sábado, 22 de agosto de 2020

Prof. Marcelo Bernardo - Novo Acordo Ortográfico e Emprego do Hífen

 Mudanças no alfabeto: são reintroduzidas as letras K, W e Y. Trata-se de uma oficialização

São usadas em abreviaturas e símbolos de unidades de medida e elementos químicos, em siglas, na sequência de enumeração, na grafia em assinaturas e firmas, na escrita de palavras ou expressões de uso internacional (não aportuguesadas)

Trema: não se usa nos grupos que, qui, gue, gui, para indicar que a letra u deve ser pronunciada, exceto nas palavras estrangeiras e em suas derivadas

Mudanças nas regras de acentuação:

Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Atenção: as palavras destróier, Méier (bairro carioca), contêiner e gêiser são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em r, como repórter.

Nota: Esta regra é válida somente para as palavras paroxítonas. Continuam sendo acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em éu, éi e ói. 

Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem após um ditongo. Se a palavra for oxítona e o i ou o u estiver em posição final, o acento permanece.

Não se usa mais o acento nas palavras terminadas em ôo ou êe, seguido ou não de s.

Não se usa mais o acento diferencial nos pares pára / para, péla / pela, pêlo / pelo, pólo / polo, pêra / pera e côa / coa. Permanece o acento diferencial em: pôr (verbo) e por (preposição), pôde (pretérito perfeito) e pode (presente).

Permanece o acento que diferencia o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como seus derivados (manter, conter, deter, reter, entreter, obter, abster-se, ater-se, suster, provir, convir, advir, intervir, desavir-se, sobrevir)

É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras fôrma e forma, mas recomendado para evitar ambiguidades.

Não se usa mais o acento agudo no u tônico nas formas do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir, muito usuais no meio jurídico. A conjugação desses verbos segue a mesma do verbo influir: tu influis, ele influi, eles influem.

Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, desaguar, enxaguar, minguar, averiguar, apaziguar, obliquar, delinquir, etc. Esses verbos admitem dupla pronúncia nas formas rizotônicas do presente do indicativo e seus derivados (presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e imperativo negativo).

Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas (mais comum no Brasil)

Se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas (mais comum em Portugal)

Uso do hífen:

Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exceções: subepático / sub-hepático, subumano / sub-humano.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com a qual se inicia o segundo elemento. Exceção: o prefixo co se aglutina com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia com a letra o - coordenar, coordenação, coordenador, etc.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento termina por consoante diferente de h, r ou s (HORAS). Com os prefixos sota, soto, vice e vizo, sempre se usa o hífen.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.

Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

Quando o prefixo termina em consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.

Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r.

Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n ou vogal, além do h já citado.

Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal ou consoante diferente de h.

Com os prefixos ex (no sentido de estado anterior ou cessamento), sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró (quando tônicos), sempre se usa o hífen.

Em 'extraordinário', não se trata do prefixo ex, e sim do prefixo extra. Em 'exportar' e 'excursão', trata-se do prefixo ex no sentido de movimento para fora, portanto não se usa o hífen.

Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Quando o elemento 'mirim' é adjetivo, não se usa o hífen.

Deve-se usar o hífen (e não o travessão, como era antes da Reforma Ortográfica) para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares

Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.

Para clareza gráfica, se, no final da linha, a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, este deve ser repetido na linha seguinte. Isso é mais uma questão de estética que de linguística.

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