quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Manual de Redação do Estadão - Letra A

A. Ver há, a.

A (para).

A algum lugar e não em. Com verbos de movimento, use a e não em: Fui ao teatro (e não no). / Cheguei à cidade (e não na). / Chamaram-no ao telefone. / Levou os filhos ao circo. / Desceu ao segundo andar. / Voltou ao Brasil. / Saiu à janela. Igualmente: chegada a, ida a, vinda a.

Abade. Feminino: abadessa.

"Abalo sísmico". É termo científico. Prefira terremoto, tremor de terra ou simplesmente abalo.

Abdicar. 1 - Prefira a regência indireta: D. Pedro I abdicou da coroa do Brasil. / Nunca abdicava dos seus princípios. 2 - A forma direta (abdicou o trono, abdicou os seus princípios), menos usada, deve ser admitida somente em artigos ou comentários assinados. 3 - O verbo pode também ser intransitivo (dispensa complemento): D. Pedro I abdicou. / Por já estar muito velho, o rei achou melhor abdicar.

Abdome. Prefira esta forma a abdômen.

Abençoar. Conjuga-se como magoar.

Abolir. Conjugação. Pres. ind.: Aboles, abole, abolimos, abolis, abolem. Pres. subj.: Não existe. Imper. afirm.: Abole, aboli. (Não tem a 1.ª pessoa do pres. ind.)

Abreviaturas.

Abrir. Alguém abre alguma coisa ou alguma coisa abre-se (de preferência): Prefeito abre centro hoje / Feira abre-se (e não abre) com móveis do futuro

Abster-se. Conjugação. Pres. ind.: Abstenho-me, absténs-te, abstém-se, abstemo-nos, abstendes-vos, abstêm-se. Imp. ind.: Abstinha-me, etc. Pret. perf. ind.: Abstive-me, etc. M.-q.-perf. ind.: Abstivera-me, etc. Fut. pres.: Abster-me-ei, etc. Fut. pret.: Abster-me-ia, etc. Pres. subj.: Que me abstenha, etc. Imp. subj.: Se me abstivesse, etc. Fut. subj.: Se me abstiver, etc. Imper. afirm.: Abstém-te, abstenha-se, abstenhamo-nos, abstende-vos, abstenham-se. Ger.: Abstendo-se. Part.: Abstido.

Acabamento final. Pleonasmo. Não existe acabamento inicial.

Acabar. 1 - Acabar, com maior propriedade, equivale a completar, terminar, concluir: Já acabaram o serviço. / Pretende acabar o livro esta semana. 2 - Ninguém, no entanto, acaba uma greve, uma assembléia ou um déficit. Use estes equivalentes mais corretos: Acordo põe fim (e não acaba) à greve dos metalúrgicos. / Professores suspendem (e não acabam) a greve. / Bancários encerram (e não acabam) a assembléia. 3 - Intransitivamente, porém, esse uso é correto: Acaba a greve dos portuários. / Acaba a assembléia dos motoristas de táxi.

Acabar com. 1 - Significa pôr fim a ou destruir, dar cabo de: A empresa acabou com as mordomias. / Sua força acabou com os adversários. 2 - Por isso, para dizer que alguma coisa se encerra simultaneamente com outra, use termina ou encerra-se: Bienal termina (encerra-se) hoje com promoções (para evitar o duplo sentido presente em acaba hoje com promoções).

Acaso, caso. Com se, use acaso: Se acaso você chegasse... / Se acaso você quiser... Caso rejeita o se: Caso você queira... / Caso você chegasse... Acaso pode também aparecer em frases como: Acaso lhe perguntaram alguma coisa?

Aceitado, aceito. Com ter e haver, use aceitado; com ser e estar, aceito: Tinha (havia) aceitado, foi (estava) aceito.

Acender-se. Alguma coisa se acende e não acende, apenas: A lâmpada acendeu-se. / Seus olhos acenderam-se de emoção.

Acendido, aceso. Com ter e haver, use acendido; com ser e estar, aceso: Tinha (havia) acendido, foi (estava) aceso.

Acentuação.

Acerca de, cerca de, há cerca de. 1 - Acerca de. Equivale a sobre, a respeito de: Falou acerca da nomeação, do autor, do governo. / Explique-me tudo acerca do PIS. 2 - A cerca de ou cerca de. Corresponde a perto de, aproximadamente: Os jogadores ficaram a cerca de 20 metros uns dos outros. / Cerca de 100 pessoas estavam ali. / Dizia isso a cerca de 50 alunos. / O exército ficou reduzido a cerca de duas dezenas de homens. / Encontrei-o a cerca de dois quilômetros da casa. 3 - Há cerca de. Usa-se no lugar de faz aproximadamente, desde mais ou menos: Há cerca de dois anos o governo baixou essas medidas. / Partiu há cerca de 15 minutos.

Acessar. Use o verbo apenas como sinônimo de acionar ou chamar um arquivo na informática. Mas ele não significa ter acesso a uma rodovia, por exemplo, como nesta frase: A melhor maneira de "acessar" o (de chegar ao, de atingir o) Guarujá no momento é pela balsa.

Achar, encontrar. Use achar para definir aquilo que se procura e encontrar para o que, sem intenção, se apresenta à pessoa: Achou o que procurava. / O menino achou o cão perdido. / Agricultores encontram fóssil em São José do Rio Preto. / Documento raro encontrado no porão da biblioteca.

Acidente, incidente. Acidente é um acontecimento imprevisto ou infeliz, desastre: acidente de trânsito, o acidente entre o ônibus e o caminhão, um acidente na estrada, acidente de trabalho, acidente pós-operatório. Incidente designa circunstância casual, episódio, peripécia, atrito: Um incidente entre os dois políticos. / O incidente fez que rompessem a amizade.

Aconselhar. Regência. 1 - Aconselhar alguém ou alguma coisa (tr. dir.): Os pais aconselharam o filho. / O líder aconselhou o emprego da persuasão. 2 - Aconselhar alguma coisa a alguém (tr. dir. e ind.): Aconselhou repouso ao doente. / Aconselhou aos sonegadores que pagassem seus débitos. / Todos lhe aconselharam cautela. 3 - Aconselhar alguém a alguma coisa (tr. dir. e ind.): Todos o aconselharam a esperar. / Aconselhei os irmãos a interná-lo. 4 - Aconselhar, apenas (intr.): É um homem que sabe aconselhar. 5 - Aconselhar-se com ou sobre (pron.): Todos se aconselharam com o advogado. / Aconselhou-se sobre o que fazer nesse caso.

Acontecer.

Acórdão. Plural: acórdãos.

Acordar. Use acordar como despertar e equivalentes. No sentido de ajustar, combinar, acertar, resolver de comum acordo, prefira uma destas formas.

Acudir. Conjugação. Pres. ind.: Acudo, acodes, acode, acudimos, acudis, acodem. Pres. subj.: Acuda, acudas, acuda, acudamos, acudais, acudam. Imper. afirm.: Acode, acuda, acudamos, acudi, acudam.

Por ele se conjugam: sacudir, bulir, consumir, cuspir, desentupir, escapulir, entupir, fugir, sacudir, subir, sumir, e o verbo subsumir, muito usual no meio jurídico. O verbo consumar, muito usual no meio jurídico, segue o paradigma dos verbos regulares da 1ª conjugação. São regulares, no entanto, os verbos assumir, presumir e resumir.

Acumular. Um prêmio ou alguma coisa acumula-se, e não acumula, apenas: Prêmio da Sena acumula-se (e não acumula) novamente. / Os livros acumulavam-se (e não acumulavam) sobre a mesa.

Acusações.

"Acusar que". Acusa-se alguém, mas não se acusa que alguém...

Adentrar. Não use. Opções: entrar, penetrar, ingressar.

Adentro. Uma palavra só: mato adentro, porta adentro, país adentro, noite adentro.

Adequar. Conjugação. Pres. ind.: Adequamos, adequais (não tem as outras pessoas). Pres. subj.: Adequemos, adequeis. Imper. afirm.: Adequemos, adequai. Imper. neg.: Não adequemos, não adequeis. Os demais tempos são regulares: adequava, adequou, adequara, adequará, adequaria, adequasse, etc. Em vez dos inexistentes "adequa" ou "adeqüe", use, portanto, ajusta, ajuste, adapta, adapte ou equivalente.
O dicionário Houaiss considera válidas as formas adéquo, adéquas, adéqua, adéquam, adéque, adéques, adéque, adéquem.

Aderir. Conjugação. Pres. ind.: Adiro, aderes, adere, aderimos, aderis, aderem. Pres. subj.: Adira, adiras, adira, adiramos, adirais, adiram. Imper. afirm.: Adere, adira, adiramos, aderi, adiram.

"Adiar para depois". Redundância. Não se adia nada para antes.

Adivinhar, adivinho. Com di.

Adjetivação.

Adjetivo por advérbio.

Administração regional. Em maiúsculas quando especificada: Administração Regional (ou Regional, apenas) da Lapa, Administrações Regionais (ou Regionais) da Sé e Pinheiros. Em minúsculas quando não especificada: a administração regional, essa administração regional, a regional, essa regional, as regionais, as administrações regionais.

Administrar. Construções como administrar a situação, administrar o conflito, administrar a vitória, etc., não existem formalmente no idioma e só devem ser usadas em textos muito especiais, mas não no noticiário.
Administrar, a rigor, só existe no sentido de conduzir, governar, comandar, controlar, gerenciar, dirigir, superintender, reger, servir, tutelar, aplicar, fornecer, ministrar, subministrar.

Advérbios em mente. 1 - Os advérbios terminados em mente formam-se pelo acréscimo do sufixo à flexão feminina do adjetivo: espertamente, francamente, lindamente. 2 - Se o adjetivo terminar em ês, apenas se adiciona a terminação mente: portuguesmente, burguesmente. 3 - Repare que o acento original do adjetivo desaparece: logicamente (e não lògicamente, como antes), portuguesmente (e não portuguêsmente), somente, etc. 4 - Quando houver mais de um advérbio na frase, use o sufixo apenas no último, deixando os demais adjetivos na forma feminina: Ali estava ela, sóbria e elegantemente trajada. / Dura, mas lealmente disputadas, eram eleições decisivas para o destino do país. 5 - Por uma questão de ênfase, a terminação mente pode ser repetida: Agia sempre ponderadamente e calmamente (no Estado, porém, use a forma reduzida, exceto na transcrição de declarações textuais).

Advertir (conjugação). Como servir: advirto, advertes; que eu advirta; etc.

Advertir (regência). 1 (tr. dir.) - Admoestar, observar, prevenir: O pai advertiu severamente os filhos. / EUA advertem que reagirão aos ataques no Golfo Pérsico. / Só então advertiu que era tarde. / Escapou do perigo porque o advertiram. 2 (tr. ind.) - Atentar: Custou, mas advertiu naquele detalhe. 3 (tr. dir. e ind.) - Advertir alguém de alguma coisa ou advertir a alguém alguma coisa: O governo adverte o País dos riscos da recessão. / Fazenda adverte o presidente de que a inflação foge ao controle. / Advertiu-o de que se enganava. / As empresas advertiram aos consumidores que iam faltar produtos no mercado. Observação: Com as preposições para, sobre e contra, use alertar.

Aedes. Em itálico. Aedes tem inicial maiúscula: Aedes aegypti, Aedes albopictus (tigre asiático).

Aero... Liga-se sem hífen ao termo seguinte. O h intermediário desaparece, enquanto o r e o s devem ser dobrados: aeroespacial, aeroclube, aerorraquia, aerossol, aeroterrestre.

"Aeródromo". Use apenas aeroporto.

Afazer. Conjuga-se como fazer.

Afegão. Use esta forma, e não afegane. Flexões: afegã, afegãos, afegãs.

Aficionado. Um c só. Deriva de afeição ou ofício, e não de ficção. Rege as preposições a (literária) ou de (preferível): aficionado do teatro, aficionado da televisão, aficionado à internet, aficionado à música. Não existe 'aficionado por' nem, muito menos 'aficcionado'

Afim, afim de, a fim de. 1 - Afim, numa única palavra, corresponde a semelhante ou parente por afinidade: almas afins, vocábulos afins, o sogro é afim (parentesco sem laço sanguíneo) da nora. 2 - A fim de equivale a para: Chegou cedo a fim de terminar o serviço. 3 - Estar a fim de, no sentido de estar com vontade de, só deve figurar em textos coloquiais ou declarações: Está a fim de sair hoje.

Afora. Concordância: ver exceto.

Afora, a fora. 1 - Afora, numa palavra só, significa à exceção de, além de, para o lado de fora, ao longo (tempo e espaço): Saíram todos, afora (menos, à exceção de) o pai. / Teve sete filhos, afora (além de) alguns bastardos. / Saiu pela porta afora (para o lado de fora). / Andou pelo Brasil afora (ao longo, espaço). / Não estudou pelo ano afora (ao longo, tempo). 2 - A fora, separadamente, existe apenas em oposição a dentro: De dentro a fora.

Aforismo. E nunca aforisma.

Afro. 1 - Pode ser adjetivo e substantivo, flexionando-se normalmente: os povos afros, ritmos afros, música afra, cabeleiras afras, os afros do centro do continente, etc. 2 - Como prefixo, exige hífen na constituição de adjetivos pátrios: afro-asiáticos, afro-brasileiro, afro-lusitano, afro-negro. Nos demais compostos, não há hífen: afrolatria, afrogenia, etc.

"Agilizar", "agilização". Palavras vetadas. Use dinamizar, tornar mais ágil, acelerar, apressar, estimular ou incentivar, conforme o caso (e os substantivos correspondentes).

Agitar. Evite. A palavra cria títulos muito genéricos, como: Greve de jogadores agita Fluminense. / Tiroteio agita favela. / Atentado agita Jerusalém. Greve, tiroteio e atentado fazem bem mais do que agitar um lugar.

Agradar. 1 - Use agradar como transitivo indireto (com preposição a) no sentido de satisfazer, contentar: As novas medidas agradaram aos empresários. / Nada lhe agradaria mais. 2 - Como transitivo direto (sem preposição), empregue agradar apenas como equivalente a acariciar, afagar: Agradou o filho. 3 - O verbo pode ainda ser intransitivo: O espetáculo agradou muito. E pronominal: Agradava-se dos amigos.

Agradecer. Regência. 1 (tr. dir.) - Mostrar-se grato por: Agradeceu o favor recebido. 2 (tr. ind.) - Demonstrar gratidão: Recebi o livro e ainda não lhe agradeci.3 (tr. dir. e ind.) Demonstrar gratidão a alguém: Agradeceu a Deus a graça alcançada. / Agradeceu-lhes a gentileza. 4 - (intr.) Ganhou um presente e nem agradeceu.Observações: Como se agradece sempre a alguém, não existe a forma "agradecê-lo", mas apenas agradecer-lhe. Igualmente não se agradece alguém por alguma coisa, como neste exemplo real: Técnico "agradece jogador" pela homenagem.

Agravante. Palavra feminina: a agravante, uma agravante.

Agredir. Conjugação.Pres. ind.: Agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem. Pres. subj.: Agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam. Imper. afirm.: Agride, agrida, agridamos, agredi, agridam.

Agreement. Use a forma inglesa, agreement, e não a francesa, agrément.

"Agricultável". Prefira cultivável.

Agro... Liga-se sem hífen à palavra ou elemento de composição seguinte: agroaçucareiro, agrogeografia, agroindústria, agropecuária, agrovila.

Aguar. Verbo regular. Conjugação. Pres. ind.: Águo, águas, água, aguamos, aguais, águam. Pret. perf.: Agüei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram. Pres. subj.: ágüe, ágües, ágüe, agüemos, agüeis, ágüem. Imper. afirm.: água, ágüe, agüemos, aguai, ágüem. Imper. neg.: Não ágües, não ágüe, não agüemos, não agüeis, não ágüem.

Aids.Inicial minúscula: Aumenta o número de casos de aids.

Ajuda de custo. E não de custas.

Ajudar. Regência. 1 - Ajudar alguém ou alguma coisa: Ajudou o pai, ajudou os amigos. / Óculos ajudam a leitura. 2 - Ajudar alguém em (antes de substantivo) ou ajudar alguém a (antes de infinitivo): O filho ajuda o pai na loja. / Todos o ajudaram no serviço. / Ele o ajudou a conseguir emprego. / O menino ajudou a mãe a sair. 3 - Ajudar a: Ler ajuda a pensar. 4 - Ajudar a alguém: Eles ajudaram ao amigo. / Não lhe posso ajudar agora. (É regência a evitar, porém.) 5 - Ajudar, apenas: Disse que queria ajudar e não atrapalhar. / Procure alguém para ajudar. 6 - Ajudar-se: Todos se ajudaram. / Se ele não se ajudasse, não teria sarado.

...al. Cuidado, pois o sufixo forma palavras eruditas e às vezes pernósticas: demissional, emergencial, laboratorial, congressual, ficcional, dialogal, situacional, etc.

"À la". Use à, apenas, e não à la em frases como: Piloto à Senna (e não à la Senna), decisão à mineira (e não à la mineira). Igualmente, filé à moda (e não à la moda). É imitação de construção francesa.

Alá. Desta forma, e não Allah.

Alazão. Flexões: alazã, alazões (prefira) e alazães (existente, mas literária).

Alcaide. Apenas em editoriais ou artigos assinados, como sinônimo de prefeito. Feminino: alcaidessa.

Álcool. Plural: álcoois.

Alcorão. Use esta forma, e não Corão . Plural: Alcorões (prefira) e Alcorães.

Aldeão. Flexões: aldeã, aldeões (prefira), aldeães (literária) e aldeãos (literária).

Além. Dispensa também e ainda: Além de criticar a oposição, censurou os aliados (e não "também censurou" ou "ainda censurou").

Além... Exige hífen: além-atlântico, além-fronteiras, além-mar, além-túmulo, Além-Paraíba. No entanto: Alentejo, alentejano.

Alemão. Flexões: alemã, alemãs e alemães.

Alemão-ocidental. Flexões: alemães-ocidentais, alemã-ocidental e alemãs-ocidentais.

Alemão-oriental. Flexões: alemães-orientais, alemã-oriental e alemãs-orientais.

Alerta. 1 - Palavra invariável quando interjeição ou advérbio: Alerta! Os inimigos vêm aí. / Os homens vigiavam o farol alerta (alerta = atentamente). 2 - É variável quando adjetivo, com o sentido de atento, ou substantivo, como sinônimo de aviso ou sirene: Vigiam com cuidado, são homens alertas (= atentos). / Ambos estavam alertas (= atentos). / As sentinelas deram vários alertas. / Os alertas dos bombeiros soaram.

Alertar. Regência. 1 - A regência usual é a direta: O barulho alertou os vigilantes. 2 - Admite-se, modernamente, o verbo como transitivo direto e indireto (alertar alguém de, para, sobre e contra alguma coisa): Alertou-o de que este não era o momento. / Alertou o amigo para (sobre) os riscos da decisão. / O governador alertou os cidadãos contra o radicalismo. 3 - Também pode ser usada a forma alertar para (apenas nos títulos), sem menção à pessoa ou coisa alertada: Médicos alertam para o perigo do uso de pesticidas. / Relator alerta para atraso na votação do projeto. 4 - Não existe a forma alertar que (alerta-se alguém, mas não se alerta que).

Alface. Palavra feminina: a alface.

Algo de. Concordância: ver alguma coisa de.

Alguém. 1 - Deve ser empregado apenas no sentido positivo: Alguém está aí? / Queria ser alguém na vida. / Se alguém perguntar, diga que saímos. 2 - Em frases negativas, use ninguém: Falou o que quis, sem que ninguém (e não alguém) o contestasse. / Não via ninguém (e não alguém) que pudesse ajudá-lo.

Algum. 1 - Antes do substantivo, tem valor positivo: É necessário algum (um, certo) esforço para aprender. / Traga algum (qualquer) amigo com você. / Algum dia o País resolverá seus problemas. 2 - Depois do substantivo, equivale a nenhum e deve ser precedido de outra negativa, em geral não, nada, sem ou nem: Não fez esforço algum para aprender. / Chegou ontem, sem trazer amigo algum com ele. / Não aceitava gentilezas nem favor algum. 3 - Quando as expressões de modo, de maneira, de forma, de jeito e equivalentes dão valor negativo à oração, algum dispensa o uso de não, nem, nada e sem: De maneira alguma faremos isso. / De modo algum pude convencê-la.

Alguma coisa de. Concordância. 1 - O adjetivo que vem depois não varia: Ela tem alguma coisa de bom (e nunca de boa). / A moça ocultava alguma coisa de misterioso (e não de misteriosa). 2 - Se não houver preposição, faz-se a concordância normal: Ela tem alguma coisa boa. / A moça ocultava alguma coisa misteriosa. 3 - Seguem a mesma norma nenhuma coisa de, qualquer coisa de, algo de, nada de e tudo de: Ela tem tudo de bom. / A moça não tem nada de misterioso.

Algum (alguns) de (dentre). Concordância. 1 - No singular, o verbo concorda com algum: Algum de nós estará presente. / Algum de vós será convidado. / Algum deles concordará conosco. 2 - No plural, o verbo concorda com a palavra, expressão ou pronome que vier depois de alguns de ou alguns dentre: Alguns de nós estaremos presentes. / Alguns dentre vós sereis convidados. / Alguns deles concordarão conosco. 3 - Modernamente, a tendência - já aceita pelos gramáticos - é levar o verbo para a terceira pessoa: Alguns de nós estarão presentes. / Alguns dentre vós serão convidados. / Alguns de nós continuam vivos. 4 - Seguem a mesma regra: diversos de, muitos de, nenhum de, poucos de, qual(is) de, qualquer (quaisquer) de, quantos de, um (uns) de e vários de.

Álibi. Aportuguesado, com acento. Plural: álibis.

Alternativa. 1 - Não use a forma outra alternativa, uma vez que a alternativa é sempre outra: Não havia alternativa. / Eles não tinham alternativa. 2 - Evite, igualmente, única alternativa: se não há outra possibilidade, não se pode falar em alternativa. Substitua a palavra, neste caso, por saída, opção, recurso, procedimento, possibilidade, etc.

Alto-falante. Plural: alto-falantes. E atenção: alto e não "auto-falante".

Alto-forno. Plural: altos-fornos.

Alto-relevo. Plural: altos-relevos.

Alunissar, alunissagem. Use estas duas formas para definir o ato de pousar na Lua ou o próprio pouso.

Alvorada. Formas corretas: Palácio da Alvorada, o Alvorada.

Amálgama. Palavra proparoxítona. Embora admita os dois gêneros, prefira o masculino: um amálgama, o amálgama.

Ambi... Liga-se sem hífen à palavra ou elemento de composição seguinte: ambidestro, ambiesquerdo, ambissinistro, ambivalente.

Ambos, ambos os. 1 - Use apenas estas duas formas, uma vez que ambos os dois e ambos de dois, embora corretas, devem limitar-se às transcrições ou aos textos literários. 2 - A palavra refere-se tanto a pessoas como a coisas, órgãos ou grupos: Ambos chegaram atrasados. / Que livros escolheu? Ambos. / Nesse cenário, ambos, soldados e jagunços, mediam forças. 3 - Quando o substantivo determinado por ambos estiver claro, é obrigatório o uso do artigo: Representava ambas as casas do Congresso. / Consulte ambos os livros. / Segurou o rosto com ambas as mãos.4 - Escreva, sem receio, pessoas de ambos os sexos: ninguém vai pensar em hermafroditas.

A menos de. Ver há menos de.

À mesa. Na locução, à dá idéia de proximidade, equivalendo a junto à: Sentou-se à mesa. / Tomou lugar à mesa. Na mesa seria sobre a: Subiu na mesa para trocar a lâmpada. Da mesma forma, ao volante, àmáquina (e não na máquina), ao piano, à janela, etc.

A meu ver. E não ao meu ver.

Amoral, imoral. Amoral equivale a que não tem o senso da moral: Trata-se de um indivíduo amoral. / A arte, para Oscar Wilde, é amoral (e nunca imoral). Imoral designa o que viola os princípios da moral: Trata-se de um indivíduo imoral (isto é, libertino, lascivo). / Este livro é imoral.

Amostragem. Use a palavra somente para designar o processo de seleção de uma amostra com fins estatísticos: A amostragem utilizada na pesquisa... Nos demais casos, o que se deve empregar é amostra, simplesmente.

Amsterdã. Desta forma. Os naturais da cidade são: amsterdamês, amsterdamesa, amsterdameses e amsterdamesas.

Anão. Flexões: anã, anões (prefira) e anãos (literária)

Ancião. Flexões: anciã, anciãos (prefira), anciões e anciães (literárias).

Andaluz. Feminino: andaluza.

Aneurisma. Palavra masculina: o aneurisma.

Anexado, anexo. Para expressar uma ação, use anexado tanto com ter e haver como com ser e estar: Tinha (havia) anexado, foi (estava) anexado aos autos. Prefira anexo como adjetivo: casa anexa, documentos anexos.

Anexo. 1 - Não tem função de advérbio. Dessa maneira, são incorretas as formas: "Anexo" envio a carta. / "Em anexo" envio a carta. / "Anexo" a esta envio a carta. 2 - Como adjetivo, sua forma habitual, anexo deve figurar em frases como: Envio a carta anexa. / Prédios anexos ao central. / Anexas lhes encaminho as citações. / A certidão está anexa aos autos.

Anfitrião. Flexões: anfitriã (prefira), anfitrioa (literária) e anfitriões. O elemento 'anfi' pertence ao radical, não é prefixo que indica duplicidade, como em anfibologia, anfíbio ou anfiteatro.

Anglo... 1 - Hífen na formação de adjetivos pátrios: anglo-americano, anglo-brasileiro, anglo-saxão. Anglo-catolicismo segue a mesma norma. 2 - Nos demais compostos, não há hífen: anglofilia, anglofobia, anglomaníaco.

Animais. 1 - Use inicial minúscula para designar as raças de animais: cavalo manga-larga; gado santa gertrudes, holandês, aberdeen, jérsei; cão pastor alemão, fox-terrier, rottweiler, weimaraner; gato siamês; canário roller, etc. Repare que muitos nomes já estão aportuguesados. 2 - Para a formação do feminino, ver macho, fêmea.

Aniversário. Como o próprio nome diz, só ocorre uma vez por ano. Assim, como não existe aniversário mensal ou trimestral, use data-base ou vencimento para aplicações: As cadernetas com vencimento (ou data-base) hoje pagarão rendimentos de 5%. Segundo o gramático Cegalla, a construção 'aniversário natalício' não é pleonasmo vicioso, mas sim ênfase. É correto e recomendado especificar o tipo, uma vez que existe aniversário de casamento, de batismo etc.

Ano. a) Sem ponto: no ano 2000, em 2010, etc. b) Ver ao ano, ao dia, ao mês.

"Ano que vem". Prefira as formas no ano que vem ou no próximo ano, mais eufônicas que "ano que vem" ou "ano próximo": O IR mudará no ano que vem (ou no próximo ano).

Ansiar. Conjuga-se como odiar: anseio, anseia, anseiam, anseie, anseiem, etc.

Antártida. Desta forma. O adjetivo, porém, é antártico: zona glacial antártica, continente antártico, aves antárticas.

Ante... Hífen antes de h, r e s: ante-histórico, ante-republicano, ante-sala. Nos demais casos, o hífen não existe: anteato, anteestréia, anteontem, antediluviano.

"Antecipar que". Alguém antecipa alguma coisa, mas não antecipa que...

Ante o, ante a. Sem preposição ou crase: Sucumbiu ante o perigo (e não ante ao). / O Palmeiras caiu ante a Portuguesa (e não ante à).

Antes de, antes que. 1 - Antes de rege palavras: Antes de sair, pediu um favor. / Partiu antes do amanhecer.2 - Antes que liga orações: Saia antes que eu me irrite. / Seu vulto era visível antes mesmo que acendesse a luz. / Tomei a decisão antes que ele o fizesse.

Antever. Conjuga-se como ver: antevejo, antevês; antevia; antevi; que eu anteveja; se eu antevisse; se eu antevir; etc.

Anti... 1 - É seguido de hífen quando o segundo elemento começa por h, r e s: anti-histamínico, anti-rábico, anti-séptico, anti-semita. Nos demais casos: antiaéreo, antiespasmódico, antiinflacionário, antiofídico, anticristo, antimatéria, etc. 2 - Use o prefixo sempre com hífen quando ele se ligar a um nome próprio, substituindo a preposição contra: anti-Brasil, anti-Gorbachev, anti-Clinton, anti-EUA, anti-Rússia, anti-Mirage. 3 - Quando anti se liga a um substantivo comum, o adjetivo resultante não tem plural: carros antitanque (e não antitanques), medicamentos antichoque.

Antiguidade. Use sem trema, em qualquer sentido: Loja de antiguidades. / Referências à Antiguidade.

Antinotícia.

Antropo... Liga-se sem hífen à palavra ou elemento de composição seguinte: antropocêntrico, antropogeografia, antropomagnetismo, antropossociologia.

Anuir. 1 - É transitivo indireto e exige as preposições a e em: O juiz anuiu ao desejo do promotor. / Todos anuíram em sair. / Anuíram à proposta, ao pedido, à intenção. 2 - Pode ser intransitivo (sem complemento): Convidou-os a ficar e eles anuíram imediatamente.

"Anvers". Use Antuérpia.

Ao ano, ao dia, ao mês. 1 - Adote essas formas apenas para taxas e juros. Assim: O banco cobrava juros de 100% ao ano. A poupança crescia 6% ao ano. 2 - Em todos os demais casos, use por ano, por mês, por dia: Os funcionários recebiam 15 salários por ano (e não "ao ano ") / Eram turistas que podiam viajar para o exterior várias vezes por ano / A festa era realizada duas vezes por mês / Andava 10 quilômetros por dia. 3 - Escreva igualmente por semana, por quinzena, por semestre, etc.

Ao mês. Ver ao ano, ao dia, ao mês.

Aonde, onde. 1 - Aonde usa-se com verbos de movimento: Aonde ele foi? / Aonde essas medidas do governo vão levar? / Aonde nos conduzirão esses desmandos? 2 - Onde indica permanência: Onde ele está? / Encontrou os livros onde lhe indiquei. / Onde passaremos o dia?3 - Em termos práticos, aonde pode ser substituído por a que lugar, para que lugar, enquanto onde equivale a em que lugar.

Apagar-se. Prefira esta forma, e não apagar, apenas: A luz apagou-se. / É preciso evitar que os fornos se apaguem.

Aparecida. A cidade é Aparecida, e não "Aparecida do Norte".

Apaziguar. Conjuga-se como averiguar.

Apelar para. 1 - O certo é apelar para e não apelar a: Agricultores apelam para o governo. / Pais apelam para secretário contra escola. / Não sabiam para quem apelar. 2 - Se a estrutura da frase exigir outro para, use então recorrer em vez de apelar: A propaganda recorre ao nu masculino para atrair o público feminino. 3 - Existe ainda a forma apelar de (interpor recurso): O advogado apelou da sentença.

Apelidos. 1 - No caso de ser necessário identificar as pessoas por apelidos, escreva-os em itálico: Zelão, o Gordo, Fumaça, etc. 2 - A norma não vale para os apelidos de domínio público ou de esportistas, que devem ser grafados em corpo normal: Chico Buarque, Zé Ramalho, Juca de Oliveira, Careca, Bebeto, Didi, etc.

Apiedar-se. Prefira ter pena de. Se necessário, porém, conjugue o verbo como regular: eu me apiedo, tu te apiedas; que eu me apiede, que tu te apiedes (e não que eu me apiade); etc.

"Apoiamento". Não existe. Use compromisso de apoio ou forma semelhante.

"Apontar que". Alguém aponta alguma coisa, mas não aponta que...

Aportuguesamento. Ver palavras estrangeiras.

Após. Usa-se em formas como: Saiu após o pai. / Ano após ano. / Após si. / Falaremos após. / Após o jogo. Após ao, do jargão esportivo, não existe. Sempre que possível, porém, prefira depois de, mais usual.

Aposentar-se. Alguém se aposenta e não aposenta, simplesmente: Muitos acham que o brasileiro se aposenta cedo. / Ele já se aposentou.

Após mais particípio. Com particípio, use depois de e nunca após: depois de realizado (e não após realizado ou após a realização), depois de promulgada (e não após promulgada ou após a promulgação), etc. Use 'após' depois de substantivo.

Aposto.

Apóstrofo.

Aprazer. Conjugação. Pres. ind.: Aprazo, aprazes, apraz, aprazemos, aprazeis, aprazem. Imp. ind.: Aprazia, aprazíamos. Pret. perf. ind.: Aprouve, aprouveste, aprouve. M.-q.-perf. ind.: Aprouvera, aprouveras, aprouvera. Fut. ind.: Aprazerei, aprazerás, aprazerá. Fut. pret.: Aprazeria, aprazerias. Pres. subj.: Apraza, aprazas. Imp. subj.: Aprouvesse, aprouvesses. Fut. subj.: Aprouver, aprouveres. Ger.: Aprazendo. Part.: Aprazido.

Aprender. Antes de infinitivo, exige a: Aprendeu finalmente a respeitar os outros.

Aprovar. Governos não aprovam projetos nos Legislativos. Assim, o correto é: O governo tentará conseguir a aprovação rápida das reformas constitucionais. / O governo quer fazer aprovar no Congresso lei que simplifique os processos judiciais. / A Prefeitura quer convencer a Câmara a aprovar (ou quer fazer a Câmara aprovar...) a nova Lei do Zoneamento. E não: O governo quer aprovar no Congresso as reformas constitucionais. / A Prefeitura quer aprovar na Câmara a nova Lei do Zoneamento...

"Aprovar que". Alguém aprova alguma coisa, mas nunca se aprova que (alguém tenha feito algo, por exemplo).

Aproximadamente. 1 - Indica arredondamento: Aproximadamente cinco pessoas, aproximadamente 20 crianças. Assim, nunca escreva: Aproximadamente três pessoas, aproximadamente 123 crianças, etc. 2 - A concordância é expressa pelo numeral ou equivalente: Perdeu-se aproximadamente 1 tonelada de cereais. / Aproximadamente 20 carros se chocaram.

Aproximar-se. Alguém ou alguma coisa aproxima-se de, e não aproxima de apenas: A temperatura aproxima-se (e não aproxima) dos 40 graus. / Este é o exemplo que mais se aproxima do caso citado.

Aquele. Ver este, esse, aquele.

Àquele, àquela, àquilo. Em vez de a aquele, a aqueles, a aquela, a aquelas e a aquilo, usam-se as formas àquele, àqueles, àquela, àquelas e àquilo: Deu o livro àquele aluno (ou àqueles alunos). / Fez o elogio àquela moça (ou àquelas moças). / Referiu-se àquilo.

Aquele de. Concordância no singular: Aquele de nós que irá. / Aquele de vós que fará. / Aquele dentre eles que sairá. No plural: Aqueles de nós que iremos. / Aqueles de vós que fareis. / Aqueles dentre eles que sairão. Modernamente, admite-se também: Aqueles de nós que irão. / Aqueles de vós que farão, etc.

Aquele que. Use aquele que, em vez de o que, apenas quando esta construção for de difícil pronúncia. Assim: O livro é aquele a que me referi, em vez de: O livro é o a que me referi. Nos demais casos, prefira o que: Este disco é o que pedi. / Condenou os que não o favoreciam.

Aquém... É sempre seguido de hífen: aquém-fronteiras, aquém-mar, aquém-oceano, aquém-pireneus. No entanto: aquentejano.

Aqui. Não pode ser usado para substituir São Paulo ou o Brasil em frases como: São Paulo joga hoje aqui. / Sting já está aqui. / Habitação, aqui, é um problema sério. / Ninguém mais quer viver aqui.

Aquilo. Ver este, esse, aquele.

Ar condicionado, ar-condicionado. Sem hífen, é o ar que está condicionado, regulado por um aparelho específico: O ar condicionado lhe faz mal. Com hífen, designa o aparelho condicionador de ar: Comprou um ar-condicionado. Plural: ares-condicionados.

Areal, areão, arear. Sem i.

Argüir. Conjugação. Pres. ind.: Arguo, argúis, argúi, argüimos, argüis, argúem. Imp. ind.: Argüia, argüias, etc. Pret. perf. ind.: Argüi, argüiste, argüiu, argüimos, argüistes, argüiram. M.-q.-perf. ind.: Argüira, argüiras, argüira, etc. Pres. subj.: Argua, arguas, etc. Imper. afirm.: Argúi, argua, arguamos, argüi, arguam. Conjuga-se da mesma forma o verbo redargüir. A conjugação segue a mesma do verbo influir.

Arqui... Exige hífen antes de h, r e s: arqui-hiperbólico, arqui-romântico, arqui-secular. Nos demais casos: arquiavô, arquiesdrúxulo, arquiinimigo, arquidiocese, arquimilionário.

Arrear, arriar. Arrear - preparar, enfeitar: Arreou o cavalo. Arriar - baixar: Arriou a bandeira.

Ar refrigerado, ar-refrigerado. Sem hífen, é o ar que está artificialmente filtrado e regulado por um aparelho específico, podendo ser resfriado, aquecido e/ou umidificado: O ar refrigerado resseca a pele. Com hífen, é o aparelho específico que regula a temperatura de espaços fechados: O ar-refrigerado da sala resseca a pele. Plural: ares-refrigerados.

Arreglo. E não "arrego": O lutador pediu arreglo. / Não era homem de arreglos. Prefira acordo, composição ou ajuste.

"Arriscando cair". Use ameaçando cair.

Arruinar. Conjugação. Pres. ind.: Arruíno, arruínas, arruína, arruinamos, arruinais, arruínam. Pres. subj.: Arruíne, arruínes, arruíne, arruinemos, arruineis, arruínem. Imper. afirm.: Arruína tu, arruinai vós. Nos demais tempos, o acento cai na terminação e não no i (arruinei, arruinara, etc.).

Artesão. Flexões: artesã e artesãos.

Artigo definido.

Artigo indefinido.

Artigos. 1 - Até 10, em ordinais; de 11 em diante, use cardinais: artigo 1.º, artigo 10.º, artigo 18, artigo 42. 2 - No texto corrido, empregue a palavra por extenso. Só adote a forma abreviada na transcrição de documentos em que ela figure dessa maneira. 3 - Abreviatura: art., arts.

A seu ver. E não "ao seu ver". Igualmente: a meu ver, a nosso ver,etc.

Aspas.

Aspirar. Regência. 1 (tr. dir.) - Inalar, respirar, absorver: Aspirou o ar viciado. / Aspiramos o doce perfume. 2 (tr. ind.) - Desejar muito, pretender: Aspirava ao cargo de gerente. / Era tudo a que aspirava. 3 - Não admite a forma pronominal lhe, que deve ser substituída por a ele, a ela: O valor do prêmio fez que aspirassem ardentemente a ele.

Assassinar. Significa matar premeditadamente: Assassinou o adversário. Nos demais casos use matar: Matou o ladrão.

Assassino de. Parricida - do pai; matricida - da mãe; fratricida - do irmão ou da irmã; filicida - do filho; uxoricida - da esposa; mariticida - do marido; infanticida - de uma criança, especialmente de recém-nascido; regicida - de um rei; deicida - de um deus; homicida - de outra pessoa; suicida - de si próprio. Os substantivos correspondentes: parricídio, matricídio, fratricídio, etc.

Assentir. Regência. 1 - No sentido de concordar, consentir, prefira a regência assentir em: Assentiram em ficar. / Assentiu em fazer a doação. / Assentiu no pedido. 2 - Como sinônimo de ceder ou aceder, assentir constrói-se melhor com a: Assentiu ao pedido da filha. / Assentiu aos desejos dos colegas. 3 - Pode ainda ser intransitivo (sem complemento): Insistiram tanto que ele assentiu.

Assessoria. Use Assessoria de Imprensa, desde que o órgão tenha esse nome formal. A pessoa é assessor de Imprensa.

Assim como. Concordância. 1 - No caso de sujeito composto ligado por assim como, o verbo concorda com o primeiro deles: O pai, assim como o filho, sofre de diabete. A razão do singular: há uma idéia de predominância do primeiro elemento sobre o segundo. Proceda da mesma forma com bem como, com, como, da mesma forma que, do mesmo modo que, etc. 2 - O plural se justifica apenas nos casos (raros) em que se queira atribuir a mesma importância aos dois sujeitos: O presidente, assim como (bem como, com, como, da mesma forma que, do mesmo modo que) o primeiro-ministro, compareceram à cerimônia.

Assistência. Apenas no basquete. No futebol, use passe.

Assistir. l - No sentido de presenciar ou comparecer, exige sempre a preposição a: Assisti ao jogo. / A comitiva assistiu à abertura dos trabalhos da Câmara. / Os fiéis assistiram à missa. Observações. Uma vez que não existe voz passiva com verbo transitivo indireto, é errado dizer: O jogo "foi assistido" (o certo: visto, presenciado) por 50 mil pessoas. Ainda sobre um jogo ou espetáculo, não se pode escrever que alguém queria "assisti-lo", mas apenas assistir a ele (pelo fato de o verbo ser indireto, rejeita o o como complemento). 2 - Como sinônimo de prestar assistência a, ajudar, socorrer, o verbo constrói-se em geral com objeto direto: O médico assistiu o doente. / Os governos federal e estadual assistiram os flagelados. 3 - Com a preposição a, pode ainda equivaler a favorecer, caber (direito ou razão), caso em que admite também o pronome lhe: Não assistia direito algum aos reclamantes. / É claro que lhe assiste razão nesse caso. 4 - À exceção do item 3, assistir rejeita lhe. Assim, para substituir a frase nós assistimos à sessão, só se pode dizer que assistimos a ela e não que "lhe" assistimos. 4 - No sentido de morar ou residir, é intransitivo, com a preposição em iniciando adjunto adverbial de lugar: João assiste em São Paulo. (uso mais literário)

Assumir. 1 - Em inglês é que assumir significa supor, tomar como certo, admitir, considerar. Por isso, use uma destas opções em frases como: "Assumindo" (supondo, considerando) que a idéia seja viável, como executá-la? / Consulado "assume" (admite, reconhece) que há falhas nos vistos. / Médico "assume" (admite) ter abusado de paciente. / "Assumindo"(tendo como certo, admitindo) que ocorresse a fecundação, o desenvolvimento do embrião seria duvidoso. 2 - Não use, portanto, em nenhuma hipótese, a forma assumir que... 3 - No sentido de chamar ou tomar para si, o que se assume é a responsabilidade, o risco, o dever, a autoria, a função, o encargo de alguma coisa, e não essa coisa em si. Veja os exemplos: O grupo assumiu a autoria do atentado (e não o grupo assumiu o atentado). / O funcionário assumiu a responsabilidade pelos erros (e não assumiu os erros). / O Banco Central assumiu o encargo das negociações (e não assumiu as negociações).

Asterisco. E não "asterístico".

Astro... Liga-se sem hífen ao termo seguinte: astroarqueologia, astronavegação, astrorriza, astrossofia.

A tempo. Ver há tempo, a tempo.

Até ... não. Use nem e não "até ... não": Nem o presidente ficou alheio às divergências (em vez de: "Até" o presidente "não " ficou alheio às divergências).

Atender. B1 - Para pessoas, use a regência direta (atender alguém): O médico atendeu o doente. / O governo atenderá os prefeitos. / O ministro atendeu-os.Empregue também esta forma para telefone, campainha, bairro, cidade, região, etc., porque fica claro que se atendeu quem fez a ligação telefônica ou tocou a campainha e os moradores do bairro, cidade, região, etc.: Atendeu o telefone. / O prefeito e o vice atenderam a Vila Jaguara. / O governador disse que atenderá os municípios do sudeste do Estado. 2 - Para coisas (pedidos, sugestões, intimações, etc.), adote a regência indireta (atender a): Atendeu aos pedidos do pai. / Atenderam aos conselhos, às solicitações, ao requerimento, aos avisos, à intimação.

Atentado. Um grupo reivindica ou assume a autoria de um atentado, e não o próprio atentado.

Atenuante. Palavra feminina: a atenuante, algumas atenuantes.

Até o, até ao. Use até o, até a, até os e até as, em vez de até ao, até à, até aos e até às: Vou até o fim. / Levou a visita até a porta. / Estendeu suas terras até os limites do Estado. / Até as 8 horas.

Até porque. a) Porque em uma palavra só: Não deve se arrepender, até porque deixou o time em boa situação. b) A forma seria por que apenas no caso de substituir por qual, pelo qual: Até por que (por qual) caminho ele foi queriam saber.

Aterrissar. 1 - Com dois ss. Use também pousar e descer. 2 - Evite os modismos aterrissar na mesa de alguém, aterrissar no Congresso, aterrissar no Planalto, etc. 3 - Para pouso na Lua, use os termos alunissar e alunissagem.

Ateu. Feminino: atéia.

Atingir. Sem preposição: As medidas econômicas atingiram principalmente os (e não aos) mais pobres. / As pedras atingiram as crianças (e não às). / O frio atingiu o (e não ao) nível mais intenso. / A inflação atingirá 2% este mês (e não a 2%).

À-toa, à toa. 1 - À-toa é adjetivo invariável com o sentido de irrefletido, fácil, desprezível: problema à-toa, serviço à-toa, indivíduo à-toa, pessoas à-toa. 2 - Sem hífen, à toa significa sem destino, irrefletidamente, ao acaso, inutilmente: Fez o sacrifício à toa. / Andava à toa pela cidade. / Brigou com o amigo à toa. 3 - A forma atoa existe, é a flexão do verbo atoar, levar a reboque, muito usada por escritores antigos.

Atol. Inicial maiúscula: Atol de Mururoa, Atol das Rocas.

Atrair. Conjuga-se como cair.

Atrás, atraso, atrasar. Sempre com s.

Através de. 1 - Através exige sempre a preposição de. 2 - A locução, no seu sentido correto, equivale a por dentro de, de um lado a outro, ao longo de: Cavalgou através de prados e florestas. / Viajou através de todo o país. / Olhava através da janela. / Foi sempre o mesmo homem honesto através de anos e anos. 3 - Por isso não use através de como por meio de, por intermédio de ou por simplesmente, preferindo uma dessas formas: Soube da notícia pelo (e não "através do") rádio, pela imprensa, pela televisão. / Os mudos se comunicam por meio de gestos. / A notícia chegou por intermédio do porta-voz. / O gol foi marcado por Túlio. / O assunto foi resolvido por meio de decreto.

Audio... Liga-se sem hífen ao elemento seguinte: audiofreqüência, audiograma, audiotransformador, audiovisual.

À uma. Ver uma (crase).

Aumentar. Regência. 1 - Aumentar alguma coisa: As montadoras aumentaram os preços ontem. / Não parava de aumentar seu patrimônio. / O binóculo aumenta os objetos. / O estado de saúde aumentou sua ansiedade. 2 - Aumentar alguma coisa em: Aumentou o preço em 10%. / Aumentou o preço em 50 reais. / Aumentou em dez metros o comprimento da barreira. 3 - Aumentar em: A cidade não parava de aumentar em população. / O som aumentou em intensidade. 4 - Aumentar de: Aumentou de peso. 5 - Aumentar, apenas: Os problemas do País aumentaram muito. / Os preços aumentam todo dia.

Aumentativos.

Aumentos. 1 - Ao noticiar aumentos de preços, nunca deixe de mencionar o novo valor, a porcentagem do aumento e o preço anterior. Informe também se é o primeiro, terceiro ou quinto do ano e quanto o resultado acumulado já acusa. Se possível, compare sempre esse total com o índice de inflação até o momento (mostre se o aumento supera o índice ou fica abaixo dele). 2 - No caso dos carros, além de informar a porcentagem do aumento, registre o preço atual e o anterior de alguns dos principais modelos da fábrica.

Ausência. No singular em frases como: Com a ausência de Pedrinho e Almeida, o time... / Os presentes criticaram a ausência do governador e do prefeito na solenidade (e nunca "as ausências").

Austro... Liga-se com hífen ao termo seguinte na formação de adjetivos pátrios: austro-alemão, austro-brasileiro, austro-húngaro.

Auto... Hífen antes de vogal, h, r e s: auto-afirmação, auto-estrada, auto-indução, auto-ônibus, auto-hipnose, auto-retrato, auto-suficiência. Em outros casos: autodeterminação, autobiografia, autolotação, autovacina.

Autobiografia. Alguém escreve a autobiografia, e não a sua autobiografia (redundância). Autobiografia é a biografia de si mesmo.

Autópsia. Embora haja restrições à formação desta palavra, use-a livremente.

"Avacalhação", "avacalhar". Não use. São vulgaridades.

"Avant-première". Prefira pré-estréia, pois estrangeirismos são aceitos no noticiário apenas na linguagem da informática, da internet e do mundo dos negócios.

Avaro. Sem acento (pronuncia-se aváro).

Avenida. Inicial maiúscula: Avenida Faria Lima.

Averiguar. Conjugação. Pres. ind.: Averiguo, averiguas, averigua, averiguamos, averiguais, averiguam. Pret. perf. ind.: Averigüei, averiguaste, averiguou, etc. Pres. subj.: Averigúe, averigúes, averigúe, averigüemos, averigüeis, averigúem. Imper. afirm.: Averigua, averigúe, averigüemos, averiguai, averigúem.

Avestruz. Prefira o masculino: o avestruz.

Avisar. Regência. 1 - Avisar alguém: Achou mais prudente avisar os colegas. / Quis avisá-lo logo. 2 - Avisar alguém de (para ou sobre): Avisou os amigos dos (para os, sobre os) riscos que corriam. / Avisou-os da (sobre a) tragédia. / Avisou-a para que evitasse os lugares desertos. 3 - Avisar alguma coisa a alguém (forma condenada por alguns gramáticos): Avisou aos convidados que não queria presentes. / Avisou-lhes que nada pretendia para si. 4 - Avisar de alguma coisa: Avisou dos perigos que corriam. 5 - Avisar, apenas: Quem avisa amigo é. / Ele chegou ontem sem avisar. 6 - Nunca use o verbo com dois objetos diretos, como em: O piloto avisou "os" passageiros "que" o avião ia pousar (o certo: avisou aos passageiros que... ou avisou os passageiros de que...).

À vista de. Ver vista.

Aziago. Sem acento (a pronúncia correta é aziágo).

Azul-marinho. Palavra invariável: gravata azul-marinho, ternos azul-marinho. Marinho segue a mesma regra: gravata marinho, ternos marinho.

Manual de Redação do Estadão - Letra E

É. A inicial é maiúscula no nome de obras artísticas: Tudo É Ilusão.

...ear e não eiar. 1 - A terminação dos verbos é ear e não eiar: enfear, recear, cear, passear, apartear, etc. O i só aparece nas formas conjugadas quando o acento cai no e que precede a terminação ar: re-cei-a, en-fei-am, cei-o, re-cei-em, apar-tei-e, pas-sei-as. 2 - Não existe i nas formas em que o acento cai depois do e que precede a terminação ar: rece-amos (e não "receiamos"), ce-aste, enfe-aram, passe-ais, rece-avas, enfe-aria, passe-ou, aparte-emos, rece-eis, etc. 3 - Só existe um verbo terminado em eiar: veiar (formar riscas ou estrias).

É bom. Ver é preciso.

Eclipse. Masculino: o eclipse.

ECT. Sigla da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (e não EBCT).

"Edil", "Edilidade". São termos arcaicos. Use apenas vereador e Câmara Municipal (ou Câmara, simplesmente).

...êem. É a forma correta destas flexões: crêem, dêem, lêem e vêem.

É feio. Ver é preciso.

Efeito. Liga-se sem hífen a outro substantivo ou a nomes de produtos ou pessoas para formar expressões como: efeito estufa, efeito cascata, efeito Orloff.

"Eire". Use República da Irlanda.

"Eis aqui". Pleonasmo. Eis já significa aqui está. Ou se usa eis, aqui está ou vede.

Eis por que. Sempre com o por que separado.

Eis que. 1 - A locução deve ser usada apenas quando dá idéia de surpresa ou imprevisto, substituída por subitamente, repentinamente, imprevistamente, abruptamente ou eis senão quando: Quando menos se esperava, eis que começou a confusão. / Eis que surge finalmente a estrela-d'alva. 2 - Com o sentido de causa, prefira uma vez que, já que, visto que, porque, porquanto ou na medida em que: Ele deve vencer a prova, uma vez que (e não eis que) é o atleta mais veloz da competição. / O recurso deve ser rejeitado porque (e não eis que) não tem fundamento jurídico.

Ele, ela. Não podem funcionar como objeto direto. Por isso, nunca escreva: O pai repreendeu "ele" (o certo: repreendeu-o). / Eu vi "elas" (o certo: Eu as vi).

Elefante. Coletivo: manada. Feminino: elefanta ("elefoa" não existe) e aliá.

Elegido, eleito. Prefira elegido com ter e haver e eleito, com ser e estar: Tinha (havia) elegido, foi (estava) eleito. Já se admite, porém, o uso de eleito com ter e haver: Tinha eleito.

Eleição, eleições. No singular quando se tratar de uma única eleição: a eleição presidencial. No plural quando forem várias: as eleições de 1998, as eleições de prefeito e vereador, etc.

"Elementos." Jargão policial. Use homens, jovens, suspeitos, etc.

"Elencar". Palavra inexistente. Não use.

Elenco. Use apenas para atores ou artistas. Nos demais casos, prefira lista, relação, listagem, rol, catálogo ou enumeração.

Eletro... 1 - Liga-se sem hífen ao elemento seguinte: eletroacústica, eletroencefalograma, eletroímã, eletromotriz, eletrorradiologia, eletrossono.2 - Não faça a fusão do o com a vogal seguinte: eletroacústica (e não eletracústica), eletroencefalograma (e não eletrencefalograma), etc.

Elísio. Com i: Campos Elísios.

"Elo de ligação". Pleonasmo vicioso: não existe elo de separação.

Elucubração. Com u, assim como elucubrar.

É mau. Ver é preciso.

"Em azul". Não use a preposição em antes de nome de cor: Entalhes "em marrom".O certo é entalhes marrons, casas azuis, desenhos amarelos, tapetes verdes (e não em verde), etc.

Embaixadora, embaixatriz. Embaixadora - mulher que exerce o cargo; embaixatriz - mulher do embaixador.

Embaixo. Numa palavra só.

"Embasamento", "embasar". Palavras vetadas. Use fundamento, base, razão, motivo, critério, justificativa, lógica, elucidação, explicação, esclarecimento, argumento, evidência, prova, princípios, bases, noções, preliminares, fundação, alicerce, sustentáculo, eixo, estrutura, firmamento, regra, lei, norma, regulamento, fundamentar, basear, apoiar, amparar, firmar, justificar, demonstrar, estabelecer, documentar, alicerçar, etc.

Embora. 1 - Exige subjuntivo: Embora confie no time, o técnico armou um esquema defensivo (e não embora "confia"). / Embora vá sair logo... (e não embora "sairá" logo...). 2 - A palavra atrai o pronome colocado na mesma oração: Embora no caso se trate (e não "trate-se") de uma pessoa séria... 3 - Embora não deve acompanhar gerúndio. Use, então: Embora seja feliz, fulano... (e não: Embora sendo feliz, fulano...). 4 - O gerúndio se usa com mesmo, advérbio. Use então: Mesmo sendo feliz, fulano...

"Em-chefe". Elimine a preposição em: comandante-chefe.

Em cima. Separado. No entanto: encimar, encimado.

Em com expressões de tempo. 1 - Grande parte das expressões de tempo pode ser usada com a preposição em ou sem ela. Alguns exemplos: na primeira vez (em) que, na última vez (em) que, no ano (em) que, no dia (em) que, no instante (em) que, no mês (em) que, no momento (em) que, no tempo (em) que. Prefira a norma da língua, isto é, o uso da preposição: na primeira vez em que a viu, no ano em que chegou ao Brasil, no dia em que nos mudamos, no instante em que deu conta de si, no momento em que lhe fez a comunicação, no tempo em que os animais falavam. Omita a preposição apenas em casos especiais, e quando a eufonia o exigir: A primeira vez que vi Paris, o dia que me queiras, etc. 2 - Com semana, mês e ano, especialmente, prefira o uso de no e na, que tornam as formas mais eufônicas: Na semana que vem (e não semana que vem), no ano que vem, no mês que vem, no mês passado (e não mês passado), na semana passada, no ano passado, etc.

Em com gerúndio. Evite as formas em se tratando de, em me vendo chegar, em sendo eleito, em conquistando o governo, etc. Proceda da maneira mais usual: tratando-se de, vendo-me chegar, sendo eleito, conquistando o governo. E seja sempre comedido ao recorrer ao gerúndio.

Em com verbo de movimento. Ver a algum lugar e não em.

Emergir, imergir. 1 - Emergir equivale a vir à tona, aparecer: O submarino emergiu na entrada da barra. / A Lua emergia no horizonte. 2 - Imergir significa mergulhar, lançar, embrenhar-se: O pé imergiu no lodo. / O ditador imergiu o povo na guerra. / O animal imergiu na floresta. 3 - Use emerso e imerso da mesma forma: Só a cabeça estava emersa (fora d'água). / Continuou imerso nos seus pensamentos.

EMFA. Desta forma.

Emigrar, imigrar. Emigrar é sair de um país para se fixar em outro: Emigrou do Japão, fixando-se no Brasil. Imigrar equivale a entrar em um país estranho para nele viver: Milhares de europeus imigraram para o Brasil no começo do século. Da mesma forma: emigrante-imigrante, emigração-imigração e emigrado-imigrado. (Os emigrantes que deixaram o Japão no século passado... / Os imigrantes que chegaram ao Brasil nos anos 30...).

Eminente, iminente. 1 - Eminente significa ilustre, sublime, elevado, célebre, notável, ilustre, superior, insigne: cientista eminente, morro eminente. Associe com proeminente, aquilo que se destaca. 2 - Iminente quer dizer prestes a acontecer, imediato, urgente: perigo iminente, aprovação iminente. 3 - Da mesma forma, eminência (a eminência do parecer) e iminência (a iminência do perigo).

Emissoras de rádio e TV. Ver nomes de emissoras de rádio e TV.

Em o, em ele, em aquele, em esse. Use essas formas quando o o, ele, aquele, esse, este, etc., forem sujeito ou objeto do verbo: Não vejo problema em o menino ficar aqui (em esse menino, em este menino, em aquele menino). A contração (no, nele, etc.) não cabe, no caso. De preferência, mude a frase para evitar essas construções, antijornalísticas, porém literárias ou científicas.

Empatar. Use empatar por, e nunca "empatar em", pois os adjuntos adverbiais de quantidade não admitem a preposição em. Repare que, se um time ganha ou perde por, também empata por. Da mesma forma, empate por ou empate de, e não "empate em".

Empecilho. E não "impecilho".

Emprestar. 1 - Use emprestar apenas como ceder temporariamente, por empréstimo: Emprestou o livro ao amigo. / Emprestava dinheiro habitualmente. 2 - No sentido de receber por empréstimo, pedir ou tomar emprestado, empregue estas expressões, e nunca "emprestar de": Pediu emprestada a bicicleta do amigo. / Tomou emprestados 2 mil reais (repare na concordância: emprestado varia conforme o termo ou expressão a que se refere).

Empréstimo temporário - redundância. Todo empréstimo é temporário, se for permanente, será uma venda ou doação.

Em preto e branco. Em preto e branco: televisão em preto e branco, programa em preto e branco, foto em preto e branco.

Em que pese a. 1 - Quando a referência for a pessoa, use essa expressão e o pese fica invariável: Em que pese a ela, farei o negócio. / Em que pese aos inimigos, nada lhes devemos. / Em que pese a todos nós, infelizmente o governo não volta atrás. 2 - Quando a referência for a coisa, concorde o verbo com o sujeito: Em que pesem os argumentos contrários... / Em que pese a falta de escrúpulos alheia... 3 - Regra prática: no caso 1, subentende-se sempre isto entre o que e o pese: Em que (isto) pese a todos nós... / Em que (isto) pese aos inimigos...

"Em seda". Não use a preposição em para indicar o material de que alguma coisa é feita, como vestido "em" seda. O certo é vestido de seda, estátua de bronze, móvel de jacarandá, escultura de mármore, casa de alvenaria, terno de tropical, chapéu de palha, etc.

É muito, é pouco. Estas e outras formas semelhantes (com verbo de ligação) não variam em frases como: Cem reais é muito por essa blusa ou é pouco, é demais, é suficiente, é bastante, era demais, etc. Igualmente: Dois metros de seda era pouco para o vestido. / Quinze dias é tempo suficiente para a viagem.

Encampação.

Encapuzado, encapuzar. E não "encapuçado" ou "encapuçar". Por confusão com encarapuçado ou encarapuçar, o povo criou essas formas.

"Encarar de frente". Redundância. Encarar já significa olhar de frente (ninguém encara de lado ou de costas). Pode-se, isto sim, encarar alguém fixamente, firmemente, com arrogância, com temor, etc.

Encarregar. Regência. 1 - Encarregar alguém de alguma coisa: Decidiram encarregá-lo do trabalho. / A mãe encarregou a filha de fazer as compras. 2 - Encarregar-se de: Ele se encarregou de trazer os documentos.

Encerrar-se. É verbo pronominal e não intransitivo. Alguma coisa se encerra e não encerra, apenas: O jogo encerrou-se mais cedo. / Feira encerra-se e vendas agradam aos organizadores.

"Encher o saco". Vulgaridade. Nunca use.

Encontrar. Ver achar.

"Encontrar a morte". Lugar-comum. Não use.

Encontrar-se com. No sentido de reunir-se com, avistar-se, use a forma pronominal: Encontrou-se com o amigo (e não "encontrou com") / Saiu para encontrar-se com os gerentes.

Encontro. Veja a diferença entre as locuções: a) Ao encontro de emprega-se para designar uma situação favorável: O aumento veio ao encontro das suas necessidades (satisfez as suas necessidades). / A política e a sociologia vão ao encontro uma da outra (completam-se) . b) De encontro a indica oposição, choque: O governo não deve ir de encontro às aspirações do povo (ir contra). / Foi de encontro aos desejos do pai (agiu contra).

Endereços. Ver localização.

É necessário. Ver é preciso.

E nem. 1 - Como já significa e não, a conjunção nem rejeita o e em casos como: Não foi nem ficou. / Não faço nem quero. / Não se anda nem se corre. / Nunca o viu nem verá. Também quando nem significa e sem ou não, inexiste o e: Ficou sem amigo nem (e sem) dinheiro. / Nem fala nem se move (não). 2 - Admite-se e nem apenas quando não há negativa antes ou quando a expressão equivale a e nem mesmo, e nem sequer, e muito menos (reforço ou ênfase): Estudavam o dia todo e nem se lembravam de comer. / Meu irmão chegou ontem e nem me telefonou ainda. / E nem da própria vida estou seguro.

"Enfrentar boas condições". Enfrentar indica confronto. Por isso, é errado empregar o verbo como no exemplo seguinte: O motorista no momento vai "enfrentar" (o certo: encontrar) boas condições de trânsito.

"Enfrentar de frente". Redundância. Ninguém enfrenta de outra forma (e enfrentar já encerra a palavra frente).

Engolir. Conjugação. Engulo, engoles, engole, engolimos, engolis, engolem; engolia; engoli; engolira; engolirei; engoliria; que eu engula; se eu engolisse; se eu engolir; engole tu, engula, engulamos, engoli, engulam; etc.

Enquanto.

"Enquanto que". Use enquanto, apenas, em vez de "enquanto que": Os atacantes treinavam chutes a gol, enquanto (e não "enquanto que") os defensores se preparavam fisicamente.

Enrugar-se. Alguma coisa enruga-se e não enruga, apenas: A pele enruga-se na velhice. / O tecido enrugou-se.

Ensinar. Antes de infinitivo, exige a: A vida ensina a ser prudente.

"Ente querido". Lugar-comum. Não use.

Entourage. Masculino: o entourage. Prefira roda ou convivência.

Entrada. No singular em frases como: A entrada de Joãozinho e Marcão no time... / O time melhorou com a entrada de Joãozinho e Marcão (e não "as entradas").

"Entrar dentro". Redundância. Não se entra fora.

Entre. Exige a existência de pontos de referência. Não deve, por isso, ser usado quando se tem um conjunto de pessoas ou coisas. Assim: Entre mim e ti, entre nós, entre amigos, entre os homens (mas não "entre a humanidade"), entre os espectadores (mas não "entre o público"), entre os atores (mas não "entre o elenco"), entre os habitantes (mas não "entre a população"), etc. Nesses casos, use com, em, no meio, etc.

Entre... Hífen antes de h: entre-hostil. Nos demais casos: entreaberto, entrefechado, entreposto, entrerriano, entressafra.

Entre ... e. Usa-se e e não a em frases como: Entre 15 e 20 pessoas estavam ali. / Chegará entre as 20 e as 22 horas. / A idade dos candidatos variava entre 18 e 25 anos.

Entregado, entregue. Prefira entregado com ter e haver e entregue, com ser e estar: Tinha (havia) entregado, foi (estava) entregue. Já se admite, porém, o uso de entregue com ter e haver: Havia entregue.

Entre mais artigo repetido. No caso de entre anteceder dois termos, o artigo que determinar um deles deverá ser repetido para o segundo: Entre o governo brasileiro e o francês (e não: Entre o governo brasileiro e francês). / Entre a vida e a morte (e não: Entre a vida e morte). Em casos como o segundo, com a idéia de indeterminação, é possível omitir completamente o artigo: Entre vida e morte... / Entre lazer e trabalho...

Entre mim e ti. É a forma correta, uma vez que eu e tu não podem ser regidos de preposição. Rejeite, pois, construções como entre eles e eu, entre eu e tu, entre ti e eu, etc., que devem ser substituídas por entre eles e mim, entre mim e ti, entre ti e mim, etc.

Entre si, entre eles. 1 - Quando o sujeito pratica e recebe a ação, usa-se entre si: Os constituintes discutiam entre si. / Os jogadores brigavam entre si mesmos. 2 - Se o sujeito é um e o complemento, outro, a forma, então, é entre eles: Nada mais existe entre eles. / O segredo ficou entre eles mesmos. / O prêmio foi repartido entre eles próprios.

Entretanto. Use entretanto ou no entanto, mas nunca "no entretanto".

Entreter. Atenção para algumas formas: entretinha (e não "entretia"); entreteve, entretiveram (e não "entreteu", "entreteram"), entretivera (e não "entretera"); se ele entretivesse (e não "se ele entretesse"); se ele entretiver (e não "se ele entreter").

Entrever. Conjuga-se como ver.

Entrevista.

Envolto, envolvido. Use envolto como sinônimo de enrolado (Estava envolto no cobertor) e envolvido nos demais sentidos do verbo, mesmo com o auxiliar ser: Foi envolvido pelos parceiros. / Estava envolvido na conspiração. / Negou que estivesse envolvido no escândalo. Se o auxiliar for ter, empregue apenas a forma envolvido: Já tinha envolvido o filho no cobertor. / Negou que se tivesse envolvido no escândalo.

"Envolvendo". 1 - Use acidente de ônibus, desastre de trem, acidente entre um ônibus e dois carros, choque de aviões, desastre de avião e nunca desastre "envolvendo" ônibus, acidente "envolvendo" um ônibus e dois carros, etc. 2 - Não empregue essa forma também quando ela puder ser substituída por preposição: Incidente "envolvendo" (com) jornalistas, acidente "envolvendo" (com) dois carros, reunião "envolvendo" (entre) empresários e sindicalistas, o jogo "envolvendo" (entre) o Corinthians e o Santos, etc.

Enxaguar. Conjuga-se como aguar.

E/ou. Evite o abuso, mas, quando necessário, adote essa forma em frases como: Incluem-se na relação cantores e/ou músicos. / Queria o apoio de escritores e/ou jornalistas. Não há barra, porém, se o e acompanhar meras orações alternativas: Ele chegou apressado e, ou fica, ou vai embora ainda hoje.

Epidemia, surto. 1 - A diferença é de amplitude: a epidemia atinge um grande número de pessoas numa área extensa e o surto, um número limitado de pessoas numa área mais ou menos restrita. 2 - O termo epidemia vale apenas para seres humanos, assim como endemia e pandemia: no caso de doença que atinja grande número de animais, o certo é epizootia.

É preciso.1 - Com sujeito indeterminado, as locuções é preciso, é proibido, é necessário, é bom, é feio e outras semelhantes PODEM permanecer invariáveis: É preciso muita cautela. / É necessário ajuda. / É proibido entrada. / Vitamina é bom para a saúde. / É feio blusa em menino. / Não foi preciso rodeios. 2 - No entanto, sempre que se quiser deixar clara a determinação ou ela estiver evidente pelo uso de artigo, pronome ou adjetivo ao lado do substantivo, a concordância deverá ser a regular: Não foram necessários rodeios. / Toda vitamina é boa para a saúde. / É proibida a entrada. / É necessária muita ajuda. / É feia essa blusa no menino. 3 - Prefira a concordância normal, sempre que possível.

É preferível. Ver preferir.

É proibido. Ver é preciso.

E que. Evite essa expressão, usando apenas o e ou o que (ou o qual, a qual, os quais e as quais, quando necessário, para maior clareza), e não os dois juntos: É um tipo de assunto de mau gosto que (e não e que) deveria ser evitado. / Ali acamparam três famílias de índios guaranis, procedentes de Mato Grosso, que (e não e que) há dez anos vêm peregrinando pelo País. / O general, que está fazendo nova visita às tropas e (e não e que) pretende voltar logo a Brasília, deixará o serviço ativo este ano. / No livro que escreveu depois da explosão e (e não e que) se tornou um clássico... / A razão: o que não tem função na frase.

É que. 1 - Nesta forma, a locução fica invariável e vem sempre entre o sujeito e o verbo (a concordância se faz como se ela não existisse): Nós é que pagamos. / Eles é que devem sair. / Vós é que podeis dizer isso. 2 - Se o sujeito for colocado entre o verbo ser e o que, a concordância será normal: Somos nós que pagamos. / São eles que devem sair. / Sois vós que podeis dizer isso.

Equivale a dizer. É a forma correta, assim como equivale a fazer, e nunca "equivale dizer", "equivale fazer". Valer, sim, admite essa forma: vale dizer, vale transcrever.

Equivaler. Conjuga-se como valer.

Era. Inicial maiúscula apenas em Era Cristã. Nos demais casos: era cenozóica, era do jazz, era atômica.

Era uma vez. O verbo permanece invariável: Era uma vez uma princesa... / Era uma vez sete anões... (ser, no caso, equivale a haver).

Éramos seis. Frases desse tipo formam-se sem a preposição em: Éramos seis. / Éramos oito à mesa. / Ficamos quatro na sala. / Íamos cinco amigos pela estrada. / Estávamos três no automóvel. (E não: Éramos em oito, ficamos em quatro, íamos em cinco, estávamos em três).

"Erário público". Pleonasmo. Erário são os recursos financeiros do poder público, não existe erário privado.

Ergométrico, ergonômico. 1 - A ergometria mede o esforço muscular de um trabalho: esteira ergométrica, bicicleta ergométrica. 2 - O estudo dos efeitos do trabalho no organismo humano é a ergonomia. Por isso: teclado ergonômico, cadeira ergonômica. 3 - "Ergonometria" e "ergonométrico" não existem.

Ermitão. Flexões: ermitã (prefira), ermitoa (literário), ermitões (prefira), ermitães (literário) e ermitãos (literário).

...érrimo. É o superlativo apenas dos adjetivos terminados em re e ro: célebre, celebérrimo; negro, nigérrimo; pobre, paupérrimo; livre, libérrimo; magro, macérrimo; íntegro, integérrimo. Por isso, nunca escreva "elegantérrimo", "absolutérrima" "chiquérrimo", "simplérrimo" (o certo é elegantíssimo, absolutíssima, chiquíssimo, elegantíssimo), etc., modismos sem apoio na gramática e admissíveis somente em textos de caráter coloquial.

Erros.

Escalação. No singular em frases como: O técnico confirmou a escalação de José e Pedro. / Com a escalação de Juca, Alemão e Zezinho, o técnico pretende tornar o time mais ofensivo (e nunca "as escalações").

Escândalo. Inicial minúscula: escândalo Watergate.

Escrivão. Flexões: escrivã e escrivães.

"Esculhambação", "esculhambar". Vulgaridades. Não use.

Escusa, escusar. Com s.

Escutar, ouvir. 1 - Prefira escutar quando o sentido for o de prestar atenção para ouvir, ouvir com atenção, atender aos conselhos de: Escutou o disco. / Já não escuta os amigos. 2 - Ouvir equivale a perceber pela audição: Não ouvi o barulho. / Da sala ouvia o ranger das máquinas.

Esfíncter. Desta forma. Plural: esfincteres (pronuncia-se esfinctéres).

Esgotar-se. Alguma coisa esgota-se e não esgota, apenas: O livro esgotou-se rapidamente. / Sua paciência já se havia esgotado.

...ésimo. É mero modismo usar a terminação de numerais ordinais como vigésimo, trigésimo, quadragésimo, quinquagésimo, sexagésimo, septuagésimo ou setuagésimo, octogésimo, nonagésimo, centésimo, ducentésimo, trecentésimo ou tricentésimo, quadringentésimo, quingentésimo, sexcentésimo ou seiscentésimo, septingentésimo ou setingentésimo, octingentésimo, nongentésimo ou noningentésimo, milésimo e milionésimo para criar superlativos como "bonitésimo", "elegantésimo", "gatésima". Só textos muito especiais podem justificar essas formas.

Espanha. Elemento de composição nos adjetivos pátrios: hispano (hispano-americano).

Espanhol.

Espatifar-se. Alguma coisa espatifa-se e não espatifa, apenas: A garrafa caiu e espatifou-se no solo. / A janela espatifou-se com a pedrada.

"Especulado". Alguém especula com ou sobre alguma coisa, mas alguma coisa nunca "é especulada". Assim: Círculos políticos especularam sobre a saída do ministro (e nunca: A saída do ministro "foi especulada...").

Esperar. Por trazer implícita a noção de desejo, expectativa favorável, o verbo não deve ser usado no sentido negativo, caso em que o correto é prever ou temer: Empresa prevê (e não "espera") prejuízo de R$ 50 mil. / Todos previam (e nunca "esperavam") a sua morte. / Oposição teme ou prevê derrota (e não "espera").

Espinhal. Use esta forma: medula espinhal, nervo espinhal.

Esporte. Invariável como adjetivo: carro esporte, camisas esporte. Prefira esportivo ou esportiva, no entanto.

Esposo e esposa. Ver marido e mulher.

Espreguiçar-se. Alguém se espreguiça e não espreguiça, apenas: Saiu da cama e espreguiçou-se demoradamente. / Bocejou e espreguiçou-se.

Esquecer. Regência. 1 - Esquecer alguma coisa: Ninguém esquece tais ofensas. / Ele esqueceu que tinha compromisso à noite. / O escritor esqueceu os originais no táxi. 2 - Esquecer-se de alguma coisa: Eles se esqueceram do compromisso. / Queria que ninguém se esquecesse dela. 3 - Modernamente, já se admite a forma esquecer de: Esqueceu de fazer o trabalho. / Esqueceu dos amigos. 4 - Pode também ser intransitivo (dispensar complemento): Bebe para esquecer. 5 - Esquecer tem outros tipos de regência, todos, porém, de uso mais literário, religioso, bíblico, político e jurídico.

"Estadão". Ver O Estado de S. Paulo.

Esse. Ver este, esse, aquele.

Estádio. Inicial maiúscula no nome (oficial ou popular) da praça de esportes: Estádio do Morumbi, Estádio Palestra Itália. Inicial minúscula se a indicação for genérica: o estádio de Araraquara, o estádio do Juventus

"Estado". Ver O Estado de S. Paulo.

Estado. Com inicial maiúscula, tanto para designar o poder oficial ou uma nação quanto as unidades em que se divide um país: O Estado tem poder sobre os cidadãos. / A teoria do Estado. / O Estado de São Paulo, o Estado (São Paulo), os Estados de Minas e Bahia, os Estados e municípios, os governadores dos Estados do Sul, naquele Estado, etc.

Estados. 1 - É esta a relação dos Estados brasileiros, suas capitais, as regiões em que se situam e as siglas que os identificam: Acre - Rio Branco, Norte, AC; Alagoas - Maceió, Nordeste, AL; Amapá - Macapá, Norte, AP; Amazonas - Manaus, Norte, AM; Bahia - Salvador, Nordeste, BA; Ceará - Fortaleza, Nordeste, CE; Distrito Federal - Centro-Oeste, DF; Espírito Santo - Vitória, Sudeste, ES; Goiás - Goiânia, Centro-Oeste, GO; Maranhão - São Luís, Nordeste, MA; Mato Grosso - Cuiabá, Centro-Oeste, MT; Mato Grosso do Sul - Campo Grande, Centro-Oeste, MS; Minas Gerais - Belo Horizonte, Sudeste, MG; Pará - Belém, Norte, PA; Paraíba - João Pessoa, Nordeste, PB; Paraná - Curitiba, Sul, PR; Pernambuco - Recife, Nordeste, PE; Piauí - Teresina, Nordeste, PI; Rio Grande do Norte - Natal, Nordeste, RN; Rio Grande do Sul - Porto Alegre, Sul, RS; Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, Sudeste, RJ; Rondônia - Porto Velho, Norte, RO; Roraima - Boa Vista, Norte, RR; Santa Catarina - Florianópolis, Sul, SC; São Paulo - São Paulo, Sudeste, SP; Sergipe - Aracaju, Nordeste, SE, e Tocantins - Palmas, Norte, TO. 2 - Ver também regiões do Brasil.

Estados (artigo). Em alguns casos, o nome dos Estados brasileiros é precedido de artigo; em outros, não. Têm artigo: o Acre, o Amapá, o Amazonas, a Bahia, o Ceará, o Distrito Federal, o Espírito Santo, o Maranhão, o Pará, a Paraíba, o Paraná, o Piauí, o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Norte, o Rio Grande do Sul e o Tocantins. Não têm artigo: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Com Alagoas e Minas Gerais, o artigo é facultativo em textos literários, segundo alguns gramáticos, mas no noticiário, omita-o.

Estados Unidos. 1 - Sempre com o artigo e o verbo no plural: Os Estados Unidos são... / Os Estados Unidos elegeram... Da mesma forma: Todos os Estados Unidos aplaudiram o discurso do presidente. / Veio dos Estados Unidos. 2 - Aportuguese o nome dos seguintes Estados norte-americanos: Alasca, Califórnia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Colúmbia (Distrito de), Flórida, Geórgia, Havaí, Nova York, Novo México, Pensilvânia, Porto Rico e Virgínia. Os demais serão escritos na forma inglesa. 3 - Aportuguese também estes nomes de cidade: Colúmbia, Filadélfia, Indianápolis, São Francisco, Nova York e Santa Fé. Escreva em inglês os demais (San Diego, San Antonio, El Paso, Los Angeles, Buffalo, Phoenix, Memphis, etc.). Em caso de dúvida, consulte a relação de palavras do capítulo Escreva Certo.

Estadual, estatal. Estadual - Relativo às unidades da Federação: o governo estadual, as dívidas estaduais. Estatal - relativo ao Estado como nação ou poder político: empresa estatal, voracidade estatal.

Estar. Conjugação. Pres. ind.: Estou, estás, está, estamos, estais, estão. Imp. ind.: Estava, estavas, estava, estávamos, estáveis, estavam. Pret. perf. ind.: Estive, estiveste, esteve, estivemos, estivestes, estiveram. M.-q.-perf. ind.: Estivera, estiveras, estivera, estivéramos, estivéreis, estiveram. Fut. pres.: Estarei, estarás, estará, estaremos, estareis, estarão. Fut. pret.: Estaria, estarias, estaria, estaríamos, estaríeis, estariam. Pres. subj.: Esteja, estejas, esteja, estejamos, estejais, estejam. Imp. subj.: Estivesse, estivesses, estivesse, estivéssemos, estivésseis, estivessem. Fut. subj.: Estiver, estiveres, estiver, estivermos, estiverdes, estiverem. Imper. afirm.: Está tu, esteja você, estejamos nós, estai vós, estejam vocês. Imper. neg.: Não estejas tu, não esteja você, não estejamos nós, não estejais vós, não estejam vocês. Infin.: Estar. Flexionado: Estar, estares, estar, estarmos, estardes, estarem. Ger.: Estando. Part.: Estado.

Está rindo à toa. Modismo. Evite.

Esta semana. Ver semana.

Estávamos três. Ver éramos seis.

Este, esse, aquele.

Estigma. Tem sentido altamente negativo. Por isso, está errado o técnico que queria seu time "com o estigma do vencedor". A equipe poderia, isto sim, apresentar "a marca" ou "a obsessão do vencedor". Veja exemplos corretos: Está marcado pelo estigma da aids. / Queria se livrar do estigma de retranqueiro. / O país sofre com o estigma da fome.

Estigma = desonra, infâmia, mácula, nódoa, mancha, abjeção, baixeza, ignomínia, opróbrio, indignidade, rebaixamento, vileza, ultraje, chaga, cicatriz, corte, marca, tatuagem, nevo, sinal, pinta, divisa, ferrete, estígmate, espiráculo
Estigmatizar = classificar, tachar, acusar, rotular, desvirtuar, qualificar, timbrar, tatuar, criticar, condenar, censurar, reprovar, desaprovar, repreender, recriminar, culpar, inculpar, incriminar, delatar, denunciar, imputar, redarguir, responsabilizar, reportar, marcar, ferrar, ferretear

Estilhaçar-se. Alguma coisa se estilhaça e não estilhaça, apenas: O jarro caiu e estilhaçou-se. / O vidro estilhaçou-se com o tiro.

Estiver/tiver, estivesse/tivesse. Ver tiver/estiver, tivesse/estivesse.

"Estória". Em qualquer sentido, use apenas história.

Estragar-se. Alguma coisa se estraga e não estraga, apenas: Por causa do calor, os alimentos estragaram-se. / Carro que fica ao relento estraga-se rapidamente.

Estrangeirismos. Ver palavras estrangeiras.

Estrear. Pode-se estrear uma roupa, uma peça, um teatro, um cinema, etc., mas não escreva, por exemplo: O Corinthians estréia Joãozinho hoje.

Estrelas. 1 - Use com hífen a qualificação dos hotéis: Era um legítimo cinco-estrelas. / Hospedou-se num hotel três-estrelas. / Aquele uma-estrela o satisfazia. 2 - No entanto: Era um hotel de quatro estrelas.

Estudar. Use o substantivo, e não infinitivo depois: Governo estuda ampliação do crédito (e não "estuda ampliar"). / Receita estuda elevação do ganho da poupança (e não "estuda elevar").

Esvaziar-se. Alguma coisa se esvazia e não esvazia, apenas: O estádio esvaziou-se logo. / As ruas esvaziam-se no feriado. / Todas as suas pretensões se esvaziaram.

Etc. 1 - Use vírgula antes de etc. Embora a expressão original, et cetera, já contenha e, a abreviatura etc. aparece sempre precedida do sinal no Formulário Ortográfico, que define a norma legal do idioma. Essa prática terminou por oficializar o emprego da vírgula, seguido pela maioria esmagadora dos gramáticos brasileiros. Assim: Havia ali gatos, cães, galinhas, etc. 2 - Nunca use e antes de etc. Assim: Comprou camisas, calças, meias, etc. (e nunca: Comprou camisas, calças, meias, "e etc." 3 - Por extensão do sentido original, etc. pode também ser adotado para pessoas: Vieram comigo João, Carlos, José, etc. 4 - Segundo ainda o Formulário, usa-se ponto-e-vírgula antes de etc. no caso de enumerações constituídas de vários termos agrupados em categorias: Com os ditongos ãe e ãi, escrevem-se: pães, mãezinhas, capitães; zãibo, cãibra; etc. Não há ponto-e-vírgula, porém, se a enumeração incluir apenas termos simples: Eis algumas abreviaturas que têm a letra w: kw = quilowatt; w = watt; W = Oeste, etc.5 - Se a frase tiver outro sinal de pontuação, este costuma ser empregado antes de etc., como neste exemplo do gramático Celso Luft: Levantar cedo. Respirar o ar puro da manhã. Fazer ginástica. Etc. 6 - Se o etc. encerrar a oração, não duplique o ponto. O de etc. serve também como ponto final.

Eu. 1 - Não pode funcionar como objeto direto. Po isso, nunca escreva: Ele mandou "eu" ficar (o certo: mandou-me ficar). 2 - Ver pronomes retos.

Eufemismo.

Euro... Liga-se com hífen ao elemento seguinte na formação de adjetivos pátrios: euro-africano, euro-afro-americano, euro-asiático. Nos demais compostos, não existe hífen: eurocomunismo, eurodólar.

Evacuar. Use o verbo apenas no sentido fisiológico, quando equivale a despejar, vazar, verter, defecar, dejetar, cagar, obrar, excretar, estercar: evacuar sangue. Nos demais, prefira desocupar, esvaziar, abandonar, deixar, sair, remover, retirar. E substitua evacuação por desocupação, retirada, esvaziamento, abandono, saída, retirada, remoção etc.: Polícia esvazia a Paulista. / Governo desocupa área invadida. / Começa a retirada dos flagelados da região inundada.

Evadir-se. Alguém se evade e não evade, apenas: Os detentos evadiram-se. Prefira fugir, no entanto.

Evento. O termo aplica-se apenas a acontecimento ou fato importante. Nos demais casos, use reunião, promoção, realização, congresso, simpósio, show, concerto, etc., em vez de evento, genericamente.

Ex... Com sentido de cessamento ou estado anterior, é sempre seguido de hífen: ex-presidente, ex-governador, ex-prefeito, ex-diretor, ex-aluno, ex-oficial. Não confundir essas com formas como expatriar, expropriar, exabundância, excursão, explodir, expelir, exportar, explícito, expoente, explicar, excomungar etc., em que o prefixo ex tem sentido de movimento para fora, ligando-se, então, sem hífen ao elemento seguinte. Também não confundir como extraordinário, em que não se trata do prefixo ex, e sim do prefixo extra.

Ex (uso).

Exageros.

"Exatos". Fuja do modismo, até porque o período é que é exato, e não o número. Opção: Trabalhou exatamente 2 meses e 14 dias no projeto (e não "exatos" 2 meses e 14 dias). Na maior parte dos casos, porém, nem o exatamente é necessário.

Exceção. 1 - "Excessão" (com dois ss) constitui erro grosseiro, aceitável apenas quando se trata do aumentativo de excesso, não com sentido de exclusão. 2 - Em português, não existe a locução "exceção feita de", que deverá ser substituída por à exceção de ou com exceção de. 3 - Ver em exceto, a concordância de à exceção de.

Exceder. Prefira a regência direta: A viagem não excedia uma hora (e não a uma hora). / A receita excedeu em muito o (e não ao) montante previsto.

Exceto. 1 - O verbo concorda com o primeiro sujeito: O grupo, exceto nós dois, partiu de manhã cedo. / Ninguém, exceto eles, quis fazer a matéria. / Todos, exceto vós, serão convidados. Note que houve apenas uma intercalação: Todos serão convidados, exceto vós. Seguem a mesma norma afora, fora, menos, salvo, à exceção de, etc. 2 - Para maior clareza, mantenha o regime do verbo: Promoveu todos os funcionários, exceto o mais novo. / Falou de todos, exceto do pai. / Dançava com todos, exceto com os desajeitados. Proceda da mesma forma com menos (Falou de todos, menos do pai).

Exercício. Use sempre a locução em exercício para designar um vice ou outra pessoa que substitua o detentor de um cargo : O presidente em exercício, José de Almeida, ... / O governador em exercício, Carlos Sampaio, ...

Exército de Salvação. E não da Salvação.

Existir. Concordância normal: Existem muitas pessoas ali. / Não existiam mais dúvidas a respeito. / As irregularidades denunciadas sempre haviam existido.

"Exitar". Erro grosseiro. O certo é hesitar, no sentido de estar indeciso ou excitar, no sentido de estimular, despertar.

"Exitoso". Não existe. Use bem-sucedido ou equivalente.

Expedir. Conjuga-se como pedir.

Expelir. Conjuga-se como aderir : expilo, expeles; que eu expila; expele tu, expeli vós; etc.

Expiar. Com x no sentido de pagar, remir (crime, pecado, etc.): expiar o crime, expiar a falta. Igualmente, bode expiatório.

Expirar. 1 - Com x equivale a expelir o ar dos pulmões, morrer, terminar e definhar, entre outros significados: Inspirar e expirar. / Murmurou palavras incompreensíveis e expirou em seguida. / O prazo expira hoje. Repare: expira e não expira-se. 2 - Com s corresponde a estar vivo, soprar, exalar e respirar (é estritamente literário ou científico).

Explicação.

Explodir. 1 - Só tem as formas em que ao d se segue e ou i: explode, explodiu, explodira, explodirá, explodiria, explodisse, etc. Assim, não existem "explodo", "expludo", "exploda", "expluda", etc. Substitua essas formas por estoure, arrebente ou detone. 2 - É intransitivo no sentido de rebentar, estourar: A bomba explodiu no edifício. Evite escrever: Os terroristas explodiram o avião, o prédio, o carro, etc. Neste caso, use, corretamente, fizeram explodir.

Modernamente, os dicionários Houaiss e Priberam admitem essas formas em textos literários ou científicos, mas no noticiário, segundo os dicionários Aurélio, Aulete e Michaelis, evite-as.

"Expor que". Expõe-se algo, mas não se expõe que.

Exportar para. E não a: O Brasil exporta frango para o Iraque.

Expressões de tempo.

Exprimido, expresso. Use exprimido com ter e haver e expresso, com ser e estar: Tinha (havia) exprimido, foi (estava) expresso. Não confunda com espremido, particípio de espremer.

"Expropriar". Só em citações (entre aspas) pode ser usado como sinônimo de roubar.

Expulsado, expulso. Use expulsado com ter e haver e expulso, com ser e estar: A polícia tinha expulsado os manifestantes. / Os manifestantes foram expulsos da sala.

Exterior. Inicial minúscula: O prefeito viaja de novo para o exterior. / O Brasil vende mais carros para o exterior.

Extinguir. 1 - Use extinguido com os auxiliares ter e haver: Os bombeiros tinham (haviam) extinguido as chamas. E extinto, com ser, estar ou ficar: As chamas foram (estavam, ficaram) extintas. 2 - Conjuga-se como distinguir. 3 - Repare: a palavra não tem trema.

Extorquir. 1 - Alguma coisa é extorquida e não alguém: Extorquiu dinheiro do amigo (e não "extorquiu o amigo". 2 - Conjugação. Só tem as formas em que ao qu se segue e ou i: extorque, extorquirá, etc.

Extra. Admite o plural e não se liga com hífen à palavra anterior: horas extras, serviços extras, edições extras. Flexiona-se também como substantivo: os extras (figurantes) da novela. Como prefixo, não admite plural: extraconjugais, extracurriculares, extrajudiciais, extratropicais.

Extra... 1 - Hífen antes de vogal, h, r e s (HORAS): extra-alcance, extra-escolar, extra-oficial, extra-uterino, extra-hospitalar, extra-regulamentar, extra-sensorial. Exceção já consagrada pelo uso: extraordinário. Nos demais casos: extraconjugal, extrajudicial, extratropical, extracurricular, extragalático, extranormal, extravascular, extragramatical, extrapartidário. 2 - Quando se liga a um adjetivo, forma outro adjetivo, variável: artigos extrafinos, seres extraterrenos. 3 - Se o elemento com que extra se combina é substantivo, o adjetivo resultante não varia: fatores extracampo, passeios extraprograma.

Extrapolar. O verbo, a rigor, só existe no sentido matemático, para designar qualquer processo de obtenção dos valores de uma função fora de um intervalo, mediante o conhecimento de seu comportamento dentro desse intervalo. Por isso, nos demais casos, adote exceder, ultrapassar, exorbitar, ir além de, apesar de ser registrado no Dicionário Houaiss (e não, por exemplo: Ele "extrapolou" da sua competência. / A polícia "extrapolou" ao proibir aquelas manifestações... / Desta vez a figurinista "extrapolou" / Os modelos "extrapolaram" os limites do bom senso).

Extrema-direita, extrema direita. Com hífen, designa o jogador ou a posição no futebol. Sem hífen, é a tendência política. Da mesma forma, extrema-esquerda e extrema esquerda.

"Exultar de alegria". Redundância. Só se exulta de alegria, não se exulta de tristeza.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Sinalização: Centro Empresarial - Pronome

Térreo:

101 - Inspire: Perfumes e Cosméticos
102 - Atualle: Eletroportáteis, Beleza, Móveis e Eletrodomésticos
103 - Premium: Cama, Mesa, Banho, Decoração e Utilidades Domésticas
104 - Megapix: Informática e Eletrônicos
105 - Bookline: Livraria, Papelaria, Presentes e Brinquedos - Xerox, Material de Escritório, Material Escolar e Informática
106 - Sports Prime: Artigos Esportivos
107 - Servos de Maria: Artigos Religiosos
108 - Credmais: Financiamentos, Investimentos e Empréstimos
109 - Banco do Brasil: Auto Atendimento
110 - SweetShop: Doceria
111 - 4Time: Relógios, Joias e Óculos
112 - Patrícia Costa: Cursos de Português - Gramática, Literatura, Redação, Interpretação de Textos e Redação Oficial

1º Piso:

201 - Luís Explica: Cursos de Matemática e Raciocínio Lógico, Biologia, Física, Química, Geografia, História, Filosofia, Sociologia, Inglês, Espanhol, Noções de Informática, Direito, Administração e Legislação Especial
202 - Habitare: Imobiliária - Vende, Aluga, Troca, Financia, Compra, Administra, Avalia e Resolve
203 - Sérgio, Paulo e Fábio: Advogados Associados - Advocacia e Consultoria
204 - Tática: Assessoria Contábil - Administração de Condomínios e Contabilidade
205 - Medical Center: Policlínica e Medicina Especializada
206 - Hermes, Jonatas, Tânia, Luiz e Marlene - Clínica Integrada: Gastroenterologia, Urologia, Dermatologia, Endocrinologia e Mastologia
207 - Marino, Zilene, Cleso, Marisa, Venáuria, Fernando, Maurício, José, Jandry e Maria - Medicina Integrada: Cardiologia, Dermatologia, Neurologia, Geriatria, Reumatologia, Pediatria, Oftalmologia, Clínica Médica, Psicologia e Psiquiatria
208 - 5inco Minutos: Construção, Engenharia, Impermeabilização e Recuperação Estrutural
209 - Internet.com: Copiadora e Bureau de Serviços - Xerox, Encadernação, Plastificação, Digitalização, Impressão Colorida ou Preto e Branco, Gravação de CD e DVD, Plotagem, Adesivos, Banners, Gráfica Rápida, Boletos para Pagamento e Acesso à Internet

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Normas Técnicas de Redação Oficial

Quer saber quais são as normas técnicas de redação oficial? Então, em primeiro lugar, você precisa entender a diferença entre a redação e a redação oficial.
Isso mesmo! Apesar dos nomes semelhantes — que acaba causando certa confusão nos candidatos — elas não são iguais. Vamos conferir mais sobre o assunto e entender quais são essas normas?

A DIFERENÇA ENTRE REDAÇÃO E REDAÇÃO OFICIAL

Ambas costumam ser cobradas em concursos. A redação consiste no processo de escrever um texto. No caso de concursos públicos, geralmente é exigida do candidato a elaboração de um texto argumentativo-dissertativo, em que ele exponha e defenda suas ideias.
Já a redação oficial é um conjunto de normas utilizadas pelo Poder Público para redigir seus documentos — tanto os internos quanto os externos —, de forma que a mensagem seja compreendida por todos os cidadãos. Essas normas podem ser encontradas em um documento, o Manual de Redação da Presidência da República.
O que esse Manual procura fazer é trazer para os documentos oficiais os princípios que regem a Administração Pública, contidos no artigo 37 da CRFB/1988. O próprio Manual destaca que “sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda Administração Pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais”.

QUAIS SÃO AS NORMAS TÉCNICAS DE REDAÇÃO OFICIAL?

Agora que entendeu o contexto dos termos, vamos à explicação das normas técnicas de redação oficial.

PRINCÍPIOS DA REDAÇÃO OFICIAL

São quatro os princípios que regem a comunicação oficial: impessoalidade, nível de linguagem, formalidade/padronização e concisão.
Na impessoalidade, como a comunicação tem que ser feita em nome do Poder Público, o texto não deve conter impressões individuais, tais como o uso da primeira pessoa e o emprego excessivo de adjetivos, advérbios e superlativos, preferindo-se verbos e substantivos. Essa impessoalidade recai tanto sobre o que escreve quanto sobre quem recebe, mas também recai sobre o assunto.
O nível de linguagem a ser empregado no texto oficial decorre em parte da publicidade e em parte de sua finalidade. Para que a comunicação seja feita de forma eficiente, ou seja, sua mensagem atinja aos cidadãos, é preciso que o texto seja elaborado com clareza e objetividade.
Dessa forma, os documentos oficiais têm que ser gramaticalmente corretos, refletindo o padrão culto da língua portuguesa. A linguagem técnica e rebuscada, os jargões profissionais, as gírias, os regionalismos, o internetês, os estrangeirismos, as mesóclises, o ponto de exclamação, as reticências, as siglas desconhecidas, as comparações e associações devem ser evitados, uma vez que limitam a compreensão do texto. Deve ser evitado também qualquer apelido pejorativo ou preconceituoso.
A formalidade traz, além da necessidade da correta utilização dos pronomes de tratamento, a polidez e a civilidade no enfoque dado ao assunto do documento. Já a padronização diz respeito a uniformidade das comunicações, tanto em seu texto quanto em sua apresentação (clareza datilográfica, uso de papéis uniformes e correta diagramação, por exemplo).
Por fim, a concisão traz a ideia de um “texto que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras”, atendendo ao princípio da economia linguística. Para que essa qualidade de texto seja alcançada, é necessário que se tenha conhecimento sobre o assunto a ser abordado e tempo para revisar o texto depois de terminado.

PRONOMES DE TRATAMENTO

Os pronomes de tratamento são associados ao caráter formal da redação oficial. Em que pese a referência que fazem à segunda pessoa gramatical, sempre levam a concordância para a terceira pessoa.
As regras acerca dos pronomes de tratamento são as seguintes:
1ª) É de uso consagrado o “Vossa Excelência”, para as seguintes autoridades:
  1. a) do Poder Executivo: Presidente da República; Vice-Presidente da República; Ministros de Estado; Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais-Generais das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial; Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Prefeitos Municipais;
  2. b) do Poder Legislativo: Deputados Federais e Senadores; Ministros do Tribunal de Contas da União; Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais;
  3. c) do Poder Judiciário: Ministros dos Tribunais Superiores; Membros de Tribunais; Juízes; Auditores da Justiça Militar.
2ª) O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é “Excelentíssimo Senhor”, seguido do cargo respectivo e vírgula (Excelentíssimo Senhor Presidente da República - Executivo; Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional - Legislativo; Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal - Judiciário). As demais autoridades serão tratadas com o vocativo “Senhor”, seguido do cargo respectivo e vírgula (Senhor Ministro, Senhor Senador, Senhor Juiz, Senhor Deputado, Senhor Governador, Senhor Prefeito).
3ª) “Vossa Senhoria” é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado é “Senhor Fulano de Tal”, seguido de vírgula.
4ª) A forma “Vossa Magnificência” é empregada tradicionalmente em comunicações dirigidas a reitores de universidades e de outras instituições de ensino superior. Corresponde-lhe o vocativo “Magnífico Reitor”, seguido de vírgula. Também é aceita a forma Vossa Excelência, com a invocação Senhor Reitor, mais simples e eufônica, porque a primeira é cerimoniosa, difícil de escrever e pronunciar e em desuso por sua abreviatura engraçada.
5ª) Os pronomes de tratamento para religiosos são:
  1. “Vossa Santidade” é utilizado em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é “Santíssimo Padre”, seguido de vírgula;
  2. “Vossa Eminência” ou “Vossa Eminência Reverendíssima” é utilizado em comunicações aos Cardeais; Corresponde-lhe o vocativo “Eminentíssimo Senhor Cardeal” ou “Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal”, seguido de vírgula;
  3. “Vossa Excelência Reverendíssima” é usado em comunicações dirigidas a Arcebispos e Bispos;
  4. “Vossa Reverendíssima” ou “Vossa Senhoria Reverendíssima” para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos;
  5. “Vossa Reverência” é empregado para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
6ª) No vocativo, o uso da vírgula é obrigatório.

Para autoridades monárquicas ou imperiais, há dois pronomes:

Vossa Majestade, em comunicações dirigidas a imperadores e reis. O vocativo é: Majestade
Vossa Alteza, em comunicações dirigidas a arquiduques, duques e príncipes. Corresponde-lhes o vocativo: Sereníssimo + título

FECHOS PARA COMUNICAÇÕES E IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO

Com relação às as normas técnicas de redação oficial, o Manual de Redação da Presidência da República estabelece apenas dois tipos de fecho:
  1. para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República: Respeitosamente, seguido de vírgula
  2. para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente, seguido de vírgula
Quanto a identificação, as comunicações oficiais devem conter o nome e o cargo da autoridade que as expede abaixo do local da assinatura, seguido de vírgula. A única autoridade que não se submete a essa regra é o Presidente da República.

PADRÃO OFÍCIO

Há três tipos de documentos oficiais que são diferentes em sua finalidade, mas semelhantes em sua forma. Em razão disso e em busca de uma diagramação única, foi estabelecido o padrão ofício.
Os documentos que se submetem a esse padrão são o aviso, o memorando e o ofício. O aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado para autoridades de mesma hierarquia, com a finalidade de tratar de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si. Na Redação Oficial, quem avisa, ministro é!
Já o memorando (também abreviado como memo) é uma forma de comunicação entre as unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar em um mesmo nível hierárquico ou não. É, portanto, uma comunicação eminentemente interna, hierarquicamente no mesmo nível ou em nível diferente.
Agilidade, despachos no mesmo documento, maior transparência e acompanhamento do processo.
Por fim, o ofício tem a mesma finalidade do aviso, mas é expedido para e pelas demais autoridades.
O padrão ofício contém as seguintes partes:
  1. tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede;
  2. local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita;
  3. assunto, ou seja, um resumo do teor do documento;
  4. destinatário, ou seja, o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluído também o endereço;
  5. texto: o expediente deve conter introdução, desenvolvimento e conclusão, com parágrafos numerados, caso não estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos. Quando se tratar de mero encaminhamento de documentos, deverá conter apenas introdução ou introdução e desenvolvimento;
  6. fecho da comunicação;
  7. assinatura do autor da comunicação;
  8. identificação do signatário.
Quanto a diagramação, o padrão ofício segue as seguintes regras:
  1. deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de rodapé;
  2. para símbolos não existentes na fonte Times New Roman poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;
  3. é obrigatório constar a partir da segunda página o número da página;
  4. os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser  impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”);
  5. o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;
  6. o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo, 3,0 cm de largura;
  7. o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
  8. deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
  9. não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento;
  10. a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações;
  11. todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
  12. deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Rich Text nos documentos de texto;
  13. dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto preservado para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
  14. para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento + número do documento + palavras-chaves do conteúdo;
  15. o vocativo é obrigatório no ofício e no aviso, o destinatário no memorando é mencionado apenas pelo cargo que a autoridade ocupa

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

A exposição de motivos é uma forma de comunicação realizada por Ministro(s) de Estado dirigida ao Presidente ou ao Vice-Presidente da República para informá-lo de um assunto, propor alguma medida ou submeter a sua consideração projeto de ato normativo. Também pode ser expedida pelo Governador do Estado ou Prefeito Municipal.
Quando tiver caráter meramente informativo, a expedição de motivos segue a forma do padrão ofício. No entanto, se a intenção é propor medidas ou submeter projeto de ato normativo, segue-se o padrão ofício acrescido dos seguintes comentários:
  1. na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida ou do ato normativo proposto;
  2. no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar o problema, e eventuais alternativas existentes para equacioná-lo;
  3. na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual ato normativo deve ser editado para solucionar o problema.
Além disso, deverá trazer em apenso o formulário de anexo à exposição de motivos, onde serão abordadas:
  • a síntese do problema ou da situação que reclama providências;
  • soluções e providências contidas no ato normativo ou na medida proposta;
  • alternativas existentes às medidas propostas, custos, razões que justificam a urgência (no caso de o ato proposto ser medida provisória ou projeto de lei que deva tramitar em regime de urgência);
  • impacto sobre o meio ambiente;
  • síntese do parecer do órgão jurídico.

MENSAGEM

Trata-se de uma forma de comunicação entre os Chefes dos Poderes Públicos, tais como as enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato da Administração Pública.
A sua forma segue as seguintes regras:
  1. indicação do tipo de expediente e de seu número, horizontalmente, no início da margem esquerda: “Mensagem nº (…)”;
  2. vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da margem esquerda: “Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal”, por exemplo;
  3. texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
  4. local e data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com a margem direita;
  5. como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz identificação de seu signatário.

TELEGRAMA

É toda a comunicação oficial realizada por meio de telegrafia ou telex. Por ser uma forma de comunicação custosa aos cofres públicos e tecnologicamente superada, deve se limitar às situações em que é impossível realizar a comunicação por fax ou por correio eletrônico e em que a urgência justifica sua utilização, devendo se pautar pela concisão. É cobrado por caractere.
Não há nessa modalidade uma forma padrão, devendo seguir o formulário disponível nas agências dos Correios ou em seu site na internet.

FAX

Esta forma de comunicação é utilizada para a transmissão de mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos quando não houver a possibilidade de utilização de correio eletrônico. Utiliza a linha telefônica, não depende dos correios, por isso não é dispendioso.
Os documentos enviados por meio de fax seguem seus próprios padrões, devendo ser enviado antes deles um formulário contendo dados de identificação, como, por exemplo, órgão expedidor, destinatário, número do fax de destino, data, remetente, telefone, número de páginas a serem enviadas e número do documento. 

CORREIO ELETRÔNICO

O correio eletrônico ou e-mail (abreviatura de electronic mail) tornou-se, em razão de seu baixo custo e rapidez, a principal forma de comunicação com a finalidade de compartilhar documentos. Em razão de sua flexibilidade, não possui uma forma rígida. No entanto, deve-se manter o nível de linguagem dos documentos que possuem um padrão. De preferência, deve ser usado o formato RTF.
O campo assunto deve sempre ser preenchido, de forma a facilitar a organização tanto de quem envia quanto de quem recebe o e-mail. Além disso, o corpo da mensagem que envia o documento deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo. É necessário existir certificação digital para que a mensagem seja aceita como documento.

Indecente ou indescente?

 Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...