quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Posse presidencial nem sempre foi em 1 de janeiro

Posse presidencial nem sempre foi em 1º de janeiro. Saiba mais
A Constituição de 1946 mudou a data da posse para o dia 31 de janeiro; a de 1967, para 15 de março; e a de 1988, para 1º de janeiro - Foto: Beto Barata/PR
Jair Bolsonaro é o oitavo presidente da República a assumir o posto após a redemocratização do País, em 1985. O ritual da posse, no dia 1º de janeiro de 2019, é o que marca oficialmente e simbolicamente o início das atividades presidenciais da nova autoridade máxima do Poder Executivo. Em outras seis ocasiões o Brasil inteiro assistiu à cerimônia de posse no primeiro dia do ano. Os presidentes eleitos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff também assumiram o poder, respectivamente e por duas vezes cada um, no primeiro dia de janeiro após as eleições.
No entanto, nem sempre foi assim. A data da posse é uma determinação da Constituição Federal de 1988, mas antes da posse de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, os presidentes assumiram o posto em datas diversas, cada uma definida em diferentes momentos da história do País e considerando a importância simbólica ou a adequação das datas escolhidas à rotina do próprio País. Entenda melhor como a data da posse foi definida desde a proclamação da República:

República Velha

A data mais importante para o regime político era, até então, a proclamação da República. Por esse motivo, a partir de 1889, quando o primeiro presidente (Marechal Deodoro da Fonseca) assumiu, a posse ocorria em 15 de novembro. Até que veio o ano de...

1930

Naquele ano, a presidência era ocupada por Washington Luís, até que Getulio Vargas se se autointitulou chefe do governo provisório. Vargas não permitiu que o presidente eleito, Júlio Prestes, tomasse posse em 15 de novembro, e também não teve ele mesmo uma cerimônia.

Três constituições, três datas

A Constituição de 1946 mudou a data da posse para o dia 31 de janeiro. Já em 1967, uma nova carta definiu a nova data como sendo 15 de março. A data seria mais conveniente por conta do fim das férias e do feriado prolongado do carnaval. A Constituição de 1988 fez uma nova alteração, desta vez para 1º de janeiro.

Impeachments

O Brasil teve dois episódios de impeachment presidencial no período pós-redemocratização: Fernando Collor (1992) e Dilma Rousseff (2016). Nas duas ocasiões, os vice-presidentes assumiram o posto em datas específicas, após o fim de cada processo de impedimento. Itamar Franco, sucessor de Collor, assumiu em 29 de dezembro de 1992. Já Michel Temer, que governou o País de maio de 2016 a dezembro de 2018, tomou posse em 31 de agosto de 2016.

Fernando Collor

Mesmo após a promulgação da carta constitucional de 1988, Fernando Collor de Mello assumiu, em 1990, ainda no dia 15 de março, pois um artigo dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias determinava que esse seria o fim do mandato presidencial anterior.

Futuros mandatos

Deputados e senadores já sugeriram muitos projetos para mudar a data da posse, mas, por enquanto, o dia, tanto para presidente e vice-presidente da República quanto para governadores eleitos, continua sendo em 1º de janeiro. Uma das propostas em análise na Câmara dos Deputados prevê mudança para 5 de janeiro, mas a votação ainda não foi concluída.
A posse do presidente do Brasil já teve várias datas diferentes ao longo da história da República. O primeiro presidente a tomar posse no dia 1º de janeiro foi Fernando Henrique Cardoso, em 1995, devido a uma emenda constitucional de revisão nº 5, de 7 de junho de 1994. Naquele ano, instituiu-se que o mandato presidencial, até então de cinco anos, passaria a ser de quatro, com a posse sempre no primeiro dia do ano.
 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhado de sua mulher Marisa durante sua posse
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhado de sua mulher Marisa durante sua posse
Foto: Divulgação
A partir da emenda constitucional de 1997 ficou determinado o presidente da República, os governadores de Estado e do Distrito Federal e os prefeitos poderiam ser reeleitos para um único período subsequente.
Durante a República Velha, de 1894 até 1930, as eleições presidenciais eram realizadas em 1º de março, de quatro em quatro anos, e a posse acontecia em 15 de novembro. Depois do governo de Getúlio Vargas, com a vigência da Constituição de 1946, as eleições diretas para escolha do presidente aconteciam em 3 de outubro, de cinco em cinco anos, e a posse era realizada em 31 de janeiro do ano seguinte. Com a ditadura militar e a Constituição de 1967 a data da posse mudou para o dia 15 de março. Esta data durou de 1974, quando Ernesto Geisel foi empossado presidente, até 1990, início do governo de Fernando Collor de Mello.
Apesar das datas de posse serem fixadas pela Constituição, devido a instabilidade política e a infinidade de sucessores, com mandatos de curta duração, muitos presidentes não tomaram posse nas datas citadas.
A eleição direta do presidente da República acontece desde a emenda número 25 de 1985 à Constituição de 1967. Ficou determinado que, caso nenhum dos candidatos a presidente obtenha maioria absoluta na primeira votação, realiza-se o segundo turno, em que só poderão concorrer os dois candidatos mais votados no primeiro turno.
O horário da cerimônia de posse presidencial é definido pela equipe de transição dos governos, acontecendo na tarde do dia 1º de janeiro para que os governadores dos Estados, que são empossados pela manhã, possam estar presentes.
A posse dos governadores e vice-governadores dos Estados, para mandato de quatro anos, também se realiza em 1º de janeiro do ano subsequente ao da eleição. O governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta perde seu mandato.
De acordo com a Constituição, o presidente e o vice-presidente da República tomam posse em sessão do Congresso Nacional, "prestando o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil".

O tucano Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente após a redemocratização a tomar posse em 1º de janeiro (foto: Luís Tajes/CB/D.A Press - 1º/1/95 )
O tucano Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente após a redemocratização a tomar posse em 1º de janeiro(foto: Luís Tajes/CB/D.A Press - 1º/1/95 )
Nem sempre a posse do presidente e vice-presidente da República e dos governadores e vices dos estados foi em 1º de janeiro. Objeto de inúmeras propostas de emenda constitucional em tramitação no Congresso Nacional para a mudança, sem que nenhuma delas tenha sido levada a termo, essa data foi definida pela Constituição de 1988, em seu artigo 82. O primeiro dia do ano dia é considerado por muitos inconveniente porque dificulta a presença de governadores eleitos na posse presidencial. Eles geralmente optam por solenidades pela manhã para que à tarde possam viajar a Brasília. Seria o caso do governador eleito de Minas, Romeu Zema (Novo), que acabou desistindo de prestigiar o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), já que não chegaria em tempo hábil para a posse em avião de carreira.

    Entre 1889 e 1930 – República Velha, Primeira República ou República Oligárquica – o presidente tomava posse em 15 de novembro, data da Proclamação da República. Em Minas, após a eleição de Afonso Pena, o primeiro governador – na ocasião chamado presidente – eleito pelo voto direto e empossado em 14 de julho de 1892, a posse dos eleitos foi definida em 7 de setembro, data em que se celebra a Independência do Brasil. Assim foi até 1930.

    Entre 1930 e 1945, ocorreu a Era Vargas – Segunda e Terceira Repúblicas –, iniciada com a Revolução de 1930 que expulsou do poder a oligarquia cafeeira. Nesse período, Getúlio Vargas presidiu o Brasil continuamente – inclusive entre 1937 e 1945 – por meio do golpe que instituiu o Estado Novo. Em Minas, o governo foi entregue a uma sucessão de interventores. Mas com a promulgação da Constituição de 1946, a posse do presidente da República foi fixada em 31 de janeiro e também a do governador do estado. Milton Campos foi o primeiro governador eleito nesse período que se estende até 1964 e é conhecido como Quarta República. Mas foi Juscelino Kubtischek, o segundo governador de Minas dessa fase, que, em 1951, tomou posse pela primeira vez em 31 de janeiro, mesma data em que, após ser eleito pelo voto direto, Vargas foi reconduzido e empossado na Presidência da República.
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    O golpe de 1964 interrompeu a normalidade democrática de eleições diretas presidenciais. Depois de Israel Pinheiro, último governador eleito de Minas para o mandato de 1966-1971 a ser empossado em 31 de janeiro, veio o tempo dos governadores e presidentes eleitos por via indireta. Até 1985, foram realizadas seis eleições indiretas para presidente da República, sendo três pelo Congresso Nacional e três pelo Colégio Eleitoral, das quais, na última, foi eleito um presidente civil Tancredo Neves, que faleceu antes da posse e foi substituído pelo vice, José Sarney. A partir da Constituição de 1967, que incorporou as medidas autoritárias dos Atos Institucionais em sua Emenda de 1969, a data da posse para presidentes e governadores passou a ser 15 de março.

    Autocrática e concentrando poderes no Executivo, a Constituição de 1967 vigorou até a promulgação da Constituição de 1988, símbolo da Nova República – iniciada em 1985 – e da redemocratização do Brasil, que estabeleceu o 1º de janeiro.

    COLLOR ESCAPOU Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar assumiu ainda em 15 de março beneficiado pelos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Já Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente da República a tomar posse em 1º de janeiro, em 1995. Da mesma forma, em Minas Gerais, Hélio Garcia foi eleito em 25 de novembro de 1990 e empossado ainda em 15 de março de 1991. Mas o seu sucessor, Eduardo Azeredo (PSDB), foi o primeiro governador de Minas no período pós-autoritário militar a tomar posse em 1º de janeiro.

    Várias propostas de emenda constitucional tentam ao longo da última década modificar a data de posse do presidente da República. Uma delas, por exemplo, proposta em 2011 pelo ex-senador José Sarney (MDB-AP), sugeriu as datas de posse do presidente em 15 de janeiro, a dos governadores em 10 de janeiro e a dos prefeitos em 5 de janeiro. Outra, de autoria do também ex-senador Marco Maciel (DEM-PE), tenta mudar a data das posse para três de janeiro. Ambas foram aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas até hoje aguardam a votação em dois turnos no plenário da Casa. Em decorrência da intervenção federal no Rio de Janeiro, a votação de propostas de emendas constitucional ficou inviabilizada este ano.

    terça-feira, 3 de setembro de 2019

    Morfologia - Estrutura e Formação de Palavras

    A Morfologia é o estudo da palavra dentro da nossa língua. Elas são agrupadas em dez (10) classes, denominadas classes de palavras ou classes gramaticais, são elas: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição. As palavras denotativas não pertencem a nenhuma classe gramatical específica, segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB).

    Classes de Palavras
    São dez as classes de palavras. Seis são variáveis e quatro invariáveis.

    Variáveis

    1. Substantivo*: simples
    composto
    comum
    próprio
    concreto
    abstrato
    primitivo
    derivado
    coletivo

    1. Adjetivo*: simples
    composto
    primitivo
    derivado
    explicativo
    restritivo
    pátrio

    2. Pronome*: pessoal
    possessivo
    demonstrativo
    indefinido
    interrogativo
    relativo
    reflexivo
    recíproco
    de tratamento
    reto
    oblíquo


    3. Verbo*: regular
    irregular
    anômalo
    auxiliar
    defectivo
    abundante
    pronominal
    reflexivo
    impessoal
    unipessoal

    4. Artigo:
    definido
    indefinido

    5. Numeral:
    cardinal
    ordinal
    multiplicativo
    fracionário
    coletivo

    Invariáveis
    1. Advérbio*
    tempo
    lugar
    modo
    afirmação
    negação
    dúvida
    intensidade
    2. Conjunção*
    coordenativa:
    aditiva
    adversativa
    alternativa
    explicativa
    conclusiva
    subordinativa:
    causal
    consecutiva
    concessiva
    condicional
    comparativa
    conformativa
    proporcional
    final
    temporal
    integrante
    3. Preposição*
    essencial
    acidental
    4. Interjeição*
    Interjeições de

    alegria

     Oh!, Ah!, Oba!, Viva!, Opa!, Eta!, Eita!, Eh!, Gol!, Iupi!, Aleluia!,…

    Interjeições de

    estímulo

     Vamos!, Força!, Coragem!, Ânimo!, Adiante!, Avante!, Eia!, Firme!, Toca!,… 

    Interjeições de

    aprovação

     Apoiado!, Boa!, Bravo!, Parabéns!, Ótimo!, Isso!, Bis!,…

    Interjeições de

    desejo

     Oh!, Tomara!, Oxalá!,…

    Interjeições de

    dor

     Ai!, Ui!, Ah!, Oh!,…

    Interjeições de

    surpresa

     Nossa!, Cruz!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Oh!, Puxa!, Quê!, Ué!, Barbaridade!, Xi!,…

    Interjeições de

    impaciência

     Diabo!, Puxa!, Pô!, Raios!, Ora!, Irra!, Hum!, Arre!,… 

    Interjeições de

    silêncio

     Psiu!, Silêncio!, Shh!, Basta!, Chega!, Stop!, Pare!,…

    Interjeições de

    alívio

     Uf!, Ufa! Ah!, Puxa!,…

    Interjeições de

    medo

     Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!, Jesus!, Ai!,…

    Interjeições de

    advertência

     Cuidado!, Atenção!, Olha!, Alerta!, Sentido!, Fogo!, Calma!, Devagar!,…

    Interjeições de

    concordância

     Claro!, Tá!, Hã-hã!, Certo!, Ótimo!, Perfeito!,…  

    Interjeições de

    desaprovação

     Credo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!, Droga!, Porcaria!, Bah!, Não mais!,… 

    Interjeições de

    incredulidade

     Hum!, Epa!, Ora!, Qual!, Ué!,…

    Interjeições de

    socorro

     Socorro!, Aqui!, Piedade!, Ajuda!, Acuda!,…

    Interjeições de

    cumprimentos

     Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Adeus!, Até!, Inté!, Salve!, Ave!, Viva!,…

    Interjeições de

    afastamento

     Rua!, Xô!, Fora!, Passa!, Sai!, Arreda!, Roda!, Vaza!, Cai fora!,…

    Interjeições de

    agradecimento

     Obrigado!, Grato!, Valeu!,…

    Interjeições de

    desculpa

     Perdão!, Opa!, Desculpa!, Lamento!, Foi mal!, Sinto muito!,… 

    Extra: Palavras Denotativas*

    inclusão
    exclusão
    explicação
    limitação
    retificação
    realce / expletiva
    designação
    situação
    adição
    afastamento
    afetividade
    aproximação

    As classes gramaticais marcadas podem ser representadas por locuções: locução substantiva, locução adjetiva, locução pronominal, locução verbal, locução adverbial, locução prepositiva, locução conjuntiva, locução interjetiva e locução denotativa.

    Estrutura das Palavras
    As palavras são compostas de pequenas partes significativas ( a menor parte indivisível e significativa da palavra), que se chamam morfemas. Os morfemas podem ser lexicais gramaticais.

    Morfemas Lexicais
    Apresentam o sentido básico da palavra e podem ser comuns a várias delas.
    Os morfemas lexicais podem ser:
    I. Raiz ou Radical ou Lexema ou Semantema ou Morfema Lexical
    É o elemento irredutível e comum a todas as palavras da família. Radical não é só no esporte, também existe radical na política, na cirurgia, na matemática, na química.
    estudar estúdio estudioso estudei estudante reestudar
    Obs.: Palavras que apresentam a mesma raiz ou radical são conhecidas como cognatas.
     
    II. Vogal Temática
    É a vogal que prepara a raiz para o recebimento de novos morfemas, como desinências de infinitivo, de tempo e modo, número e pessoa. São de dois tipos:

    1. as vogais A, E, O átonas que se ligam ao radical dos nomes sem oposição de gênero:
    escola
    ponte
    ângulo

    Observação:
    Nomes terminados em vogal tônica ou consoante não têm vogal temática, apresentam apenas o radical, são chamados atemáticos.
    sofá / café / caqui / baú / nível / hífen

    2. as vogais A, E, I que se ligam ao radical dor verbos, indicando a conjugação a que pertencem:
    falar
    vender
    partir

    III. Tema
    É o radical acrescido da vogal temática, isto é, preparada para receber as desinências:
    Escolar
    pontes
    angulosidade
    falar
    vender
    partir

    IV. Afixos
    São morfemas que se unem ao radical, modificando o significado básico, formando, assim, novas palavras. Eles podem ser:

    1. Prefixos : quando colocados antes do radical:
    ilegal
    desconhecer

    2. Sufixos : quando colocados depois do radical:
    felizmente
    legalidade

    Morfemas Gramaticais
    Indicam noções puramente gramaticais, como as flexões de gênero e número,modo e tempo.
    Dividem-se em:

    I. Desinências
    São morfemas que aparecem no final da palavra e podem ser nominais ou verbais.

    1.   Nominais :

    a) de gênero: indica o gênero (o "a" de nomes femininos com oposição de gênero):
    gato - gata
    menina
     
    Observação:
    O "o" dos nomes masculinos com oposição de gênero chama-se desinência zero.
    gato
    menino

    b) de número: indica o número (o "s" de nomes no plural):
    gatos / gatas
    meninos / meninas
     
    2.  Verbais:

    a) modo-temporal: indica o modo e o tempo:
    Cantava: pretérito imperfeito do indicativo

    b) número-pessoal: indica o número e a pessoa:
    Cantavas: 2ª pessoa do singular

    II. Vogais e Consoantes de Ligação
    A ausência da vogal temática pode dificultar a pronúncia e a formação de uma nova palavra.
    São usados então fonemas sem, valor significativo, como preparação do radical para o recebimento de novos morfemas:

    Gasômetro
    cafezal

    Formação de Palavras
    As novas palavras que surgem na língua são formadas através de vários processos de formação de palavras:

    COMPOSIÇÃO
    União de duas ou mais palavras que têm vida própria na língua e formam uma nova palavra, com sentido diferente.
    A composição pode ser:

    a) por Justaposição - as palavras são colocadas lado a lado, hifenizadas ou não, sem qualquer alteração fonética:
    guarda-chuva
    passatempo
    girassol
    segunda-feira
    matéria-prima
    boas-vindas

    b) por Aglutinação - as palavras aglutinam-se e ficam com um só acento tônico, tendo alterada a sua forma:
    planalto (plano+alto)
    aguardente (água+ardente)
    outrora (outra+hora)
    Fonseca (Fonte+Seca)
    vinagre (vinho+acre)

    DERIVAÇÃO
    Uma só palavra, com vida própria na língua, participa da formação de um novo termo.
    À palavra básica se juntam afixos (prefixo e/ou sufixo), muda-se a sua classe gramatical, usa-se parte da palavra, ou eliminam-se fonemas terminativos.
    A derivação pode ser:

    a) Prefixal ou Prefixação - feita com acréscimo de prefixos:
    infiel
    desleal

    b) Sufixal ou Sufixação - feita com acréscimo de sufixos:
    simplesmente
    naturalidade
     
    c) Prefixal e Sufixal ou Prefixação e Sufixação - a palavra recebe prefixo e sufixo ao mesmo tempo, mas existe na língua apenas com um dos afixos, o acréscimo do prefixo e sufixo é sucessivo, são acoplados em sequência:
    infelizmente
    desigualdade
    desvalorização
    configuração
    desnivelar
    inutilizar
    injustiça
    insensatez
    descortesia
    insegurança
    desempregado

    d) Parassintética ou Circunfixação: a palavra recebe prefixo e sufixo, porém não existe na língua apenas com um dos afixos, o acréscimo do prefixo e sufixo é simultâneo, a palavra provém diretamente do substantivo ou do adjetivo, pelo acréscimo concomitante dos adjetivos:
    enriquecer
    enraivecer
    enlouquecer
    expatriar
    envelhecer
     
    e) Regressiva ou Regressão - a palavra é criada por redução da palavra primitiva:
    • Verbos dão origem a substantivos que indicam ação: ataque (de atacar), embarque (de embarcar), resgate (de resgatar), disputa (de disputar), renúncia (de renunciar), consumo (de consumir), amostra (de amostrar), debate (de debater), compra (de comprar), censura (de censurar), oferta (de ofertar), trabalho (de trabalhar), combate (de combater), pesca (de pescar), caça (de caçar), denúncia (de denunciar), sustento (de sustentar), venda (de vender), emprego (de empregar), conta (de contar), ajuste (de ajustar), troco (de trocar), custo (de custar), suporte (de suportar), firma (de firmar), treino (de treinar), prova (de provar).
    • São chamados substantivos deverbais. Terminam sempre em a, e ou o. São sempre nomes abstratos.
    • Nomes que indicam objetos ou substâncias dão origem a verbos: planta (de plantar), telefone (de telefonar), arquivo (de arquivar), impressora (de imprimir), telégrafo (de telegrafar), fumo (de fumar), azeite (de azeitar), martelo (de martelar), lanche (de lanchar), oferenda (de oferendar), resumo (de resumir).
    • São sempre substantivos concretos.
    Obs.: Nomes podem derivar de outros nomes, porque o falante vê a possibilidade de eliminar um sufixo real ou imaginário. Exemplos: boteco (de botequim), sarampo (de sarampão), bença (de bênção), portuga (de português), asco (de asqueroso), transa (de transação), estranja (de estrangeiro), japa (de japonês), china (de chinês), delega (de delegado), milico (de militar), cerva (de cerveja), Maraca (de Maracanã), Floripa (de Florianópolis), Sampa (de São Paulo), neura (de neurose ou neurótico) etc.
    f) Imprópria ou Conversão - trata-se de mudança da classe gramatical da palavra, sem lhe alterar a forma:

    Comício monstro (substantivo passa a adjetivo).
    Falavam alto (adjetivo passa a advérbio).
    cantar é preciso (verbo passa a substantivo).
    não é um advérbio (advérbio passa a substantivo).
    Maria Pereira (substantivo comum passa a próprio).
    não-violência (advérbio passa a prefixo).
    seja... seja (verbo passa a conjunção).
    mediante (de particípio presente passa a preposição).
    conteúdo (de particípio presente passa a substantivo).

    Abreviação ou Redução - a palavra é usada de forma reduzida.
    cine de cinema (cinema já é redução de cinematógrafo, cinematografia ou cinematográfico)
    pneu (de pneumático)
    moto (de motocicleta)
    foto (de fotografia)
    quilo (de quilograma)
    tevê (de televisão)
    extra (de extraordinário ou extrafino)
    rádio (de radiodifusão, radiofonia ou radiograma)
    metrô (de metropolitano)
    rebu (de rebuliço)
    reaça (de reacionário)
    pc de micro (micro já é redução de microcomputador)
    auto (de automóvel)
    ônibus (de auto-ônibus)
    fone (de telefone)


    Observações: há casos em que a forma reduzida passa a ser usada com outro valor, como em foto, que passou a designar a casa comercial: Foto São João 
    • é preciso não confundir abreviação com abreviatura, que é a representação da palavra através de uma ou mais letras: Av. = avenida / Dr. = doutor
    Onomatopeia - palavra que imita certos sons:
    bem-te-vi
    tique-taque
    mugir
    zunzum

    Hibridismo - palavras formadas com elementos provenientes de línguas diferentes:
    televisão (grego+latim)
    abreugrafia (português+grego)
    alcoômetro (árabe+ grego)
    burocracia (francês+grego)
    zincografia (alemão+grego)
    Petrópolis (latim+grego)
    Teresópolis (português+grego)
    cotonete (inglês+português)

    Siglas - palavras formadas por iniciais de títulos:
    ONU (Organização das Nações Unidas)
    IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

    Indecente ou indescente?

     Segundo as regras ortográficas da língua portuguesa, a palavra correta é indecente, sem o uso da letra s antes da letra c. A grafia indesce...