximo ano, pode ser uma saída honrosa em virtude da situação toda que a humanidade está vivendo. Mas seria preciso explicar que os Jogos tiveram um caráter de celebração pelo fim de uma guerra contra um inimigo invisível, mas universal.”

D5

Coronavírus: Clubes e jogadores seguem sem acordo
Federação dos atletas rejeita proposta de redução em 25% dos salários

Impasse. Times e jogadores ainda não chegaram a um acordo de como atravessar os efeitos da pandemia do novo coronavírus (covid-19) no âmbito econômico. A Comissão Nacional de Clubes (CNC) propôs reduzir em 25% o salário dos atletas durante o período de paralisação do futebol. Entretanto, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) não aceitou a proposta, alegando que ela fere a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)  e também foi rejeitada por sindicatos estaduais e municipais da categoria. Uma nova reunião da CNC, por videoconferência, está marcada para esta quinta-feira (26).

A negativa dos representantes dos jogadores foi encaminhada nessa quarta-feira (25) ao presidente do Fluminense, Mario Bittencourt, que representa as grandes equipes brasileiras.Os atletas também querem que a CBF seja uma espécie de avalista do acordo, garantindo assim o pagamento do salário do mês de março, parcela dos direitos de imagens e as férias a serem usufruidas em abril.

Em nota oficial, publicada no site da Fenapaf,  a entidade pontua: estamos dispostos a dividir soluções conjuntas para que os custos da reconstrução sejam compartilhados (…)  afinal de contas, somos um só povo, na alegria e na tristeza”.

D6

Esporte brasileiro reage com apoio e alívio a adiamento dos Jogos
Atletas, técnicos e confederações comemoram mudança para 2021

Atletas e técnicos brasileiros receberam com apoio e alívio o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio (Japão) para 2021, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A decisão foi tomada nessa terça (24) pelos Comitês Olímpico Internacional (COI) e Organizador dos eventos, após videoconferência entre o presidente do COI, Thomas Bach, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. A Agência Brasil recebeu e compilou depoimentos de esportistas de diversas modalidades olímpicas e paralímpicas sobre a decisão.

Hugo Hoyama, técnico da seleção feminina de tênis de mesa
“Primeiro, temos de pensar na saúde de todos. Não só atletas, mas dirigentes e torcedores que irão a Tóquio assistir. Então, acho que foi uma decisão sensata. Lógico que não foi fácil, mas era, realmente, a decisão a ser tomada. Agora é esperar passar a fase da pandemia, para que todos voltem a ter suas vidas normais e os atletas tornem a se preparar”.

Bruna Takahashi, mesatenista top-50 do mundo
“Acho que foi uma boa decisão dos comitês, porque muitas modalidades ainda não conseguiram disputar seus pré-olímpicos ou os atletas não conseguiram sair de seus países. Então, foi uma boa decisão para todos terem suas chances. E lógico, para cuidarmos da saúde. Ano que vem, estaremos mais fortes”.

Arthur Zanetti, campeão olímpico da ginástica em 2012
“Temos pontos positivos e negativos. O negativo é que estávamos preparados para competir em julho, tanto física como psicologicamente, e, a partir do momento que tivemos que ficar em casa, isso atrapalhou os treinos e afetou não só a mim, mas atletas do mundo todo. Os positivos: alguns atletas, que ainda não estavam classificados, terão um tempo a mais [para buscar a vaga], pois suas competições tinham sido canceladas. E, também, poderemos voltar aos treinos e à forma física ideal para competir nos Jogos”.

Flávia Saraiva, ginasta da seleção e medalhista pan-americana
“Agora nós, atletas, podemos respirar aliviados, porque teremos tempo para treinarmos e nos cuidarmos. Queria pedir, também, pra vocês continuarem se cuidando. Não saiam de casa, lavem bem as mãos, passem álcool gel. Cuidem de você e do próximo. E continuem fazendo exercícios em casa”.

Darlan Romani, campeão pan-americano e Mundial Militar no arremesso de peso
“Acho que foi uma boa decisão [o adiamento], afinal, são as nossas vidas em risco, dos nossos familiares também. A Olimpíada tem como um dos significados unir todas as nações. É o significado dos cinco aros olímpicos. Precisamos treinar, precisamos dar o melhor na competição. Seria injusto com países em que as pessoas estão completamente proibidas de sair de casa. Eu tenho a possibilidade de treinar em casa, tenho material. Mas há pessoas que moram em apartamento e não tem [a mesma condição]. Isso não é justo no cenário do esporte como imaginamos. Agora, vamos batalhar, rever os planos para 2021. O sonho continua”.

Felipe Kitadai, judoca medalhista de bronze em 2012
“Hoje, acordamos com uma grande vitória. Uma grande vitória para a humanidade, uma vitória sobre o coronavírus, que vamos combater. Nada é mais importante que nossa saúde e a do mundo. Vamos brigar juntos, ficar em casa, fazer o que é necessário para combater o vírus e conter as mortes. Vamos superar o sofrimento e vencer mais uma vez. Para 2021, o plano não muda. É ser campeão olímpico, dar meu máximo todos os dias. Agora, é trabalhar em cima dos erros e chegar lá mais forte ainda”.

Mayra Aguiar, judoca medalhista de bronze em 2012 e 2016
“Acredito que tenha sido a melhor decisão para o momento. Agora a luta realmente é outra. Temos que priorizar a saúde, ficar em casa, cuidar dos mais próximos. Vamos combater esse vírus o mais rápido possível e, no ano que vem, a gente curte e comemora a Olimpíada”.

Sarah Menezes, judoca campeã olímpica em 2012
“Pra mim, [o adiamento] foi de extrema importância, porque vou ter ainda mais tempo pra ganhar força, ganhar massa após a minha lesão [ruptura total dos ligamentos do músculo peitoral esquerdo, em julho do ano passado] e me preparar melhor. Agora, é esperar a volta do calendário e que as coisas voltem a funcionar diante da pandemia. E continuar focada”.

Rafael Silva “Baby”, judoca medalhista de bronze em 2012 e 2016
“Eu e vários atletas estávamos apreensivos, ainda bem que aconteceu [a mudança de data]. O comitê organizador e o COI entenderam que a pressão dos países pelo adiamento era válida. O mundo vive uma situação complicada. Muitos países não conseguiriam enviar suas delegações aos Jogos esse ano. Foi a decisão mais acertada. Estamos treinando da melhor maneira possível. Em casa, de maneira adaptada, usando o peso do corpo, no meu caso até a escadaria do prédio. Com certeza, esse um ano [até os Jogos] vai funcionar para que a gente se prepare da melhor maneira possível. O momento é de união, todos em casa, para que o vírus não se propague mais ainda e a gente consiga voltar à vida normal e treinar, que, acho, é o que nós, atletas, mais gostamos”.

David Moura, judoca vice-campeão mundial em 2017
“Todo atleta deve estar se sentindo mais tranquilo agora, porque estamos enfrentando uma batalha contra o coronavírus e é muito difícil focar num evento tão grande como a Olimpíada diante de um problema tão sério. Então, estou feliz. Teremos tempo pela frente, dará para reprogramar tudo. Se Deus quiser, no ano que vem estará tudo resolvido, todo mundo curado e poderemos curtir a Olimpíada como ela deve ser curtida”.

Aline Silva, atleta do wrestling classificada para Tóquio
“Ainda não sei o que estou sentindo sobre o adiamento. Acho que foi prudente. É difícil para a gente agora se planejar porque ainda não tem uma data certa [para Tóquio 2021]. Não sei também quando exatamente poderemos voltar à vida normal. Para esses momentos, uso o que aprendi com o esporte. O que tem para hoje? É trabalhar de casa? Então é o que farei. Sou ansiosa, ficar em casa é um desafio, imagino que para todos seja também. É hora de resiliência, de se reinventar. Espero que todos achem como lidar com isso”.

Pepê Gonçalves, campeão pan-americano da canoagem slalom
“O momento, agora, é de salvar o planeta, salvar nossos irmãos. De nos preocuparmos com nossos entes queridos, olharmos pelos profissionais de saúde, que têm colocado suas vidas em risco. Esses, sim, são heróis, que merecem uma medalha olímpica no pescoço. Querendo ou não, temos mais um ano e pouco, ainda não sabemos direito, para treinar e se dedicar, chegando ainda melhor e mais bem preparado [em Tóquio]”.

Erica Sena, bronze na Copa do Mundo de marcha atlética em 2016
“Atualmente, estou no Equador [na cidade de Cuenca]. Temos uma quarentena obrigatória. Podemos sair três vezes por semana, mas só para comprar alimentos e medicamentos. São momentos difíceis. Como atleta fico triste, porque são anos de treinamento para essa competição, que é tão importante, a mais importante, a mais esperada. Mas, como ser humano, acredito que foi a melhor decisão a tomada pelo COI”.

Luísa Borges, da seleção olímpica de nado artístico
“Foi a melhor decisão a ser feita nesse momento, por conta da paralisação dos nossos treinamentos, de proteger a saúde e nós atletas conseguirmos dar 100% nos Jogos Olímpicos. Sigo fazendo meu treinamento em casa, tentando manter meu físico ativo e minha mente também focada em Tóquio 2021. Espero que isso tudo passe o quanto antes e possamos voltar à nossa rotina, fortes e focados em Tóquio”.

Vinícius Figueira, carateca garantido em Tóquio
“Concordo com o adiamento dos Jogos. Claro que a gente queria que houvesse [Olimpíada] na data, porque nos preparamos há anos para esse momento, mas, com essas condições, com academias fechadas, atletas sem se preparar e o medo da população [com o novo coronavírus], acho que foi uma decisão assertiva do COI e do governo japonês”.

Milena Titoneli, campeã pan-americana do taekwondo
“Foi a decisão mais sensata. No momento, temos que nos preocupar com a saúde no mundo inteiro, em passar por esse momento difícil. Estamos em condições de treinamento que não são tão favoráveis. Estamos tendo que treinar em casa e não é mesma coisa do que ter a rotina de treino fora. E peço a vocês que se cuidem, não saiam de casa, juntos conseguiremos superar essa batalha. Nos vemos em Tóquio 2021”.

Alison Cerutti, campeão olímpico do vôlei de praia em 2016
“Foi a decisão mais sensata a ser tomada pelo que o mundo vem passando, nosso país também. Faltavam quatro meses para a data original, já não estava conseguindo treinar mais, muito preocupado com o que estava acontecendo, medo de pegar o vírus e, além disso tudo, temos amigo e família pra tomar conta. Somos seres humanos antes de qualquer coisa. Estaremos ainda mais preparados para o próximo ano. Vamos nos cuidar, para não aumentar, ainda mais, a situação”.

Camila Brait, líbero da seleção feminina de vôlei
“Foi a melhor decisão a ser tomada nesse momento crítico que estamos vivendo. O momento é de ficar em casa, para o vírus não se propagar, e todo mundo ficar bem o mais rápido possível. Nós, atletas, estamos prejudicados por termos de ficar em casa e não conseguirmos treinar, então, em 2021, os atletas vão conseguir se preparar melhor para a Olimpíada e dar o máximo”.

Bia Bulcão, medalhista pan-americana da esgrima
“Claro que, para um atleta que se prepara quatro anos para uma competição tão grande como essa, não é fácil. Mas, devido às circunstâncias, foi a melhor decisão. É o momento de focar, de não sair de casa, de seguir as orientações dos especialistas para que tudo normalize o mais rápido possível. Sigo treinando em casa, tenho competições que valem vaga para Tóquio, então, vamos para mais um ano de trabalho”.

Alex Pires, maratonista paralímpico garantido em Tóquio
“É uma notícia que vem em um momento muito difícil que estamos vivendo. Como atleta, fico triste pelos Jogos serem adiados, mas foi uma decisão acertada, que visa preservar a vida dos atletas e das pessoas. Isso me deixa feliz porque, antes de qualquer coisa, mesmo do esporte, está a vida. Então, que venha Tóquio 2021”.

Verônica Hipólito, velocista e medalhista paralímpica
“Era uma resposta aguardada ansiosamente. A primeira grande pergunta foi respondida. Como serão os qualificatórios? Como ficarão as classificações [que, no paralímpico, são as revalidações para os atletas continuarem competindo]? O que acontecerá com as competições canceladas nesse primeiro semestre? São muitas perguntas, mas a primeira delas foi respondida, que era o adiamento. Não tinha como procederem com os Jogos. Os atletas não tinham como continuar a preparação colocando em risco a saúde, nossa e a pública, e a qualidade dos Jogos. Acredito que foi a melhor decisão”.

Phelipe Rodrigues, nadador e medalhista paralímpico
“Era a única solução a ser adotada pelos Comitês. É triste? É, mas é uma realidade que temos de enfrentar. Os Jogos acumulam e aglomeram milhões de pessoas em um só lugar. Então, por segurança não só dos atletas, mas da população mundial, isso [adiamento] foi decidido. Vamos sentar com a equipe técnica, ver quais as melhores opções. Provavelmente, vamos tirar férias agora e, assim que a pandemia der uma baixada, voltar a treinar focando 120, 200, 300% em Tóquio, agora 2021”.

Leomon Moreno, jogador da seleção masculina de goalball
“Foi uma notícia de alívio para todos nós, atletas. Agora, com os Jogos sendo realizados em 2021, ficamos totalmente à vontade para conseguir nos prepararmos melhor e participar”.

Alessandro Tosim, técnico da seleção masculina de goalball
“O posicionamento foi assertivo. A ausência do treino em quadra e físico para os atletas paralímpicos faz com que eles tenham perdas muito grandes. A prorrogação dos Jogos faz com que nós, que estaremos brigando por medalhas, estejamos muito mais preparados para os eventos”.

Jaime Bragança, técnico da seleção paralímpica de judô
“Foi uma grande notícia nesse momento de pandemia. Os atletas não estão tendo condições para treinar, então, foi a melhor decisão essa do comitê organizador. Temos que cuidar das pessoas, fazer com que as coisas voltem ao normal e que os atletas retornem aos treinos, para termos grandes Jogos no ano que vem”.

Luan, goleiro da seleção brasileira de futebol de 5
“Foi a decisão mais sensata, pela preservação da saúde de todos. Os Jogos são eventos gigantescos, envolvem muita coisa. Sobre os treinos, diminuímos bastante o ritmo, sem podermos sair de casa com essa quarentena. Então, não chegaríamos 100% da forma que queríamos [se a data fosse mantida]”.

Confederações
Entidades olímpicas e paralímpicas e seus dirigentes também se manifestaram. A Confederação Brasileira de Ginástica, por exemplo, divulgou um vídeo gravado no Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica, em Aracaju, com a mensagem #Tokyo2021 escrita no solo com os instrumentos utilizados pelas atletas nas apresentações. Outras federações se pronunciaram por meio de comunicados e notas oficiais.

Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk)
“Os Jogos são, em essência, uma comunhão entre povos. Nesse momento, o foco maior das nações pelo mundo deve ser no sentido de contermos essa pandemia. Quando tudo isso passar, a Olimpíada, com a tão aguardada estreia do skate, será um marco de alegria e comunhão mundial”.

Joao Tomasini Schwertner, presidente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa)
“Entendemos que essa medida é necessária em virtude dos reflexos que os atletas têm enfrentado nas dificuldades de manter o nosso melhor nível de rendimento competitivo por causa da necessidade de paralisação de treinos e competições importantes, tanto no Brasil quanto no mundo. Até lá [2021], teremos uma situação favorável e controlada, onde a prioridade principal é a saúde e o bem-estar dos atletas, para que a prática do olimpismo seja feita da melhor forma”.

Silvio Acácio Borges, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ)
“Acho que os últimos movimentos desde que o COB [Comitê Olímpico Brasileiro] se manifestou levavam a esse cenário. É uma decisão sensata que veio ao encontro de uma expectativa de todos. Do ponto de vista das instituições, como o COI, comitê organizador, comitês olímpicos, federações internacionais e confederações vai impactar e vai exigir um novo contexto administrativo. Para o atleta, sobretudo, foi uma grande decisão. No geral, vejo de forma muito positiva esse adiamento”.

Carta aberta da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA)
“Sabemos como o esporte [especialmente o aquático] é importante na vida de todos nós. Mas, tem uma coisa mais importante, a saúde. É hora de cuidarmos dela e lutarmos contra a propagação do vírus que assola a humanidade. Tendo em vista a não realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio na data prevista, nossa seletiva olímpica de junho não tem mais razão de ser. Portanto, está cancelada. Será marcada uma nova data […] quando tivermos a programação oficial das provas olímpicas, em conjunto com o nosso Conselho Técnico de Natação de Alto Rendimento. Adicionalmente, informamos que CBDA trabalha para encontrar uma data para fazer o Troféu Brasil ainda em 2020, mais para o final do ano, para que os atletas e clubes tenham uma competição em raia longa para se focar. Por hora, fiquem em casa e cuidem-se. Juntos somos mais fortes”.

José Antônio Ferreira, presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV)
“Um novo cenário surgiu nos últimos meses e vem mobilizando nosso planeta. Nossa preocupação maior, desde o início da crise, tem sido com a saúde de atletas, treinadores e demais envolvidos no movimento. […] Do ponto de vista esportivo, acreditamos que seria inviável a realização de uma competição em seu mais alto nível técnico, sendo que atletas do mundo todo não podem sequer manter suas rotinas de treinos. Mas, a questão principal é de caráter humanitário. Como imaginar que até o dia 24 de julho, data inicialmente prevista para o início dos Jogos, o planeta teria voltado ao normal a ponto de celebrar a reunião de alguns dos maiores nomes do esporte olímpico e paralímpico em torno da chama de Tóquio? A CBDV permanecerá atenta aos desdobramentos da crise para seguir defendendo e orientando nossa comunidade. Não podemos baixar a guarda nem desanimar. Primeiro, vamos vencer o vírus. Depois, retomar o planejamento para Tóquio com ainda mais vontade”.

D7

Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio são adiados
Chama Olímpica vai permanecer no país. A tocha chegou ao Japão na última sexta-feira (20), após cerimônia de acendimento, no Estádio Panatenaico, em Atenas

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, nesta terça-feira (24), o adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020 para 2021. O entendimento sobre a impossibilidade do início das competições no dia 24 de julho, por conta da pandemia do novo coronavírus, aconteceu após conversa por teleconferência entre o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente do COI, Thomas Bach.

Nota publicada no site de instituição esclarece que: “Nas atuais circunstâncias, e com base nas informações fornecidas hoje pela OMS, o presidente do COI e o primeiro-ministro do Japão concluíram que os Jogos da XXXII Olimpíada de Tóquio devem ser remarcados para uma data posterior a 2020, mas o mais tardar no verão de 2021, para proteger a saúde dos atletas, todos os envolvidos nos Jogos Olímpicos e da comunidade internacional.”

Tocha olímpica
A publicação ainda confirma que a chama Olímpica vai permanecer no país. A tocha chegou ao Japão na última sexta-feira (20), após cerimônia de acendimento, no Estádio Panatenaico, em Atenas, na Grécia.

A medida foi tomada após pressão de atletas e comitês nacionais pelo mundo todo criticarem a manutenção do calendário em meio a pandemia do novo coronavírus. Canadá, por exemplo, havia decidido que não mandaria competidores, caso os jogos ocorressem na data prevista. O Comitê Olímpico Brasileiro também engrossou o coro para a mudança do cronograma.

Guerra mundial
O presente nos faz lembrar do passado, em 1940 as olimpíadas, que também ocorreriam em Tóquio, no Japão, foram canceladas. Mas há 80 anos o motivo foi diferente: a II Guerra Mundial. Este havia sido o segundo cancelamento das Olimpíadas. Os jogos também foram cancelados em Berlim (1916) e em Londres (1944).

D8

Clubes formulam novo plano de renegociação salarial na quarentena
Representante de clubes e atletas negociam acerto devido à crise financeira por futebol estar parado, proposta reduz 25% dos salários dos jogadores

Os clubes brasileiros aguardam a resposta da segunda rodada de negociações salariais para definir como ficará o acerto com os atletas durante a paralisação do calendário pela pandemia do novo coronavírus. Na últimoa segunda-feira, os jogadores e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) solicitaram ajustes na primeira proposta feita pela Comissão Nacional de Clubes (CNC) e agora terão mais dois dias de prazo para dizerem se aceitam a nova oferta.

A CNC, que representa times das Séries A até a D do futebol nacional, pretende implementar mudanças para diminuir os impactos financeiros causados pela falta de jogos. Após a entidade ter uma primeira reunião na sexta-feira, nesta segunda houve um videoconferência com representantes de 46 times para reformular uma nova proposta aos jogadores e à Fenapaf após a primeira ter sido recusada.

As novas diretrizes foram obtidas pelo Estado e trazem como principais pontos as férias coletivas de 20 dias em vez de 30, como proposto anteriormente pelo clubes, e a manutenção de 10 dias de férias na virada para o ano de 2021. A principal novidade da última proposta está na redução salarial. Em vez de as equipes pagarem 50% a menos caso a suspensão do calendário durar mais de um mês, agora foi oferecido aos jogadores uma diminuição de 25% (inclui direitos de imagem e contrato CLT).


Representam a Série A nesta comissão Fluminense, Palmeiras, Bahia e Atlético-MG. Presidente do time alvinegro, Sérgio Sette Câmara disse em transmissão ao vivo no YouTube nesta segunda-feira que os clubes estão unidos para renegociar os salários dos jogadores. "Nós todos sabemos que a maioria esmagadora dos clubes no Brasil passa por dificuldades financeiras. Deixar de ter receita e continuando a ter a despesa que é gerada todo mês acaba de inviabilizar tudo. Temos que nos unir para tentar salvar o futebol brasileiro, que corre risco", afirmou.

No comunicado enviado à Fenapaf, a CNC afirma que não se houver resposta dentro do prazo de dois dias, todos os jogadores terão o início das férias coletivas declarada, como autorizado nesta segunda-feira por Medida Provisória (MP) do governo federal.

Desde a última semana, todos os times da Série A dispensaram os jogadores dos treinos para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Outra medida formulada pelos clubes para diminuir os gastos nesse período de quarentena foi de acionar o Ministério da Economia para pedir a interrupção do pagamento das parcelas do Profut, programa de refinanciamento de dívidas fiscais do futebol.

Pouco efetivo

Para o presidente do Sindicato de Atletas se São Paulo (Sapesp), Rinaldo Martorelli, a negociação é precoce pois se deve considerar que não há uma estimativa concreta para quando o calendário das competições será restabelecido nem como poderá ser resolvido o problema nos Estaduais, torneios em que boa parte dos jogadores disputam sob contratos temporários e de curta duração. "Não se pode discutir as Séries A e B antes de resolver os Estaduais", disse.

Na opinião dele, criar um pacote nacional de medidas é complexo. "Dentro do clube, um mesmo tipo de negociação talvez você consiga estender para dois ou três jogadores. Nem no próprio elenco você consegue fazer uma negociação única, porque as condições são heterogênias. Agora, no cenário brasileiro é ainda mais difícil", comentou.

Confira as propostas:

Férias

Primeira versão: Conceder imediatamente a todos os atletas o gozo de 30 (trinta) dias de férias coletivas com início em 23/03 e término em 21/04, antecipando qualquer período de férias proporcionais que os atletas venham a adquirir durante o restante de 2020, em qualquer clube que venha a jogar ainda em 2020. Todavia apesar de antecipar para agora os 30 dias de gozo, o pagamento das férias seria diferido, sendo 50% do valor agora, a ser pago pelo atual empregador e os outros 50%, com o 1/3 integral, a ser pago até 31/12/2020.

Segunda versão: Férias Coletivas de 20 dias a todos os atletas, no período compreendido entre os dias 1 de abril e 20 de abril de 2020, com pagamento integral no quinto dia útil do mês subsequente ao gozo das férias e o 1/3 constitucional a ser pago no mês de dezembro de 2020, de modo que os clubes - e somente eles - arcarão integralmente com a manutenção das atividades futebolísticas durante tal período.

Fim de ano

Primeira versão: Férias de final de ano de 24/12 a 02/01/2021.

Segunda versão: Garantia aos atletas do período de 10 dias restantes de férias no final do ano de 2020 ou no início de 2021, adequadas ao calendário que se desenhará após o retorno da paralisação.

Redução salarial

Primeira versão: Após férias coletivas não sendo possível volta campeonatos, redução da remuneração (CLT e imagem) em 50% por 30 dias, com treinamento em casa.

Segunda versão: Redução da remuneração dos atletas em 25% durante o período da paralisação, como preceitua o artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em casos extremos e de força maior.

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