sexta-feira, 5 de junho de 2020

Termos Acessórios da Oração e Vocativo - Resumo de Gramática

Termos acessórios da oração
Chamamos de termos acessórios aqueles que podem ser retirados da frase sem prejuízo para o sentido global. São eles: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.
■ 4.2.3.1. Adjunto adnominal
É o termo que determina ou caracteriza um substantivo. Pode ser:
a) um artigo:
O carro nos pertence.
b) um adjetivo:
O bom aluno estuda sempre.
c) uma locução adjetiva:
O amor da mãe é eterno.
d) um numeral:
Duas meninas saíram por aqui.
e) um pronome (possessivo, demonstrativo, indefinido, interrogativo, além do pronome relativo cujo):
Um dia comprarei aquela casa.

Os pronomes pessoais (retos e oblíquos) têm valor de substantivo e exercem funções de sujeito, predicativo, complementos e adjuntos, portanto não podem ser adjuntos. Essa regra também se aplica aos pronomes de tratamento. Os demais pronomes relativos substituem os substantivos aos quais se referem, portanto não podem ser adjuntos adnominais.
Curiosidades:
1) O adjunto adnominal constituído por um adjetivo pode ser confundido com o predicativo do sujeito ou do objeto.
Perceba as seguintes diferenças:
a) o adjunto adnominal é uma característica intrínseca do ser a que se liga, e vem sempre dentro do mesmo termo do seu referente:
A bela Ana saiu.
Adj. adn. — o adjetivo bela refere-se ao termo Ana, e ambos estão dentro do termo sujeito.
João viu a bela Ana na feira.
Adj. adn. — o adjetivo bela refere-se ao termo Ana, e ambos estão dentro do termo predicado.
b) o predicativo do sujeito é uma qualidade para o sujeito dentro do predicado:
Ana saiu bela.
Pred. do suj. — o adjetivo bela, que está dentro do predicado, refere-se ao termo Ana, que é sujeito.
c) o predicativo do objeto é uma qualidade para o objeto direto atribuída a esse pelo sujeito da frase:
João achou a Ana bela.
Pred. do obj. — o adjetivo bela, que está ligado ao termo Ana (objeto direto), é uma qualidade a ela atribuída pelo sujeito.
2) Quando o adjunto adnominal é expresso por meio de locuções adjetivas, podemos confundi-lo com o complemento nominal.
Observe os casos abaixo:
amor de mãe = adjunto adnominal
amor à mãe = complemento nominal
Vejamos, então, como fazer a diferença entre um e outro.
Quando a locução adjetiva vem ligada a um adjetivo ou a um advérbio, só pode ser um complemento nominal:
João foi favorável ao acusado. — complemento nominal, pois se liga ao adjetivo favorável.
João discursou favoravelmente ao projeto. — complemento nominal, pois se liga ao advérbio favoravelmente.
Quando a locução adjetiva vem ligada a um substantivo concreto, só pode ser um adjunto adnominal:
Foi à delegacia de polícia. — adjunto adnominal, pois se liga ao substantivo delegacia.
Quando a locução adjetiva vem ligada a um substantivo abstrato, pode ter sentidos diferentes:
a) sentido ativo: mostra quem pratica o ato expresso pelo substantivo, então a locução adjetiva recebe o nome de ADJUNTO ADNOMINAL:
A crítica do técnico foi dura. — adjunto adnominal, pois o técnico é quem fez a crítica, é executor da ação.
b) sentido passivo: mostra quem sofre o ato expresso pelo substantivo, então a locução adjetiva recebe o nome de COMPLEMENTO NOMINAL:
A crítica ao técnico foi dura. — complemento nominal, pois o técnico recebeu a crítica, é alvod a ação.
Observe outros exemplos:
Complemento nominal — sentido passivo:
relato à mãe
apta à maternidade
Adjunto adnominal — sentido ativo:
relato de mãe
aptidão de mãe
■ 4.2.3.2. Adjunto adverbial
É o termo que indica uma circunstância (de tempo, causa, finalidade, modo, lugar etc.) modificando o sentido de um verbo, de um advérbio ou de um adjetivo. Ele pode aparecer com ou sem preposição.
Diferentemente do objeto direto e do objeto indireto, o adjunto adverbial não completa o sentido do termo a que se liga, apenas modifica o seu sentido. 
Pode se referir a qualquer tipo de verbo, inclusive o de ligação.
Dormi em paz. — modifica o verbo.
Acordei bastante cedo. — modifica o advérbio.
Ela é muito bonita. — modifica o adjetivo.
O adjunto adverbial, quando modifica o adjetivo ou advérbio, recebe o nome de adjunto adverbial de intensidade, por intensificar a ideia expressa por eles.
Ao modificar o verbo, o adjunto adverbial classifica-se de acordo com a ideia expressa. A NGB não registra nenhuma dessas classificações, mas elas existem.
Curiosidade: Veja a seguir algumas possibilidades:
Pedro foi, sim. — adj. adv. de afirmação
Ele falou do medo. — adj. adv. de assunto
Maria fez tudo por amor. — adj. adv. de causa
Maria passeava com a mãe. — adj. adv. de companhia
Estudei muito apesar do calor. — adj. adv. de concessão
Farão com o meu auxílio. — adj. adv. de condição
Preencheu conforme as instruções. — adj. adv. de conformidade
Talvez a encontre amanhã. — adj. adv. de dúvida
Estava a cinco metros. — adj. adv. de distância
Estudaremos sem João. — adj. adv. de exclusão
Viemos para as lições. — adj. adv. de finalidade
Ela brincou muito. — adj. adv. de intensidade
A casa foi feita de madeira. — adj. adv. de matéria
Os meninos foram à Bahia. — adj. adv. de lugar
Ela cortou-se com a faca. — adj. adv. de instrumento
Não tinha medo. — adj. adv. de negação
Fizeram tudo contra a greve. — adj. adv. de oposição
Vim de uma família simples. — adj. adv. de origem
O saco pesa cinco quilos. — adj. adv. de peso
O carro custou vinte mil reais. — adj. adv. de preço
■ 4.2.3.3. Aposto
É o termo que explica, enumera, especifica, resume, distribui ou compara um outro termo da oração.
Geralmente aparece entre vírgulas, mas pode também aparecer após dois-pontos, entre travessões, entre parênteses ou até sem essas pausas, porém sempre estará explicando um outro termo qualquer:
Pelé, rei do futebol, é meu amigo.
João, o motorista, esteve aqui.
Só quero uma coisa: sorvete.
Após algum tempo — cinco ou seis minutos — ele voltou.
O Padre César está começando a missa.
Código universal, a música une os povos.

Diferença:
Faço aniversário no mês de junho.
As festas de junho são populares na região Nordeste.

No primeiro, há uma igualdade entre termos (junho = mês), o que não ocorre no segundo, que tem uma função adjetiva (festas de junho = juninas).

■ 4.2.4. Vocativo
Usado como chamamento, é o termo que serve para atrair a atenção do interlocutor para aquilo que se vai dizer.
Pode aparecer no começo, no meio ou no final da oração, mas não faz parte nem do sujeito nem do predicado. É um termo independente:
Brasileiros e brasileiras, façamos tudo pela Pátria.
Ontem pela manhã, Marcos, vi você na feira.
Vocês por aqui, meninos?!

Termos Integrantes da Oração - Resumo de Gramática

Termos integrantes da oração
Chamamos termos integrantes os termos que completam o sentido de um verbo ou de um nome. Eles são: objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e agente da passiva.
■ 4.2.2.1. Objeto direto
Completa o sentido de um verbo transitivo direto, ou seja, vem diretamente ligado
ao verbo, sem o auxílio de preposição.
Marta comeu o bolo.
Oferecemos um prêmio ao vencedor.
Houve uma grande festa.
Pedro olhou-se no espelho.
Ana convidou-me para a festa.
■ 4.2.2.1.1. Objeto direto preposicionado
É uma subclassificação do objeto direto e surge quando o verbo é transitivo direto, mas o complemento aparece antecedido de uma preposição (que pode ser tirada sem prejuízo do sentido original do verbo), pois a preposição aparece apenas para maior clareza, melhor harmonia ou para dar ênfase à expressão:
Judas traiu a Cristo. A preposição não é exigida pelo verbo, porque, se exigisse, o verbo seria transitivo indireto.
As bruxas beberam de suas porções.
Comeram do nosso bolo.
Nos exemplos dados, as preposições podem ser eliminadas e os verbos continuam com os mesmos sentidos.
Claro está também que o objeto direto preposicionado serve para dar uma variação ao entendimento total da frase:
Beber algo é diferente de beber de algo, pois, na primeira, temos a ideia do todo, o que pode justificar a ira e, na segunda, a ideia da parte de um todo, ou seja, experimentar.
Algumas vezes o emprego da preposição antes do objeto direto é obrigatório. Veja
quais são os casos:
a) antes dos pronomes oblíquos tônicos, ligados a verbos transitivos diretos:
Viu a mim no mercado.
O salva-vidas observou a nós na piscina.
b) com o pronome relativo “quem”, funcionando como complemento na frase, desde que o antecedente esteja expresso:
Chegou o João, a quem não esperávamos.
Ela é a mulher a quem eu amo.

Em ''Não soube a quem cumprimentar primeiro'', o antecedente do pronome está subentendido, logo, a preposição é facultativa. Poder-se-ia dizer 'não soube quem cumprimentar primeiro'. Nos dois primeiros exemplos, se a preposição fosse retirada, a frase mudaria para: 'Chegou o João, que nós não esperávamos' e 'Ela é a mulher que eu amo'.
c) Para evitar dúvida no entendimento da frase:
Venceram aos japoneses os canadenses.
Enganou ao aluno o professor.

Um caso muito comum de objeto direto preposicionado é a inserção da preposição a nos verbos louvar, glorificar e exaltar, muito usados na linguagem religiosa.
■ 4.2.2.1.2. Objeto direto pleonástico
É usado para enfatizar uma ideia contida no objeto direto com a repetição dele próprio. Para bem utilizá-lo, devemos colocá-lo no início da frase, depois repeti-lo por meio de pronome oblíquo — ao qual daremos o nome de objeto direto pleonástico, pois pleonasmo é aquilo que se repete.
As rosas, dei-as para Maria.
O bolo, nós não o comemos.
Lucro, desejam-no sempre!

Pleonasmo - trata-se da repetição desnecessária de um termo: prefeitura municipal, certeza absoluta, baseado em fatos reais, consenso geral, conviver junto, detalhes minuciosos, na minha opinião pessoal, outra alternativa, surpresa inesperada, elo de ligação, novo lançamento, segredo secreto
Atenção: Em Língua Portuguesa, nem sempre o que é desnecessário significa que está errado. Logo, o objeto pleonástico não é um erro.
■ 4.2.2.1.3. Objeto direto interno
Surge quando utilizamos um verbo intransitivo como transitivo direto, e seu complemento é do mesmo radical ou da mesma família semântica do verbo. É de rigor que o objeto venha acompanhado de um adjetivo, caso contrário se incorre em uma redundância:
Viver uma vida fácil.
Sonhou um sonho alegre.
Ria um riso forçado.
Chovia uma chuva fina.
Chorará um choro amargo!
■ 4.2.2.2. Objeto indireto
Completa o sentido do verbo transitivo indireto, ou seja, vem indiretamente ligado ao verbo com o auxílio de preposições.
Paguei ao médico.
Deparamos com um estranho.
Não consinto nisso.
Rogo-lhe perdão.
■ 4.2.2.2.1. Objeto indireto pleonástico
Da mesma forma já vista no objeto direto pleonástico, podemos repetir também o objeto indireto dentro da frase, para reforçar a ideia que se pretende seja transmitida.
A mim, o que me deu foi pena.
A Paulo, bastou-lhe isso.
A ti, ó rosa perfumada, entrego-te o mundo.

Segundo o gramático Cegalla, chama-se de objeto indireto por extensão o complemento indireto de verbo não transitivo indireto. Com pronome oblíquo tônico, Sacconi considera um objeto indireto de opinião; Bechara, como dativo de opinião. Com pronome oblíquo átono, Celso Pedro Luft considera um pronome de interesse, dativo ético ou de proveito; José Carlos de Azeredo, considera como um mero expletivo, com uso apenas estilístico, sem função sintática.
■ 4.2.2.3. Complemento nominal
É o termo que completa o sentido de um nome que por si só não dá a ideia que queremos transmitir.
Por nome entendemos o substantivo, o adjetivo e o advérbio.
O complemento nominal é sempre introduzido por uma preposição.
O respeito às leis é obrigatório.
Temos fé em Deus.
O sol é útil ao homem.
A testemunha falou favoravelmente ao réu.
■ 4.2.2.4. Agente da passiva
É o complemento de um verbo na voz passiva analítica. É o agente que pratica uma ação indicada por um verbo na voz passiva.
O agente da passiva vem sempre introduzido por preposição, geralmente pela preposição POR — e suas combinações: PELO, PELA, PELOS, PELAS. Mas também podemos usar a preposição DE — e suas combinações — em algumas frases.
A cidade foi cercada por soldados.
O rei era aclamado pela multidão.
A floresta era povoada de selvagens.

Segundo o gramático Adriano da Gama Kury, embora o agente da passiva seja um termo integrante, pode ser omitido.

Termos Essenciais da Oração - Resumo de Gramática

Termos essenciais da oração
Observe a oração abaixo:
Os acionistas pareciam bastante apreensivos.
Nela podemos identificar dois conjuntos:
■ o ser de quem se afirma algo, chamado de sujeito: os acionistas;
■ aquilo que se diz do ser, que é o predicado: pareciam bastante apreensivos.
O sujeito e o predicado são chamados de termos essenciais da oração.
Curiosidade: Apesar de ser um “termo essencial”, há frases em Língua Portuguesa em que não há sujeito.
■ 4.2.1.1. Sujeito
Aquele, ou aquilo, a respeito do qual se transmite uma informação.
De acordo com o modo como aparece na frase, pode ser classificado como determinado ou indeterminado. 
■ 4.2.1.1.1. Sujeito determinado
Ocorre quando se pode determinar o elemento ao qual o predicado se refere:
Os operários cruzaram os braços logo cedo.
Os operários = sujeito determinado, pois podemos identificar o termo ao qual se atribui o ato de cruzar os braços.
Passamos férias maravilhosas.
O sujeito (termo sobre o qual se projeta a ação de passar) está implícito na desinência verbal “Passamos”. Temos então sujeito determinado ou desinencial.
O sujeito determinado pode ser simples ou composto:
■ Sujeito simples — aquele que apresenta apenas um núcleo:
Muitos funcionários das repartições públicas de São Paulo estão afastados.
As minhas duas belas primas do interior chegaram.
Alguém comeu o meu pudim!
Quem chegou?
“Saí, afastando-me dos grupos e fingindo ler os epitáfios.” (Machado de Assis)
Vieste aqui para estudar.
Quando o núcleo está expresso na frase, chamamo-lo de sujeito simples claro.
Quando o núcleo não está expresso na frase, mas se deduz do contexto, chamamo-lo de sujeito simples oculto, ou desinencial, ou subentendido, ou implícito, ou elíptico.
Curiosidade: A Nomenclatura Gramatical Brasileira não reconhece nenhuma dessas denominações, mas elas existem.
■ Sujeito composto — aquele que apresenta dois ou mais núcleos:
Eu e ela chegamos a um acordo.
A presidenta e seus ministros participaram das comemorações do Dia da Independência.
■ 4.2.1.1.2. Sujeito indeterminado
Surge quando existe um elemento sobre o qual se declara algo, mas não se pode identificar tal elemento; é aquele que, embora existindo, não se quis ou não se pôde representar na oração.
Chegaram bem tarde hoje. — não se sabe “quem chegaram”.
Há duas maneiras de tornar o sujeito indeterminado:
a) com verbos na 3ª pessoa do plural, sem sujeito expresso (ou que não haja
referência a nenhum ser anteriormente expresso):
Roubaram meu anel.
Destruíram dois orelhões em pleno centro da cidade.
Curiosidade: Quando o contexto permite definir o agente da ação, teremos um sujeito simples oculto:
Umas pessoas malvadas estiveram aqui e roubaram o meu anel.
Aqueles vândalos presos ontem destruíram dois orelhões em pleno centro da cidade.
b) com verbos transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação na 3ª pessoa do singular, seguido da partícula SE — índice de indeterminação do sujeito:
Vive-se bem nesta cidade.
Fala-se em guerras.
Trata-se de questões tributárias.
Precisa-se de serventes de pedreiro.
■ 4.2.1.1.3. Sujeito oracional
Surge quando o sujeito de uma oração é toda uma outra oração.
É bom que todos compareçam.
1ª oração: É bom.
2ª oração (sujeito): que todos compareçam.
O que é bom? sujeito = que todos compareçam.
Curiosidade: Na análise sintática, esta oração que funciona como sujeito é classificada como oração subordinada substantiva subjetiva.
■ 4.2.1.2. Oração sem sujeito ou sujeito inexistente
Não há um elemento ao qual se atribui o predicado. Ocorre nos seguintes casos:
a) com os verbos que indicam fenômeno da natureza:
Choveu muito pouco no verão passado.
Trovejou durante horas seguidas.
Nas cidades do sul, neva no inverno.
b) com o verbo haver indicando “existência” ou “acontecimento”:
Na festa havia muitas pessoas.
Há anos surgiu no teatro brasileiro uma nova estrela.
No carnaval, haverá bailes em todos os clubes.
Havia, naquela casa, muitos quartos vazios.
c) com os verbos ser e estar, indicando tempo ou temperatura:
Já são dez horas.
São 13 de julho.
Amanhã será dia 15.
Hoje está frio.
Como está tarde!
d) com o verbo fazer indicando tempo ou fenômeno da natureza:
Faz duas horas que ele saiu.
Fará, no próximo domingo, vinte anos que a conheci.
No verão, faz muito calor na serra gaúcha.
Fará dias frios no próximo mês.
e) com os verbos bastar e chegar seguidos da preposição de, indicando suficiência:
Chega de conversa mole.
Basta de reclamações.
Curiosidades:
1) Em todos os casos acima, os verbos não têm sujeito; são chamados, então, de verbos impessoais. Devem ficar sempre na 3ª pessoa do singular. Exceção é o verbo ser, na indicação de horas, datas e distâncias, que merecerá tratamento especial na concordância verbal.
2) Os verbos que indicam fenômeno da natureza, empregados em sentido conotativo, admitem sujeito:
Sua negativa anuviou minha alegria.
Choveram bombas sobre a cidadezinha serrana.
■ 4.2.1.3. Predicado
É a informação que se transmite a respeito de algo ou alguém. Em suma, é toda a oração, menos o sujeito e o vocativo (quando existir).
No processo da comunicação, as palavras que formam uma frase estão agrupadas em dois eixos: o sujeito e o predicado. Como vimos, pode haver frase sem sujeito. Nunca, porém, existirá uma frase sem predicado.
Antes de classificarmos os predicados, vamos primeiro definir os verbos, como eles aparecem na formação do predicado, e também os predicativos (do sujeito e do objeto).
■ 4.2.1.3.1. Verbo de ligação
É aquele que liga o sujeito ao seu predicativo (termo que expressa um estado ou qualidade). Por não apresentar sentido (ação, acontecimento, desejo, atividade mental ou fenômeno da natureza), como os verbos de ação, a função do verbo de ligação é apenas “ligar” o predicativo ao sujeito. Eles se aproximam das preposições:
Os alunos estavam alegres.
Os alunos ficaram alegres.
Os alunos continuavam alegres.
Curiosidades:
1) Normalmente são verbos de ligação: ser, estar, ficar, continuar, parecer, permanecer, andar (não no sentido de caminhar e sim no sentido de estar), virar e tornar-se.
2) Estes verbos são de ligação somente quando acompanhados de um predicativo do sujeito. Caso não haja um predicativo para o sujeito, eles serão chamados de intransitivos.
Os alunos estavam no pátio.
Note que agora não há mais predicativo do sujeito. Não há, então, verbo de ligação; estavam é verbo intransitivo, e no pátio é adjunto adverbial.
Vejamos outros exemplos:
Âni está aqui.
Atanagildetina ficou em casa.
Quero saber onde Childerico está.
■ 4.2.1.3.2. Verbo nocional
É aquele verbo que expressa ideia de ação. Nesse caso, o verbo não é apenas um elo, mas o termo que encerra o sentido da frase.
O verbo nocional subdivide-se em:
■ 4.2.1.3.2.1. Verbo intransitivo
É aquele que tem o sentido completo, isto é, não precisa de complementos.
Todos chegaram.
O assaltante baleado morreu.
O assaltante baleado morreu no hospital.
Os alunos estavam no pátio.
Alguns alunos escrevem bem.
Observação: A NGB considera verbos intransitivos os que são acompanhados de adjunto adverbial, como em 'moro em João Pessoa' ou 'vou para Fortaleza'. Preferimos classificá-los como transitivos circunstanciais.
■ 4.2.1.3.2.2. Verbo transitivo
É aquele que tem sentido incompleto, ou seja, o verbo precisa de complemento.
O verbo transitivo, por sua vez, subdivide-se em:
■ Verbo transitivo direto: exige um objeto direto (complemento sem preposição, ligado diretamente ao verbo):
As chuvas transtornam as cidades grandes.
Todos os alunos fizeram as redações solicitadas.
Pegue-a, José.
Deixe-me!
■ Verbo transitivo indireto: exige um objeto indireto (complemento com preposição, ligado indiretamente ao verbo):
Todos nós precisamos de descanso.
Os alunos devem confiar em seus professores.
Simpatizamos com o novo diretor.
Obedeçam-me!
■ Verbo transitivo direto e indireto: exige dois objetos, um direto e outro indireto:
Ontem emprestei meu carro ao vizinho.
Confiei meu carro ao meu irmão.
Radegondes disse a verdade à sua mãe.
Entregou-me o caderno.
Avisei-o de que a prova fora adiada.
Curiosidades:
1) Ao classificarmos um verbo, temos de fazê-lo dentro do texto. É o contexto que vai indicar a sua classificação.
Ela já escreve bem. (verbo intransitivo)
Ela escreveu dois poemas. (verbo transitivo direto)
Ela me escreveu ontem. (verbo transitivo indireto)
Ela ainda não me escreveu uma linha sequer. (verbo transitivo direto e indireto)
Ela permanecia calada. (verbo de ligação)
Ela permanecia na sala. (verbo intransitivo)
2) Existem verbos intransitivos (não têm objeto) que aparecem sempre com adjunto
adverbial. São os chamados transitivos circunstanciais. A NGB não apresenta o verbo com essa classificação, mas ela existe:
Ninguém entrou no carro. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “no carro”)
Cheguei tarde. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de tempo “tarde”)
Irei ao cinema. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “ao cinema”)
Voltaram para as suas casas. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “para as suas casas”)
3) Existem verbos que apresentam três objetos. São os chamados tritransitivos. A NGB não registra essa classificação, mas ela existe:
Transferi a conta do Banco do Brasil para a Caixa.
Traduzi o livro do inglês para o espanhol.
■ 4.2.1.3.3. Predicativos
São termos que expressam um estado ou qualidade.
■ 4.2.1.3.3.1. Predicativo do sujeito
Indica uma qualidade ou estado para o sujeito colocado dentro do predicado. É obrigatório após um verbo de ligação e também pode aparecer após verbos intransitivos e transitivos. Aparece tanto no predicado nominal quanto no predicado verbo-nominal:
a) com verbos de ligação:
Os alunos são estudiosos.
Teu pai virou poeta.
Os jogadores acabaram cansados.
b) com verbos intransitivos:
O trem chegou atrasado.
Os meninos chegaram famintos.
Todos saíram alegres do parque.
c) com verbos transitivos diretos:
Meu primo foi nomeado diretor.
O paciente recebeu tranquilo a notícia.
A mulher deixou o apartamento apressada.
d) com verbos transitivos indiretos:
Os torcedores assistiram nervosos à decisão.
Os delegados procederam cautelosos ao inquérito.
Todos respondiam estáticos ao general.
■ 4.2.1.3.3.2. Predicativo do objeto
Termo que expressa um estado ou uma qualidade do objeto atribuído a ele pelo sujeito. Aparece apenas no predicado verbo-nominal:
Eles nomearam meu primo diretor.
O povo elegeu-o senador.
Nós o chamamos sábio.
Nós lhe chamamos de sábio.
Curiosidade: Não podemos confundir o predicativo do objeto com um adjunto adnominal.
O predicativo do objeto é uma qualidade atribuída ao objeto pelo sujeito da frase, ou seja, para que haja predicativo do objeto é preciso que o sujeito “pense” algo a respeito do objeto. Caso contrário, teremos apenas um adjunto adnominal — que será visto no capítulo dedicado aos termos acessórios.
O menino achou a bicicleta bonita. — “bonita” é predicativo do objeto, pois tal qualidade foi atribuída ao objeto “a bicicleta” pelo sujeito “o menino”.
O menino ganhou uma bicicleta bonita. — “bonita” é adjunto adnominal, pois tal qualidade não apresenta relação alguma com o sujeito da frase.
O presente deixou a criança animada. — “animada” é predicativo do objeto, pois tal qualidade foi atribuída ao objeto “a criança” pelo sujeito “o presente”.
O pai segurou a criança animada. — “animada” é adjunto adnominal, pois tal qualidade não apresenta relação alguma com o sujeito da frase.
■ 4.2.1.3.4. Classificação do predicado
■ 4.2.1.3.4.1. Predicado nominal
Aquele que apresenta como núcleo o nome (substantivo, adjetivo, pronome ou numeral) que indica o estado ou qualidade do sujeito (predicativo do sujeito). O verbo será sempre de ligação.
Estrutura do predicado nominal:
Sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito:
Estes operários são trabalhadores.
Seu avô está bastante velho.
Os pães parecem estragados.
As crianças continuam adormecidas.
■ 4.2.1.3.4.2. Predicado verbal
Expressa a ideia de ação. Tem como núcleo um verbo nocional. Nesse caso, o verbo é importante; ele é que encerra o sentido da frase.
Estrutura do predicado verbal:
a) Sujeito + verbo intransitivo:
As aves voam no céu.
Chegamos cedo ao cinema.
Os bons tempos voltaram.
b) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto:
Alguns animais comem plantas.
Todos os alunos fizeram a lição.
Compramos as passagens no cartão.
c) Sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto:
As plantas precisam de sol.
Os professores simpatizaram com o novo aluno.
Todos confiam em mim.
d) Sujeito + verbo transitivo direto e indireto + objeto direto + objeto indireto:
O rapaz informou a hora ao transeunte.
Avisaram-me sobre o acidente.
Entregaram-no para a polícia.
e) Oração sem sujeito com verbo intransitivo ou transitivo:
Choveu muito ontem.
Nevou em várias cidades do sul.
Faz dias frios aqui.
Havia muitos carros lindos no Salão do Automóvel de 2011, em São Paulo.
Haverá comemorações pelo aniversário da cidade.
■ 4.2.1.3.4.3. Predicado verbo-nominal
É o predicado, composto de um verbo nocional, mais um predicativo (do sujeito ou do objeto). Terá dois núcleos: um será o verbo nocional e o outro será o predicativo. Normalmente, o predicativo do objeto se refere ao objeto direto. Eventualmente, pode-se referir ao objeto indireto do verbo chamar.
Estrutura do predicado verbo-nominal:
a) Sujeito + verbo intransitivo + predicativo do sujeito:
Os alunos chegaram atrasados.
Todos saíram apressados.
b) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto + predicativo do sujeito:
As meninas comeram o bolo alegres.
As mulheres deixaram o hospital felizes.
c) Sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto + predicativo do sujeito:
As meninas se referiram ao pai felizes.
Os alunos obedeciam ao professor alegres.
d) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto + predicativo do objeto:
O presente deixou as crianças felizes.
O professor tornou o exercício simples.

Quando o verbo é de ligação ou intransitivo, o predicativo é sempre do sujeito.
Quando o verbo é transitivo, pode haver predicativo do sujeito ou do objeto.

Se não houver predicativo, o predicado só pode ser verbal.
Se houver predicativo do sujeito, o predicado pode ser nominal ou verbo-nominal.
Se houver predicativo do objeto, o predicado só pode ser verbo-nominal.

Dica:

Há verbo de ação? - verbal: sim / nominal: não / verbo-nominal: sim
Há verbo de ligação - verbal: não / nominal: sim / verbo-nominal: não explícito
Há predicativo? - verbal: não / nominal: sim / verbo-nominal: sim

Sintaxe - Conceitos Iniciais - Resumo de Gramática

FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
■ 4.1.1. Frase
É todo enunciado que tem sentido completo e capaz de estabelecer comunicação. A frase pode ou não ter verbo.
Quando não tem, denomina-se FRASE NOMINAL.
“Eta, vida besta, meu Deus.” (Carlos Drummond de Andrade)
Fogo!
Embora as frases nominais não tenham verbo, conseguem comunicar ideias completas, pois pressupõem a presença de verbos ocultos subentendidos. Equivalem a:
Meu Deus, como essa vida é besta.
Está pegando fogo!

De acordo com o sentido expresso, a frase se classifica em declarativa (afirmativa e negativa), interrogativa, exclamativa, imperativa, optativa e imprecativa.
■ 4.1.2. Oração
É todo enunciado que contenha verbo ou locução verbal:
Todos querem...
Não sei, não.
“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.” (Machado de Assis)
■ 4.1.3. Período
É todo enunciado que possui verbo ou locução verbal (oração) e sentido completo (frase), ou seja, é uma frase com verbo, ou uma oração com sentido completo.
Pode ter uma ou mais orações. Deve terminar por ponto-final, ponto de interrogação, ponto de exclamação ou por reticências e, eventualmente, por dois-pontos, mas nunca por vírgula ou ponto e vírgula.
Se tem uma só oração, é período simples e a oração é absoluta; duas ou mais orações, período composto e a oração é coordenada, subordinada, reduzida ou principal:
■ Período simples: “O sertanejo é antes de tudo um forte.” (Euclides da Cunha)
■ Período composto: Chegou de mansinho, bateu, entrou e sentou-se calado.

Conjunção e Interjeição - Resumo de Gramática

Conjunção
É a palavra invariável que liga duas orações entre si, ou que, dentro da mesma oração, liga dois termos entre si independentes, estabelecendo relações de causa, tempo, condição, consequência, finalidade, adição, oposição etc.
■ 3.5.3.1. Conjunções coordenativas
Conjunções coordenativas são as que ligam duas orações ou dois termos (dentro da mesma oração), sendo que ambos os elementos ligados permanecem independentes entre si.
As conjunções coordenativas subdividem-se em:
■ 3.5.3.1.1. Aditivas
Ligam pensamentos similares ou equivalentes.
Principais conjunções: e, nem, mas também, mas ainda, como também, senão também (depois de não só), tampouco, além disso, ademais, outrossim, mais (na matemática ou em linguagem regional) etc.:
Radegondes não veio nem ligou.
■ 3.5.3.1.2. Adversativas
Ligam pensamentos que contrastam entre si.
Principais conjunções: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, não obstante, senão (= mas sim) etc.:
Ela saiu, mas voltará logo.
■ 3.5.3.1.3. Alternativas
Ligam pensamentos que se excluem ou se alternam.
Principais conjunções: ou (repetida ou não), ora, quer, já, seja, talvez (repetidas):
Você lavará a louça, ou limpará o quarto.
■ 3.5.3.1.4. Conclusivas
Ligam duas orações, sendo que a segunda encerra a conclusão ou dedução de um raciocínio.
Principais conjunções: logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, por consequência, pois (após o verbo da oração), destarte, dessarte etc.:
Ela estuda bastante, logo terá boas notas.
■ 3.5.3.1.5. Explicativas
Que ligam duas orações, sendo que a segunda se apresenta justificando a anterior.
Principais conjunções: pois (antes do verbo), porque, que, porquanto etc.:
Ela não irá à festa, porque haverá prova no mesmo dia.
■ 3.5.3.2. Conjunções subordinativas
Conjunções subordinativas são as que ligam duas orações, sendo que a segunda é sujeito, complemento ou adjunto da primeira. A primeira é oração principal da segunda, e esta é subordinada à primeira. As conjunções subordinativas subdividem-se em integrantes e adverbiais.
■ 3.5.3.2.1. Integrantes
São as que ligam duas orações, sem valor semântico específico, sendo que a segunda é sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto da primeira.
Principais conjunções: que, se.
É necessário que ela se case.
Eu não sei se o rapaz fará o trabalho.
■ 3.5.3.2.2. Adverbiais
São as que ligam duas orações, sendo que a segunda é adjunto adverbial da primeira, ou seja, a segunda expressa circunstância de finalidade, comparação, conformidade, proporção, tempo, condição, concessão, causa ou consequência.
As conjunções subordinativas adverbiais subdividem-se em:
■ 3.5.3.2.2.1. Causais
Ligam duas orações, sendo que a segunda contém a causa, e a primeira, o efeito.
Principais conjunções: porque, visto que, porquanto, já que, como, uma vez que, na medida em que etc.:
Ela saiu mais cedo, já que não havia mais trabalho a fazer.
■ 3.5.3.2.2.2. Comparativas
Ligam duas orações, sendo que a segunda contém o segundo termo de uma
comparação.
Principais conjunções: como, assim como, bem como, mais... (do) que, menos... (do) que, tão... quanto/como, tanto... quanto/como, tal qual etc.:
As meninas eram lindas como anjos.
■ 3.5.3.2.2.3. Concessivas
Ligam duas orações, sendo que a segunda contém um fato que não impede a realização da ideia expressa na oração principal, embora seja contrário àquela ideia (uma exceção).
Principais conjunções: (muito) embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, por melhor que, por pior que, nem que, apesar de que etc.:
Ela está sorrindo, embora se sinta triste.
■ 3.5.3.2.2.4. Condicionais
Ligam duas orações, sendo que a segunda expressa uma hipótese ou condição.
Principais conjunções: se, caso, salvo se, desde que, a menos que, sem que, contanto que, exceto se, a não ser que, uma vez que (com o verbo no subjuntivo) etc.:
Ela ficará feliz, se você for visitá-la.
■ 3.5.3.2.2.5. Conformativas
Ligam duas orações, sendo que a segunda expressa circunstância de conformidade ou modo.
Principais conjunções: como, segundo, conforme, consoante, de acordo com etc.:
Tudo aconteceu segundo havia previsto a cartomante.
■ 3.5.3.2.2.6. Consecutivas
Ligam duas orações, sendo que a segunda diz a consequência de uma intensidade expressa na primeira.
Principais conjunções: (tão)... que, (tal)... que, (tamanho)... que, (tanto)... que, de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que etc.:
Ela estudou tanto que foi a primeira colocada no concurso.
■ 3.5.3.2.2.7. Finais
Ligam duas orações, sendo que a segunda expressa circunstância de finalidade.
Principais conjunções: para que, a fim de que, que, porque:
Ela estudou, a fim de passar no concurso.
■ 3.5.3.2.2.8. Proporcionais
Ligam duas orações, sendo que a segunda expressa fato que decorre ao mesmo
tempo que outro, em relação de proporção.
Principais conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto menos... menos etc.:
À medida que os convidados chegavam, o baile ficava mais animado.
■ 3.5.3.2.2.9. Temporais
Ligam duas orações, sendo que a segunda expressa circunstância de tempo.
Principais conjunções: quando, enquanto, apenas, mal, logo que, depois que, antes que, até que, desde que, assim que, sempre que, toda vez que etc.:
Ela sorriu, quando me viu.

Interjeição
Palavra invariável que exprime emoções, estados de espírito e sensações.

Classificação:
As interjeições são classificadas de acordo com o sentimento que expressa. Essa classificação não é morfológica nem sintática, mas sim semântica ou estilística. Teremos, então, as interjeições de:

Interjeições de
alegria Oh!, Ah!, Oba!, Viva!, Opa!, Eta!, Eita!, Eh!, Eba!, Aleluia!, Gol!, Iupi!,…
Interjeições de
estímulo Vamos!, Força!, Coragem!, Ânimo!, Adiante!, Avante!, Eia!, Força!, Coragem!, Toca!, Vai nessa,… 
Interjeições de
aprovação Apoiado!, Boa!, Bravo!, Parabéns!, Ótimo!, Isso!, Perfeito!, Viva!, Bem feito!,…
Interjeições de
desejo Oh!, Tomara!, Oxalá!,…
Interjeições de
dor Ai!, Ui!, Ah!, Oh!,…
Interjeições de
surpresa Nossa!, Cruz!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Oh!, Puxa!, Quê!, Ué!, Barbaridade!, Uai!,…
Interjeições de
impaciência Diabo!, Puxa!, Pô!, Raios!, Ora!, Irra!, Hum!, Arre!,… 
Interjeições de
silêncio Psiu!, Silêncio!, Shh!, Basta!, Chega!, Pare!, Stop!, Não mais!,…
Interjeições de
alívio Uf!, Ufa! Ah!, Puxa!,…
Interjeições de
medo Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!, Jesus!, Ai!,…
Interjeições de
advertência Cuidado!, Atenção!, Olha!, Alerta!, Sentido!, Fogo!, Calma!, Devagar!,…
Interjeições de
concordância Claro!, Tá!, Hã-hã!, Certo!, Ótimo!, Perfeito!,…  
Interjeições de
desaprovação Credo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!, Droga!, Porcaria!, Bah!,… 
Interjeições de
incredulidade Hum!, Epa!, Ora!, Qual!, Ué!,…
Interjeições de
socorro Socorro!, Aqui!, Piedade!, Ajuda!, Acuda!,…
Interjeições de
cumprimentos Olá!, Alô!, Ei!, Oi!, Tchau!, Adeus!, Até!, Inté!, Salve!, Ave!, Viva!,…
Interjeições de
afastamento Rua!, Xô!, Fora!, Passa!, Sai!, Arreda!, Roda!, Vaza!,…
Interjeições de
agradecimento Obrigado!, Grato!, Valeu!,…
Interjeições de
desculpa Perdão!, Opa!, Desculpa!, Lamento!, Sinto muito!,… 

■ 3.5.4.1. Locuções interjetivas
Junção de duas ou mais palavras com valor de interjeição:

Ai de mim!
Alto lá!
Até logo!
Claro que sim!
Com certeza!
Com mil diabos!
Cruz credo!
Em frente!
Foi mal!
Fora daqui!
Graças a Deus!
Isso aí!
Macacos me mordam!
Meu Deus!
Meus parabéns!
Minha nossa!
Muito bem!
Muito obrigado!
Nossa Senhora!
Ó de casa!
Ora bolas!
Pobre de mim!
Puxa vida!
Que alegria!
Que alívio!
Que bom!
Que chato!
Que coragem!
Que dor!
Que horror!
Que maravilha!
Que pena!
Queira Deus!
Quem dera!
Quem me dera!
Raios te partam!
Santa Maria Mãe de Deus!
Santo Deus!
Se Deus quiser!
Sem dúvida!
Tomara eu!
Vá em frente!
Valha-me Deus!
Virgem Maria!
Virgem Santa!

Não confunda a interjeição ó (de chamamento) com oh (que expressa admiração, alegria, espanto ou dor).
Alguns substantivos, adjetivos, pronomes, verbos e advérbios podem funcionar como interjeições, por derivação imprópria.
Uma mesma interjeição pode expressar vários sentimentos.
Há ainda as interjeições imitativas, que expressam vozes e ruídos.

Preposição - Resumo de Gramática

Preposição
É a palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo relações de sentido ou de dependência.
A loja de José fica na Vila Mariana.
A preposição de relaciona José e loja, indicando uma relação de posse.
A preposição estabelece relações distintas entre as palavras. Vejamos algumas:
Autoria — pintura de Matisse;
Lugar — vou ficar em casa;
Tempo — viajaremos pela manhã;
Modo — voltou às pressas;
Causa — morrer de fome;
Assunto — falamos sobre economia;
Fim ou finalidade — enfeitamos a casa para o aniversário;
Instrumento — cortou o mato com a foice;
Companhia — viajei com o meu filho;
Meio — viajaremos de carro;
Matéria — comprei um anel de prata;
Posse — o carro de Radegondes;
Oposição — votaram contra o projeto;
Conteúdo — copo com água;
Origem — somos de Recife;
Destino — vou para a Europa.

Nem sempre a preposição apresenta valor semântico. Às vezes, ela é vazia de significado, funcionando como um mero elemento conector.
■ 3.5.2.1. Classificação da preposição
Podemos classificar as preposições de duas formas:
■ 3.5.2.1.1. Essenciais
São palavras que funcionam só como preposição:
a, ante, após, até
com, contra
de, desde
em, entre
para, per, perante, por
sem, sob, sobre
trás
■ 3.5.2.1.2. Acidentais
São palavras de outras classes gramaticais, que em certas ocasiões funcionam como preposição: conforme, consoante, segundo, durante, mediante, como, salvo, exceto, tirante, fora, que, menos, feito, senão, não obstante etc. São resultantes de uma derivação imprópria.
■ 3.5.2.2. Locução prepositiva
É um conjunto de duas ou mais palavras fazendo a ligação entre dois termos. Em geral, termina por uma preposição essencial.
abaixo de
acima de
acerca de
a fim de
além de
apesar de
antes de
depois de
ao invés de
diante de
em face de
em vez de
graças a
junto a
junto com
junto de
defronte de
através de
de encontro a
em frente de
em frente a
sob pena de
a respeito de
ao encontro de
não obstante (única locução prepositiva não terminada por preposição)
■ 3.5.2.3. Combinação, contração e crase
As preposições a, de, em e por, quando unidas a certas palavras, formam um só vocábulo.
■ 3.5.2.3.1. Combinação
A preposição não sofre mudança.
a) A + artigos definidos masculinos:
Eles foram ao cinema.
As meninas voltaram aos seus quartos.
b) A + ONDE (advérbio interrogativo/pronome relativo):
Aonde você foi?
Sempre quis conhecer a cidade aonde você foi nas férias passadas.
■ 3.5.2.3.2. Contração
A preposição sofre alguma mudança.
a) DE + artigos:
De + o(s) — do(s)
De + a(s) — da(s)
De + um — dum
De + uns — duns
De + uma — duma
De + umas — dumas
b) DE + pronomes pessoais:
De + ele(s) — dele(s)
De + ela(s) — dela(s)
c) DE + pronomes demonstrativos:
De + este(s) — deste(s)
De + esta(s) — desta(s)
De + esse(s) — desse(s)
De + essa(s) — dessa(s)
De + aquele(s) — daquele(s)
De + aquela(s) — daquela(s)
De + isto — disto
De + isso — disso
De + aquilo — daquilo
d) DE + pronomes indefinidos:
De + outro — doutro(s)
De + outra — doutra(s)
e) DE + advérbios:
De + aqui — daqui
De + aí — daí
De + ali — dali
f) EM + artigos:
Em + o(s) — no(s)
Em + a(s) — na(s)
Em + um — num
Em + uma — numa
Em + uns — nuns
Em + umas — numas
g) EM + pronomes demonstrativos:
Em + este(s) — neste(s)
Em + esta(s) — nesta(s)
Em + esse(s) — nesse(s)
Em + aquele(s) — naquele(s)
Em + aquela(s) — naquela(s)
Em + isto — nisto
Em + isso — nisso
Em + aquilo — naquilo
h) EM + pronomes indefinidos:
Em + algum — nalgum
Em + alguns — nalguns
i) EM + pronomes pessoais:
Em + ele(s) — nele(s)
Em + ela(s) — nela(s)
j) POR + artigos:
Por + o(s) — pelo(s)
Por + a(s) — pela(s)
■ 3.5.2.3.3. Crase
A fusão de vogais idênticas:
a) A + artigos definidos femininos:
A + a(s) — à(s)
b) A + pronomes demonstrativos:
A + a(s) — à(s)
A + aquele(s) — àquele(s)
A + aquela(s) — àquela(s)
A + aquilo — àquilo

É um caso especial de contração, que será abordado no capítulo de sintaxe.

Advérbio - Resumo de Gramática

Advérbio
Palavra invariável que funciona como modificador de um verbo, um adjetivo ou outro advérbio, expressando a circunstância em que ocorre a ação.
Palavras que modificam uma oração inteira, expressando opinião, julgamento ou ponto de vista, ou que expressam adição, afastamento, afetividade, aproximação, designação, exclusão, explicação, inclusão, limitação, realce, retificação e situação, chamam-se palavras denotativas.
Conforme a circunstância que expressam, os advérbios classificam-se em:
■ de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente, seguramente etc.
■ de dúvida: talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, eventualmente etc.
■ de intensidade: muito, demais, bastante, pouco, menos, tão, tanto, meio, quase, mais etc.
■ de lugar: aqui, ali, aí, cá, atrás, perto, abaixo, acima, dentro, fora, além, adiante etc.
■ de tempo: agora, já, jamais, ainda, sempre, nunca, cedo, tarde etc.
■ de modo: assim, mal, bem, devagar, depressa e grande parte dos vocábulos terminados em -mente: alegremente, calmamente, afobadamente etc.
■ de negação: não, absolutamente, tampouco etc.
■ 3.5.1.1. Locuções adverbiais
Uma locução adverbial é um conjunto de uma ou mais palavras que desempenham a função de um advérbio.
Geralmente, é formada por: preposição + substantivo/adjetivo/advérbio.
a) preposição + substantivo: na verdade
b) preposição + adjetivo: de novo
c) preposição + advérbio: por aqui
■ modo: às pressas, à vontade, à vista, em silêncio, de cor, ao acaso etc.
■ tempo: à noite, de manhã, à tarde, em breve, de vez em quando etc.
■ lugar: ao lado, de longe, por ali, à direita, de cima etc.
■ afirmação: com certeza, sem dúvida, de fato, com efeito, na verdade etc.
■ negação: de modo nenhum, de jeito nenhum, em hipótese alguma etc.
■ intensidade: de pouco, de todo, de muito, em excesso, por completo, em demasia, à beça etc.
■ dúvida: quem sabe, por certo etc.
■ 3.5.1.2. Advérbios interrogativos
As palavras onde, como, quando, usadas em frases interrogativas (diretas ou indiretas), são chamadas advérbios interrogativos.
■ Onde expressa circunstâncias de lugar.
Onde você mora?
Quero saber onde você mora.
■ Como expressa circunstância de modo (de que maneira).
Como se chega à casa de José?
Não sei como ele fez isso.
■ Quando expressa circunstância de tempo.
Quando você volta?

Alguns gramáticos propõem advérbios interrogativos de causa (por que), preço e intensidade (quanto) e finalidade (para que)
■ 3.5.1.3. Grau do advérbio
Os advérbios são considerados palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero e de número como os nomes, nem de pessoa, tempo, modo, voz e aspecto como os verbos. No entanto, alguns advérbios sofrem flexão de grau como os adjetivos.
■ 3.5.1.3.1. Grau comparativo
■ De igualdade — na formação do comparativo de igualdade, utilizamos o tão antes do advérbio e o como ou quanto depois: Os alunos chegaram tão cedo quanto os professores.
■ De superioridade — na formação do comparativo de superioridade, utilizamos o mais antes do advérbio e o que ou do que depois: Os alunos chegaram mais cedo do que os professores.
■ De inferioridade — na formação do comparativo de inferioridade, utilizamos o menos antes do advérbio e o que ou do que depois: Os alunos chegaram menos cedo do que os professores.
■ 3.5.1.3.2. Grau superlativo 
O grau superlativo dos advérbios é absoluto e pode ser analítico ou sintético.
■ Analítico — é formado com auxílio de um advérbio de intensidade: Cheguei muito cedo à escola ontem.
■ Sintético — é formado pelo acréscimo do sufixo ao advérbio: Cheguei cedíssimo à escola ontem.
Curiosidade: Os advérbios bem e mal admitem as formas de comparativo de superioridade sintéticas, melhor e pior, respectivamente. Eles também possuem formas irregulares para o superlativo - otimamente e pessimamente.

Na linguagem coloquial e familiar, e até na linguagem literária, é comum o uso do sufixo diminutivo ou a repetição do advérbio com valor superlativo.

Indecente ou indescente?

 Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...