domingo, 24 de novembro de 2019

Uniformidade de tratamento - Imperativo afirmativo e negativo

Imperativo deriva de império. A família diz tudo. Trata-se de clã com poderes absolutos. Imperador, imperial e imperioso são alguns dos membros que mandam e desmandam. Às vezes, as criaturas têm de baixar a crista. Em vez de ordenar, pedem. Ou suplicam, convidam, aconselham, recomendam ou alertam. Em qualquer dos casos, o imperativo impera.

Sim e não

O imperativo joga em dois times. Num, libera a ação ou o modo de ser. É o afirmativo. Noutro, recusa. É o negativo. Pra não deixar dúvida, antecede as formas verbais de não.

Trate diferentemente os desiguais

O imperativo afirmativo exige atenção plena. Rigoroso, divide as pessoas do discurso em dois grupos. As segundas pessoas (tu e vós), preferidas dos gaúchos, ficam de um lado. As outras (ele, você, nós, eles), de outro. Nada de misturas.

“Tratar diferentemente os desiguais”, reza o mandamento do mandão. Como? Recorrendo ao presente do indicativo e do subjuntivo. O tu e o vós derivam do presente do indicativo. Mas esnobam o s final. Assim:

Presente do indicativo: estudo, estudas, estuda, estudamos, estudais, estudam.

Imperativo afirmativo: estuda tu, estudai vós.

Simples, as demais pessoas não dão trabalho. Saem todas do presente do subjuntivo: que você estude, nós estudemos, eles estudem.

Eureca! Eis o imperativo afirmativo completo: estuda tu, estude você, estudemos nós, estudai vós, estudem vocês.
Não existe a primeira pessoa do singular em qualquer verbo imperativo. O traço colocado na primeira pessoa não indica verbo defectivo, mas o imperativo do modo imperativo.

Negue

O imperativo negativo é curto e grosso. Sai todinho do presente do subjuntivo — sem tirar nem pôr. Pra não deixar dúvida, antecede-se do advérbio não. Veja: não estudes tu, não estude você, não estudemos nós, não estudeis vós, não estudem vocês.

Mesma regra para a 2ª e 3ª conjugação

Isso vale para os verbos das demais conjugações.

2ª conjugação - por exemplo: beber

Presente do indicativo: bebo, bebes, bebe, bebemos, bebeis, bebem
Presente do subjuntivo: beba, bebas, beba, bebamos, bebais, bebam
Imperativo afirmativo: bebe, beba, bebamos, bebei, bebam
Imperativo negativo: não bebas, não beba, não bebamos, não bebais, não bebam

3ª conjugação - por exemplo: permitir

Presente do indicativo - permito, permites, permite, permitimos, permitis, permitem
Presente do subjuntivo - permita, permitas, permita, permitamos, permitais, permitam
Imperativo afirmativo - permite, permita, permitamos, permiti, permitam
Imperativo negativo - não permitas, não permita, não permitamos, não permitais, não permitam

2ª conjugação (pôr) - por exemplo: propor

Presente do indicativo - proponho, propões, propõe, propomos, propondes, propõem
Presente do subjuntivo - proponha, proponhas, proponha, proponhamos, proponhais, proponham
Imperativo afirmativo - propõe, proponha, proponhamos, proponde, proponham
Imperativo negativo - não proponhas, não proponha, não proponhamos, não proponhais, não proponham

Não misture

“Vem pra Caixa você também”, diz o anúncio da Caixa Econômica Federal. Reparou? Ele misturou alhos com bugalhos. O alho: o verbo se dirige à segunda pessoa (vem tu). O bugalho: o pronome você conjuga o verbo na 3ª pessoa (você). Que tal desfazer a mistura? Há duas saídas.
Uma: optar pelo tu (vem pra Caixa tu também).
A outra: assumir o você (venha pra Caixa você também).

“Saia da Sibéria e vem pra Net já”, diz o comercial da Net. Reparou? Ele misturou alhos com bugalhos. O alho: o verbo se dirige à terceira pessoa (saia você). O bugalho: o pronome tu conjuga o verbo na 2ª pessoa. Que tal desfazer a mistura? Há duas saídas.
Uma: optar pelo tu (Saia da Sibéria e venha para a Net já).
A outra: assumir o você (Sai da Sibéria e vem para a Net já).

Outra cara

“Se liga na revisão”, ordena o Telecurso 2000, o atual Novo Telecurso. Ops! Olha a salada de pessoas. O se é pronome de terceira pessoa. O liga, imperativo da segunda pessoa. Que indigestão gramatical! Vamos tratar bem a língua e o organismo. Escolhamos uma ou outra.
Sem misturas:
Te liga na revisão (tu).
Se ligue na revisão (você).

“Sai que é sua, Taffarel”, disse Galvão Bueno na semifinal da Copa do Mundo 1998. Ops! Olha a salada de pessoas. O sua é pronome de terceira pessoa. O sai, imperativo da segunda pessoa. Que indigestão gramatical! Vamos tratar bem a língua e o organismo. Escolhamos uma ou outra.
Sem misturas:
Sai que é tua, Taffarel (tu).
Saia que é sua, Taffarel (você).

Mais uma

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”, alardeia o povo sabido. O problema? A mistura de pessoas. Melhor descer do muro.
Assumamos uma pessoa ou outra:
Diga-me com quem anda e lhe direi quem é você.
Dize-me / diz-me com quem andas e te direi / dir-te-ei quem és.

“Você quer um desconto? Faz um 21”, diz a Embratel. O problema? A mistura de pessoas. Melhor descer do muro.
Assumamos uma pessoa ou outra:
Você quer um desconto? Faça um 21.
Tu queres um desconto? Faz / faze um 21.

Moral da história

Você tem poder? Mande. Não tem? Peça. Ou suplique, convide, aconselhe, recomende ou alerte. Mas faça-o bem. A receita: cuide do imperativo. Concurseiro, Enemzeiro, vestibulando, se não cuidar, vira um Zé Maranhão, ou melhor, Zé Paraíba. Não erre no concurso, no vestibular, ou melhor ainda, no Enem, para se tornar um super empreendedor e um hiper empresário!

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